Os atuns e afins são peixes que vivem em regiões tropicais e subtropi- cais de todos os oceanos. Apresenta corpo alongado, fusiforme, boca grande e alongada, duas nadadeiras dorsais bem separadas e encaixadas em um sulco no dorso, seguidas por grupos de lepidotríquias (também na região ven- tral). A barbatana caudal é bifurcada e, no seu pedúnculo, ostenta duas qui- lhas de queratina. Têm sistema vascular especializado em trocas de calor, podendo elevar a temperatura do corpo acima da da água onde nadam – são endotérmicos. Por isso, são grandes nadadores, podendo realizar migrações dentro ou entre oceanos (algumas espécies). Um atum pode nadar até 170 km num único dia. Normalmente, formam cardumes só de peixes da mesma idade. São predadores ativos. Do ponto de vista da reprodução, são dioicos e não mostram dimorfismo sexual. As fêmeas produzem grandes quantidades de ovos planctônicos que se desenvolvem em larvas pelágicas.
Estão incluídas no grupo dos atuns e afins várias espécies da ordem Scombriformes; os atuns-verdadeiros ou albacoras pertencem à família Scom- bridae e todas são do gênero Thunnus (SOUTH, 1845), constituindo-se nas espécies de maior valor comercial das pescarias mundiais. Outras de menor importância do grupo são os bonitos Euthynnus, Katsuwonus e Auxis, os agu- lhões (família Istiophoridae), o espadarte (família Xiphiidae), a cavala e a serra (espécies do gênero Scomberomorus). Com exceção das duas últimas, que têm distribuição geográfica mais costeira e são capturadas em pescarias de pequena escala, todas as demais são exploradas pela pesca industrial, em áreas mais amplas do mar, consideradas altamente migratórias pela Conven- ção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (LIMA, 2007).
Do grupo de atuns e afins importantes para as pescarias comerciais brasileiras, encontram-se as seguintes espécies: bonito-listrado Katsuwonus pelamis Linnaeus, 1758; albacora-bandolim Thunnus obesus (Lowe, 1839); albacora-branca T. alalunga (Bonnaterre, 1788); albacora-laje T. albacares, (Bonnaterre, 1788); espadarte Xiphias gladius Linnaeus, 1758; dourado Coryphaena hippurus, Linnaeus, 1758; cavala Scomberomorus cavalla (Cuvier, 1829); serra S. brasiliensis. Outras espécies com menor importância nas pes- carias comerciais, embora com eventual importância em determinadas áreas ou estados são a albacorinha T. atlanticus, o bonito-cachorro Auxis thazard, a cavala-empinge Acanthocybium solandri e o peixe-papagaio ou lua Lampris guttatus. O agulhão-branco Tetrapterus albidus, o agulhão-vela Istiophorus al-
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bicans e o agulhão-negro Makaira nigricans são especialmente importantes na pesca esportiva (DIAS-NETO; DORNELLES, 1996). Estão incluídos como afins dos atuns alguns tubarões, entretanto, o conjunto dessas espécies será motivo de análise separada.
Os últimos dados obtidos junto ao SisRGP-MPA mostram que a frota nacional autorizada para a pesca de atuns e afins é composta de 680 barcos (Tabela 2), sediados em 13 portos diferentes de 10 unidades da Federação. As informações apresentadas pelo Brasil à ICCAT (2012) evidenciam que pouco mais de 80% dessa frota é composta por embarcações menores de 20 m de comprimento total e as arrendadas por empresas brasileiras repre- sentavam 2,5% ou 15 unidades do total da frota em 2011.
O comportamento da produção total, das cinco principais espécies de atuns e afins capturadas pela frota brasileira, bem como do total do con- junto de outras espécies, no período de 1977 a 2010, é apresentado na Fi- gura 133, onde pode ser observado (não inclui as produções de serra e tu- barões dos últimos anos): a produção total partiu de 7.016 t, em 1977, e passou a apresentar crescimento até 1986 (39.430 t), quando flutuou ou estacionou em torno de 35.000 t; em seguida, ocorreram novos incremen- tos, até 2001, quando a produção foi recorde: 60.642 t; nos anos seguintes, as produções foram, no geral, decrescentes (apesar de algumas flutuações) e, em 2010, a produção total foi de 33.420 toneladas.
Figura 133 Produção (t) total anual de atuns e afins, bem como das cinco principais espécies e de outras capturadas pela frota do Brasil – 1977 a 2010.
