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A pitiose é uma doença granulomatosa que atinge equinos, caninos, bovinos, felinos e humanos, ocorre em áreas tropicais, subtropicais ou temperadas (MEIRELES et al., 1993 e MENDOZA et al., 1996), causada pelo Oomiceto Pythiuminsidiosum (DE COCK et al., 1987). A espécie equina é a mais atingida, principalmente nas formas cutânea e subcutânea, seguido dos caninos (MENDOZA et al., 1996). Nos equinos, a P. insidiosum causa lesões cutâneas, progressivas, granulomatosas, ulcerativas e massas necróticas branco-amareladas com semelhança de “corais”, estes chamados de Kunkers. Localizadas comumente nas porções baixas dos membros, região ventral e toracoabdominal (MILLER & CAMPBELL, 1982a; SANTOS et al., 1987; MEIRELES et al., 1993; CHAFFIN et al., 1995 e TABOSA et al., 1999). No Brasil a maioria dos casos corresponde a lesões cutâneas em equinos, sendo o primeiro caso relatado no Rio Grande do Sul, por Santos & Londero em 1974.

No dia 1 de fevereiro de 2021 chegou a Clínica de Equinos Santa Maria® um equino, fêmea, 6 anos de idade, 467 kg, da raça Crioula. No exame físico, apresentava-se alerta e dentro

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dos parâmetros fisiológicos, sem quaisquer alterações dignas de nota. Na avaliação visual, observou-se um aumento de volume na região abdominal direita e lesão focal circular medindo 10 x 8cm com aspecto granulomatoso, e secreção serossanguinolenta (Figura 14.A/B). O proprietário relatou que a égua era utilizada para lazer, no entanto não estava sendo utilizada no momento, de forma que estava solta em um piquete com açude e áreas alagadiças. Relatou também que outros animais que conviviam no piquete também apresentavam lesões cutâneas, porém não tão severas quanto a do animal em questão. De acordo com Miller (1982), o acúmulo de água em banhados e lagoas, a presença de vegetação aquática e temperaturas entre 30 e 40ºC, são fatores essenciais que influenciam a ocorrência da pitiose. Animais infectados por Pythium insidiosum frequentemente desenvolvem lesões em locais que permanecem em contato, por longos períodos, com águas estagnadas (CHAFFIN et al. 1995).

No dia 4 de fevereiro o animal foi submetido a uma cirurgia para a redução cirúrgica da lesão e controle da doença, tendo em vista que o caso já estava bem avançado. Primeiramente foi realizada a colocação de um cateter G16 e posterior sedação utilizando Cloridrato de Xilazina 10% (1,0 mg/kg/ Equisedan®) e Acepromazina 1% (0,05mg/kg/ Acepran®). A seguir foi administrado Cloridrato de Cetamina (3mg/kg/ Dopalen®) associado com Diazepam (0,05 mg/kg) para instituir anestesia dissociativa de indução. O tempo de cirurgia durou 1 hora, necessitando de 4 repiques com Cloridrato de Xilazina10%, Cloridrato de Cetamina e Diazepam, estes com metade da dose para realizar a manutenção. Durante todo o procedimento o animal estava recebendo fluidoterapia endovenosa.

Com o animal em decúbito lateral esquerdo, realizou-se uma tricotomia ampla (Figura 14C), antissepsia local com PVPI e Clorexidina 2%, já nos bordos e pele com Álcool 70% e PVPI, para posterior melhor avaliação da ferida (Figura 14C). Na incisão para redução cirúrgica observou-se múltiplos kunkers (Figura 14D) e tecido necrótico, os quais foram todos retirados e reavivados os bordos da ferida. Para realizar a hemostasia foram utilizadas pinças hemostáticas de Crile e Lahey curva associado a cauterização. Na síntese da lesão foi utilizado padrão de sutura contínua (Figura 14E) com fio Polyglactin (Vicryl 2-0). Por fim, de uso tópico, foi administrado Rifamicina (Spray) e Sulfadiazina de prata 2%(Pomada) e dado início ao protocolo de vacinação com Pitium-vac®, 3 aplicações com intervalo de 7 dias cada. Para conforto e analgesia foi administrado Fenilbutazona (2,2 mg/kg/ IV/ Equipalazone®).

Em geral, o tratamento cirúrgico apresenta bons resultados apenas em lesões pequenas e superficiais, nas quais seja possível a retirada de toda área afetada, podendo apresentar dificuldade pela localização, estruturas anatômicas envolvidas (RODRIGUES e LUVIZOTTO,

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2000; LEAL et al., 2001), o que neste caso se torna contraditório. Vários tratamentos têm sido utilizados, incluindo tratamentos químicos, imunoterápicos e cirúrgicos. De acordo com Hubert e Grooters (2002) a ressecção cirúrgica total do granuloma combinada com imunoterapia especifica para P. insidiosum é o tratamento mais indicado para cura de pitiose clínica em equinos.

O curativo tópico era realizado duas vezes ao dia, com o intuito de remover sujidades e evitar contaminação, além de estimular a granulação tecidual e acelerar a cicatrização. Consistia na limpeza local com PVPI, açúcar, Clorexidina 2%, sendo estas removidas com água para a seguir aplicar Rifamicina e Sulfadiazina de Prata 2%. Com o passar dos dias a lesão foi regredindo de forma satisfatória (Figura 14), recebendo alta no dia 22 de fevereiro de 2021 com a ferida parcialmente cicatrizada e todas as doses de vacina aplicadas (Ptium Vac).

Em geral, a pitiose é uma doença desafiadora dentro da equinocultura, merecendo destaque pela dificuldade de se estabelecer um tratamento eficiente e reversão dos casos encontrados. Caso venha ser diagnosticada precocemente as chances de tratamento são bem-sucedidas.

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Figura 14- (A) e (B) Lesão circular com aspecto granulomatoso, secreção serossanguinolenta

e aumento de volumo abdominal; (C)feridaapós limpeza e tricotomia; (D)kunkers; (E)Padrão de sutura e cauterização; (F) 2 dias cirúrgico; (G) 5 dias cirúrgico; (H) 14 dias pós-cirúrgico; (I) 18 dias pós-cirúrgico.

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6 CONCLUSÃO

Com base no acompanhamento integral dos atendimentos clínicos e cirúrgicos da Clínica de Equinos Santa Maria ® ficou comprovado que os setores de clínica, reprodução e cirurgia são interligados. Sendo assim, a associação destas atividades é fundamental para que possamos obter um melhor diagnóstico final, consequentemente um tratamento eficiente.

Assim, pode ser afirmado que o estágio final possibilitou conectar os conhecimentos teóricos e associá-los com a prática, bem como conhecer a vivência real de profissionais atuantes na área de clínica e reprodução de equinos.

Ao concluir o estágio curricular foi notável minha mudança comportamental e postura frente a tomadas de decisões. Ao optar por realizar todo o período de estágio em apenas um local, tive a oportunidade de vivenciar integralmente uma atuação profissional em equinos bem como receber oportunidades e confiança dos médicos veterinários responsáveis.

Por fim, entende-se que a Clínica de Equinos Santa Maria® deve manter-se aberta para as Universidades oportunizando aos acadêmicos a troca de experiências e aperfeiçoamento profissional, dessa forma expandindo a sua missão de ser referência no tratamento de equinos no Brasil.

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REFERÊNCIAS

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No documento Trabalho Conclusão Curso (páginas 40-46)

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