• Nenhum resultado encontrado

1. Introdução

2.3. BIM – Building Information Model

2.3.2. Normas BIM no Mundo

A adoção dos modelos BIM na Indústria de AEC tem vindo a aumentar significativamente desde o seu aparecimento, datado de 2002 a aplicação deste acrónimo. Um número considerável de grandes empresas, a nível mundial, já implementou, ou está a implementar, a metodologia BIM nos seus projetos e obras. Como exemplos de empresas portuguesas que já implementaram, ou estão a implementar, a metodologia BIM nos seus escritórios temos: a CNLL, a Newton, a Efacec, a Mota-Engil e a ndBIM Virtual-Building, entre outras.

Com a criação e adoção de novas técnicas e metodologias no sector, neste caso o BIM, surgiu também a necessidade de criação de Normas que permitam a realização das tarefas de forma adequada em concordância para todas as entidades que adotem esta metodologia. Nesse sentido, têm vindo a ser criadas uma série de Normas, pelo mundo, sobre esta metodologia.

Apesar de existir já um número significativo de Normas pelo mundo e atendendo ao facto de que estas devem ser adaptadas à realidade das técnicas e métodos de construção utilizados em cada país, estas ainda se verificam insuficientes, e como tal ainda existe um longo caminho a percorrer até à correta implementação desta metodologia, que tem apresentado uma crescente adesão por parte das empresas a nível mundial derivado ao sucesso dos resultados apresentados. Em Portugal, assim como na maior parte do mundo, ainda não existe nenhuma norma referente a esta metodologia, sendo por isso utilizada uma Norma estrangeira designada Common BIM

Requirements (COBIM), de origem Finlandesa e criada em 2012.

Apesar da inexistência de uma Norma Portuguesa para a metodologia BIM, têm vindo a verificar-se progressos no que concerne à investigação e adaptação das Normas existentes à realidade da construção em Portugal, mas, devido à complexidade e quantidade das especialidades abordadas nestes documentos é um processo demorado e exigente. Assim sendo, o trabalho a ser desenvolvido nesta dissertação visa justamente dissecar as incompatibilidades existentes na aplicação do MEP no BIM e, desta forma, solucionar um dos problemas existentes e dar mais um passo para a criação de uma Norma Portuguesa.

Na Tabela 1 apresenta-se uma tabela referente a todas as Normas BIM atualmente existentes no mundo (Silva J. , 2013, p. 10).

27 Tabela 1 - Normas BIM no Mundo

País Organização Nome da

Norma/Diretriz/Requisito

Data de Publicação

Austrália NATSPEC

NATSPEC National BIM Guide

19-Set-2011 NATSPEC BIM Object/Element

Matrix

Dinamarca

Erhvervsstyrelsen (National Agency for Enterprise and Construction

Det Digitale Byggeri (Digital

Construction) 1-Jan-2007

Finlândia buildingSMART Finland Common BIM Requirement 2012

(COBIM) 27-Mar-2012

Reino Unido AEC (UK) AEC (UK) BIM Protocols 7-Set-2012 Noruega Statsbygg Statsbygg Building Information

Modeling Manual

24-Nov- 2011

Singapura

Building and Construction

Authority Singapore BIM Guide 15-Mai-2012

CORENET e-submission System (ESS)

CORENET BIM e-submission

Guidelines 25-Jan-2010

Estados Unidos da América

National Institute of Building Science (NIBS) – builndingSmart alliance (bSa)

National BIM Standard (NBIMS) 4-Mai-2012

American Institute of Architects (AIA) Contract Documents

E202-2008 BIM Protocol

Exhibit 2008

New York City Department

of Design + Construction BIM Guidelines 1-Jul-2012 United States Department of

Veterans Affairs (VA) The VA BIM Guide 2-ABR-2010 Indiana University

Architects Office and Engineering Services

IU BIM Guidelines & Standards for Architects, Engineers and

Contractors

2-Jul-2012

buildLACCD (Los Angeles Community College District)

BIM Design-Bid-Build Standards

BIM Design-Build Standards 29-Jun-2011 Continua…

28 …Continuação.

País Organização Nome da Norma/Diretriz/Requisito Data de

Publicação LACCD BIM Standard 2-Jun-2010 United States General Services

Administration (GSA)

National 3D-4D Building Information

Modelling Program 15-Mai-2007

Fonte: (Silva J. , 2013, p. 10)

A Norma utilizada e cujo estudo será mais aprofundado para a realização desta Dissertação será a Norma COBIM. A escolha da utilização desta Norma para a realização do trabalho em questão está implicitamente relacionada com o fato de que parte do trabalho a desenvolver será com recurso ao software Solibri Model Checker (SMC), que é um software baseado na Norma COBIM, daí a necessidade de análise mais detalhada desta Norma, e capítulo mais especificamente.