Da análise da produção por espécie, verifica-se que o bonito-listrado domina e dita o comportamento da produção total nacional (Figura 13), com uma média de 55% para o período, seguido pela albacora-laje (9%), o espa- darte (6%), a albacora-branca (4%) e a albacora-bandolim (3%). A participa- ção da produção total de outras espécies representou 23% na média do período considerado, entretanto, isso deve-se ao fato de até 2003 não ter- mos conseguido suprimir a produção de tubarões, possivelmente ali incluí- dos. Portanto, é provável que a participação de outras espécies esteja so- brestimada.
Chamamos a atenção para grandes flutuações nas produções anu- ais das albacoras e do espadarte, o que se deve, em grande medida, ao fato de o Brasil não possuir frota própria (só na última década começou a consolidar uma frota nacional para a pesca do espadarte) e ter ficado na dependência histórica do arrendamento de barcos estrangeiros por em- presas nacionais, para obter produção dessas espécies. Isso tem sido um fator de vulnerabilidade da pesca nacional e tem recebido severas críticas de especialistas.
É importante ponderar, ainda, que a tão propalada possibilidade de o Brasil aumentar a produção nacional de atuns e afins é muito limitada, pois as principais espécies de atuns e afins capturadas no Atlântico estão explo- tadas ou em recuperação de sobrepesca e só se alcançará uma produção continuada, com possibilidade de crescimento, se houver capacidade de con- solidar uma frota nacional de espinheleiros, com mão de obra qualificada e, mesmo assim, para concorrer com frotas modernas de países com a pesca considerada como bem desenvolvida como o Japão, a Espanha, a China e a Coreia, entre outros.
Cabe, ainda, argumentar que as empresas brasileiras têm arrendado barcos de armadores de pesca dos mesmos países que são, também, nos- sos principais concorrentes, e esta tem sido a principal razão de, quando não interessar mais, tais países simplesmente suspenderem os arrenda- mentos e o Brasil não ter como continuar as pescarias e as produções des- sas espécies.
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Box 7
A prática do arrendamento de embarcações estrangeiras por empresas e armadores de pesca nacionais7.
O arrendamento de barcos atuneiros estrangeiros foi iniciado em 1976 e tinha por objetivo expandir a produção nacional de tunídeos, possibilitar a absorção de novas tecnologias e aumentar as exportações e a oferta de tunídeos para o mercado interno, até então limitada às pescarias artesanais da Região Nordeste e às pescarias industriais da pequena frota de espinheleiros do estado de São Paulo, que, embora operando desde 1967, não apresentavam sinais de evolução.
Em meados dos anos de 1980, transcorridos cerca de 10 anos do uso do instrumento, foi realizada uma avaliação técnico-científica dos arrendamentos. Na opor- tunidade, foi apontado que a prática não teve o desenvolvimento esperado, com poucos contratos tendo sido efetivados. Apesar disso, os seguintes resultados positivos foram atingidos:
• o arrendamento de espinheleiros japoneses em Rio Grande (RS) permitiu estabelecer pescaria de tunídeos na Região Sul e surgir de uma frota nacional, composta de dois barcos, sendo um nacionalizado e outro adaptado a partir de um antigo arrasteiro;
• a operação de atuneiros de isca viva, em Itajaí (SC), possibilitou a expansão da área de pesca em direção ao Sul, com exploração de novas áreas desde o Cabo de Santa Marta até o limite sul do País, e resultou no desenvolvimento dessa atividade de pesca em Santa Catarina.
Todavia, o programa foi questionado pelos empresários nacionais que operavam na pesca de tunídeos, pela competição desigual com os barcos nacionais, menos eficientes, em parte, porque os barcos estrangeiros, além de empregar novas tecnologias, eram equipados com instrumentos e artes de pesca importadas e não acessíveis aos barcos nacionais.
Apesar de reconhecer que os arrendamentos poderiam contribuir para o desenvolvimento da pesca de atuns, por meio de barcos adequadamente equipados, foi ponderado que, além dos aspectos puramente técnicos, deveria-se, também, considerar as repercussões socioeconômicas desses empreendimentos, pois o arrendamen- to de barcos em grande número poderia afetar o rendimento econômico da frota nacional, se esses barcos mais eficientes operassem na mesma área de pesca.
Especificamente com relação a barcos cerqueiros, considerou-se que a introdução de tecnologia especializada, utilizada por grandes cerqueiros que empregam mão de obra reduzida e com nível maior de especialização, poderia inibir ou substituir a pesca de isca viva nacional, que é intensiva na utilização de mão de obra com menor qualificação.
