Leonardo Martins Reitz
RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO
SUPERVISIONADO NA ÁREA DE REPRODUÇÃO, CLÍNICA E
CIRURGIA DE EQUINOS
Curitibanos 2021
Trabalho Conclusão Curso
Universidade Federal de Santa Catarina
Campus Curitibanos
Curso de Medicina Veterinária
Leonardo Martins Reitz
RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO
SUPERVISIONADO NA ÁREA DE REPRODUÇÃO, CLÍNICA E
CIRURGIA DE EQUINOS
Trabalho Conclusão do Curso de Graduação em Medicina Veterinária do Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Catarina como requisito para a obtenção do Título de Bacharel em Medicina Veterinária.
Orientadora: Prof. Dra. Grasiela De Bastiani Supervisor: M.V. Esp. Diego Rafael Palma da Silva
Curitibanos 2021
Ficha de identificação da obra elaborada pelo autor,
através do Programa de Geração Automática da Biblioteca Universitária da UFSC.
Reitz, Leonardo Martins
RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO NA ÁREA DE CLÍNICA, CIRURGIA E REPRODUÇÃO DE EQUINOS / Leonardo Martins Reitz ; orientadora, Grasiela De Bastiani, 2021. 44 p.
Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina, Campus Curitibanos, Graduação em Medicina Veterinária, Curitibanos, 2021.
Inclui referências.
1. Medicina Veterinária. 2. Equinos. 3. Clínica. 4. Reprodução. 5. Cirurgia. I. De Bastiani, Grasiela . II. Universidade Federal de Santa Catarina. Graduação em Medicina Veterinária. III. Título.
Leonardo Martins Reitz
RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO
SUPERVISIONADO NA ÁREA DE REPRODUÇÃO, CLÍNICA E
CIRURGIA DE EQUINOS
Este Trabalho Conclusão de Curso foi julgado adequado para obtenção do Título de Médico Veterinário e aprovado em sua forma final.
Curitibanos, 14de maio de 2021.
________________________ Prof. Dr. Malcon Martines Perez
Coordenador do Curso
Banca Examinadora:
________________________ Prof.ª Dra. Grasiela De Bastiani
Orientadora
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
________________________ Prof.ª Dr. Marcos da Silva Azevedo Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)
________________________ Tainã Kuwer Jacobsen
“A sede de liberdade rebenta a soga do potro...”
AGRADECIMENTOS
Obrigada meu DEUS por iluminar o meu caminho.
Agradeço aos meus mestres e avôs Túlio Rodrigues Martins e RenyRogelloReitz pela sabedoria e ensinamentos.
Agradeço aos meus pais Eduardo Viana Reitz e Elimáry Martins pela vida,eles são a minha fonte de forças para seguir a minha jornada e conquistar os meus objetivos pessoais e profissionais.
Agradeço as minhas avós, em especial, a minha avó Cleusa Eli Barbosa Martins por acreditar no meu potencial e tornar meu sonho possível.
Agradeço ao meu irmão Arthur Martins Reitz, por sempre estar ao meu lado, sempre me guiando e siga no melhor caminho. É um verdadeiro anjo na minha vida.
Agradeço a todos da minha família que nas diferenças me completam.
Agradeço aos meus professores pela entrega de seus conhecimentos, em especial, a minha orientadora Prof.ª Dra. Grasiela de Bastiani pelo seu profissionalismo, capacidade, generosidade e comprometimento com suas atividades e seus alunos.
Agradeço a Clínica de Equinos Santa Maria e toda a sua equipe de profissionais: Med.Vet. Diego da Silva, Med. Vet. Gabriele Biavaschi e Med. Vet. Cícero Cunha, pelo acolhimento, experiências e oportunidade de vivenciar a prática da profissão.
Agradeço ao Dr. Ciro Franco, pelo trabalho pioneiro em odontologia equina no Brasil, que prontamente me auxiliou sendo um mestre, amigo e incentivador para atuar na área.
Agradeço minha parceira Mariana Córdova Bastos pelo seu amor, companheirismo e incentivo em todas as horas, principalmente nas mais difíceis.
Agradeço a todos os meus queridos amigos, que felizmente são muitos. Mas sempre há alguns que se destacam. Meu querido Gabriel Ferro, irmão de alma e coração. Meu padrasto Profº Dr. Rodrigo Bainy Leal, incentivador na minha formação acadêmica e pessoal. Meu primo Bruno Barbosa Melo pelo companheirismo e vivências especiais. Minha afilhada Maria Luiza pela inocência. Aldo Martins (Aldinho) pela família especial que me acolheu e que foi enriquecedora na minha formação pessoal e profissional. Meus queridos e eternos Profº Dr. Lauro Petrucci e Prof° Dr. Aldo Martins (Dido) pelas alegrias e ensinamentos. Meus colegas de graduação: João Fiorentin, Samuel Bordinhon, Gabriel Biesek, Heraldo Kemer, Marcelo Castilho, Henrique Fachin, Mateus Borges, e todos os demais que compartilharam comigo essa jornada.
Agradeço a Universidade Federal de Santa Catarina pela qualidade de seu corpo de professores e servidores e pela estrutura e excelência do ensino público.
RESUMO
O presente trabalho relata as atividades desenvolvidas durante o estágio curricular obrigatório realizado na Clínica de Equinos Santa Maria®. A oportunidade de estágio proporciona ao graduando vivenciar experiências reais as que aparecerão no mercado de trabalho, fazendo com que o aluno se familiarize com as situações e adversidades que irá encontrar profissionalmente. Trata-se de uma oportunidade única, onde se pode conciliar a teoria com a prática e discutir sobre o melhor diagnóstico e posterior tratamento, abrangendo áreas de reprodução, clínica e cirurgia de equinos. A Clínica de Equinos Santa Maria®, situada na cidade de Santa Maria, Estado do Rio Grande do Sul, foi o local de escolha para a realização do estágio curricular, com ênfase nas áreas de reprodução, clínica e cirurgia de equinos. O estágio decorreu entre as datas de 19/012/2020 a 28/02/2021, totalizando 456 horas.
