6. ABeL ViANA
6.46. Bilhete-postal manuscrito, 14,7x10,5cm
Beja, 21/3/1950
Meu caro: Aí vai o seu artigo, para passar a limpo e isso ficar em boas condições de ser entregue na tipografia. Faça tudo conforme vai indicado e arranje de maneira que venha bem dactilografado, sem emendas nem entrelinhas e outras coisas que dão trabalho e custam dinheiro porque, levando mais tempo a compor e a emendar, as tipografias cobram-se desse trabalho. Isso vai sair na “Cidade de Évora”. Passei ontem por lá e assim ficou combinado com os directores daquela revista. Eu ia dizer-lhe mais coisas mas, francamente, não tenho tempo. Vou-lhe escrever novamente, talvez amanhã, assim como ao França. Tenho grande novidade a dar-lhes, com a cópia de uma carta que é um monumento de patifaria… É a respeito de Elvas. É de uma pessoa ficar embasbacada. Um abraço,
Abel Viana (assinatura)
P.S. Mande-me isso para cá quanto antes. Os desenhos ficam, pois não fazem aí falta.
6.47. Bilhete-postal manuscrito, 14,7x10,4cm
Beja, 24/3/1950.
Meu caro: Recebi o artigo. Segue hoje mesmo para Évora. Esteja descansado que eu não desamparo o assun- to. Com respeito às separatas, ofereça a quem quizer, porque eu, a não ser àquelas pessoas a quem mandei por seu intermédio, não enviei a mais ninguém. Mas pregunte ao Formosinho, porque a este remeti também umas quantas. Fora das pessoas que foram por seu intermédio, só há a contar o Dr. Lyster Franco. As outras foram, creio: Dr. Zby, Eng. Castelo Branco, Acciaiuoli, França, Dr. Mendes Correia, Bueno, Serviços Geológicos. Não sei se foi também para o Dr. C. Teixeira e Vaultier e Virgínia Rau. Você deve lembrar-se melhor, pois teve a maçada de os distribuir. Veja lá isso, que eu depois lhe enviarei mais alguns exemplares. Eu estava à espera que saísse o “Arquivo” para ir tudo junto. Mas como o “Arquivo” ainda demora algum tempo, vá andando com isso. Claro que vamos apresentar uma boa monchicada no próximo Cong. Luso-Espanhol. Eu não estou cá, talvez, mas vou fazer a minha inscrição. O trabalho será a respeito das nossas últimas campanhas. E o tal trabalho grande? Que diz o Dr. Zby da demora? Fale nele ao França. Oxalá o Dr. M. Correia se não esqueça. É bom ir lembrando. O Dr. Zby será a pessoa indicada para sondar o caso. Quanto ao chibo de Belém, é deixá-lo andar, enquanto não fizer demasiado mal. Um abraço,
Abel Viana (assinatura)
6.48. Bilhete-postal manuscrito, 14,7x10,4cm
Faro, 27/3/1950
Meu caro: Cheguei aqui no Sábado. Fiz ontem em Tavira o que tinha a fazer. Hoje vou ao Museu de cá e logo à noite volto para Beja. O cemitério romano de Tavira é curioso. Exploração facílima, pois é em areia. O trabalho foi rápido e produtivo. Depois verá. São sepulturas de tijolos e tégulas, uma coisa do Séc. 1.º da nossa Era. Peço-lhe o favor de falar com o Dr. Zby. É preciso não deixarmos esquecer o nosso trabalho de Monchique (o Grande). A ver se ele se publica este ano. Fale também com o França. Aquilo já está a ganhar penicilina… Como lhe disse. É sobre Monchique que vamos apresentar qualquer ao próximo Cong. Luso-Espanhol. O Dr. Zby já terá fotografado as coisas dos nossos três pequenos trabalhos: Alcobertas, Carnaxide e Pernes? Pregunte-lhe qualquer coisa, da minha parte. Como ele tem imenso que fazer, pode esquecer-se. Quanto as (???) de Belém… os meus amigos dão-me razões para estar tranquilo. Um abraço,
Abel Viana (assinatura)
6.49. Bilhete-postal manuscrito, 14,8x10,4cm
Beja, 11/4/1950.
