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4 SUSTENTABILIDADE ELEITORAL

4.3 O PODER DA EDUCAÇÃO

Devido a grande importância que tem a educação para o melhoramento do mundo e sua intrínseca relação com o desenvolvimento sustentável, cabe-nos fazer uma reflexão acerca dela.

A educação é um direito fundamental, reconhecido internacionalmente e positivado em diversos documentos de direitos humanos por meio de pactos, tratados e declarações internacionais (GORCZEWSKI, 2009, p. 89).

O primeiro conceito que deve ser apresentado aqui é o de educação em direitos humanos, definida pela ONU (1990) como sendo os esforços de formação, divulgação e informação destinados a criar uma cultura universal de direitos humanos através da propagação de conhecimentos e competências e da definição de atitudes, com intenção de reforçar o respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais.

A educação em direitos humanos busca o pleno desenvolvimento da personalidade humana e da sua inerente dignidade, assim como a promoção da compreensão, tolerância, igualdade de gênero e amizade entre todas as nações, povos indígenas e grupos raciais, nacionais, étnicos, religiosos e linguísticos, permitindo a participação efetiva de todas os cidadãos numa sociedade livre.

Educação, como bem esclarece a Declaração de Jomtien sobre Educação para Todos (1990):

são as disposições das oportunidades de aprendizagem de forma intencional e organizada através de vários meios, incluindo, mas não limitado a escolas e outras instituições educacionais. A educação abrange processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.

Dessa maneira, percebe-se que a educação é a soma de procedimentos pelos quais, em qualquer sociedade/comunidade, os adultos tentam inculcar nos mais jovens as suas crenças, costumes e outros valores.

Conforme os artigos 6°. e 205 da Constituição Federal de 1988, a educação é um direito social46 que tem como finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Ressalte-se, nas palavras de Delors (2001, p. 67), que a educação deve propiciar ao educando o direito de aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver junto e aprender a ser. Para tanto, é preciso ultrapassar o pensamento atual e criar indivíduos com “cabeça bem-feita” em alusão ao pensamento de Edgar Morin (2004), que define esses indivíduos como seres capazes de acumular saberes, trabalhar problemas e organizar tais saberes, diferentemente dos “cabeça bem cheias”, limitados a acumular saberes sem lhes atribuir sentido.

A efetividade do direito humano à educação de qualidade47 e para todos é a passagem para promover o valor da dignidade da pessoa humana e garantir maior igualdade, liberdade, justiça e paz social, pois a educação permeia os campos da ética, da cultura, da cultura, da filosofia, da religião, da sociologia e do direito na transmissão de valores humanos.

Essa qualidade na educação é fundamental para o pleno exercício da democracia, vez que cidadãos bem informados estarão melhor preparados para o convício social. Barnett (1997, p. 209) ensina que:

Se a qualidade de uma democracia informada depende da qualidade da informação disponível, fontes devem ser persuadidas a colocarem tanta informação política relevante quanto possível no domínio público. Isso pode certamente ser promovido por intervenção do governo – seja por meio de instrumentos legislativos ou da vontade ministerial.

Por tal situação, a educação deve ser assumida com total prioridade, de maneira a habilitar o cidadão a exercer seus direitos humanos universais e desfrutar de melhores condições de vida digna (GOMES, 2009, p. 51).

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O art. 6º. da Constituição da República estabelece que “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”. (grifo nosso). E, ainda, o art. 205 disciplina que “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

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Um dos resultados do baixo nível de educação é a desigualdade social que, por sua vez, afeta diretamente a efetividade dos direitos humanos, assim como a busca pela dignidade da pessoa humana, e impede o crescimento pessoal do indivíduo, enquanto ser humano e enquanto membro da sociedade.

Ademais, o desenvolvimento da autonomia encontra como ferramenta fundamental a educação e, nos ensinamentos de Freire (2001, p. 40), “Ninguém nasce feito. Vamos nos fazendo aos poucos, na prática social de que tornamos parte”. Assim, a autonomia pressupõe todo um processo esculpido na sociedade.

Acrescente-se que para Warat (2003, p, 57) a educação em seu fim refere-se “ao objetivo de fazer crescer as pessoas em dignidade, autoconhecimento, autonomia e no reconhecimento e afirmação dos direitos da alteridade”, entendidos principalmente como direito à inclusão social e ao respeito às diferenças.

A educação auxiliará nas responsabilidades do novo ser para com o mundo já existente (ARENDT, 2007, p. 29). Essa responsabilização vincula-se à participação social, pois a educação é a ferramenta que vai contribuir com o processo de emancipação do ser humano, de modo que este tenha autonomia perante a sociedade. É através da educação cidadã que o indivíduo terá condições reais de participar ativamente da vida política de seu país. Dessa feita, só com a educação o eleitor terá condições de escolher seus representantes de modo correto.

4.3.1 A Educação Ambiental

A educação ambiental é uma ferramenta de educação para o desenvolvimento sustentável. O conceito de educação ambiental complementa o de educação para a sustentabilidade, pois é disciplina bem estabelecida que enfatiza a relação dos homens com o ambiente natural, as formas de conservá-lo e de administrar seus recursos adequadamente. Portanto, o desenvolvimento sustentável engloba a educação ambiental, colocando-a no contexto mais amplo dos fatores socioculturais e questões sociopolíticas.