Nova análise da política de arrendamentos foi realizada por Dias-Neto (1990), na qual o autor conclui que a maioria dos objetivos dos arrendamentos, até então realizados, não foram cumpridos, citando como exemplos: 1) o arrendamento de boniteiros iniciado em 1981 caracterizou desvio na aplicação da legislação, pois além da tecnologia da captura com vara e isca viva já ter sido dominada no País, a frota estava em expansão; 2) não ocorreu a esperada elevação do nível de tecnologia nacional na pesca, pois foram arrendados barcos cuja técnica já era dominada (pesca com vara e isca viva), e, no caso dos espinheleiros, a contraparte da tripulação brasileira não tinha condições de assimilar qualquer tecnologia, pois foi empregada em trabalho dominantemente mecânico; 3) não ocorreu aumento das exportações brasileiras, pois na quase totalidade dos contratos de arrendamento, o valor pago pela embarcação equivale a 95% da receita líquida gerada pela produção da unidade envolvida (embar- cação); 4) também não houve acréscimo de produção para abastecer a zona deficiente de pesca, já que o produto dessas pescarias vem sendo direcionado para o mer- cado externo.
Em fins dos anos de 1980, foi concluído que as possíveis contribuições que a política de arrendamento pode propiciar já haviam sido atingidas e sua continuidade seria desestímulo à formação de uma frota brasileira de espinheleiros. Ressaltou-se, finalmente, que a formação de tal frota deve ser o primeiro objetivo da administração pesqueira e que todos os obstáculos devem ser removidos para a sua concretização.
Em 1992, foi constituído um Grupo de Trabalho (GT) para estudar e elaborar subsídios para a definição de uma política de ordenamento e ocupação da ZEE, bem como realizar uma avaliação dos arrendamentos de embarcações estrangeiras.
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Com a implementação dessa política, o Brasil disporia de melhores informações técnicas e científicas sobre o potencial dos recursos vivos do mar e a situação ambiental, e teria uma frota oceânica para enfrentar os desafios que adviriam com a vigência da Convenção do Direito do Mar.
O relatório do GT é um resumo final com várias sugestões e recomendações para subsidiar a definição de uma política de ocupação da ZEE. Nesse relatório desta- cam-se as seguintes conclusões e recomendações relacionadas com os arrendamentos de embarcações estrangeiras de pesca:
• Os arrendamentos de barcos estrangeiros se constituíam numa transação comercial e, portanto, tornava-se necessária uma análise dos aspectos econômicos desses empreendimentos, com vistas a identificar as vantagens e desvantagens que traziam para o País. Embora o GT não tenha tido acesso a dados econômicos das operações de pesca, existiam evidências de que a balança comercial dos arrendamentos era deficitária;
• Grande parte da frota pesqueira nacional não possuía características físicas ou não estava devidamente equipada para obter melhor aproveitamento de recur- sos pesqueiros nas regiões oceânicas da ZEE. Nesse contexto, as embarcações mais novas, com comprimentos acima de 20 m, poderiam ser adaptadas para operar nessas áreas e os barcos arrendados, que eram mais modernos e melhor equipados, teriam melhores condições para a pesca oceânica;
• A falta de observadores de bordo foi apontada como a principal deficiência no acompanhamento das operações de pesca nas embarcações arrendadas e em assimilação das tecnologias;
• A formação e o treinamento de mão de obra foram apontados como fatores decisivos e limitantes para a implementação da política de ocupação da ZEE e a frota oceânica arrendada não contribuiu para suprimir essa deficiência;
• Para incentivar a formação de uma frota pesqueira oceânica, foram sugeridas várias medidas, inclusive, recomendando o arrendamento de embarcações estrangeiras para ocupar temporariamente a ZEE e fornecer subsídios técnicos para o conhecimento dos recursos vivos na referida zona, bem como criar linhas de crédito específicas para aquisição dessas embarcações e construção de embarcações destinadas à pesca de alto-mar, com juros e prazos compatíveis com a atividade.
Para superar os gargalos apontados e viabilizar a ocupação da ZEE foram sugeridas mudanças e aprimoramentos da legislação vigente.
Quanto aos aspectos econômicos, Teixeira et al. (2004) realizaram uma análise econômica dos arrendamentos no período de 1998 a 2002, destacando que tais embarcações extraem um volume de recursos significativos, especialmente as que pescam espécies de altos valores comerciais, focadas no mercado internacional, como é o caso dos atuns e afins, e que tal atividade, sem dúvida, contribui para o aumento de divisas ao País. No entanto, o que torna oneroso à atividade é o alto valor pago pelo arrendatário dessas embarcações. Ao mesmo tempo que essa atividade promove as exportações, não gera um efeito multiplicador interno de riqueza, pois, em média, 95% do lucro dessa atividade é revertido ao exterior.
Hazin e Travassos (2006) avaliaram que os arrendamentos de barcos atuneiros foram úteis para a construção de um histórico de captura, que tem assegurado ao Brasil, nas negociações realizadas na ICCAT, dispor de um percentual da quota de captura do espadarte acima do que poderia conseguir, com base apenas nas capturas dos barcos nacionais. Ressaltam, no entanto, que isso tornou o País extremamente vulnerável a eventuais retaliações dos países com bandeira de embarcações arrenda- das, particularmente quando são importantes mercados para o pescado brasileiro, como a Espanha.
