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6. ABeL ViANA

6.92. Bilhete-postal manuscrito, 14,7x10,3cm

Beja, 25/9/952.

Meu caro: regressei a Beja em 21, mas tive de ficar em repouso absoluto durante estes três dias, pois vim de cima muito fatigado. Dentro de dias lhe remeto as fotografias que tirei em sua casa. Algumas estão bem boas. E o nosso Dr. Zby? Estou que já regressou de Argel. Cá vim encontrar um postal dele. Dos 40 dias em que estive lá em cima, trabalhei mais de 20 no Museu de Viana. Nas praias, tirei umas 30 fotografias que vou em breve rememter ao Dr. Zby, a fim de ele ver as que poderão convir melhor ao nosso trabalho sobre o paleolítico minhoto. O fim principal deste é avisá-lo de que deve chegar aí na próxima segunda-feira ou na terça o António Martín de la Torre, Comissário de escavações em uma das zonas de Sevilha, que vem em viagem de estudo, oficialmente, que deve ir aí aos Serviços. Mostre-lhe a sala de arqueologia (se o Dr. Zby o não puder fazer) e preste-lhe toda a atenção que puder, pois ele bem o merece. É meu velho amigo, ao qual devo ter conhecido muito razoavelmente os monumentos de Sevilha. Ele vai acompanhado da esposa. Ando a concluir o IX vol. do “Arquivo de Beja” e depois andarei para diante com todos os nossos trabalhos. Apresente os meus cumprimentos a sua Esposa, ao Dr. Zby e Moitinho. Um abraço.

6.93. Bilhete-postal manuscrito, 14,8x10,5cm

Beja, 18/10/952.

Meu caro: Às 4 da tarde de hoje sigo para Lisboa, onde estarei amanhã todo o dia, e na segunda até às 4 ou 6 da tarde. Não terei tempo de ir aos Serviços, nem de o procurar a si, visto eu ir a acompanhar o Rancho de Peroguarda, que amanhã (Domingo), à tarde e à noite se apresentará no Palácio das Exposições, do Parque Edu- ardo VII. Se você quisesse lá aparecer… Pelo correio de hoje segue o livro. Muito obrigado. Os exemplares da separata são para você me fazer o favor de fazer chegar às mãos dos interessados: D. António, Zby, C. Teixeira, M. Corrêa, Serviços, Centro de E. Peninsular. Envio tudo junto para evitar amarrotadelas. Logo na terça-feira vou pegar nas coisas de Aljustrel, a ver se dentro de 10 ou 12 dias lhe envio devidamente ordenadas. O Dr. Zby já chegou? Veja-me essas fotografias da praia da Areosa e de Viana. Não será possível você ampliá-las? Eu pagava o papel. Ao artista é que não! Só com um abraço. O Formosinho escreve-me a dizer que está doente dos olhos. Espero não seja coisa grave. Não abandone o nosso trabalho de Monchique. Apegue-se bem. Cumprimentos para todos. Um abraço do

Abel Viana (assinatura)

6.94. Bilhete-postal manuscrito, 14,8x10,5cm

Beja, 24/10/952.

Meu caro: Saúde. Pelo correio de hoje lhe remeto a papelada respeitante a Aljustrel. Com aquilo já se pode fazer uma nota bastante interessante. Vou já meter mãos à obra. Creio que dentro de 8 dias já o artigo pode seguir, em 1.ª redacção. Claro que você terá que copiar os desenhos e mapas que estão no processo, pois são muito interes- santes. Tem que ser a tinta da china, evidentemente. Também já pus em ordem o material relativo às coisas de Fontalva. Espero também ter isto pronto o mais tardar até meados de Novembro próximo, ou seja, daqui a uns 20 ou 25 dias. Em primeiro lugar, todavia, quero concluir este estudo sobre os objectos de Aljustrel. Não deixe de me avisar, logo que possa, a recepção desta papelada. Já lhe mandei, há bastantes dias, o livro que me emprestou, e os folhetos de “Ossónoba”. Até agora, você nada me mandou dizer. Diga-me, também, se recebeu isso. Mandei tudo registado, e nas melhores condições de acondicionamento, para não haver danos. Estive em Lisboa nos dias 18, 19 e 20, mas não me foi possível ir ter consigo. Acompanhei o Rancho de Peroguarda ao Palácio dos Desportos e visitei a Exposição de Arte Popular, que muito me interessava ver. Passei duas vezes pelo Bairro da Encarnação, porque fui de caminheta, e por Vila Franca. Que notícias me dá do Dr. Zby? Ele e o D. António chegaram bem? E o Dr. M. Correia? Está em Lisboa, e de saúde? Cumprimentos para os seus. Um abraço,

