1. Introdução
2.3. BIM – Building Information Model
2.3.3. BIM para Coordenação
Numa citação referida por Couto e Teixeira (2006), citada de Materiais de Construção (2005), encontra-se uma explicação simples e muito lógica daquele que é o maior desafio para a gestão e coordenação de um projeto na atualidade, na qual está implícito o seguinte: “A extraordinária
multiplicidade e diversidade de materiais atualmente disponíveis para aplicações em Engenharia Civil tem vindo a colocar os Projetistas, Arquitetos, Engenheiros, Gestores de Projeto e até Donos de Obra perante um problema de complexidade crescente; o problema de seleção, de domínio das técnicas de aplicação e de controlo da qualidade dos materiais. Na seleção dos materiais terão de ser introduzidos constrangimentos adicionais com pena de condicionar, por vezes, as opções iniciais em termos criativos, volumétricos, morfológicos e estéticos e passar a ser cada vez mais afetada pelos parâmetros aos quais se terá de prestar uma crescente atenção, como seja a adequação ao uso, aos limites de custo, ao ciclo de vida, à reciclagem e/ou reutilização dos materiais”. Tendo em conta o referido, o uso da
Metodologia BIM na coordenação de Projetos é uma mais-valia e permite simplificar todo este processo de escolha e seleção de materiais, assim como, ações de reabilitação e manutenção dos mesmos uma vez que concilia uma base de dados formada por todos os intervenientes no processo e na qual se encontra toda a informação necessária para a correta execução das tarefas necessárias ao longo do ciclo de vida da Construção.
Para Costa (2013) e de acordo com o referido por Mikaldo Jr. (2006) outro dos principais motivos que levou à necessidade de coordenar e compatibilizar projetos foi a separação conceitual entre as atividade de projeto e de execução ao longo das últimas décadas. Sendo que
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a compatibilização dos mesmos é a única forma de integrar todas as especialidades da construção de modo a obter-se um ajuste perfeito entre eles.
De acordo com Romcy (2012) a utilização do BIM na Coordenação atua através da otimização e sistematização da informação em diferentes níveis da cadeia produtiva permitindo uma maior integração e comunicação entre os agentes envolvidos, desde o projeto à execução, possibilitando o aumento da construtibilidade, a redução de desperdícios e uma melhoria significativa no processo de tomada de decisão.
Para Coelho e Novaes (s.d.), num ambiente colaborativo, como é o caso do BIM, os profissionais podem trocar informações sobre os seus respetivos projetos com toda a facilidade e agilidade. O controlador hierárquico é substituído por um facilitador que recebe e transmite informações, e cujo papel passa a ser o de certificar que as contribuições individuais sejam acatadas, enriquecendo a solução do produto a partir do conhecimento e sugestões de todos os intervenientes no processo. Este processo leva a que as responsabilidades, riscos e sucessos sejam também distribuídas por todos os intervenientes.
Para Leão de Lima et al. (2014) a aplicação da metodologia BIM para a coordenação de Projetos permite obter uma melhor visualização da obra, maior produtividade devido ao fácil acesso à informação, maior coordenação dos documentos específicos da construção, integração de informação relativa aos elementos e processos de construção, o que leva a um tempo de construção mais reduzido assim como os custos associados ao processo. Quando comparado com outros processos, o BIM apresenta inúmeras vantagens pois, modela e gere não só gráficos, mas também informações que permitem gerar automaticamente desenhos, relatórios, análise de projetos, simulação de cronogramas, facilidade de gestão, entre outras. Tudo isto permite que a equipa de trabalho tome decisões baseadas em informações mais precisas e confiáveis.
De acordo com Kent (2014) as principais razões que levam as empresas a adotar a metodologia BIM são, por ordem decrescente de relevância, respetivamente:
i. Coordenação das MEP ii. Prefabricação
iii. Extração de quantidades (QTO)/estimação de custos
Para Júnior (2014), segundo Manzione (2011), os empresários precisam entender que o BIM pode proporcionar mais lucros, pois permite desenvolver novos processos de trabalho que
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possibilitam a simulação de alternativas, a avaliação imediata dos custos e a redução do tempo do projeto. Apesar de todas as críticas positivas e da crescente adesão a esta metodologia a principal entrave para a adesão da maioria das empresas é o custo que está associado à sua implementação pois necessita de profissionais especializados e de uma mudança radical na forma de operar e pensar dos profissionais da indústria AEC, uma vez que a grande maioria tem uma mentalidade muito individualista na forma de trabalhar.