Em 1972, a Declaração do Meio Ambiente de Estocolmo consagrou a necessidade de educação ambiental48. No âmbito interno, o direito assegurou a efetivação da Educação Ambiental positivando normas referentes a sua aplicação. Para tal, o supedâneo maior

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O Princípio 19 da Declaração de Estocolmo prevê que é indispensável um trabalho de educação em questões ambientais, dirigido seja às gerações jovens, seja aos adultos, o qual dê a devida atenção aos setores menos privilegiados da população, a fim de promover a formação de uma opinião pública bem informada e uma conduta dos indivíduos das empresas e das coletividades inspirada no sentido de sua responsabilidade para com a proteção e melhora do meio em toda a sua humana dimensão.

encontra-se na própria Constituição Federal de 1988, que é seguida por vários diplomas infraconstitucionais.

O artigo 225 da Carta Magna impôs ao Poder Público a tutela do meio ambiente, bem como o dever de promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente.

Alicerçada nos ditames constitucionais, em 1999 é publicada a Lei n. 9.795, que dispõe sobre a Educação ambiental e institui a Política Nacional de Educação Ambiental. Esse dispositivo legal define, em seu artigo 1º, educação ambiental como “os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo”. Desse modo, a educação ambiental não é somente um processo de recepção de informações, mas de análise das mesmas.

Dispõe também a referida lei que a Educação Ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo49, em caráter formal e não-formal.

Outro mandamento importante encontra-se na Lei n. 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB) que, em seu artigo 32, elenca entre os objetivos do ensino fundamental a formação básica do cidadão mediante: “[...] II – a compreensão do ambiental natural e social do sistema político, da tecnologia das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade”. (grifo nosso).

Nessa direção, a Proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental do Ministério da Educação destaca que Educação Ambiental envolve o entendimento de uma educação cidadã, responsável, crítica, participativa, onde cada sujeito aprende com conhecimentos científicos e com o reconhecimento dos saberes tradicionais, possibilitando a tomada de decisões transformadoras a partir do meio ambiente natural ou construída no qual as pessoas se inserem. A Educação Ambiental avança na construção de uma cidadania responsável, estimulando interações mais justas entre os seres humanos e os

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Art. 3º - Como parte do processo educativo mais amplo, todos têm direito à educação ambiental, incumbindo: I - ao Poder Público, nos termos dos arts. 205 e 225 da Constituição Federal, definir políticas públicas que incorporem a dimensão ambiental, promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e o engajamento da sociedade na conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente; II - às instituições educativas, promover a educação ambiental de maneira integrada aos programas educacionais que desenvolvem; [...] VI - à sociedade como um todo, manter atenção permanente à formação de valores, atitudes e habilidades que propiciem a atuação individual e coletiva voltada para a prevenção, a identificação e a solução de problemas ambientais.

demais seres que habitam o Planeta, para a construção de um presente e um futuro sustentável, sadio e socialmente justo (Brasil, 2013).

A educação ambiental não é tarefa exclusiva do Poder Público, pois em todo processo educacional devem estar presentes também a família e a sociedade, como bem estabelece a própria Constituição. No entanto, a lei é clara quanto à obrigatoriedade da inserção da Educação Ambiental nos currículos escolares. Tal inserção deve levar em conta o caráter de interdisciplinaridade e transversalidade, característicos do Direito Ambiental.

Pelo exposto ao longo de toda legislação pátria, a Educação Ambiental está inserida em um processo educativo amplo que deve culminar na formação do aluno para a cidadania, sendo esta um dos cinco fundamentos do Estado Democrático de Direto brasileiro.

A Educação Ambiental tem um papel essencial para facilitar o entendimento da sociedade sobre questões ambientais e possibilita a interseção com os mais variados assuntos, facilitando, por exemplo, o diálogo acerca de questões relacionadas a política e a democracia.

Em estudo sobre a relevância da educação ambiental, Erenberg apud Figueiredo, (2011, p. 49) aponta múltiplos exemplos de participação do Poder Publico na promoção da qualidade de vida, a partir da “oferta contínua e permanente de serviços públicos essenciais, como o fornecimento de água e energia elétrica, saneamento, segurança pública, escolas, serviços de saúde, espaços comunitários e de lazer, transporte coletivo, limpeza urbana etc.”. Mas, destaca o autor, “também é imprescindível estabelecer com a comunidade um ‘pacto de reciprocidade’ conscientizando-a sobre a questão ambiental-urbanistica e motivando-a a adotar condutas adequadas, que reverterão em seu próprio benefício”.

Com a educação ambiental é possível abrir caminho para a discussão de temas que direta ou indiretamente, afetem à saúde ambiental. Uma criança que desde cedo aprende a importância de se preservar o meio ambiente terá maior discernimento para escolher seus candidatos e não votará naquele que, com sua propaganda eleitoral, cause degradação ambiental.