Abel Viana (assinatura)

6.95. Bilhete-postal manuscrito, 14,8x10,5cm

Beja, 7-11-1952

Meu caro: Há saúde? O Dr. Zby chegou bem, assim como o Sr. Director? Já escrevi ao Dr. Zby mas ainda não respondeu. Pelo correio de ante-ontem enviei-lhe o trabalho das Minas de Aljustrel e hoje segue o de Fontalva. Neste último suprimi tudo o que não era essencial. Assim as considerações sobre a origem e expansão dos dolmens, que só por si dá para um trabalho em separado. Também não me alarguei sobre o significado dos ídolos-placas. Se nos metemos nisso, arranjamos umas 50 ou 60, ou mais páginas e, depois, não conseguimos publicar o calhamaço.

Escrevo hoje ao A. do Paço para que entre em comunicação consigo, logo que possa, a fim de combinarem o que há aí a fazer. É preciso fotografar as peças que marcamos a lápis vermelho.

Nesse 1.º texto que envio (relação do material) não vão os números das peças. Nem é preciso. Basta que você nas fotografias ponha o número de cada peça. Depois, eu cá ponho a numeração no texto definitivo. Veja se não demoram isso. Estou sem saber se você recebeu os dois pacotes que lhe enviei, assim como o manuscrito de Aljustrel – 3 coisas, portanto. Recebeu-as? Foi tudo registado. Também ainda não me disse se recebeu a minha Ossónoba, e se distribuiu os exemplares, conforme lhe pedi. Entretanto, recebi o pacote com as brochuras que fez o favor de me enviar. Chegou tudo bem. Não me perca esse cartão que lhe mandei com o trabalho de Aljustrel. Faz-me falta para mandar outras coisas para fora. Devolva-mo logo que tenha ocasião de me enviar qualquer coisa. Fotografei algumas gravuras de Ampúrias, que interessavam. Logo que as receba lhas enviarei.

Um abraço,

Abel Viana (assinatura)

6.96. Bilhete-postal manuscrito, 14,8x10,4cm

Beja, 12-11-1952.

Meu caro: Recebi a sua carta e tomei nota de tudo. Pelo correio de hoje devolvo a cópia que me enviou. Acho que o relatório está mto. bem. Mando também o resto das fotografias. Uma delas é ainda da Praia de Areosa.

Faça-me o favor de juntar às outras que ai tem para o Dr. Zby escolher e ampliar. As restantes respeitam ainda ao trabalho de Aljustrel. Trate de ampliar isso, a ver o que dá, mas creio bem que devem servir. Nas respectivas provas vão as explicações. Não me perca nem as provas nem as películas. Devolva-me tudo logo que não fizerem falta, pois ficarão aí as ampliações. O resto vai para guardar no meu arquivo. Peço-lhe também o favor de me mandar a cópia do meu trabalho de Odivelas – no caso de já lhe não fazer falta. Logo que tenha em ordem o resto que falta para o trabalho de Aljustrel, mande para cá. O mesmo a respeito de Fontalva.

Tenho receio de alongarmos demasiado os trabalhos. Se eles forem publicados nas Comunicações dos Serviços, podemos ser bem favorecidos, mas se eles se destinarem a uma revista estranha, com certeza teremos muitas dificuldades, como nos tem acontecido com o trabalho das Caldas de Monchique. Mande-me para cá desenhos, fotografias e tudo o mais que houver, tanto de Fontalva como de Aljustrel. Quanto a Fontalva parece-me des- necessário entrar em considerações sobre origem e evolução dos dólmens, roteiros, cronologia, etc. Tudo isto anda ainda a flutuar… Recebi ontem (só ontem), o último trabalho do Leisner. O nosso Dr. parece virar tudo do avesso! Creio bem que vai ter fortes contraditores. Noto ali Neolítico a mais. O livro, porém, é muito bom. Só é pena não ser feito por… portugueses! Se o indecente Heleno fosse outra espécie de homem, podia fazê-lo. Mas é burro. Condenou-se a ficar para trás, e trabalha para que aos outros, também portugueses, aconteça o mesmo. Cumprimentos para todos. Um abraço.

Abel Viana (assinatura)

6.97. Bilhete-postal manuscrito, 14,7x10,4cm

Beja, 21-11-1952.

