BLOCO V – O Software Educativo
3.2. Bloco II – Perfil geral do entrevistado
O Bloco II, correspondente ao perfil geral do entrevistado. Este bloco procurou recolher dados que permitissem inquirir acerca de diferentes aspetos, tais como: a formação académica inicial e o ano da sua conclusão; os níveis de ensino em que lecionaram; número de anos de serviço que possuem. Ao mesmo tempo, a investigadora procurou verificar se as entrevistadas no seu currículo académico frequentaram alguma disciplina relacionada com as TIC (qual (ais), que conteúdos, influência na sua prática, vantagens e desvantagens/limitações) e se já realizaram formações contínuas nesse âmbito (qual (ais), que conteúdos, que objetivos práticos, vantagens e desvantagens/limitações). Como última questão deste bloco, as entrevistadas foram questionadas em relação aos diferentes locais onde lecionaram e qual a potencial utilização das TIC relativamente à escola/zona geográfica.
Desta forma, na primeira questão obtiveram-se 4 registos/ocorrências pelas duas professoras entrevistadas (P1 e P2). As entrevistadas P1 e P2 revelaram uma formação inicial semelhante, que se traduziu no curso do magistério primário:
“(…) tirei o décimo segundo ano complementar (…)”; ”(…) o curso do Magistério Primário.”; “Quando tirei o curso de gestão e administração escolar (…)” (P1) “(…) tirei o Curso do Magistério Primário.”(P2)
Por sua vez, a análise de conteúdo realizada em relação ao ano em que terminaram essa formação inicial, obteve-se um total de 2 registos/ocorrências. Podemos verificar que o entrevistado P1 foi o primeiro a realizar a sua formação inicial, terminando no final da década de 70, enquanto que o entrevistado P2, finalizou a sua formação inicial na década de 80:
“Em 1979.” (P1)
A experiência profissional dos entrevistados, demonstrou que as duas professoras já lecionaram em mais que um ciclo de ensino, tendo o total de 11 registos/ocorrências. A P1 lecionou no 2º Ciclo do Ensino Básico em Matemática e Educação Física, foi formadora de formadores e professora de adultos. A P2 apenas lecionou no 1.º e 2º Ciclo, referindo que trabalhou com alunos do 5º e 6º ano. As entrevistadas possuem muitos anos de experiência profissional na área da educação. Neste sentido, são apresentadas as declarações obtidas perante a questão «Sempre lecionou no 1.º Ciclo do Ensino Básico (1.º CEB)?»:
“Não (…)”; “Lecionei no 1.º Ciclo, (…)”; “(…) no 2º Ciclo (…)”; “(…) e no Ensino de Adultos.”; “No 2º Ciclo lecionei Matemática (…)”;”(…) e Educação Física.” “E ainda fiz formação e fui formadora dos cursos de formação para adultos.” “(…) além de ser professora de adultos, em Educação Básica, faziam o 4º Ano, à noite, (…)”; “(…)e fui formadora dos cursos de formação profissional de Matemática.” (P1)
“Lecionei no 2º Ciclo, explicitamente no 5º e 6º ano” (P2)
Em relação à quarta questão do Bloco II, «Quantos anos de serviço tem?», as duas entrevistadas propiciaram 2 registos/ocorrências:
“36 anos completos.” (P1)
“Tenho 28 anos de serviço completos.” (P2)
A conclusão que pode ser feita em relação aos registos obtidos destas entrevistadas é que as duas professoras possuem muita experiência profissional. A entrevistada P1 é a que possui mais de trinta anos de serviço.
A questão «No seu currículo académico frequentou alguma disciplina relacionada com as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC)?» apenas a entrevistada P1 afirma ter realizado uma disciplina de Informática na sua formação inicial. De acordo com as declarações recolhidas, foram registadas 3 ocorrências:
“Sim.”; “(…) fiz Informática.”; “Tínhamos várias disciplinas, e umas delas era a Informática (…)”; “(…) tínhamos horas de Informática mesmo (…)”; “Era Excel basicamente (…)” (P1)
“Não (…)”; “(…) na formação inicial não havia nenhuma área relacionada com as TIC.” (P2)
A entrevistada P1 foi a única que afirma ter explorado as TIC no seu currículo académico inicial. Contudo, a professora salienta o facto de que esta disciplina não era propriamente direcionada para a prática letiva, mas sim para a gestão e administração escolar. De acordo com as suas declarações, foram recolhidas 18 registos/ocorrências, onde a entrevistada P1 refere que a formação que experienciou teve influência na sua prática docente referindo quais as principais vantagens e desvantagens/limitações. Neste sentido, a disciplina de TIC ‘obrigou’ a P1 a ter uma visão muito global acerca da gestão e administração escolar e permitiu-lhe também desenvolver competências relacionadas com a gestão do tempo e com outras competências mais abrangentes que
não foram concretizadas. Em termos de desvantagens/limitações não houve qualquer referência.
