A Justiça Eleitoral brasileira possui dois marcos revolucionários em sua história.
O primeiro marco constitui-se na formação de um cadastro nacional eletrônico de eleitores no ano de 1986.
O segundo marco consiste na adoção do voto eletrônico, em 1996, que representou um grande avanço para a Justiça Eleitoral brasileira, pois proporcionou a criação de um cadastro nacional de eleitores, unificando e uniformizando o processo (TRE-SP, 2015).
A implantação do sistema informatizado de votação e apuração (que possibilita a divulgação imediata de resultados), universalizado no ano 2000 e, atualmente, apontado como paradigma, representou inegável avanço para a tarefa de coletar votos, garantindo, ao lado de medidas rígidas de controle do cadastro de eleitores, agilidade e confiabilidade das eleições, assegurando que as manifestações nas urnas sejam respeitadas e se transformem em mandatos eletivos (OLIVEIRA, 2010, p. 18).
Além de proporcionar maior segurança e agilidade às eleições, a instauração da urna eletrônica contribuiu sobremaneira para a preservação do meio ambiente. O sítio do Tribunal Superior Eleitoral, em 11 de maio de 2010, apresentou o cálculo de quantidade de papel que deixou de ser usada pelo eleitor. Considerando-se que em cada eleição gastava-se para cada um o equivalente a uma folha de papel A4 com as cédulas de votação.
Assim, verificou-se que desde a primeira eleição em que foi utilizada a urna eletrônica, em 1996, a Justiça Eleitoral já havia economizado a quantia equivalente a 4 (quatro) mil toneladas de papel. Somente no primeiro turno das eleições de 2010 estava prevista uma economia de 600 (seiscentas) toneladas de papel, já que a Justiça Eleitoral possuía nessa época 133 (cento e trinta e três) milhões de eleitores.
Outro importante avanço da Justiça Eleitoral é a instituição do sistema da biometria, que está sendo implantada, paulatinamente, em todo Brasil. No futuro, com a universalização da biometria, haverá a diminuição do uso de recursos naturais durante as eleições, pois não será mais necessário imprimir os cadernos de votação.
Com a informatização do processo na Justiça Comum, o direito vem tentando se adaptar às inovações tecnológicas. Nessa direção, algumas produções legislativas demonstram a necessidade de sua adequação para atender aos Direitos da nova sociedade, tais como a Lei n. 9.800/99 (Lei do Fax) admitiu a transmissão de peças via fax ou outro meio similar e a criação do Diário de Justiça Eletrônico, conforme estabelece o art. 4° da Lei n. 11.419 – a Lei de Informatização:
Art. 4°: Os tribunais poderão criar Diário de Justiça Eletrônico, disponibilizado em sítio da rede mundial de computadores, para publicação de atos judiciais e administrativos próprios e dos órgãos a eles subordinados, bem como comunicações em geral.
§ 1° O sítio e o conteúdo das publicações de que trata este artigo deverão ser assinados digitalmente com base em certificado emitido por autoridade Certificadora credenciada na forma da lei específica.
§ 2° A publicação eletrônica na forma deste artigo subsitui qualquer outro meio e publicação oficial, para quaisquer efeitos legais, à exceção dos que, por lei, exigem intimação ou vista pessoal.
§ 3° Considera-se como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no Diário de Justiça Eletrônico.
§ 4° Os prazos processuais terão início no primeiro dia útil que seguir ao considerado como data da publicação.
§ 5° A criação do Diário da Justiça Eletrônico deverá ser acompanhada de ampla divulgação, e o ato administrativo correspondente será publicado durante 30(trinta) dias no diário oficial em uso.
No tocante à seara eleitoral, a informatização dos processos vem dando seus primeiros passos. O Tribunal Superior Eleitoral publicou a Resolução/TSE 23.417/2014, de 11 de dezembro de 2014, que instituiu o Processo Judicial Eletrônico no âmbito da Corte Eleitoral e a Portaria n. 27, de 25 de janeiro de 2015, que instituiu o Comitê Gestor Nacional do Processo Judicial Eletrônico da Justiça Eleitoral25.
25
Durante a realização do 1º Encontro Estratégico da Justiça Eleitoral, realizado em fevereiro de 2015, a assessora do Processo Judicial Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral (ASPJe/TSE), Simone Holanda Batalha proferiu a palestra “Processo Judicial Eletrônico - PJe” e divulgou que o PJe passará a ser implementado a partir
No final de 2014, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas adotou o Processo Administrativo Digital ( PAD), que, além de possibilitar a economia de papel, imprimiu celeridade e mais transparência aos processos administrativos.
Outro avanço para a preservação ambiental foi a elaboração da Lei n. 12.305, de 2 de agosto de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, conceituando-o, em seu artigo 3º, XVI, como sendo qualquer
material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível.
Nesse sentido, Silva (2002, p. 99) acentua que mesmo os resíduos, dejetos ou rejeitos não perigosos, quando atirados ao solo ou lançados no subsolo sem a cautela necessária, prejudicam a qualidade do meio ambiente.
Com a PNRS, ficou proibida a queima de resíduos sólidos (art. 47, III) e, ao atender ao comando dessa lei, a Justiça Eleitoral passou a utilizar as máquinas para triturar papel, ao invés de incinerá-los.
A PNRS, impôs, entre outras diretrizes, o estabelecimento da gestão e gerenciamento de resíduos, que deve observar a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.
Nota-se que já existem diversos dispositivos legais atinentes à questão ambiental na esfera do Poder Judiciário que representam uma enorme economia de recursos, culminando na preservação do meio ambiente.
Ademais, tais dispositivos representam ainda um considerável avanço rumo à informatização do processo, ao passo que atendem aos princípios da celeridade processual e fortalecem o princípio da economia processual e da simplificação dos atos processuais, buscando sua agilização e a superação de um formalismo exacerbado que tem sido experimentado ao longo dos anos (FIORILLO; CONTE, 2013, p. 97).
de 2015, inicialmente em cinco classes processuais: ações cautelares, mandados de segurança, habeas corpus, habeas data e mandados de injunção. (TSE, 2015).