Meu caro: este devia ser apenas para saber se seu Sogro já está livre de perigo, e se você já anda mais des- cansado. Calculo o desgosto de sua Esposa. Enfim, há que encarar e aguentar nas adversidades, contra as quais nada podemos fazer de útil senão resignarmo-nos. Já que lhe escrevo, tratarei de outras coisas, embora você não

responda a elas, caso as circunstâncias ainda lho não permitam. Recebi há dois ou três dias o livro do Leisner. Ainda não lhe fiz que passar uma vista em cima. E o Dr. Zby? Está bom? Já lhe escrevi, mas ele ainda não me mandou dizer quanto lhe devo da minha inscrição no Congresso da Argélia. Recebi agora convite para o IV Con- gresso Internacional-Roma-Pisa-1953, (INQUA)- la Associozione Internazionale per lo Studio del Quaternário. O Dr. Zby também deve ter recebido. Pregunte: o Dr. Zby inscreve-se? Valerá a pena inscrever-me? Aguardarei o conselho do Dr. Zby, pois ele deve estar mais bem informado do que eu do que se trata. O Dr. Manuel de Sousa Oliveira, Director do Museu de Viana, vai visitar os Serviços lá para o fim deste mês. Deseja estar comigo e com o Dr. Zby. Peça-lhes compreendam e lhe expliquem sobretudo o que respeita ao Paleolítico. Ele pretende que eu lhe empreste algumas fotografias da Praia de Areosa, que aí estão, a fim de as mostrar em uma palestra que pretende fazer no Liceu de Ponta Delgada. Depois as restitui. Ele vai a São Miguel passar 30 dias de férias, digo, de licença. Ele é de lá e há 5 anos que não vai lá, nem vê os pais. Veja se pode ampliar algumas fotografias, para ele as levar. Se o Dr. Zby autorizar a ampliação e o empréstimo. Como não são para publicar, o empréstimo não oferece inconveniente. Oxalá tudo lhe esteja a correr melhor.

Um abraço.

Abel Viana (assinatura)

6.98. Bilhete-postal manuscrito, 14,9x10,4cm

Beja, 17-12-1952.

Meu caro: Até que enfim! Ainda bem que seu Sogro vai melhor. Por uma carta do Dr. Sousa Oliveira, que já partiu para os Açores, já eu sabia que você andava no campo. O Sousa Oliveira deve regressar em fins de Janeiro e, nessa altura, tornará a passar pelos serviços. É possível que eu também vá a Lisboa nessa ocasião. Fico bem contente com este seu bilhete. Sem notícias suas nem do Dr. Zby sinto a aborrecida impressão de que os nossos trabalhos estão paralisados, e que todo o tempo que emprego neles está perdido! É claro que eu não perco o tempo. Tenho sempre e estou sempre trabalhando, mas também cansa e preocupa, e não pouco, estar a pensar nos trabalhos não concluídos. Ora bem: quanto a Aljustrel. Já cá tenho mais umas notazitas, sobre lucernas encontradas em minas romanas: a do Dr. C. Teixeira, e uma outra aparecida em uma mina de Viana do Castelo. Isso entrará na devida altura. Veja, pois, o que há mais a acrescentar e devolva tudo para cá, novamente, a fim de eu fazer a 2.ª redacção. Se, depois de feita esta 2.ª redacção, for preciso meter mais coisas, ou introduzir alteração, trata-se de fazer 3.ª redacção. Com isso parado é que nada se adianta. O Eng.º Freire de Andrade está aqui perto e vem a Beja de vez em quando. O cunhado, que é um rapaz de Viana, já veio visitar-me. Ele ainda não me apareceu aqui, apesar de eu ter manifestado ao cunhado o meu desejo de falar com ele, quando viesse a Beja. Com respeito às coisas de Fontalva, convinha também que o Afonso do Paço não demorasse. Sei que ele e a M.ª de Lourdes vão a Vila Fernando, visitar o Dias de Deus e ver as coisas de lá. Aperte com ele, para que ande com isso para diante. Julgava eu que já tinha mandado para o Dr. Ataíde o trabalho de Monchique. Não demore essas coisas e ande-me com tudo isso para diante. Esta lentidão enerva-me. Estamos a perder imenso tempo. Veja se o Dr. Zby recebe alguma coisa a respeito das fotografias de Areosa. Já as ampliaram? Tenho aqui outras dos terraços do Rio Minho, a N. de Vila Nova de Cerveira, que também vou mandar. Agradeço-lhe que me faça os desenhos de Vila Fernando, mas não se esqueça também daqueles desenhos da sigillata, que levou para cobrir a tinta da china o que faltava, e para tirar uma cópia para si. Agora, com as noites muito grandes, é boa altura. Mas em primeiro lugar: Aljustrel e Fontalva. Um abraço.

