4. Realização da Prática Profissional
4.1. Área 1: Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem
4.1.3. Finalmente Fazer
4.1.3.4. Avaliar o que foi feito
Avaliar não foi fácil, bem pelo contrário. Foi um processo ingrato que co- locou nas minhas mãos a responsabilidade de julgar pessoas. Contudo, duran- te todo o caminho procurei ser o mais justo e imparcial possível, valorizando aqueles que mais do que elevados níveis de desempenho, mostraram empe- nho e dedicação, melhorando com os erros e com as oportunidades.
O conceito de avaliação pode adquirir inúmeros significados mediante as áreas em que é aplicado. Segundo Rink (1993), “a avaliação na educação físi- ca é legitimamente usada para os seguintes objetivos: proporcionar aos alunos informações sobre o seu progresso e nível de desempenho; para fazer um jul- gamento sobre a eficácia do ensino; para dotar o professor com informações sobre o nível atual dos alunos em relação aos objetivos para que assim a ins- trução possa ser ajustada; para avaliar o currículo ou o programa; para colocar os alunos num grupo de instrução adequado; para proporcionar ao professor informações objetivas sobre o nível de desempenho dos alunos para propostas de classificação.” Posso assim afirmar que a avaliação é um processo de reco- lha, interpretação e decisão, onde o “para quê avaliar”, “o que avaliar” e “como avaliar” estiveram sempre presentes na minha prática de forma a não perder o foco principal que era o bom desempenho do aluno.
Todo o meu processo avaliativo foi estruturado em 3 fases. Elas são a Avaliação Diagnóstica, a Avaliação Formativa e a Avaliação Sumativa. Na perspetiva do planeamento do currículo bem como o planeamento das próprias estratégias educativas, a consideração destas 3 etapas assumiu uma relevân- cia extrema, pois foi através delas que orientei praticamente toda a minha prá- tica.
Avaliação Diagnóstica
A Avaliação Diagnóstica foi o ponto de partida, pois foi mediante ela que defini as necessidades a satisfazer ao longo deste ano letivo. Cada modalidade abordada, pela sua especificidade, pressupõe uma Avaliação Diagnóstica pró- pria e o momento da sua realização foi o primeiro obstáculo a ultrapassar. Ha- via agora a necessidade de decidir se seriam feitas todas em simultâneo no início do ano letivo ou imediatamente antes da abordagem de cada Unidade Didática. Inicialmente tinha em mente realizar as avaliações diagnósticas aquando a abordagem da modalidade, por entender existirem ao longo do ano transferências de habilidades, pelo que os resultados das avaliações logo no início podiam não ser exatas pela aquisição de competências por parte dos
alunos. Contudo, caso não se sucedesse, o momento poderia ser tardio e esta- ria a perder uma excelente oportunidade para dedicar mais tempo às unidades em que os alunos demonstravam mais dificuldades. Optei então por fazer todas as avaliações no início, privilegiando aquelas que com maiores carências. Pode-se dizer que esta escolha foi acertada, uma vez que as transferências apesar de terem ocorrido, não foram tão elevadas ao ponto de alterar a hierar- quia inicialmente estabelecida.
Esta aula de Educação Física teve como objetivo central a Avaliação Diagnósti- co da modalidade de Futebol. Desta forma, todos os exercícios selecionados possuíam uma estrutura com a finalidade de fornecer dados relativos às capaci- dades dos alunos que pretendia analisar.
(Relatório de Aula - 16/09/2010)
O objetivo da aula era a realização da Avaliação Diagnóstica na modalidade de Basquetebol. Pretendia assim verificar o desempenho motor de cada aluno nes- ta área, identificando o nível em que se encontram.
(Relatório de aula - 21/09/2010)
Com a realização desta aula pretendi fazer a Avaliação Diagnóstica de Ginásti- ca, verificando o nível dos alunos nesta modalidade. Tendo isto em conta decidi selecionar determinados exercícios, que pela sua estrutura e características es- pecíficas me permitiram ir de encontro ao meu objetivo.
(Relatório de Aula - 23/09/2010)
A realização desta aula teve como principal objetivo a Avaliação Diagnóstica da modalidade de Badminton. Desta forma todas as atividades apresentadas tive- ram a finalidade de fornecer informações importantes e que são relativas aos diversos conteúdos considerados nesta unidade temática.