ABSTRACT
The present work reports the activities developed during the mandatory curricular internship held at Clínica de Equinos Santa Maria®. The internship opportunity provides the undergraduate student with real life experiences that will appear in the job market, making the student familiar with the situations and adversities that they will encounter professionally. This is a unique opportunity, where you can reconcile theory with practice and discuss the best diagnosis and subsequent treatment, covering areas of reproduction, clinic and surgery of horses. The Santa Maria® Equine Clinic, located in the city of Santa Maria, State of Rio Grande do Sul, was the place of choice for the curricular internship, with emphasis on the areas of reproduction, clinic and surgery of horses. The internship took place between the dates of 19/012/2020 to 02/28/2021, totaling 456 hours.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 –A Galpão principal vista externa; B Cocheiras em alvenaria. ... 17
Figura 2 –A- Sala de ração; B- Materiais e utensílios da Clínica. ... 18
Figura 3 –Sala de procedimentos ... 19
Figura 4 - Ambulatório...19
Figura 5 –A- Lavatório; B- Redondel de madeira. ... 20
Figura 6 –Subdivisão dos piquetes da Clínica de Equinos Santa Maria® ... 21
Figura 7 –Ficha clínica e gastos individual. ... 23
Figura 8 –Ficha para animais em terapia intensiva ... 24
Figura 9 – (A) Avaliação do sêmen; (B) Microscopia do sêmen em 200x; (C) Embrião equino de 7 dias ... 30
Figura 10 – (A)Vista interna da cavidade oral com presença do 1° pré-molar, gancho na hemi arcada superior esquerda ( elemento dentário Triadan 206), e pontas excessivas de esmalte em todos os quadrantes; (B)Vista lateral da cavidade evidenciando o elemento dentárioTriadan 103 com cauda de andorinha e o elemento dentário Triadan 404 com tártaro. ... 33
Figura 11 –Presença de grandes partículas alimentares de volumoso na cavidade oral. ... 33
Figura 12 –Visão interna da cavidade oral feitas as correções odontológicas ... 35
Figura 13 –Principais resultados do hemograma e Pesquisa de hematozoários. ... 37
Figura 14 –(A) e (B)Lesão circular com aspecto granulomatoso e aumento de volumo abdominal; (C) Ferida limpa e tricotomia; (D) Kunkers; (E) padrão de sutura e cauterização; (F) 2 dias cirúrgico; (G) 5 dias cirúrgico; (H) 14 dias cirúrgico; (I) 18 dias pós-cirúrgico. ... 41
LISTA DE QUADROS
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 –Sistemas acometidos durante o estágio obrigatório na Clínica de Equinos Santa
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 –Sistemas acometidos durante o estágio obrigatório na Clínica de Equinos Santa
Maria, no período de 19 de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021... 25
Tabela 2 –Sistema locomotor, detalhamento dos casos durante o estágio obrigatório na Clínica
de Equinos Santa Maria, no período de 19 de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021... ... 26
Tabela 3 –Sistema tegumentar, detalhamento dos casos acompanhadosdurante o estágio
obrigatório na Clínica de Equinos Santa Maria, no período de 19 de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021. ... 27
Tabela 4 –Sistema sensorial especial, detalhamento dos casos acompanhados durante o estágio
obrigatório na Clínica de Equinos Santa Maria, no período de 19 de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021 ... 27
Tabela 5 –Sistema vascular, detalhamento dos casos acompanhados durante o estágio
obrigatório na Clínica de Equinos Santa Maria, no período de 19 de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021 ... 28
Tabela 6 – Sistema gastrointestinal, detalhamento dos casos acompanhados durante o estágio
obrigatório na Clínica de Equinos Santa Maria, no período de 19 de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021 ... 29
Tabela 7 –Atividades acompanhadas na área de reprodução acompanhadas durante o estágio
obrigatório na Clínica de Equinos Santa Maria, no período de 19 de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021 ... 30
Tabela 8 –Exames complementares acompanhados durante o estágio obrigatório na Clínica de
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
®- Marca registrada Nº - Número
KM- Quilometro
UFSM- Universidade Federal de Santa Maria M²- Metros quadrados %- Porcentagem SF- Solução fisiológica RL-Ringer Lactato PVPI- Iodopovidona Min- Minutos FC- Frequência cardíaca FR- Frequência respiratória MI- Motilidade intestinal TPC- Tempo de perfusão capilar MPD- Membro posterior direito °C – Graus Celsius
mg-miligramas kg- Kilogramas IV- Intravenosa IM-Intramuscular
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 15
2 CLÍNICA DE EQUINOS SANTA MARIA® ... 16
2.1 ESTRUTURA FÍSICA ... 16 2.2 PIQUETES ... 20 3 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS ... 21 3.1 ROTINA DA CLÍNICA ... 22 3.2 RECEBIMENTO DE PACIENTES ... 22 3.3 INTERNAMENTO ... 24 4 CASUÍSTICA ... 25 4.1 SISTEMA LOCOMOTOR ... 26 4.2 SISTEMA TEGUMENTAR ... 26
4.3 SISTEMA SENSORIAL ESPECIAL ... 27
4.4 SISTEMA VASCULAR ... 28
4.5 SISTEMA GASTROINTESTINAL ... 28
4.6 ESTAÇÃO REPRODUTIVA ... 29
4.7 EXAMES DE IMAGEM E COMPLEMENTARES ... 31
5 DISCUSSÃO DE CASOS ASSISTIDOS ... 31
5.1 GANCHO DENTÁRIO ... 31
5.2 BABESIOSE ... 35
5.3 PITIOSE ... 38
6 CONCLUSÃO ... 42
15
1 INTRODUÇÃO
O estágio curricular obrigatório é um divisor de águas para o graduando, e de suma importância para a formação como médico veterinário, onde se tem a possibilidade de unir a prática e teoria, criando oportunidades de discussão, decisões e troca de experiências na área. Sendo todos estes fatores de suma importância para uma melhor tomada de decisão e maturidade na futura rotina profissional.