Meu caro: Recebi a sua carta. Estranho a sua pregunta, pois eu tenho-lhe escrito algumas vezes, nestes últimos 15 ou 20 dias. O seu artigo já foi para Évora. Tome atenção ao que eu lhe vou dizer. Sigo para Lisboa no próximo dia 17, de manhã. Devo chegar aí cerca da 1 hora da tarde. Vou almoçar a qualquer restaurante da Baixa e, sendo duas horas, vou aos Serviços Geológicos, a ver se me avisto com o Dr. Zby. É provável, porém, que este esteja fora. Convinha, por isso, que você me aparecesse, também nos Serviços, ou em sítio a combinar (menos em sua casa, porque não há tempo para eu lá ir). No caso de você não me poder aparecer, nem estar em Lisboa o Dr. Zby, então peça ao França que me apareça nos Serviços, na tarde de 17 – mas ele que me mande dizer, entretanto, a hora a que vai lá. Às 7 da tarde sigo para Madrid, creio que no Lusitânia Expresso. Já tenho o bilhete e tudo o mais que é preciso. Quero deixar em Lisboa, em poder do Dr. Zby, 3 trabalhos: 1º- sobre os apontamentos do General Carlos Ribeiro (é coisa só minha); 2º- Um trabalho para o Congresso Luso-Espanhol, acerca das coisas de Elvas (novas e velhas) – que eu apresento com o Dias de Deus; 3º- Outro trabalho para o mesmo Cong. Luso-Espanhol – de você, Formosinho e eu – as nossas cam- panhas das Caldas, em 1948 a 1949. Como vê, não vou com as mãos a abanar. Mas estou muito cansado. Tem sido trabalhar à doida! O Guia de Beja já foi posto à venda; o Arquivo de Beja ficou concluído hoje, mas eu nem começo a expedição destas coisas senão quando voltar de Espanha. Tenho estado a tomar injec- ções, pois constipei-me em Tavira. Você já sabe o que me acontece quando me constipo. Já vou melhor, a poder de muita injecção. Diga-me se espera por mim em Lisboa, no dia 17. Vamos almoçar os dois a um restau- rante, a fim de conversarmos. Fale com o França. Fale com o Dr. Zby. Mande-me dizer o que achar conve- niente.
Um abraço do amigo dedicado, Abel Viana (assinatura)
6.50. Bilhete-postal manuscrito, 14,8x10,4cm
Beja, 19/5/950.
Meu caro: Cheguei a Lisboa às 10 horas e tal do dia 17, e saí de Cacilhas, para Beja, às 5 da tarde. Estive, portanto, 5 horas em Lisboa, mas moidíssimo a cair de sono. Foram 14 horas de comboio e uma noite sem pregar olho. Fui para casa de meu cunhado dormir um pouco. Tenciono, agora, ir a Lisboa, mas só o posso fazer depois de distribuir o “Arquivo”, que já está aqui em minha casa. Ora, convinha-me ter cá quanto antes as separatas que deixei no gabinete do Dr. Zby (a de Elvas e a do paleolítico do Algarve), pois que tendo eu de expedir o “Arquivo” juntava os exemplares das duas separatas, poupando tempo e despesa e garantindo melhor acondicionamento do folheto, visto que sendo remetidos com o “Arquivo” vão livres de amarrotadelas no correio. Faz-me você o favor de ir buscar as separatas ao Dr. Zby, e de mas enviar para cá, o mais depressa possível? Nesta data escrevo também ao Amigo França, a pedir-lhe que me arranje mais alguns exemplares da separata de Elvas. Mandei-lhe pedir que os entregasse a si e agora peço ao Veiga Ferreira o favor de falar ao França neste assunto, e de me remeter para cá mais essas separatas, se o França lhas der. O nosso trabalho acerca de Monchique já está impresso em Madrid. Dentro de dias devo cá tê-lo. Ficou muitíssimo bom. Vem a abrir o número do “Archivo Español de Arqueologia”. Não me deram nenhum exemplar porque ainda não o tinham apresentado às entidades oficiais. Ficou esplêndido. Você vai gostar. Fizeram-nos 150 exemplares, além dos 25 que oferecem. Os 150 exemplares custaram 530 pesetas, que foi quanto pagaram pelo artigo. Logo que receba, enviarei a si e ao Dr. Formosinho uns quantos exempla- res. A outra separata, a de Almeria, custou 240 pesetas, que eu paguei agora, quando fui a Cartagena. Conforme lhe disse, preciso de ir a Lisboa logo que possa, mas não poderá ser senão para meados do mês que vem, pois tenho entretanto que concluir muitas coisas minhas, nossas, e minhas com o Dr. Zby. Entretanto, fale-me já com o Dr. Zby e com o França e mande-me para cá as separatas, conforme lhe peço. Não se esqueça! Quanto à minha volta por Espanha, depois lhe contarei. Aquilo é um mundo novo! Você nem faz ideia. Os Museus de Madrid e Barcelona são colossais em tudo, até na instalação. E entre os outros é tudo mais ou menos pela medida grande. Mal se pode falar de arqueologia peninsular sem os conhecer, ao menos por alto. Em comparação, o que temos é zero! Eles são muitos, formam verdadeiras brigadas de exploradores, não lhes falta dinheiro e têm boas oficinas de reconstituição e restauro de materiais. Visitei Madrid, Alcoy, Valência, Alicante, Cartagena, Tarragona, Barce- lona, Elche, Sagunto, Segóvia e Toledo. Vi muita coisa e aprendi muita coisa, mas fiquei muito arrazado, física e mentalmente. Precisava, agora, de uns dias de descanso, tanto mais que a bronquite despertou um bocadito. Não se esqueça do que lhe peço. Um abraço do dedicado amigo,
Abel Viana (assinatura)
Este postal é para o Veiga Ferreira.