6.99. Bilhete-postal manuscrito, 14,9x10,4cm

Beja, 20/1/1953.

Meu caro: Que se encontrem todos de saúde, tanto em sua casa como aí nos Serviços, é o meu desejo. Eu ando ótimo, e trabalhando quanto posso. Aguardo que o tempo se ponha um pouco mais quente e menos instável para dar aí uma saltada e ultimar algumas das muitas coisas que temos começadas. Já remeti ao Dr. Zby, com as provas do paleolítico de Beja, os tais negativos, assim como a nova redacção do trabalho de Aljustrel. Foi registado, já há dias. Espero que o tenham recebido. Venho pedir-lhe um favor: Veja-me no vol. VI dos Trabalhos da Soc. Portu- guesa de Antropologia e Etnologia, pág. 45, a notícia necrológica referente ao Rui de Serpa Pinto. Preciso de saber qual a data do Congresso realizado em Inglaterra, no ano de 1928, creio eu, e a que ele assistiu. Veja-me a data e o título exacto que teve esse Congresso. Mande-me isso sem demora. Tenho muita urgência nessa informação. A propósito: dos “Trabalhos” só possuo exemplares a partir do vol. X. Não será possível arranjar-me alguns dos anteriores? Fale nisso ao Dr. M.C. Que fizeram, afinal, dos trabalhos que apresentamos ao Cog. Luso-Espanhol? Já está marcado o próximo, em Oviedo, para Outubro. Não perca de vista o destino desses nossos trabalhos. O de Monchique sempre vai por diante? Mande-me a informação que lhe peço. Um abraço.

Abel Viana (assinatura)

6.100. Bilhete-postal manuscrito, 14,9x10,4cm

Beja, 26/1/1953.

Meu caro: Estou à espera da sua resposta a tudo quanto lhe tenho pedido e lhe tenho mandado dizer nestes últimos… 6 meses! Isto é a brincar mas, realmente, que há de novo a respeito de Fontalva? E do trabalho de Monchique? E dos tais do Congresso Luso-Espanhol? E os desenhos de Elvas? E os da terra sigillata (cópia do livro que emprestou o Oleiro)? Etc., etc., etc. Bem, por agora o que desejo é o seguinte. Pela rádio e pelo Século vejo que o M. Feio começou hoje as provas de doutoramento. Logo que saiba do resultado, avise-me. Não se esqueça. Avise-me o mais depressa possível. Creio que no próximo mês já poderei ir até Lisboa, por uns dias. Claro que prevenirei, a si de saber se o Dr. Zby está e você também.

Cumprimentos à gente dos Serviços e aos de sua casa. Um abraço.

A. Viana (assinatura)

P.S. Logo que saiba isso do M. F., avise.

6.101. Bilhete-postal manuscrito, 14,9x10,4cm

Beja, 10/2/1953.

Meu caro Veiga Ferreira: Recebi hoje de manhã as provas do Paleolítico de Beja, e hoje mesmo as devolvo, devidamente revistas. Creio que o Dr. Zby ainda aí não esteja, por isso, esteja atento à recepção e veja que sigam seu destino. Parece que você não viu a notícia que o Século publicou acerca de novos túmulos do Bronze que apareceram em Monchique. Escrevi logo ao Formosinho. Este, na altura em que me respondeu, não pudera ainda lá ir, por ter a mãe muito mal, mas tinha já averiguado que os espólios recolhidos estavam todos na posse do Baiona, com quem ele, Formosinho, já tinha entrado em contacto. Escrevi-lhe, novamente, a recomendar que obtivesse fotografias e desenhos dos túmulos. Mandou-me dizer que naquele momento escrevia ao Baiona, a falar-lhe nisto

mesmo, e que, se a mãe melhorasse, daria logo lá uma saltada. Realmente, conforme recomendei, esta questão das fotografias e desenhos convém ser tratada directamente pelo Formosinho, in loco, pois é ele quem está mais apto para tal serviço. Logo que possa, darei uma saltada a Lagos e, naturalmente, seguirei com o Formosinho até Monchique – a menos que o Formosinho trate de tudo, o que talvez não aconteça. Quanto ao nosso trabalho antigo: – Então o Ataíde não tinha dito que, de qualquer maneira, o nosso trabalho seria publicado neste ano? Qual a razão porque resolveram, não o publicar? Você deu-me uma triste notícia. É preciso não nos ficarmos de braços cruzados. Vou escrever ao Dr. Ataíde, e você, por sua parte, faça também o mesmo. Dentro de alguns dias, isto é, até ao fim desta semana, mando-lhe o artigo de Aljustrel, com a redacção definitiva. Quanto ao Afonso do Paço, vou também apertar com ele. O Dr. Zby ainda não apareceu aqui. Boa vontade tenho de o ver e falar com ele sobre algumas coisas. Cumprimentos aos seus. Quando me pode mandar alguns dos tais desenhos?