Ainda de acordo com Júnior (2014), a ausência de planeamento leva a que as empresas apenas utilizem a compatibilização de projetos e extração de quantidades. Mas para o pleno funcionamento e proveito desta metodologia é necessário o aproveitamento de todas as funcionalidades desta metodologia, tais como: modelo virtual do edifício, realidade aumentada, opções de design para um mesmo projeto, análise estrutural e eficiência energética, etc.
Para Borges (2013) o planeamento e todos os componentes que fazem parte do processo de elaboração de um projeto para execução de uma obra, como por exemplo, o envolvimento do próprio cliente neste tipo de trabalho é essencial, permitindo não só reduzir o número de alterações solicitadas para o projeto (e em tempo útil), mas também aumentando o fluxo de informações e esclarecendo o diálogo global entre todos os intervenientes no processo. As inúmeras reuniões com uma equipa de especialistas também surgem para facilitar o planeamento, evitando-se assim confrontos de qualquer natureza entre as especialidades envolvidas. O trabalho realizado nestas reuniões acaba sempre por resultar numa espécie de cumplicidade entre os intervenientes que origina uma otimização do cumprimento dos prazos, da redução dos custos, do desempenho da mão-de-obra e numa execução exemplar do projeto planeado.
Contudo, de acordo com Costa (2013) e, que vai contra tudo o que a metodologia BIM representa é que, frequentemente, ocorre uma dissociação entre a atividade de projeto e a de construção, uma vez que o projeto geralmente é entendido como instrumento, comprimindo-se o seu prazo e custo, com um aprofundamento mínimo e conteúdo quase que meramente legal, a ponto de torná-lo simplesmente indicativo e deixando grande parte das decisões para a fase de execução da obra.
Para Azevedo (2009) as principais vantagens e desvantagens da utilização desta metodologia para a coordenação de obras e para a sua utilização em geral são:
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Melhor compreensão do projeto durante as várias fases Melhor colaboração entre subempreiteiros
Melhor visualização
Conciliação espacial 3D das especialidades Deteção de incoerências no projeto
Antecipação dos problemas Aumento da produtividade
Prevenção de repetições dos trabalhos
Obtenção de quantidades de materiais e de recursos necessários Possibilidade de simulações de alterações e análises económicas Interligação do edifício virtual com o planeamento da obra (4D)
Interligação do edifício virtual e planeamento com o cronograma financeiro (5D)
Software existente no mercado trabalha com base nas plataformas dos mais utilizados na indústria AEC
Desvantagens
Necessidade de aquisição de software Mudança de mentalidade
Necessidade de formação dos futuros utilizadores
Domínio das ferramentas de planeamento (4D) e custo (5D) Conceito pouco desenvolvido em Portugal
Para concluir, de acordo com Crespo e Ruschel (2007) as ferramentas BIM representam uma nova geração de ferramentas CAD inteligentes orientadas ao objeto e que gerem toda a informação da construção ao longo do ciclo de vida do projeto. As quais originaram um novo caminho para os profissionais da indústria AEC no sentido de promover a colaboração, interoperabilidade e reutilização da informação.
Para Hipert e Araújo (2010) a plataforma BIM não teve uma aplicação mais abrangente devido à falta de profissionais de outras disciplinas, como engenheiros de Estruturas e de Instalações Hidrossanitárias que usem essa mesma plataforma, sendo que esta utilização por parte de todas as especialidades intervenientes numa construção iria impulsionar o uso do BIM.
“Os escritórios que não migrarem para o BIM perderão dinheiro, pois serão mais lentos e
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Velocidade, agilidade e diminuição de custos são as chaves do sucesso em qualquer negócio.”
(Justi, 2008). O BIM pode oferecer todas estas vantagens e proporcionar todas estas oportunidades a quem quiser evoluir.
“Este conceito inovador facilita a comunicação entre os vários intervenientes no projeto e
construção de uma obra, diminui de forma extraordinária os erros de projeto e consequentemente o custo final da obra” (Top Informática, 2015).