3. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE
3.2. B UILDING R ESEARCH E STABLISHMENT E NVIRONMENTAL A SSESSMENT M ETHOD – BREEAM
O sistema BREEAM foi desenvolvido, em 1988, no Reino Unido, pela entidade Building Research
Establishment (BRE). Destaca-se por ter sido o primeiro MASC e por ser, atualmente, mais utilizado
em todo o mundo, contando com mais de 250.000 edifícios certificados e 1.000.000 registados. Dado o sucesso alcançado, foram desenvolvidas versões deste sistema de avaliação adaptados a diversos países europeus, nomeadamente, Alemanha, Espanha, Holanda, Noruega e Suécia (BREEAM, 2013). Os objetivos deste sistema de avaliação, para a construção, passam pela promoção do desenvolvimento de práticas e posicionamentos sustentáveis, incutindo requisitos mais exigentes que os definidos pela legislação imposta e premiando as construções com melhor desempenho ao nível da sustentabilidade e menores impactes ambientais, em todas as fases do seu ciclo de vida. Assim, é possível a sensibilização da sociedade e de outros setores económicos para os benefícios que a sustentabilidade acarreta (BREEAM, 2008).
A metodologia BREEAM assenta no seguinte conjunto de princípios pretendidos (BREEAM, 2012): Garantia de qualidade através de medição acessível, equilibrada e holística dos impactes ambientais;
Utilização de medições quantificadas para determinar a qualidade ambiental; Adoção de uma abordagem flexível;
Utilização da melhor ciência disponível e das melhores práticas como base para a quantificação e calibração das performances padronizadas que definem a qualidade ambiental; Reflexão dos benefícios sociais e económicos que advêm do cumprimentos das metas ambientais estabelecidas;
Disponibilização de um enquadramento de avaliação destinado ao contexto local, envolvendo as vertentes de legislação, clima e características inerentes das práticas construtivas;
Integração de profissionais da construção no desenvolvimento e processos de operação, visando a compreensão geral e acessibilidade a informação;
Adoção, sempre que possível, de ferramentas e práticas industriais, com base em técnicas reconhecidas e minimização de custos, que suportem desenvolvimentos nas políticas e tecnologias;
Capacidade de informar os agentes da construção para as eventuais atualizações executadas nas metas e metodologias ambientais padronizadas, englobando legislação, política e mercado.
3.2.2.PROCEDIMENTOS DE APLICAÇÃO
Este sistema de avaliação da sustentabilidade abrange todo o tipo de construções desde do uso habitacional a serviços devido às adaptações impostas para os diferentes casos da indústria da construção. O seu funcionamento incide no cumprimento de requisitos exigenciais ambientais ordenados em categorias que leva à atribuição de créditos. As categorias são de grande importância para a classificação ambiental visto que concentram em si fatores de ponderação ou pesos, que permitem uma diferenciação das mesmas quanto à sua relevância perante o subsistema a que se referem. A combinação dos créditos atribuídos com as categorias ponderadas traduz-se numa classificação do desempenho ambiental do edificado (Pinheiro, M., 2006).
Em termos práticos, o sistema BREEAM é aplicado por profissionais independentes, formados pelo BRE. A avaliação realizada é auxiliada por guias onde são descritos os requisitos a analisar, a sua forma de análise e medição, e os procedimentos para verificação das avaliações a concretizar (Pinheiro, M., 2006).
O sistema BREEAM possui uma versatilidade bastante abrangente. Pode ser aplicado a diversos tipos de operações de construção, incluindo construção nova (BREEAM New Construction) e reabilitação (BREEAM Refurbishment) e, ainda, para o caso particular de edifícios de habitação (BREEAM Code
for Sustainable Homes/Ecohomes). O seu campo de aplicação abrange também as fases de gestão em
utilização (BREEAM In Use) e, por último, existe ainda uma versão deste sistema de avaliação cuja aplicação está associada à avaliação de planos de urbanização, de pormenor ou projetos de loteamento (BREEAM Communities). As avaliações para as várias tipologias dos edificados também são especificadas e adaptadas conforme as características inerentes respetivas (BREEAM, 2013).
A estrutura BREEAM para os seus diferentes subsistemas é, assim, definida (BREEAM, 2013): BREEAM Construção Nova;
o Tribunais; o Data Centres; o Educação; o Saúde; o Indústria; o Multi-residencial; o Escritórios; o Outros Edifícios; o Prisões; o Comércio. BREEAM Comunidades; BREEAM Em Uso; o Parte 1 - Características;
o Parte 2 - Procedimentos de Gestão; o Parte 3 - Eficiência da Organização.
BREEAM Reabilitação;
o Reabilitação Doméstica; o Reabilitação Não Doméstica. Código para Habitações Sustentáveis.