Neste trabalho serão descritas as atividades realizadas durante o período de estágio na Clínica de Equinos Santa Maria ® situada na cidade de Santa Maria, Estado do Rio Grande do Sul, com a supervisão do Médico Veterinário especialista Diego Rafael Palma da Silva durante o período de 19 de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021, acompanhados integralmente, totalizando 456 horas.
Este relatório tem como objetivo descrever a infraestrutura, salientar as casuísticas e atividades desenvolvidas durante o período de estágio.
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2 CLÍNICA DE EQUINOS SANTA MARIA®
A Clínica de Equinos Santa Maria® é uma sociedade empresarial limitada que conta atualmente com dois médicos veterinários sócios proprietários, um médico veterinário residente e dois colaboradores para serviços gerais, como limpeza das cocheiras, alimentação dos animais e manutenção das instalações. Além destes, também contribuem na equipe estagiários curriculares e extracurriculares. A clínica está localizada na cidade de Santa Maria, estado do Rio Grande do Sul, BR 287 - KM 255, nº 900, a uma latitude de 29°41'10.5 Sul e a uma longitude de 53°55'15.3 Oeste, estando a uma altitude de 113 metros. Seu horário de funcionamento é 24 horas por dia, todos os dias da semana incluindo domingos e feriados.
2.1 ESTRUTURA FÍSICA
A clínica conta com um complexo de estruturas que atende satisfatoriamente as atividades propostas. Adicionalmente, um bloco cirúrgico está em fase de construção, com expectativa de inauguração em 2024. Considerando essa situação, os procedimentos que necessitam de um bloco cirúrgico são realizados na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), instituição com a qual a Clínica tem parceria. Nesse caso a clínica se encarrega de todo o pré e pós cirúrgico nas suas dependências.
O galpão principal (Figura1.A) é onde se concentra a grande parte dos animais, totalizando 12 cocheiras de alvenaria (Figura 1.B). Estas contam com cocho para alimentação, cocho de água fresca e com cocho para sal mineral, sendo este último reabastecido de 15 em 15 dias. Cada cocheira tem em média 9 m², com piso de chão batido e a cama de casca de arroz, a qual é trocada conforma necessidade e limpa duas vezes por dia. Neste mesmo galpão também se encontra, na parte superior, o alojamento dos estagiários com quartos, cozinha e banheiro.
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Figura 1- (A) Vista externa do galpão principal; (B) Cocheiras em alvenaria.
Fonte: arquivo pessoal (2021).
No caso de lotação do galpão principal ou animais com doenças infecto contagiosas, outro galpão secundário de madeira é utilizado. O mesmo possui capacidade de alojar 4 animais. Cocheiras com aproximadamente 6m², com piso de chão batido e a cama de casca de arroz, a qual é trocada conforma necessidade e limpa duas vezes por dia. Possui cochos móveis e o fornecimento de água era através de baldes, não há cochos para suplementação mineral.
Em um complexo próximo aos galpões encontrava-se a sala de rações/estoque, sala de procedimentos, ambulatório e o alojamento dos funcionários da clínica.
A sala de rações/estoque é o local onde se armazenam as rações, fenos, suplementos, sal mineral (Figura 2.A) e também serve de auxílio para os materiais e utensílios da clínica (Figura 2.B) como: álcool 70%, iodopovidona (PVPI), água oxigenada, clorexidina 2%, solução fisiológica (SF), glicose 5%, ringer lactato (RL), bem como caixas para transporte de sêmen, cordas, maneias, cachimbo, colchões para cirurgias e suportes de soro.
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Figura 2- (A) Sala de ração; (B) materiais e utensílios da Clínica.
Fonte: arquivo pessoal (2021).
A sala de procedimentos (Figura 3), conta com um tronco principal, onde são realizadas as palpações, sondagens, aferições e procedimentos, principalmente em animais mais temperamentais. Há suporte de soro, mesas para procedimentos, máquina de lavar, lixeiras para lixo contaminado, químico e comum.
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Figura 3- Sala de procedimentos.
Fonte: arquivo pessoal (2021).
O ambulatório (Figura 4) é composto por um microscópio, geladeira, centrífuga, estufa, pia, armários para estocagem de fármacos, sedativos e materiais diversos. Neste local, é realizado a manipulação de sêmen e embriões, exames complementares (ex. hematócrito e proteína plasmática total) e o preenchimento das fichas dos animais em internação.
Figura 4- Ambulatório.
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O lavatório (Figura 5A) é destinado para banhar os animais, local onde também são realizados alguns procedimentos simples e hidroterapia. A clínica também conta com um Redondel (Figura 5B), onde são soltos os animais em reabilitação e eventualmente garanhões.
Figura 5- (A) Lavatório; (B) Redondel de madeira.
Fonte: arquivo pessoal (2021).
2.2 PIQUETES
A Clínica tem um espaço físico de aproximadamente 12 hectares, sendo subdividido em piquetes, corredores e áreas construídas (Figura 6). No total são 14 piquetes que dispõem de água e sal mineral, cada qual com sua classificação e ordem dos animais. Na seguinte distribuição (Figura 6):
Cor azul = corredores de passagem e acesso aos piquetes.
Cor vermelha= 10 piquetes destinados aos garanhões, éguas em reprodução ou com cria ou pé. Compostos por pastagem cultivada e nativa.
Cor verde = 3 piquetes destinados a cultivares de pastagens para fornecimento aos animais internados. Compostas de pastagens de verão como Capim Sudão ou de inverno como Azevém.
Cor amarela = área construída com o galpão principal, galpão secundário, sala de procedimento, ambulatório, lavatório, sala de ração e bloco cirúrgico em construção.
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Figura 6- Subdivisão dos piquetes da Clínica de Equinos Santa Maria®.
Fonte: Google (2021).
3 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
O estagiário possuía como função participar de todos os procedimentos relacionados a clínica, reprodução e cirurgia de equinos. Dessa forma, era atribuição do mesmo realizar todas as rotinas da clínica, além de participar das discussões técnicas referente ao diagnóstico e tratamento dos pacientes. Organizados por escalas os estagiários acompanhavam os Médicos Veterinários em atendimentos a campo que variavam entre clínica, reprodução, odontologia e emergências.