“(…) onde tínhamos de saber trabalhar com os programas que nos ajudariam depois na área da gestão e da administração, a planificar, a descobrir as necessidades a longo prazo…“; “(…) e depois a informática como base nas outras disciplinas.”; “(…) fazíamos investigação e tínhamos que fazer a planificação a longo prazo das necessidades das escolas.”; “As vantagens são sempre que o saber não ocupa lugar.”; “Abriu, (…) um leque maior de conhecimentos (…)”; “(…) de como é que a escola funciona, (…)”; “Deu-me outra abrangência, (…) forma como se pode gerir, e de como se pode fazer a gestão do tempo, a forma de melhorar a gestão do tempo.” (P1)
As duas entrevistadas já realizaram várias formações contínuas no âmbito das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC). Desta forma, a análise de conteúdo realizada à questão «Já realizou alguma formação contínua no âmbito das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC)?», obteve um total de 6 registos/ocorrências:
“Já, (…)”; “(…) várias.”; “Depois, aquela que fiz, à muitos anos atras há mesmo muitos anos, (...)”; “Sei que fiz uma que se chamava «Páginas da Internet», (…)”; “Mas foram muitas mesmo.”; “(…) a formação que fiz só em Excel (…)”; “(…) sobre a pesquisa na Internet, (…)”; “O próprio Word, que também fiz formação.”; “Até fiz há muitos anos uma formação de Programação, (…)” (P1)
“Sim.(…)”; “Já realizei algumas formações em relação às TIC (…)”; “Tirei alguns formações relacionadas com as TIC (…)”;Tirei alguns formações relacionadas com as TIC em Programas Educativos, (…)”; “(…) tirei uma sobre a comunicação mediada por computador,(…)”; “(…)a folha de cálculo Ms Excel como facilitadora do trabalho da atividade docente (…)”; “(…) a última que fiz chamava-se IncluTIC – Mobilizar para a Inclusão.” (P2)
Na sequência da formação adquirida, os entrevistados atribuem grande importância às formações contínuas que realizaram e apontam várias vantagens relativas à sua posterior posta em prática. Foi possível concluir que, de forma geral, as entrevistadas afirmam que as formações lhes possibilitaram criar bases para uma boa prática docente. Sendo que, foi através destas formações que os entrevistados tomaram conhecimento das potencialidades e das possibilidades educativas que as TIC apresentam. As formações possibilitaram uma nova dimensão do processo de ensino e aprendizagem, ou seja, na alteração e inclusão de outras estratégias metodológicas a serem promovidas junto dos seus alunos (21 ocorrências).
“(…) fazer a comparação da evolução da aprendizagem dos aulos, das médias, (…)”; “(…) poder fazer um perfil muito mais minucioso da aprendizagem ao longo do ano e, depois, comparativamente de uns períodos para os outros, quer na turma todo quer por criança.”; “(…) que nós não conhecíamos e que fomos conhecendo e aprendendo.”; “É algo que influência e são os recursos que utilizamos no dia-a-dia da sala de aula.”; “(…)trabalhar com o Paint, e conseguir fazer aquelas ‘carantonhas’ para depois colocar nas fichas.” (P1)
“Claro que sim, (…)”; “(…) traz muitas vantagens.”; “Posso considerar que todas as formações que realizei se revelaram importantes (…)”; “(…) e vantajosas no desenvolvimento da minha atividade docente.” (P2)
Os entrevistados já estiveram colocados em muitas escolas e em muitos locais diferentes ao longo dos seus anos de serviço. É importante salientar que os referidos locais englobam maioritariamente o interior do país em especial na zona da Beira Baixa. De acordo com a análise de conteúdo realizada, foram recolhidos 7 registos/ocorrências:
“Sim, (…)”; “(…) pode dizer-se que conheço a Beira Baixa toda, (…)”; “(…) alias o
distrito de Castelo Branco todo.”; “E nessa altura já estava a lecionar na cidade.”; “Na escola onde estive com esta turma durante o 1.º e o 2º ano, na Escola da Granja, (…)” (P1)
“Sim.”; “(…) já estive colocada em algumas escolas em locais diferentes.” (P2)
Os entrevistados não referiram considerar que a utilização das TIC tinha um grande potencial nestes locais. No caso do P1 foi possível verificar, com clareza, que ainda lecionou numa época em que as TIC não eram minimamente utilizadas e não eram vistas como um recurso no ensino. Contudo, ao longo da sua carreira os computadores e a Internet começaram a estar presentes na sala de aula. Apesar de algum incremento de equipamentos digitais, P2 vem referir uma escassez dos mesmos, o que demonstra a inexistência de uma política relacionada com a promoção das TIC em contexto educativo. A análise de conteúdo possibilitou obter 10 registos/ocorrências:
“Não tinham potencial nenhum, (…)”; “(…) até porque na altura nem sequer havia”;
“As tecnologias aparecem no meio da minha carreira profissional.”; “(…) não havia Internet, (…)”; “(…) já tínhamos escolas com computadores, (…)”; “(…) algumas sim outras não com recursos à Internet.” (P1)
“As TIC permitem a pesquisa de informação mesmo nos locais mais isolados (…)”; “(…) e distantes dos grandes centros(…)”; “(…) não havia quadros interativos,(…)”; “(…) e em algumas escolas não havia projetor.” (P2)
3.3. Bloco III – Utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)