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Barton, W hat Is the Bible?, p 71.

No documento O Deus Amordaçado - Shedd Pulblicações (páginas 151-153)

A autoridade da revelação

B. O desafio da autoridade

53 Barton, W hat Is the Bible?, p 71.

nêutica ruim e teologia ruim. E uma história ruim porque, conforme o professor Barton bem sabe, a “crítica bíblica eficaz” muda constantemente de opinião com o correr dos anos (considere, por exemplo, as opiniões extraordinariamente diversas durante os dois últimos séculos da busca e da nova busca pelo Jesus histórico) e agora irrompe em muitas escolas de pensamento distintas, e muitas delas são mutuamente excludentes. E hermenêutica ruim porque se a nova hermenêutica nos ensina alguma coisa é que nenhuma interpretação, incluindo a interpretação que reivindica controle “científico”, é totalmente neutra.54 E teologia ruim porque ignora totalmente o próprio testemunho bíblico da nossa condição de caídos, a distorção na ética causada pelo pecado, a insistência paulina na obra do Espírito antes de a mente natural conseguir entender as coisas de Deus (veja capítulos 5 e 6 deste livro) e mais.

Quinto, inevitavelmente um grupo de decisões críticas combinadas está por

trás de um bocado de ceticismo em relação à Bíblia. Por exemplo, a maioria dos estudiosos contemporâneos do Novo Testamento, sem dúvida, datam as epístolas pastorais um tanto tarde e vê nelas um tipo de mudança degenerativa da pureza do evangelho paulino. Mas uma minoria substancial de estudiosos, nem todos abra­ çando o cristianismo confessional, encontram motivos muito técnicos para adotar a posição tradicional. Meu propósito aqui não é mediar esses debates; eles, em certo grau, tornaram-se um tanto estéreis. Meu ponto, antes, é que inevitavelmente os dois lados desse debate em particular ligam sua interpretação a um número substancial de outras decisões críticas, de modo que, em última análise, estamos muito próximos de uma decisão sobre a visão de mundo.

Quando a decisão é tomada, alinhada com motivos críticos perfeitamente aceitáveis para a leitura da Escritura como Escritura, o colorido distinto pode vir a ficar óbvio. Por exemplo,

Seremos beneficiados hoje pelo estudo das epístolas pastorais e gerais porque elas representam uma fase madura, não degenerativa, do desenvolvim ento teológico cristão primitivo. Assim , a questão crucial diante das igrejas era esta: com o em um período de pluralismo transcultural, de sincretismo, de alienação política e de vasta mutação histórica é possível passar a tradição aprendida com os cris­ tãos anteriores para as sucessivas gerações? C om o podem os ensiná-la de form a acurada, sem distorções, e defcndc-la contra as interpretações que a diminuiriam profundam ente? E uma questão de vida e m orte que ecoa em nossa situação atual: será que a tradição pode ser transmitida de form a transgeracional em meio a um período de difundida ruptura social?

Revela uma tediosa falta de imaginação concluir que o interesse desses escritores na continuidade, unidade e tradição históricas (que eles resolveram com sucesso p or meio da ordenação, da clara definição do ensinam ento apostólico, da firm e luta contra a heresia e da ordem estável da igreja) representava um desastroso 54 Que, claro, não é a mesma coisa que dizer que não se pode traçar nenhuma distinção entre

interpretações boas e ruins: veja capítulos 2 e 3.

revés para a teologia. Se eles não tivessem feito seu trabalho bem feito no período das epístolas pastorais e gerais não estaríamos lendo o resto do N ovo Testamento agora.53

Sexto, é inadequado ver a Bíblia como nada mais que uma coletânea de res­

postas humanas a Deus, embora essa seja uma perspectiva muito comum entre os estudiosos que abraçam boa parte dos fundamentos do cristianismo, mas que, por uma razão ou outra, não adotam uma percepção alta da Escritura.

Diversos anos atrás, mantive uma extensa correspondência com um gracioso estudioso sênior sobre a natureza da Escritura. Sua posição era muito parecida com o tipo de coisa que acabo de descrever, contudo suas convicções em muitos outros assuntos eram totalmente ortodoxas. Nossas cartas iam e voltavam muitas vezes, com frequência lidando com assuntos técnicos restritos e, às vezes, pintando em telas mais amplas. Duvido que consiga lidar melhor com a questão em vista que imprimindo parte de uma das minhas cartas para ele, escrita perto do fim de junho de 1990. Suponho que não teria escrito para ele exatamente nessas linhas se não tivéssemos percepções tão próximas em muitas frentes doutrinais.

No que se segue, os colchetes indicam tentativas de abrandar o fluxo ou es­ conder a identidade desse estudioso sênior; a nota de rodapé ocasional é explicativa.

Q uerido [professor Smith]

Por favor, perdoe a indesculpável dem ora da minha resposta. As semanas voaram desde que você agraciou nossa casa com sua presença. Suponho que estive re­ unindo minhas forças56 para com pletar um ou dois pequenos projetos antes de partirm os no dia 12 de julho,5' p or isso tive que deixar alguma correspondência de lado.

Em todo caso, agradeço-lhe p o r gastar tem po para responder de form a tão completa. A ch o que entendo sua posição um pouco melhor. Em alguns pontos, concordo totalm ente com você; em outros, ainda tenho algumas perguntas. (1) Não é tanto que discorde do que você diz sobre o que a Escritura é e fa%. Concordam os que os docum entos do N ovo Testamento fornecem a principal evidência para o com eço do cristianismo e que eles fa%em isso p or causa do que são. Q uanto ao que são, não discordo que eles constituem “um reflexo das convicções dos cristãos prim itivos”. Nem discutiria que, avaliados criticamente, “a interpretação m elhor e mais plausível” deles foi subsequentemente form ulada nos credos históricos. M inha questão, suponho, seria tripla: (a) isso não deixaria o evangelho refém do capricho da crítica? Não seria justo dizer que muitos que com partilham sua percepção da Escritura usam as ferram entas críticas e que não

55 Thomas C. Oden, A fter Modernity... W hat? (Grand Rapids: Zondervan, 1990), p. 146—47.

Essa leitura das últimas epístolas, ou algo assim, é obviamente um lugar comum na história do cristianismo confessional. Veja, por exemplo, R. W. Dale, Fellowship with Christ and Other Discourses Delivered on Special Occasions (New York: A. C. Armstrong and Son, 1892), cap. 4.

16 Tinha contraído febre tifoide alguns meses antes.

No documento O Deus Amordaçado - Shedd Pulblicações (páginas 151-153)