3.2.3.CATEGORIAS,PONDERAÇÕES E CLASSIFICAÇÃO
Sendo o método BREEAM estruturado em diferentes subsistemas, as metodologias de avaliação diferem ao nível das áreas analisadas, formas de avaliação, ponderações respetivas e classificações aplicadas. Assim, são apresentados dois exemplos de estruturas de avaliação ambiental associadas aos subsistemas Código Para Habitações Sustentáveis e BREEAM Reabilitação Doméstica. Estes dois subsistemas vieram substituir, no ano de 2012, o anterior EcoHomes para a construção e reabilitação de habitações sustentáveis. Mais de 200.000 residências possuem a certificação BREEAM referente ao EcoHomes (BREEAM, 2013).
O Código para Habitações Sustentáveis ou, em inglês, Code for Sustainable Homes, é aplicado desde 2007, focando-se na avaliação do desempenho ao nível da sustentabilidade das habitações. O seu desenvolvimento foi promovido pelo Department for Communities and Local Government (GCLG) e tem como base o subsistema antecedente EcoHomes para a construção nova (BRE Global, 2010). À semelhança do anterior avalia 34 critérios ambientais inseridos em 9 categorias diferentes e a sua visualização é possível no Anexo 1 (Tabela A1.1).
É necessário referir que, em alguns critérios mencionados, existem requisitos mínimos obrigatórios a cumprir para garantir a certificação ambiental, independentemente, do nível qualitativo atribuído. Para a atribuição da pontuação final, são necessários cálculos que passam pelo:
Somatório das pontuações de todos os critérios para cada categoria;
Divisão da pontuação somada pela pontuação máxima possível de cada categoria;
Multiplicação destes últimos valores quantificados pelos respetivos fatores de ponderação percentuais de cada categoria;
Arredondamento por defeito à unidade centesimal das pontuações percentuais obtidas no último passo;
Somatório final das pontuações percentuais de todas as categorias.
Finalmente, perante o somatório final referido, é, então, classificado o desempenho ao nível da sustentabilidade pretendido, atribuindo níveis qualitativos que vão de 1 a 6 (Tabela 3.1).
Tabela 3.1 – Pontuações percentuais finais e níveis de classificação do sistema de avaliação Código para Habitações Sustentáveis (BRE Global, 2010)
Total de Pontos Percentuais (igual ou superior a) Níveis do Código
36 Nível 1 (♦) 48 Nível 2 (♦♦) 57 Nível 3 (♦♦♦) 68 Nível 4 (♦♦♦♦) 84 Nível 5 (♦♦♦♦♦) 90 Nível 6 (♦♦♦♦♦♦)
O BREEAM Reabilitação Doméstica ou, em inglês, BREEAM Domestic Refurbishment, é aplicado à reabilitação de edifícios residenciais, incluindo grandes ou pequenas alterações e extensões, e desconsiderando edifícios de habitação coletiva como residências para estudantes, albergues, pousadas ou residenciais (BREEAM, 2012). O desenvolvimento deste subsistema veio completar a avaliação de desempenho ambiental ao nível das habitações, integrando as anteriores funções do EcoHomes para a reabilitação. A sua estrutura insere a existência de 34 critérios, envolvidos em 9 categorias diferentes cuja apresentação se encontra no Anexo 1 (Tabela A1.2).
À semelhança do sistema de avaliação anterior, este subsistema de avaliação de desempenho ambiental introduz requisitos mínimos obrigatórios, nalguns critérios. Outra característica importante é a valorização de práticas e operações de reabilitação que cumpram especificações adicionais requeridas pelos agentes BREEAM. Em vários critérios, é possível, no caso de cumprimento deste tipo de especificações, acrescentar “créditos exemplares” extra à contabilização para as respetivas categorias.
A categoria referente à Inovação também se coaduna com o carácter valorativo deste sistema e está associada às aplicações inovadoras implementadas nas construções. A sua contabilização pode atingir um máximo de 10 pontos percentuais. Os créditos atribuídos a esta categoria são, meramente, somados aos pontos percentuais determinados nas restantes categorias, não implicando qualquer tipo de diferenciação nos processos de cálculo para a classificação final BREEAM.
A determinação das pontuações percentuais finais é em tudo semelhante ao disposto para o Código para Habitações Sustentáveis, tendo apenas a consideração adicional da categoria Inovação mencionada.
O sistema de classificação BREEAM Reabilitação Doméstica implica, por fim, uma escala de qualificação dos desempenhos ambientais que vai do nível “Aprovado” ao nível “Extraordinário” (Tabela 3.2).
Tabela 3.2 – Pontuações percentuais finais e níveis de classificação do sistema de avaliação BREEAM Reabilitação Doméstica (BREEAM, 2012)
Total de Pontos Percentuais (igual ou superior a) Classificações BREEAM Reabilitação Doméstica 30 Aprovado 45 Bom 55 Muito Bom 70 Excelente 85 Extraordinário
3.3.HAUTE QUALITÉ ENVIRONNEMENTALE DES BÂTIMENTS –HQEBÂTIMENTS