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3.1 ROTINA DA CLÍNICA
A clínica possuía uma rotina integral de domingo a domingo. O horário de atendimento começava às 06:00 horas e com término às 19:00 horas, exceto em emergências e saídas a campo em que o horário era flexibilizado.
A função do estagiário era realizar exame físico completo dos animais internados, acompanhar o manejo alimentar, fazer administração de medicamentos e/ou hormônios, manejo de feridas e realização do pastejo. Todas estas atividades eram supervisionadas pelos residentes ou supervisores.
Após a realização dos exames físicos da manhã, aproximadamente às 07:00, era iniciada a alimentação dos animais, intercalados em 6 refeições conforme o Quadro 1. A exceção de pacientes em terapias intensivas, onde os médicos veterinários responsáveis alteravam a conduta de exames e alimentação. A nutrição dos animais era a cargo dos funcionários contratados.
Quadro 1- Horário de alimentação dos animis em internamento.
Horários Alimento 07:00 Volumoso 07:40 Concentrado 12:00 Volumoso 12:40 Concentrado 18:00 Volumoso 18:40 Concentrado Fonte: Autor (2021). 3.2 RECEBIMENTO DE PACIENTES
O recebimento dos animais era feito pelo residente ou supervisores, cabia aos estagiários auxiliar no descarregamento e realizar uma filmagem completa de todo o animal, a fim de provar seu real estado de chegada, sendo a seguir arquivado para comparação nos casos de alta.
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Na ocasião da entrada do animal na clínica, seguia-se um protocolo rigoroso de triagem, onde a anamnese era realizada pelo médico veterinário residente ou supervisores. Simultaneamente os estagiários realizavam o exame físico geral, sendo aferida a frequência cardíaca (FC), frequência respiratória (FR), ausculta da motilidade intestinal (MI), temperatura retal (T°), tempo de perfusão capilar (TPC), pesagem (mesurada através da fita de peso), e turgor de pele. Em seguida eram realizados, se necessário, exames complementares relacionados a queixa principal, como radiografia, ultrassonografia, endoscopia e exames laboratoriais. Os dados coletados eram anotados em uma ficha individual do paciente (Figura 7). Essa ficha era sempre rigorosamente preenchida com as informações coletadas no respectivo dia, assim como os gastos.
Figura 7 –Ficha clínica e de gastos individual.
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3.3 INTERNAMENTO
Os pacientes submetidos a internação na Clínica eram destinados para as cocheiras do galpão principal ou secundário e o manejo era conforme prescrição veterinária. Rotineiramente examinados, variando de duas a doze vezes ao dia dependendo do quadro clínico apresentado. Nos casos de terapia intensiva, recebiam atendimento 24 horas, com registros em uma ficha específica (Figura 8).
Figura 8 – Ficha para animais em terapia intensiva.
Fonte: Clínica de Equinos Santa Maria (2021).
Tratando-se de éguas para reprodução, eram avaliadas conforme seu estado corporal, tempo de gestação ou parição. Logo eram alocadas em um piquete que melhor se enquadrariam, evitando assim acidentes e estresses.
Nos casos de garanhões, eram obrigatoriamente alojados em cocheiras e piquetes individuais, para manter a performance reprodutiva e evitar acidentes.
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4 CASUÍSTICA
Durante o período de estágio foram atendidos um total de 37 animais. A tabela 1 mostra o número e a porcentagem dos atendimentos realizados, estes divididos por sistemas acometidos. Variando em raça, faixa etária e sexo.
Tabela 1 – Sistemas acometidos durante o estágio obrigatório na Clínica de Equinos Santa
Maria, no período de 19 de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021.
Sistema Acometidos Total nº % Gastrointestinal 16 26,41 Locomotor 14 15,09 Sensorial Especial 11 30,18 Tegumentar 8 7,54 Vascular 4 20,75 Total 53 100 Fonte: Autor (2021).
Gráfico 1 – Expressão percentual dos sistemas acometidos durante o estágio obrigatório na
Clínica de Equinos Santa Maria, no período de 19 de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021. Fonte: Autor (2021). 26,41 15,09% 30,18% 7,54% 20,75%
SISTEMAS ACOMETIDOS
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Observa-se que o sistema gastrointestinal foi o mais acometido, representando 30,18% dos casos, no entanto, o sistema locomotor teve também um acometimento considerável (26,41%), lembrando que ambos os sistemas são de extrema relevância na medicina equina. Nota-se que no decorrer do tempo alguns animais em internamento começaram a apresentar sinais clínicos relacionados a outros sistemas e afecções, isso aumentou a variabilidade de casos no decorrer do estágio, a exemplo do sistema sensorial especial.
4.1 SISTEMA LOCOMOTOR
Com relação ao sistema locomotor, em que houve o segundo maior número de casos, visto que se incluem os ferrageamentos ortopédicos e as patologias estão geralmente associadas a mais de um caso. As afecções são descritas detalhadamente na tabela 2.
Tabela 2 – Sistema locomotor, detalhamento dos casos durante o estágio obrigatório na Clínica
de Equinos Santa Maria, no período de 19 de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021.
Sistema Locomotor
Total nº %
Ferrageamento assistido por radiografia 4 30
Laminite aguda Laminite crônica 2 2 15 15 Fratura do 3° carpiano 1 7 Fratura de Rádio 1 7
Artrite séptica na articulação intercárpica 1 7 Artrite séptica na articulação interfalangeana distal 1 7
Luxação na articulação radio cárpica 1 7
Tenotomia do flexor digital profundo 1 7
Total 14 100
Fonte: Autor (2021).
4.2SISTEMA TEGUMENTAR
A tabela 3ilustra o detalhamento do sistema tegumentar com os respectivos número e porcentagens dos casos acompanhados.
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Tabela 3 – Sistema tegumentar, detalhamento os casos acompanhados durante o estágio
obrigatório na Clínica de Equinos Santa Maria, no período de 19 de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021.