2.3.2.1. Norma COBIM

Como já foi referido anteriormente, a Norma mais utilizada em Portugal é a Norma Finlandesa COBIM, que foi desenvolvida por diversas entidades desde empresas de consultoria, cidades, universidades, organizações governamentais, produtores de aplicações informáticas (representantes da Autodesk, Bentley e ArchiCAD), empresas de construção, entre outros. A norma COBIM teve origem nas diretrizes BIM criadas pelo Senaatti, que era a entidade responsável por gerir a grande maioria dos bens de propriedade da Finlândia. Estas diretrizes foram a base da criação da norma COBIM, em 2010, sendo que as diretrizes inicialmente criadas, com o passar do tempo e o desenvolvimento da metodologia BIM, verificaram-se bastante incompletas, o que levou à necessidade da expansão e atualização das diretrizes BIM do Senaatti e tendo como objetivo definir requisitos nacionais.

Este documento, Norma COBIM, tem como objetivo apoiar e fornecer diretrizes para a criação, gestão e manutenção da metodologia BIM. Contudo, nenhuma norma existente pode ser considerada inquestionável uma vez que todas elas têm tendência a ser alteradas e adaptadas á

29

realidade de uma empresa, modelo ou país de acordo com os objetivos e necessidades que cada caso isolado exige. Logo, as normas estão em constante evolução e necessidade de atualização, assim como os modelos vão evoluindo ao longo do tempo também as normas e leis existentes apresentam a necessidade de revisão e alteração sempre que se verifique mais adequado. A Norma COBIM é constituída por 13 capítulos tendo em vista a separação das especialidades e separando por apêndices todos os intervenientes no processo de construção e manutenção de forma a simplificar a sua interpretação, sendo eles:

 1. Requisitos Gerais BIM

 2. Modelação de uma situação inicial  3. Projeto de Arquitetura

 4. Projeto de MEP  5. Projeto de estruturas  6. Garantia de Qualidade  7. Extração de quantidades

 8. Uso de modelos para a visualização  9. Uso de modelos para a análise MEP  10. Análise energética

 11. Gestão de um Projeto BIM

 12. Uso de modelos na gestão de edifícios  13. Uso de modelos na construção

Uma vez que esta dissertação será desenvolvida com o objetivo de dissecar a questão da integração do MEP no BIM apenas será analisado o capítulo 4 da Norma que é referente ao Projeto de MEP.

2.3.2.2. Capítulo 4 - Projeto de MEP

O capítulo 4 da Norma COBIM diz respeito à modelação do MEP e define a informação que é fornecida nos projetos desta especialidade. A Norma indica que o Projeto/modelo de MEP apresentado não deve incluir os modelos de outros projetistas, mesmo que esses mesmos modelos tenham sido utilizados como referência para orientação para a realização deste Projeto

30

de MEP. Para além disso não devem ser incluídas no Projeto de MEP outras especialidades constituintes do edifício que não as do MEP.

Na Figura 6 apresenta-se uma imagem ilustrativa de um projeto de MEP, onde se pode verificar a complexidade do mesmo num edifício.

Figura 6 - Projeto de MEP

Fonte: http://www.maxicad.com.br/web3/index.php/agenda-maxicad/12-treinamento-oficial-revit-mep-para-

projetos-de-instalacoes/event_details

Este capítulo específica o conteúdo das tarefas do Projeto de MEP que são realizados com base na utilização da modelação em BIM. Para simplificação da interpretação e da realização dos projetos desta especialidade o capítulo encontra-se dividido em duas fases distintas, que definem as fases de realização do projeto.

A primeira fase diz respeito às fases de projeto esquemático e de projeto de desenvolvimento e, estes projetos, servem de suporte para o desenvolvimento das restantes especialidades. Tem como principal objetivo servir de base para o fornecimento de dados suficientes para a realização dos modelos de estruturas e de arquitetura. Logo, o projeto MEP não deve apresentar o modelo dos sistemas utilizados nesta especialidade mas apenas deve apresentar a escolha do sistema selecionado para estas instalações bem como as áreas técnicas e espaços de condutas necessários reservar para a instalação dos mesmos.

31

A segunda fase diz respeito à realização dos projetos de pormenor onde devem ser modelados todos os sistemas do edifício. O capítulo 4 da Norma COBIM apresenta os requisitos necessários para esta modelação, desde os aspetos de transferência de ficheiros aos componentes a serem moldados (COBIM - Common BIM Requirements, Março, 2012). Segundo Silva (2013, p.18), que citou Finne (2012), “Quando o projeto for executado de acordo com os requisitos apresentados no Capitulo 4 da Norma COBIM, o modelo dos sistemas MEP contém os pré-requisitos para a sua utilização na manutenção durante todo o ciclo de vida do edifício”.