Um abraço.

Abel Viana (assinatura)

6.102. Bilhete-postal manuscrito, 14,9x10,4cm

Beja, 3/3/1953 = Meu caro Veiga Ferreira: cá recebi o papel, e a sua carta. Fiquei interessadíssimo com a notícia que me deu a respeito, do nosso trabalho das Caldas. Já não é sem tempo! Oxalá, agora, tudo nos corra bem. Você não me desampare essa coisa. Se entende que eu devo também entrar na choradeira, diga-mo, porque eu farei um choro a valer. Creio, pois, que se o Dr. M. C. se empenha para que o artigo saia já, estará tudo bem assegurado. No entanto, não deixe de estar alerta. E os trabalhos que apresentámos ao Luso-Espanhol? Não os perca também de vista. Veja se fala com a pessoa encarregada disso e ela que lhe responda com franqueza se a publicação se faz ou não. Se a fizerem, embora tarde, é deixar estar. Mas se não pensam em fazê-la, que sejam francos e o meu amigo deite a mão aos três artigos – Capacete – Monumentos das Caldas – Campos de urnas de Elvas – este último meu e do Dias de Deus. Esteja atento a isto e ande-me com diplomacia. O nosso 3.º e último trabalho acerca das coisas de Lagos já está na mão de Bellido, o qual me manda dizer que vai ser publicado já. Quanto àquele que foi para Salamanca, tenho notícia de que em breve cá teremos as separatas. Quando mandar papel, não faça como fez. Enrole-o. Mande-o enrolando. Aquele que mandou chegou cá todo amarrotado. O de máquina, só poderá servir para cópias. O de desenho, só poderá servir para rascunhos, tão amarrotado ficou. Meti-o durante dias em uma prensa, mas nem assim ficou capaz. Já sabe, para a outra vez, mande enrolado. O Dr. Zby passou por Beja muito à pressa. Não o vi. Não se esqueça dos meus lenços. Olhe que tem prazo. Saúde. Um abraço.

Abel Viana (assinatura)

6.103. Bilhete-postal manuscrito, 14,9x10,4cm

Beja, 14/3/953.

Meu caro: recebeu a minha carta de 10 do corrente?

Peço-lhe me mande o mais depressa possível o nome da pessoa que está encarregada da publicação do Congresso Luso-Espanhol. Nome e direcção. Sempre concorda em que se faça um resumo do trabalho de Monchique, com as tais duas páginas de gravuras? Eu acho que devíamos fazer isso. Não prejudicava a notícia definitiva e sempre era qualquer coisa que ficava a circular. Parece-me que seria a melhor solução. Não publicar nada é que me parece prejudicial para nós. Diga alguma coisa. O meu filho mais velho foi a Lisboa mas não o procurou porque se veio

logo embora. Foi encontrar o irmão na enfermaria do quartel, em Campo de Ourique, com um sobrolho rachado porque, a jogar a bola, no quartel, chocou com um camarada, e deram tal cabeçada um no outro que partiram ambos a cabeça. O irmão mais velho ficou tão aborrecido com o caso que se veio logo embora para Beja. Por isso não foi à procura dos lenços. Um abraço.

Abel Viana (assinatura)

6.104. Bilhete-postal manuscrito, 14,9x10,4cm

Beja, 26/3/1953.

Meu caro Veiga Ferreira; Uns dias de vento muito frio, seguidos de um de muita chuva, que passei no campo, a estudar os restos da vila romana de “Monte do Meio”, deram como consequência eu ir à cama, com febre o resto da conversa do costume. Mais “micinas” e mais “cilinas”, e agora já vou arrebitando, embora o médico queira que eu esteja alguns dias em repouso absoluto. Esta foi a razão porque só ontem tive coragem em ir à busca das tais fotografias das Caldas. Vá lá que me deu menos tempo a encontrá-las, do que eu contava. Já as mandei reproduzir. Certamente, na próxima segunda-feira, já lhas poderei enviar. Conte com elas, portanto. Outro assunto: Não demore em ir buscar o meu original (e do Dias de Deus), dos campos de urnas de Elvas. Refiro-me ao trabalho do Luso-Espanhol, de que você já me enviou a bonecada, faltando o texto. Terei de reduzir este, e