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Avaliação externa: teorias, modelos e projetos

2. ENQUADRAMENTO teórico

2.2. A importância da avaliação nas organizações

2.2.5. Avaliação externa: teorias, modelos e projetos

Embora se possa dizer que em Portugal não existia propriamente uma cultura de avaliação das escolas, e que esta apresenta uma grande disparidade entre o tempo em que foi legislada e o tempo em que efetivamente se iniciou a sua concretização, a verdade é que podemos encontrar uma boa experiência sobre modelos e processos tanto da iniciativa governamental como das próprias escolas.

Em Portugal existe alguma experiência no campo da avaliação. De uma forma resumida, destacamos alguns como o Sistema Estatístico da Educação, o programa Melhorar a Qualidade desenvolvido pela Associação do Ensino Particular e Cooperativo, o programa Avaliação dos Estabelecimentos do Ensino Obrigatório na Europa que teve o apoio da Eurydice, o modelo da Avaliação das Escolas Secundárias (AVES) que teve o apoio da Fundação Manuel Leão e da Fundação Calouste Gulbenkian e, ainda, o Modelo de Avaliação das Escolas Profissionais ( ANESPO).

A Inspeção Geral de Educação apresentou igualmente um número significativo de programas. Os mais significativos foram em 1993-1995 a Avaliação do Funcionamento Global das Escolas, em 1997 o Programa de Auditorias Pedagógicas, em 1998-1999 a Avaliação das Escolas Secundárias, em 1999-2002 o programa Avaliação Integrada do Desempenho das Escolas, em 2000 o Observatório da Qualidade da Escola (PEPT), e em 2004-2006 o programa Aferição da Efetividade da Autoavaliação.

Em 2007, a Inspeção Geral de Educação foi incumbida de levar a cabo a avaliação externa das escolas, depois de ter sido conduzida uma experiência piloto por uma equipa especialmente criada para o efeito e da responsabilidade do Ministério da Educação. A criação deste grupo de trabalho tinha como finalidade estudar e propor um modelo de autoavaliação e avaliação externa, mas, também, definir procedimentos e condições para a sua implementação.

Constituíram objetivos da avaliação Externa para o primeiro ciclo de avaliação os seguintes:

Fomentar nas escolas uma interpelação sistemática sobre a qualidade das suas práticas;

Articular os contributos da avaliação externa com a cultura de dispositivos de autoavaliação das escolas;

Reforçar a capacidade das escolas para desenvolverem a autonomia; Concorrer para a regulamentação do funcionamento do sistema educativo; Contribuir para um melhor conhecimento das escolas e dos serviços

públicos de educação, fomentando a participação social na vida das escolas Já no segundo ciclo de avaliação externa, os objetivos sofreram algumas alterações, passando a ser os seguintes:

Promover o progresso das aprendizagens e dos resultados dos alunos, identificando pontos fortes e áreas prioritárias para a melhoria do trabalho nas escolas;

Incrementar a responsabilização a todos os níveis, validando as práticas de autoavaliação das escolas;

Fomentar a participação na escola da comunidade educativa e da sociedade local, oferecendo um melhor conhecimento público da qualidade do trabalho das escolas;

Contribuir para a regulação da educação, dotando os responsáveis pelas políticas educativas e pela administração das escolas de informação pertinente.

A nível internacional destacamos alguns programas de avaliação externa do Reino Unido o Effective School Self-Evaluation mais conhecido por ESSE.

Na Irlanda do Norte, Há a referir o Programa Together Towards Improvement Escócia, o modelo How Good is Our School (HGIOS) que não só teve grande destaque no seu próprio país como em toda a Europa, pela dinâmica educativa que tem promovido ao dar às escolas a responsabilidade e instrumentos de questionamento sobre o conhecimento da qualidade dos seus estabelecimentos. O modelo que mais se destaca, de construção europeia, é o Modelo de Excelência da European Foundation for Quality Management mais conhecido pela sigla EFQM.