Sistema Tegumentar
Total nº %
Pitiose na região abdominal ventral lateral 2 25
Sarcóidena região da quartela do MPD 2 25
Ferida Lacerante 2 25
Miíase na região da quartela 1 12,5
Edema maligno 1 12,5
Total 8 100
Fonte: Autor (2021).
4.3 SISTEMA SENSORIAL ESPECIAL
O Sistema sensorial especial teve um acometimento considerável e de extrema relevância (Tabela 4), considerando o tempo de recuperação, características da lesão e faixa etária acometida. Importante ressaltar que alguns destes pacientes apresentavam mais de uma patologia concomitante.
Tabela 4 – Sistema sensorial especial, detalhamento dos casos acompanhados durante o estágio
obrigatório na Clínica de Equinos Santa Maria, no período de 19 de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021.
Sistema Sensorial Especial
Total nº % Úlcera de córnea 7 63,63 Trauma Ocular 3 27,27 Abcesso Estromal 1 9,09 Total 11 100 Fonte: Autor (2021).
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4.4 SISTEMA VASCULAR
No sistema vascular não houve um número expressivo de casos (Tabela 5), porém as ocorrências foram diversificadas e muito desafiadores, onde toda a equipe da clínica se manteve engajada para obter uma recuperação satisfatória dos pacientes.
Tabela 5 – Sistema vascular, detalhamento dos casos acompanhados durante o estágio
obrigatório na Clínica de Equinos Santa Maria, no período de 19 de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021. Sistema Total nº % Flebite 2 50 Púrpura Hemorrágica 1 25 Babesiose 1 25 Total 4 100 Fonte: Autor (2021). 4.5 SISTEMA GASTROINTESTINAL
Durante o período de estágio o sistema gastrointestinal (Tabela 6) foi o de maior casuística, trata-se de um sistema delicado e que exige cautela. Na clínica médica e cirúrgica de equinos é um dos sistemas mais desafiadores. O número expressivo se deve em partes pelos casos de odontoplastia realizados. Uma boa prática odontológica nos equinos requer inspeções periódicas, preferencialmente bianuais, obtendo assim um diagnóstico precoce e intervenções simples, permitindo que a prevenção evite a evolução de enfermidades sobre o estado clínico e performance do animal.
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Tabela 6 – Sistema gastrointestinal, detalhamento dos casos acompanhados durante o estágio
obrigatório na Clínica de Equinos Santa Maria, no período de 19 de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021. Sistema Total nº % Odontoplastia 12 75 Desconforto abdominal 2 12,5
Síndrome do abdome agudo 2 12,5
Total 16 100
Fonte: Autor (2021).
4.6 ESTAÇÃO REPRODUTIVA
A clínica presta serviços internos e externos destinados ao manejo reprodutivo, executando coleta de sêmen (Figura 9.A), avaliação e envio do mesmo (Figura 9.B/C), monta controlada, inseminação artificial, transferência de embriões (Figura 9.D), diagnóstico de gestação, controle folicular, gestacional e neonatologia.
No caso de transferência de embrião a clínica terceiriza este serviço, realizando apenas o protocolo hormonal e controle folicular, sendo o restante do procedimento a cargo da empresa ou médico veterinário contratado.
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Figura 9- (A) Materiais para coleta e avaliação do sêmen; (B) Microscopia do sêmen em 200x; (C) Embrião equino de 7 dias.
Fonte: arquivo pessoal (2021).
Tabela 7– Atividades na área de reprodução acompanhadas durante o estágio obrigatório na
Clínica de Equinos Santa Maria, no período de 19 de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021. Estação Reprodutiva Total nº % Controle folicular 199 61,04 Controle gestacional 39 11,96
Coleta e avaliação de sêmen 32 09,81
Diagnóstico de gestação 28 08,58
Inseminação sêmen a fresco 17 05,21
Monta Controlada 5 01,53
Inseminação sêmen congelado 3 00,92
Transferência de Embrião 3 00,92
Total 326 100
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4.7 EXAMES DE IMAGEM E COMPLEMENTARES
A clínica oferece serviços de diagnóstico por imagem, incluindo: radiografia, ultrassonografia e endoscopia. Exames complementares, como hemograma total, leucograma e bioquímico, eram realizados por um laboratório terceirizado.
Tabela 8– Exames complementares acompanhados durante o estágio obrigatório na Clínica de
Equinos Santa Maria, no período de 19 de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021.
Exames Total nº % Estudo radiológico Cabeça Locomotor 2 13 2,24 14,60 Ultrassonografia Articulação fêmuro-tíbiopatelar 1 01,12 Tórax 8 08,98 Abdômen 3 03,37
Muscular (M. Glúteo Médio) 1 01,12
Hemograma Total/ Leucograma 50 56,17
Bioquímico 11 12,35
Total 89 100
Fonte: Autor (2021).
5 DISCUSSÃO DE CASOS ASSISTIDOS
5.1 GANCHO DENTÁRIO
A odontologia equina é uma especialidade de grande importância na medicina veterinária, visto que os equinos possuem dentes de erupção contínua durante toda a sua vida
(PAGLIOSA et al., 2004). Segundo Dacre (2006), as alterações odontológicas têm sido associadas à perda de peso e à diminuição do desempenho desportivo do animal afetado, como consequência da diminuição da ingestão de alimento, devido às dificuldades mastigatórias.
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No dia 8 de fevereiro de 2021, foi realizado um atendimento externo de um equino, macho castrado, 11 anos de idade, 550 kg, da raça Puro Sangue Inglês, com queixa principal em demorar para se alimentar e com bastante reação a embocadura. O manejo alimentar era basicamente ração comercial e volumoso, estes oferecidos fracionados três vezes ao dia. Proprietário relatou que nunca havia realizado nenhum procedimento odontológico no animal. Foi realizado previamente uma inspeção extraoral e já se constatou presença de patologias dentárias. O elemento Triadan 103 (incisivo canto direito) apresentava calda de andorinha, e os elementos dentário Triadan 304 e 404 (caninos inferiores) ambos com cálculos dentários (Figura 10.B). Molares e pré-molares notou-se a presença do 1° pré-molar (dente de lobo), além de pontas excessivas de esmalte e gancho no Triadam 206 (Figura 10.A). Para avaliação intraoral, realizou-se sedação com Cloridrato de Detomidina 1% (0,01 mg/kg/IV/ Dettovet®) e posteriormente colocou-se um abridor de boca do tipo McPherson. Com o animal devidamente sedado, iniciou-se a inspeção com o auxílio de um fotóforo (foco de luz), espelho odontológico e bomba d’água para lavagem bucal. Ao realizar a lavagem intraoral observou-se o aparecimento de bastantes resíduos alimentares entre as arcadas e tecidos adjacentes, com partículas bem aumentadas (Figura 11).
