Santos et al. (2006) informam que a matrinxã é um peixe de porte médio, alcançando cerca de 50 cm; possui dentes multicuspidados em 3 a 4 fileiras na maxila superior, e duas fileiras na maxila inferior, sendo a principal
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formada por dentes robustos e atrás da qual ocorre um par de dentes cônicos; coloração cinza-amarelada, mais clara no ventre; escamas com as bordas es- curas formam linhas contínuas sinuosas, mais evidentes na porção terminal do corpo, onde aparecem em forma de ziguezague; linha lateral com 69 a 80 es- camas (Figura 81). É onívora, consome basicamente frutos, sementes, insetos e outros invertebrados; os jovens e pré-adultos têm preferência por peixes e artrópodes, enquanto os adultos preferem frutos e sementes.
Continuando, os autores afirmam que B. amazonicus faz migração reprodutiva no início da enchente, quando desce os afluentes para deso- var nos rios de água branca; realiza também migração trófica, quando sobe os rios na enchente/cheia, para se alimentar na floresta alagada. Além disso, faz também deslocamentos de dispersão, quando deixa as áreas que estão secando e penetra no leito dos rios. Os alevinos e jovens são criados nas áreas de várzea, no período que vai da enchente até a seca; os adultos e jovens recrutados das áreas de várzea fazem “arriba- ção”, isto é, dispersam-se rio acima no período da seca. A pré-desova, que corresponde à fase de repouso e início da maturação gonadal, ocorre enquanto os adultos permanecem no canal dos afluentes, no período de seca; o comprimento-padrão médio de primeira maturação sexual se dá em torno de 32 centímetros.
Figura 81Matrinxã Brycon amazonicus(Spix & Agassiz, 1829).
Fonte: Santos et al. (2006).
Outras espécies chamadas de matrinxã são capturadas em outras ba- cias, como no caso da do Rio São Francisco onde ocorre B. lundii, espécie endêmica da bacia cujas produções têm sido significativamente reduzidas em várias áreas, mas continua, mesmo assim, importante para as pescarias es- portivas e comerciais próximas à barragem de Três Marias – MG (SATO; GO- DINHO, apud CAROLSFELD et al., 2003).
A grande captura da matrinxã ocorre, entretanto, na Bacia Amazônica (Amazonas e Amapá respondem por cerca de 80% da produção) e é realizada com o uso da rede de cerco ou redinha (rede de emalhe utilizada na forma de cerco), com a rede de emalhe, entre outros métodos de pesca (BATISTA et al., 2004, apud RUFFINO, 2004). A espécie é importante, ainda, para a piscicultu- ra da Região Norte.
O comportamento da produção total do conjunto das espécies incluí- das na estatística nacional, como matrinxã no período de 1980 a 2010, é apresentado na Figura 82, onde observa-se: de 1980 a 1997 houve tendência de crescimento da produção, com três grandes picos em 1982 (3.470 t), 1986 (5.392 t) e 1996, quando a produção foi recorde: 7.024 t; a partir de então, a produção apresentou tendência decrescente, atingindo 3.550 t em 2004; re- cuperou-se nos últimos anos da série e a produção de 2010 foi de 5.028 tone- ladas.
Figura 82Comportamento da produção total nacional (t) de matrinxã – 1980 a 2010.
O conjunto das informações anteriormente apresentadas, em especial o comportamento migratório, o constante crescimento do esforço de pesca sobre o recurso e a constatação de Sato e Godinho, 2003 apud Carolsfeld et al. (2003) possibilitam inferir que o recurso, no todo, encontra-se plenamente explotado ou em sobrepesca em algumas áreas específicas.
A pesca de matrinxã deve respeitar todas as regras gerais que governam as pescarias de águas continentais no Brasil.
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No tocante às regras específicas, a pesca das espécies é contemplada com as seguintes medidas de gestão:
Tamanho mínimo de captura (comprimento total – CT)
Para B. lundii: 22 cm – bacias hidrográficas do Rio São Francisco (Por- taria Ibama n° 92/1995). Regulamentação do estado de Minas Gerais define em 25 cm (Portaria IEF n° 111/2003).
A espécie B. goulding das bacias dos rios Araguaia (INI MPA/MMA n° 12/2011), Tocantins e Gurupi (INI MPA/MMA n° 13/2011) tem o parâmetro definido em 30 cm.
Daí conclui-se que tamanhos mínimos de captura diferentes estão de- finidos para a espécie B. lundii, para a mesma bacia hidrográfica. Em função desses aspectos, valem para este caso as considerações realizadas anterior- mente, para fatos semelhantes. Destaca-se ainda não existir tamanho mínimo de captura regulamentado para a espécie B. amazonicus (mais importante nas pescarias do Norte).
Defeso (proibição da pesca no período de migração reprodutiva)
Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco: anual, no período de 1° de
novembro a 28 de fevereiro, e nas lagoas marginais de 1° de novembro a 30 de abril (Portaria Ibama n° 50/2007).
Bacias hidrográficas dos rios Araguaia; Paraná; do Sudeste (ES, MG, RJ, SP e PR); e Tocantins e Gurupi: anual, no período de 1° de novembro a 28
de fevereiro (Portarias Ibama n° 49/2007, nº 194/2008, nº 195/2008, INIs n°
12/2011 e nº 13/2011).
Bacia Hidrográfica do Rio Uruguai (RS e SC): anual, de 1° de outubro a
31 de janeiro (Portaria Ibama n° 193/2008).
Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas e afluentes, no estado de Mato Grosso: anual, de 5 de novembro a 28 de fevereiro; nos rios do estado do Acre, do Amazonas, do Amapá, Pará e Rondônia: anual, de 15 de novembro a 15 de
março; e em Roraima: anual, de 1° de março a 30 de junho (Portaria Ibama n°
48/2007).
Os períodos de defeso diferentes, quando envolver uma mesma espécie, podem dificultar o controle na aplicação dessas medidas, especial- mente se tramitar entre os estados ou regiões, assim como em nível nacional e, portanto, contribuir para minimizar os possíveis efeitos positivos da medida.
Com o objetivo de aperfeiçoar as regras de gestão para o uso susten- tável das espécies, sugerimos realizar discussão em fórum específico, consi- derando, sempre que pertinente, os aspectos já abordados especificamente, as seguintes propostas de medidas:
• Definir tamanho mínimo de captura para a espécie com maior impor- tância para as pescarias da Bacia Amazônica, sempre combinado com estudos de seletividade, para definir as características dos métodos de pesca utilizados.
• Só adotar o defeso de reprodução se for para todas as espécies, em toda a Bacia Amazônica, e se os principais métodos de pesca direcio- nados à captura das espécies forem também proibidos.
• Estudar a possibilidade de estabelecer áreas de exclusão para a pesca (as consideradas relevantes para a reprodução e/ou reposição dos es- toques).
• Quando as capturas das espécies ocorrerem em pescarias multiespe- cíficas, considerar as implicações desse fato para definir as novas re- gras de uso.