Promover o progresso das aprendizagens e dos resultados dos alunos, identificando pontos fortes e áreas prioritárias para a melhoria do trabalho nas escolas;

Incrementar a responsabilização a todos os níveis, validando as práticas de autoavaliação das escolas;

Fomentar a participação na escola da comunidade educativa e da sociedade local, oferecendo um melhor conhecimento público da qualidade do trabalho das escolas;

Contribuir para a regulação da educação, dotando os responsáveis pelas políticas educativas e pela administração das escolas de informação pertinente.

O modelo definido pela avaliação externa no nosso país tem por base alguns destes modelos, daí sentirmos a necessidade de darmos destaque a alguns, nomeadamente o modelo de Excelência da European Foundation for Quality Management e o How Good is Our School.

O modelo de Excelência da EFQM foi concebido pela Fundação Europeia com o objetivo de ajudar as empresas a estabelecerem um sistema de gestão que fosse apropriado à capacidade de melhoria do seu desempenho. No entanto, os seus critérios acabaram por ser ajustados e passaram a ser utilizados por outras entidades, nomeadamente as escolas.

Na página oficial da EFQM é referido que este modelo se baseia numa estrutura de nove critérios que possibilitam compreender a relação causa efeito entre o que uma organização faz e os resultados que obtém. Por sua vez, estes nove critérios estão ainda divididos em duas partes uma que consiste nos meios, e outra nos resultados

(EFQM).Os meios são aquilo que a organização faz, os resultados são aquilo que ela realiza e como ela o faz. Existindo assim uma permanente causalidade - os Resultados são causados pelos Meios e os Meios são melhorados pelo feedback dos Resultados. Segundo este modelo, a excelência não é um conceito meramente teórico, ele está relacionado com o que uma determinada organização faz, à forma como o faz, aos resultados que alcança bem como à convicção de que estes resultados podem ser sustentados a curto e a longo prazo.

A adaptação do modelo EFQM à estrutura organizativa do sistema educativo português foi desenvolvida por Leandro, (2002) como resultado de um trabalho no âmbito do Instituto Nacional de Administração.

O Projeto How Good is Our School (HGIOS) foi o modelo implementado nos anos 90 pelos Serviços da Inspeção Nacional das escolas da Escócia. Carateriza-se sobretudo por utilizar processos de auto e hétero avaliação e ter um quadro explícito para a criação de juízos de valor que abordam os aspetos do cumprimento da missão da escola. O modelo HGIOS avalia sete dimensões:

Desenvolvimento curricular; Conquistas;

Qualidade de ensino e aprendizagens; Apoio prestado aos alunos;

Cuidados com a educação em valores; Recursos educativos;

Gestão liderança e controlo de qualidade.

Para cada uma destas dimensões existe uma classificação que vai do Muito Bom, passando pelo Bom, Regular e Insatisfatório Cada uma das sete dimensões está acompanhada por uma descrição sobre o seu significado. De referir ainda que este modelo é muito parecido com o modelo atual da Inspeção Geral de Educação e Ciência, sobretudo porque ele foi fonte de inspiração para o primeiro modelo de avaliação das escolas portuguesas.

Numa revisão de modelos de avaliação de escola, Pacheco, (2010,p.6) citando Stufflebeam diz que a avaliação é apresentada como uma resolução de problemas que as escolas têm, tornando-se numa atividade que as ajuda a ter melhores resultados e a conhecer melhor o seu modo de funcionamento. A mesma fonte refere ainda que, assim sendo, "[...] a avaliação da escola pode ser definida como a investigação sistemática da qualidade da escola e do modo como bem pode servir as necessidades da comunidade".

Os modelos existentes são muitos e a dificuldade em escolher o melhor é ainda maior face à realidade de cada escola, bem como à visão estratégica de quem a dirige,

principalmente porque as opções políticas que estão por detrás dos mesmos nem sempre deixam ter uma visão do que é a escola e do seu modo de funcionamento.