Mastigação ineficiente devido à dor ou alterações biomecânica desencadeada por patologias bucais pode prejudicar a moagem dos alimentos e consequentemente a digestibilidade, causando perda de peso e desenvolvimento de cólica por impactação, além de dificultar o desempenho de animais esportivos (DI FILIPPO et al., 2018).
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Figura 10-(A) Vista interna da cavidade oral com presença do 1° pré-molar, gancho na hemi
arcada superior esquerda (elemento dentário Triadan 206), e pontas excessivas de esmalte em todos os quadrantes; (B) Vista lateral da cavidade evidenciando o elemento dentário Triadan 103 com cauda de andorinha e o elemento dentário Triadan 404 com cálculo dentário.
Fonte: arquivo pessoal (2021).
Figura 11- Presença de grandes partículas alimentares de volumoso na cavidade oral.
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Com o auxílio de uma caneta odontológica elétrica com ponta diamantada, foi feito o desgaste das pontas excessivas de esmalte e corrigido o gancho no elemento dentário 206 (2° pré-molar), logo foi extraído o 1° pré-molar, com o auxílio de alavancas de extração (Figura 12). Ao término, o abridor de boca foi fechado e retirado, então os dentes incisivos foram avaliados, sendo a seguir realizado desgaste dentário para correção das irregularidades. Nos caninos com o auxílio de um boticão de fragmentos foi removido os cálculos.
Segundo Dixon (2000), alterações oclusais típicas muitas vezes são corrigidas com uso de equipamento de grosagem motorizado. São condições de tratamento dental parcial: crescimento excessivo, ou seja, pontas afiadas de esmalte, ganchos e rampas. Como principal motivo para estas condições, a falta de material forrageiro abrasivo em combinação com um tempo reduzido de mastigação foi hipotetizado.
A ocorrência de gancho pode ter relação com o confinamento, pois nesse manejo o alimento é disponibilizado acima do nível do solo, diferente do hábito natural de ingestão de alimentos dos equinos. A altura elevada na qual os alimentos são oferecidos pode, progressivamente, prejudicar os movimentos mastigatórios rostro-caudais. Além disso, alimentos à base de ração concentrada estimulam a movimentação vertical, alterando, também, a forma de desgaste dos dentes (PAGLIOSA et al., 2006). Pagliosa et al. (2006) menciona que distúrbios oclusais nos dentes incisivos são responsáveis por dificuldade na preensão de alimentos. Traumas, transtornos de irrupção e manejo alimentar são causas de irregularidades de alinhamento (Rucker, 2006). Sugere-se que a ocorrência de cauda de andorinha no animal em questão, seja da consequência das patologias encontradas nos pré-molares e molares além do manejo alimentar estabelecido.
Por fim, foi realizado a lavagem bucal com água e Clorexidina 2%, sendo então concluída a odontoplastia. O animal foi colocado novamente na sua baia, para recuperação da sedação, e mantido com restrição de alimentação no restante do dia.
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Figura 12- Visão interna da cavidade oral após o procedimento de odontoplastia.
Fonte: arquivo pessoal (2021).
5.2 BABESIOSE
Dentre as enfermidades que afetam os equinos destacam-se as doenças parasitárias, onde as hemoparasitoses têm sido mencionadas como importantes causas de danos à sanidade animal com comprometimento da função equina. Neste contexto, a babesiose representa a parasitose de maior importância econômica na equinocultura, determinando tanto prejuízos diretos, que vão desde a queda na performance até a morte de animais. Além disso, pode restringir a comercialização e trânsito de equinos soropositivos em alguns países (FRIEDHOFF, 1990 e BRÜNING, 1996). A preocupação dos criadores de cavalos com a babesiose equina tem exigido a atenção de veterinários com o diagnóstico da enfermidade. De uma maneira geral, o diagnóstico é realizado a partir de sinais clínicos e da avaliação de alguns parâmetros do hemograma, como contagem de eritrócitos, hematócrito e contagem diferencial de leucócitos (RUDOLPH et al., 1975), associados à detecção dos parasites na circulação (PHIPPS, 1995).
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No dia 12 de fevereiro de 2021, chegou à clínica um equino, fêmea, 13 anos de idade, 486 kg, da raça crioula, com suspeita clínica de intoxicação por agrotóxico de lavoura. O animal apresentava-se em estado alerta, com exoftalmia e mucosas ictéricas. A égua havia recebido atendimento veterinário emergencial na propriedade em que estava, onde foi posto um cateter 16G e realizados tratamentos com corticoides e fluidoterapia (ambos não informados as doses e volumes), não obtendo resultados, encaminharam o animal até a Clínica de Equinos Santa Maria®.
O proprietário relatou na anamnese, que a égua era uma matriz de seu criatório e encontrava-se no 4° mês gestacional, vivia em uma área de campo, próxima a uma área de agricultura (lavoura) de soja. Quando notou, o animal encontrava-se com crises de choque hipovolêmicos e com leve crise epileptiforme. O animal havia defecado, porém ainda não tinha urinado, apesar de ter recebido tratamento de fluidoterapia, como relatou o tutor.
Como procedimento padrão de chegada, foram feitos os exames clínicos com os seguintes parâmetros: FC 80 bpm, FR 36 mpm, MI positiva (+), mucosa oral hipocorada, TPC 3 segundos e temperatura de 37.7 °C. Foi observado áreas de alopecia na região da cabeça, pescoço, peito e membros, sugestivas de carrapatos, porém nenhum parasita encontrado. Os protozoários são transmitidos aos equídeos através da picada de carrapatos infectados, inoculando esporozoítos (SANTOS, SANTOS & MASSARD, 2008), que vivem e se multiplicam dentro de hemácias (GOLYNSKI et al., 2008). Outras formas de transmissão se dão através de fômites contaminados e via transplacentária (SANTOS, SANTOS & MASSARD, 2008).