Rodrigues e Quinóz (1998) destacaram os equívocos ocorridos entre 1991 e 1997, quando foram autorizados arrendamentos de 147 embarcações estrangeiras para empresas de pesca nacionais, entretanto, cerca de 50% das autorizações foram concedidas para empresas sem tradição ou experiência na atividade pesqueira, que foram constituídas especificamente para a pesca pelo arrendamento de embarcações estrangeiras. Tais fatos evidenciam o pouco interesse das empresas pesqueiras tradicionais pelo arrendamento e, possivelmente, explicam porque este não contribuiu de forma efetiva para a formação de uma frota nacional para a pesca oceânica.
Na realidade, Dias-Neto (1993) pondera que, com a prática dos arrendamentos, o Governo Federal passou a outorgar a um brasileiro (empresa) a competência para vender o direito para barcos estrangeiros pescarem em águas jurisdicionais do Brasil, usufruírem de um bem comum da sociedade e utilizarem nosso território como porto avançado dos seus países de origem, sem que a Nação obtenha o adequado usufruto de suas riquezas e potencialidades.
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Diante dos problemas apontados com a prática dos arrendamentos e com o lançamento do Programa Nacional de Financiamento e Modernização da Frota Pesquei- ra Nacional (Profrota-Pesqueira), quando se passou a acreditar que havia um fator motivador para a importação e construção de novos atuneiros pelas empresas arrenda- tárias, a Seap/PR defendeu e a Presidência da República aditou o Decreto n° 4.810/2003 que considerava o arrendamento de embarcações estrangeiras um instrumento temporário e com previsão de não mais continuar no prazo de 2 anos.
Em paralelo, foi discutida e evidenciada a urgência de se viabilizar o arrendamento de embarcações a casco “nu”, com suspensão de bandeira estrangeira, uma vez que sob tal enquadramento jurídico a mesma passa a ser, para todos os efeitos da legislação nacional e internacional, uma embarcação brasileira.
Nesse sentido, foi aprovada a Lei n° 11.380/2006, que Institui o Registro Temporário Brasileiro para embarcações de pesca estrangeiras arrendadas ou afretadas, a casco “nu”, por empresas, armadores de pesca ou cooperativas de pesca brasileira, e dá outras providências. Entretanto, até agora, essa lei não foi implementada e, portanto, os objetivos esperados não foram alcançados.
Em contrapartida, no final de 2010, o MPA promoveu um grande retrocesso na prática de arrendamento de barcos estrangeiros por empresas brasileiras. Essa oportunidade possibilitou que uma “empresa” constituída para esse fim arrendasse mais de uma dezena de barcos espinheleiros e que não fosse cumprida a lei dos 2/3 de mão de obra nacional (inicialmente, foi autorizado que a totalidade dos tripulantes poderia ser de estrangeiros).
Essa nova prática tornou ainda mais verdadeiro o afirmado por Dias-Neto (1993), anteriormente citado.
É importante apontar que em todo o período da prática dos arrendamentos estiveram presentes fortes denúncias de corrupção praticada, especialmente por em- presas de fachada, sobre alguns gestores que, de passagem pelo Serviço Público, escolhiam o caminho de “ganhar dinheiro fácil” em vez de se dedicar a defender os reais interesses da sociedade brasileira (objetivo precípuo do cargo que ocupava).
O Brasil tem internalizado as medidas de gestão para o uso dos atuns e afins, sempre que necessário, às recomendações da ICCAT, entretanto, tem sido apontada, em vários eventos e fóruns nacionais, a necessidade de ado- ção de medidas complementares específicas para as pescarias nacionais e entre elas citamos:
• Regulamentar e limitar o esforço de pesca para a modalidade com vara, linha, anzol e isca viva.
• Regular e, se for o caso, limitar o uso do cerco para a pesca de boni- to-listrado e albacoras.
• Definir regras e, se for o caso, limites para a frota de espinheleiros tipo Itaipava.
• Suspender, definitivamente, o arrendamento de barcos estrangeiros por empresas nacionais.
• Regulamentar e estimular o arrendamento ou afretamento de barcos estrangeiros na modalidade “casco nu”, conforme previsto na Lei n° 11.380, de 1° de dezembro de 2006.
A seguir, as principais características das espécies mais importantes nas pescarias comerciais no Brasil, a situação dos estoques e o nível de explotação,
bem como o comportamento individual da produção nacional de cada uma, e as medidas de gestão em vigor, quando for o caso.