• Nenhum resultado encontrado

BABESIOSE

No documento Trabalho Conclusão Curso (páginas 37-40)

Dentre as enfermidades que afetam os equinos destacam-se as doenças parasitárias, onde as hemoparasitoses têm sido mencionadas como importantes causas de danos à sanidade animal com comprometimento da função equina. Neste contexto, a babesiose representa a parasitose de maior importância econômica na equinocultura, determinando tanto prejuízos diretos, que vão desde a queda na performance até a morte de animais. Além disso, pode restringir a comercialização e trânsito de equinos soropositivos em alguns países (FRIEDHOFF, 1990 e BRÜNING, 1996). A preocupação dos criadores de cavalos com a babesiose equina tem exigido a atenção de veterinários com o diagnóstico da enfermidade. De uma maneira geral, o diagnóstico é realizado a partir de sinais clínicos e da avaliação de alguns parâmetros do hemograma, como contagem de eritrócitos, hematócrito e contagem diferencial de leucócitos (RUDOLPH et al., 1975), associados à detecção dos parasites na circulação (PHIPPS, 1995).

36

No dia 12 de fevereiro de 2021, chegou à clínica um equino, fêmea, 13 anos de idade, 486 kg, da raça crioula, com suspeita clínica de intoxicação por agrotóxico de lavoura. O animal apresentava-se em estado alerta, com exoftalmia e mucosas ictéricas. A égua havia recebido atendimento veterinário emergencial na propriedade em que estava, onde foi posto um cateter 16G e realizados tratamentos com corticoides e fluidoterapia (ambos não informados as doses e volumes), não obtendo resultados, encaminharam o animal até a Clínica de Equinos Santa Maria®.

O proprietário relatou na anamnese, que a égua era uma matriz de seu criatório e encontrava-se no 4° mês gestacional, vivia em uma área de campo, próxima a uma área de agricultura (lavoura) de soja. Quando notou, o animal encontrava-se com crises de choque hipovolêmicos e com leve crise epileptiforme. O animal havia defecado, porém ainda não tinha urinado, apesar de ter recebido tratamento de fluidoterapia, como relatou o tutor.

Como procedimento padrão de chegada, foram feitos os exames clínicos com os seguintes parâmetros: FC 80 bpm, FR 36 mpm, MI positiva (+), mucosa oral hipocorada, TPC 3 segundos e temperatura de 37.7 °C. Foi observado áreas de alopecia na região da cabeça, pescoço, peito e membros, sugestivas de carrapatos, porém nenhum parasita encontrado. Os protozoários são transmitidos aos equídeos através da picada de carrapatos infectados, inoculando esporozoítos (SANTOS, SANTOS & MASSARD, 2008), que vivem e se multiplicam dentro de hemácias (GOLYNSKI et al., 2008). Outras formas de transmissão se dão através de fômites contaminados e via transplacentária (SANTOS, SANTOS & MASSARD, 2008).

Foram realizados também exames complementares de emergência como hematócrito (HT) e proteína plasmática total (PPT), com os seguintes valores 27 e 5,2 respectivamente. A fim de diagnóstico foi realizada uma palpação retal para análise da viabilidade/integridade fetal e uterina, onde constou que a égua não teria abortado. Segundo Campos (2017), éguas prenhas que são portadoras da doença, poderão vir a apresentar aborto ou transmitir a enfermidade para os potros.

A partir do histórico e sinais clínicos suspeitou-se de babebiose e por isso realizou-se a coleta de sangue para um hemograma total e avaliação de parâmetros bioquímico. Estes exames foram realizados por laboratório terceirizado. Enquanto não se obteve resultado dos exames, foram instituídos alguns tratamentos prévios para babebiose, com Dipropionado de Imidocarb (2,4 mg/kg/IM /Enfrent®) associado com Acetomina de Triancinolona (0,02 mg/kg/ IM / Atriben®). Também foram aplicados Flunixina Meglumina (1,1 mg/kg/ I.V Flumax ®), simultaneamente um tratamento de fluidoterapia intensiva com 7 litros de Solução RL (cloreto

37

de sódio 6 mg/mL, cloreto de potássio 0,3 mg/mL, cloreto de cálcio 0,2 mg/mL e lactato de sódio 3,1 mg/mL) e 2 litros de glicose 5% juntamente com polivitamínico (Top Race®).

Na noite do dia 12 de janeiro de 2021, o laboratório divulgou os exames solicitados. Confirmando então que se tratava realmente de babesiose, com consequente anemia severa (Figura 13). O diagnóstico pode ser realizado por métodos diretos como exame clínico, histórico, suspeita de infestação por carrapatos, ou métodos indiretos, realizando sorologia para identificação de anticorpos específicos contra o agente (FONSECA & GODOY, 2012). Exames complementares poderão ser solicitados pelo médico veterinário, sendo eles: hemograma para pesquisa de hemoprotozoários (SOUTO et al., 2014).

Figura 13 – Principais resultados do hemograma e pesquisa de hematozoários.

Fonte: Laboratório Veterinário Qualem (2021).

Posterior ao diagnóstico final, prosseguiu-se o tratamento com Dipropionado de Imidocarb (2,4 mg/kg/IM /Enfrent®) associado com Acetomina de Triancinolona (0,02 mg/kg/ IM / Atriben®) de 72 em 72 horas, totalizando 4 aplicações. Também foi prescrito a administração de Omeprazol (4m/kg/VO/1x ao dia) e 20 ml de Hemolitan® (VO). No dia seguinte (13) foi necessária uma transfusão de sangue para auxiliar no quadro de anemia severa. Foram utilizadas bolsas de sangue simples (capacidade de 500 mL com anticoagulante cpda-1), coletando-se um total de 2 L de sangue, que foi diretamente transfundido ao paciente. É de

38

suma importância ressaltar que a clínica dispõe sempre de animais próprios para esse tipo de procedimento, porque não há como realizar em animais de clientes.

O tratamento da enfermidade deve ser eficaz na erradicação do parasita, sendo administrado Dipropionato de Imidocarb na dose de 5 mg/kg por via intramuscular por dois dias consecutivos uma vez ao dia. Outro fármaco também usado é a amicarbalida, podendo ser administrada na dose de 8,8 mg/kg, por via intramuscular por dois dias seguidos, também uma vez ao dia (FONSECA & GODOY, 2012; HENRIQUES & BOTELHO, 2006). Transfusões sanguíneas podem ser necessárias quando o animal se apresentar muito anêmico (HENRIQUES &BOTELHO, 2006).

Associado a rotina alimentar de volumoso e concentrado três vezes ao dia, o pastejo também ocorria com duração de aproximadamente 20 minutos. Desde a chegada do animal, durante 3 dias consecutivos foi monitorada a PPT e HT, com o intuito de avaliar a evolução do quadro e a eventual necessidade de outra transfusão.

Estabilizado o quadro de anemia e suspendido o tratamento, realizou-se o exame ultrassonográfico retal para diagnostico de gestação, onde constou que a égua estava com prenhes positiva e recebeu alta médica.

As medidas de controle da doença, baseiam-se na prevenção da infestação dos carrapatos, sendo recomendada banhos semanais, em períodos de meses específicos de cada região, onde predominam larvas e ninfas dos ectoparasitas (LABRUNA et al., 2004).

No documento Trabalho Conclusão Curso (páginas 37-40)

Documentos relacionados