Foram realizados também exames complementares de emergência como hematócrito (HT) e proteína plasmática total (PPT), com os seguintes valores 27 e 5,2 respectivamente. A fim de diagnóstico foi realizada uma palpação retal para análise da viabilidade/integridade fetal e uterina, onde constou que a égua não teria abortado. Segundo Campos (2017), éguas prenhas que são portadoras da doença, poderão vir a apresentar aborto ou transmitir a enfermidade para os potros.
A partir do histórico e sinais clínicos suspeitou-se de babebiose e por isso realizou-se a coleta de sangue para um hemograma total e avaliação de parâmetros bioquímico. Estes exames foram realizados por laboratório terceirizado. Enquanto não se obteve resultado dos exames, foram instituídos alguns tratamentos prévios para babebiose, com Dipropionado de Imidocarb (2,4 mg/kg/IM /Enfrent®) associado com Acetomina de Triancinolona (0,02 mg/kg/ IM / Atriben®). Também foram aplicados Flunixina Meglumina (1,1 mg/kg/ I.V Flumax ®), simultaneamente um tratamento de fluidoterapia intensiva com 7 litros de Solução RL (cloreto
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de sódio 6 mg/mL, cloreto de potássio 0,3 mg/mL, cloreto de cálcio 0,2 mg/mL e lactato de sódio 3,1 mg/mL) e 2 litros de glicose 5% juntamente com polivitamínico (Top Race®).
Na noite do dia 12 de janeiro de 2021, o laboratório divulgou os exames solicitados. Confirmando então que se tratava realmente de babesiose, com consequente anemia severa (Figura 13). O diagnóstico pode ser realizado por métodos diretos como exame clínico, histórico, suspeita de infestação por carrapatos, ou métodos indiretos, realizando sorologia para identificação de anticorpos específicos contra o agente (FONSECA & GODOY, 2012). Exames complementares poderão ser solicitados pelo médico veterinário, sendo eles: hemograma para pesquisa de hemoprotozoários (SOUTO et al., 2014).
Figura 13 – Principais resultados do hemograma e pesquisa de hematozoários.
Fonte: Laboratório Veterinário Qualem (2021).
Posterior ao diagnóstico final, prosseguiu-se o tratamento com Dipropionado de Imidocarb (2,4 mg/kg/IM /Enfrent®) associado com Acetomina de Triancinolona (0,02 mg/kg/ IM / Atriben®) de 72 em 72 horas, totalizando 4 aplicações. Também foi prescrito a administração de Omeprazol (4m/kg/VO/1x ao dia) e 20 ml de Hemolitan® (VO). No dia seguinte (13) foi necessária uma transfusão de sangue para auxiliar no quadro de anemia severa. Foram utilizadas bolsas de sangue simples (capacidade de 500 mL com anticoagulante cpda-1), coletando-se um total de 2 L de sangue, que foi diretamente transfundido ao paciente. É de
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suma importância ressaltar que a clínica dispõe sempre de animais próprios para esse tipo de procedimento, porque não há como realizar em animais de clientes.
O tratamento da enfermidade deve ser eficaz na erradicação do parasita, sendo administrado Dipropionato de Imidocarb na dose de 5 mg/kg por via intramuscular por dois dias consecutivos uma vez ao dia. Outro fármaco também usado é a amicarbalida, podendo ser administrada na dose de 8,8 mg/kg, por via intramuscular por dois dias seguidos, também uma vez ao dia (FONSECA & GODOY, 2012; HENRIQUES & BOTELHO, 2006). Transfusões sanguíneas podem ser necessárias quando o animal se apresentar muito anêmico (HENRIQUES &BOTELHO, 2006).
Associado a rotina alimentar de volumoso e concentrado três vezes ao dia, o pastejo também ocorria com duração de aproximadamente 20 minutos. Desde a chegada do animal, durante 3 dias consecutivos foi monitorada a PPT e HT, com o intuito de avaliar a evolução do quadro e a eventual necessidade de outra transfusão.
Estabilizado o quadro de anemia e suspendido o tratamento, realizou-se o exame ultrassonográfico retal para diagnostico de gestação, onde constou que a égua estava com prenhes positiva e recebeu alta médica.
As medidas de controle da doença, baseiam-se na prevenção da infestação dos carrapatos, sendo recomendada banhos semanais, em períodos de meses específicos de cada região, onde predominam larvas e ninfas dos ectoparasitas (LABRUNA et al., 2004).
5.3 PITIOSE
A pitiose é uma doença granulomatosa que atinge equinos, caninos, bovinos, felinos e humanos, ocorre em áreas tropicais, subtropicais ou temperadas (MEIRELES et al., 1993 e MENDOZA et al., 1996), causada pelo Oomiceto Pythiuminsidiosum (DE COCK et al., 1987). A espécie equina é a mais atingida, principalmente nas formas cutânea e subcutânea, seguido dos caninos (MENDOZA et al., 1996). Nos equinos, a P. insidiosum causa lesões cutâneas, progressivas, granulomatosas, ulcerativas e massas necróticas branco-amareladas com semelhança de “corais”, estes chamados de Kunkers. Localizadas comumente nas porções baixas dos membros, região ventral e toracoabdominal (MILLER & CAMPBELL, 1982a; SANTOS et al., 1987; MEIRELES et al., 1993; CHAFFIN et al., 1995 e TABOSA et al., 1999). No Brasil a maioria dos casos corresponde a lesões cutâneas em equinos, sendo o primeiro caso relatado no Rio Grande do Sul, por Santos & Londero em 1974.