A referente aula teve como principal objetivo a realização da avaliação diagnós- tica de voleibol. Desta forma todos os exercícios apresentados tiveram a finali- dade de avaliar a competência dos alunos nos diferentes conteúdos considera- dos para esta modalidade.
(Relatório de Aula - 19/10/2010)
Avaliação Formativa
A Avaliação Formativa foi o instrumento que utilizei para compreender como estava a decorrer o processo de ensino-aprendizagem, o que me forne- ceu elementos para corrigir rumos e orientar os alunos em relação ao que aprenderam e estavam a aprender. Foi o modo de conhecer o estado de de- senvolvimento deles, reajustando consequentemente metodologias e estratégi- as de ensino face aos objetivos previamente traçados. A minha ideia inicial- mente, como nos outros tipos de avaliação, era definir um momento em que esta seria executada. No entanto, face às características peculiares que apre- senta e por concordar que a aprendizagem é feita ao longo do tempo e não num ato isolado, a Avaliação Formativa foi realizada ao longo de toda a Unida- de Didática, sendo assim também capaz de verificar, além do estado atual, a evolução feita pelo aluno.
(…) o grupo de alunos com menor aptidão apresentou uma maior debilidade, o que significa a necessidade de um maior e melhor acompanhamento da minha parte.
(Relatório de Aula - 30/11/2010)
Alguns alunos demonstravam dificuldades na realização da chamada a pés jun- tos na Estação 1 e 2, contudo, através da transmissão de feedbacks corretivos, conseguiram terminar a sessão a realizá-la corretamente.
(Relatório da Aula - 22/02/2011)
Avaliação Sumativa
Com a Avaliação Sumativa chegamos ao culminar de todo o trajeto ava- liativo. Na minha ótica, o maior problema não se refere ao facto de quantificar determinados resultados obtidos a partir da observação dos alunos, mas sim por muitas vezes serem utilizadas meramente estas informações. Foi um mo- mento difícil, de grandes decisões e sobretudo incertezas, pois avaliar com base num momento é uma tarefa ingrata. Seria injusto prejudicar alguém que no momento de avaliação não obtém a prestação pretendida, mas que no en- tanto sempre demonstrou empenho e resultados durante a aprendizagem. Ou pelo contrário, beneficiar um aluno que no momento avaliativo corresponde aos critérios de êxito, mas que contudo raramente compareceu às aulas, ou tão pouco se mostrou interessado em evoluir. Por esta razão, e como tinha já foca- do anteriormente, Avaliação Sumativa surge apenas como “mais uma” avalia- ção, com a diferença que o valor atribuído a esta é visto como o final.
Independentemente do tipo de avaliação, a metodologia adotada visava o respeito pela natureza de cada atividade. No caso das modalidades desporti- vas coletivas, o jogo era essência deste momento pois é nele que os alunos são verdadeiramente confrontados com as exigências destas modalidades. Já nos desportos individuais, como a ginástica, a técnica era o fator mais valoriza- do, uma vez que é através dele que determinamos a eficiência ou eficácia de cada execução.
A Avaliação consistiu deste modo no conjunto das 3 etapas identificadas, pos- suindo cada uma, um peso relevante na classificação final de cada aluno.
Esta aula teve como objetivo dar início à avaliação prática de ginástica de aparelhos.
Desta forma, por ordem alfabética, os alunos foram chamados 1 a 1 por reali- zarem os exercícios pretendidos.
(Relatório de Aula - 24/02/2011)
O basquetebol é uma modalidade cuja taxa de sucesso se mede pela correta resposta às exigências com que somos confrontados durante o jogo, logo a Avaliação numa realidade distante deste contexto retirará toda a transferência pretendida. Para além disso, as atividades apresentadas já tinham sido reali- zadas anteriormente, sendo do conhecimento de todos os alunos (…). Os espaços foram previamente montados, as equipas definidas e as rotações estabelecidas, o que resultou em transições rápidas e a redução máxima dos tempos mortos entre as atividades, elevando assim o tempo de empenha- mento motor dos alunos e criando condições favoráveis para o objetivo da aula, a Avaliação Sumativa.
(Relatório de Aula - 24/03/2011)