No dia 1 de fevereiro de 2021 chegou a Clínica de Equinos Santa Maria® um equino, fêmea, 6 anos de idade, 467 kg, da raça Crioula. No exame físico, apresentava-se alerta e dentro
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dos parâmetros fisiológicos, sem quaisquer alterações dignas de nota. Na avaliação visual, observou-se um aumento de volume na região abdominal direita e lesão focal circular medindo 10 x 8cm com aspecto granulomatoso, e secreção serossanguinolenta (Figura 14.A/B). O proprietário relatou que a égua era utilizada para lazer, no entanto não estava sendo utilizada no momento, de forma que estava solta em um piquete com açude e áreas alagadiças. Relatou também que outros animais que conviviam no piquete também apresentavam lesões cutâneas, porém não tão severas quanto a do animal em questão. De acordo com Miller (1982), o acúmulo de água em banhados e lagoas, a presença de vegetação aquática e temperaturas entre 30 e 40ºC, são fatores essenciais que influenciam a ocorrência da pitiose. Animais infectados por Pythium insidiosum frequentemente desenvolvem lesões em locais que permanecem em contato, por longos períodos, com águas estagnadas (CHAFFIN et al. 1995).
No dia 4 de fevereiro o animal foi submetido a uma cirurgia para a redução cirúrgica da lesão e controle da doença, tendo em vista que o caso já estava bem avançado. Primeiramente foi realizada a colocação de um cateter G16 e posterior sedação utilizando Cloridrato de Xilazina 10% (1,0 mg/kg/ Equisedan®) e Acepromazina 1% (0,05mg/kg/ Acepran®). A seguir foi administrado Cloridrato de Cetamina (3mg/kg/ Dopalen®) associado com Diazepam (0,05 mg/kg) para instituir anestesia dissociativa de indução. O tempo de cirurgia durou 1 hora, necessitando de 4 repiques com Cloridrato de Xilazina10%, Cloridrato de Cetamina e Diazepam, estes com metade da dose para realizar a manutenção. Durante todo o procedimento o animal estava recebendo fluidoterapia endovenosa.
Com o animal em decúbito lateral esquerdo, realizou-se uma tricotomia ampla (Figura 14C), antissepsia local com PVPI e Clorexidina 2%, já nos bordos e pele com Álcool 70% e PVPI, para posterior melhor avaliação da ferida (Figura 14C). Na incisão para redução cirúrgica observou-se múltiplos kunkers (Figura 14D) e tecido necrótico, os quais foram todos retirados e reavivados os bordos da ferida. Para realizar a hemostasia foram utilizadas pinças hemostáticas de Crile e Lahey curva associado a cauterização. Na síntese da lesão foi utilizado padrão de sutura contínua (Figura 14E) com fio Polyglactin (Vicryl 2-0). Por fim, de uso tópico, foi administrado Rifamicina (Spray) e Sulfadiazina de prata 2%(Pomada) e dado início ao protocolo de vacinação com Pitium-vac®, 3 aplicações com intervalo de 7 dias cada. Para conforto e analgesia foi administrado Fenilbutazona (2,2 mg/kg/ IV/ Equipalazone®).
Em geral, o tratamento cirúrgico apresenta bons resultados apenas em lesões pequenas e superficiais, nas quais seja possível a retirada de toda área afetada, podendo apresentar dificuldade pela localização, estruturas anatômicas envolvidas (RODRIGUES e LUVIZOTTO,
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2000; LEAL et al., 2001), o que neste caso se torna contraditório. Vários tratamentos têm sido utilizados, incluindo tratamentos químicos, imunoterápicos e cirúrgicos. De acordo com Hubert e Grooters (2002) a ressecção cirúrgica total do granuloma combinada com imunoterapia especifica para P. insidiosum é o tratamento mais indicado para cura de pitiose clínica em equinos.
O curativo tópico era realizado duas vezes ao dia, com o intuito de remover sujidades e evitar contaminação, além de estimular a granulação tecidual e acelerar a cicatrização. Consistia na limpeza local com PVPI, açúcar, Clorexidina 2%, sendo estas removidas com água para a seguir aplicar Rifamicina e Sulfadiazina de Prata 2%. Com o passar dos dias a lesão foi regredindo de forma satisfatória (Figura 14), recebendo alta no dia 22 de fevereiro de 2021 com a ferida parcialmente cicatrizada e todas as doses de vacina aplicadas (Ptium Vac).
Em geral, a pitiose é uma doença desafiadora dentro da equinocultura, merecendo destaque pela dificuldade de se estabelecer um tratamento eficiente e reversão dos casos encontrados. Caso venha ser diagnosticada precocemente as chances de tratamento são bem-sucedidas.
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Figura 14- (A) e (B) Lesão circular com aspecto granulomatoso, secreção serossanguinolenta
e aumento de volumo abdominal; (C)feridaapós limpeza e tricotomia; (D)kunkers; (E)Padrão de sutura e cauterização; (F) 2 dias cirúrgico; (G) 5 dias cirúrgico; (H) 14 dias pós-cirúrgico; (I) 18 dias pós-cirúrgico.
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6 CONCLUSÃO
Com base no acompanhamento integral dos atendimentos clínicos e cirúrgicos da Clínica de Equinos Santa Maria ® ficou comprovado que os setores de clínica, reprodução e cirurgia são interligados. Sendo assim, a associação destas atividades é fundamental para que possamos obter um melhor diagnóstico final, consequentemente um tratamento eficiente.
Assim, pode ser afirmado que o estágio final possibilitou conectar os conhecimentos teóricos e associá-los com a prática, bem como conhecer a vivência real de profissionais atuantes na área de clínica e reprodução de equinos.
Ao concluir o estágio curricular foi notável minha mudança comportamental e postura frente a tomadas de decisões. Ao optar por realizar todo o período de estágio em apenas um local, tive a oportunidade de vivenciar integralmente uma atuação profissional em equinos bem como receber oportunidades e confiança dos médicos veterinários responsáveis.
Por fim, entende-se que a Clínica de Equinos Santa Maria® deve manter-se aberta para as Universidades oportunizando aos acadêmicos a troca de experiências e aperfeiçoamento profissional, dessa forma expandindo a sua missão de ser referência no tratamento de equinos no Brasil.
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REFERÊNCIAS
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