A GENEALOGIA E HERÁLDICA DE ANTÓNIO JOSÉ DE SÃO PAYO
O CURSUS HONORUM DE ANTÓNIO JOSÉ DE SÃO PAYO
4. Brigadeiro de Cavalaria, Marechal de Campo dos Exércitos e Alcaide-mor
Em 23 de Setembro de 1764 D.José I nomeia, António José de São Payo:
«Brigadeiro da Cavalaria do Cães, mandando ao Conde Lippe, Marechal dos Exércitos Reais, dar-lhe posse»5 (ver Anexo Documental6).
Por carta patente, continua com o posto de Coronel do Regimento de Cavalaria do Cães: «com muito préstimo, zello e satisfação e ter por certo que em
tudo o de que o encarregar corresponderá muito conforme a particular confiança e estimação, que faço de sua e boa dezempenhando as obrigações com que nasceo
1 LEAL, Augusto Soares d' Almeida Barbosa de Pinho - Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, Cota
D'Armas Editora, vol. 6 pp. 328- 326.
2 BARROCA, Mário Jorge - Dos Castelos, IPM, 1992/1993, pp. 51-57.
3 ADB/ACSP - cx.04, proc. 021(2) (1) carta de D. José I a António José de São Payo Melo e Castro,
Conde de São Payo de 9 de Julho de 1764 - D. José I manda a António José de São Payo realizar recrutamento militar.
4 Anexo Documental, p. 211.
5 ADB/ACSP - cx.04, proc. 021(2) (1) Extracto do Registo Geral das Mercês do tempo de D. José I
relativos a António José de São Payo Melo e Castro, Conde de São Payo de 23 de Setembro de 1766
- D. José I solicita parecer a António José de São Payo.
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por todos estes respeitos hey por bem e me prás de o nomear, como por esta carta o nomeo, por Brigadeiro de Cavalaria do meu Exército»\ Vencerá quarenta e oito mil
réis de soldo por mês.
O " reformador" ordena ao Conde reinante de Schaumbourg Lippe seu:
«muito amado e prezado primo»2, Marechal dos Exércitos dar a posse deste posto a
António José de São Payo, através de carta passada pelo Rei, assinada e selada com o selo grande de suas Armas. Este diploma foi dado em Lisboa, a 17 de Setembro de 1764, depois de carta enviada pelo Marquês de Tancos: «para sua
magestade ver»3. No verso da mesma carta, documenta-se que a nomeação foi feita
por decreto de sua majestade de 8 de Setembro de 1764. Francisco Xavier Telles de Mello o fez escrever. Manda-se cumprir e provisionar, a 23 de Setembro de 1764, no Regimento de Belém. Assina António Lopes Durão, Tesoureiro geral das Tropas.
Confirma o mérito, a confiança e a estima, próprias das obrigações de um aristocrata. É digno de nota que mesmo, sob a égide do Conde de Lippe, é chamado a novas e mais elevadas funções de comando.
Ao posto que anteriormente ocupava, acedeu seu irmão João de Sampaio Melo e Castro, assumindo ele próprio o comando do Regimento do Cais4. Esta
nomeação corrobora essa transmissão de testemunho. A 18 de Dezembro de 1764, três meses depois, D. José I faz mercê a António José de São Payo do título de Conde, por alvará régio: «por confiar delle que em tudo do que o encarregar servirá
muito a seu contentamento e satisfação. Há por bem fazer-lhe mercê do título do seu Conselho, com o qual haverá e gozará de todas as honras e prerogativas, auttoridades, isempçoens e franquezas que hão, e tem os de seu Conselho e como tal lhe competem e jurará na Cancellaria que elle dará Conselho fiel e tal como deve quando sua magestade lho mandar»5.
1 Idem
2 Idem.
3 Idem.
4ADB/ACSP - cx.04, proa 021(4) - António José São Payo Mello e Castro: patentes militares,
promoções, nomeações, ordens (1754-1799) 1 - carta Patente D. José I, nomeia, António José de São Payo Coronel da Cavalaria do Cães. 23 de Setembro de 1764. D. José I nomeia, António José de São Payo Brigadeiro da Cavalaria do Cães, mandando ao Conde Lippe, Marechal dos Exércitos Reais, dar-lhe posse.
SALES, Ernesto Augusto Pereira - O Conde de Lippe em Portugal, Vila Nova de Famalicão, Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, 1936.
5 ADB/ACSP - cx.04, proc. 021(4) - António José São Payo Mello e Castro: patentes militares,
promoções, nomeações, ordens (1754-1799) 1771.03.23 - carta patente de D. José I, nomeia, Antonio José de São Payo Coronel da Cavalaria do Cães. 23 de Setembro de 1764.
É o corolário de um serviço militar, competente e devotado, por isso terá assento no Conselho de Estado: «prestará juramento na Chancelaria, de fidelidade a
D. José»1.
Uma das provas de confiança política é consignada no parecer (ver Anexo Documental2), que D. José I solicita a António José de São Payo em 23 de Setembro
de 1766, nos seguintes modos: «ilustríssimo e excelentíssimo senhor sua
magestade he servido; que vendo vossa excelência, a petição de Severino Eusébio de Mattos, e informação que sobre ella deu o Thesoureiro Geral das Tropas António Lopes Durão, informe de tudo com seu parecer. Deos guarde a vossa excelência. Paço, 23 de Setembro de 1766.Francisco Xavier de Mendonça Furtado»3.
Em síntese, parece-nos, um círculo apertado de poder, para o qual o Conde tem qualidades "genealógicas" necessárias. A família de São Payo era gente muito próxima das famílias Reais, que postos à prova, hereditariamente corresponderam às expectativas.
Em 4 de Março de 1768 D. José I nomeia António José de São Payo:
«Marechal de Campo dos seus Exércitos» (ver Anexo Documental4). Neste diploma
ordena ao Conde reinante de Schaumbourg Lippe Marechal General de seus Exércitos, lhe dê posse5. E os Tenentes Generais de seus Exércitos o tenham e
conheçam por tal. O tom íntimo dá lugar a um costumeiro, Deos guarde a vossa excelência. Paço, 8 de Fevereiro de 1768. Rubrica de el Rei, com selo. D. João, Marquês de Tancos deu visto, a D. José I. Por decreto de sua majestade de 23 de Dezembro de 1767. É ainda, Francisco Xavier Telles de Mello - nome que vamos encontrar mais vezes - que fez escrever a carta.
Manda-se cumprir no Quartel-General de Salvaterra de Magos, a 2 de Abril de 1768. Registar a 4 de Abril de 1768. Assina António Lopes Durão, o Tesoureiro geral das Tropas. António Moraes Rego a fez escrever. Registada com o numeral09, na Secretaria da Guerra6 como Marechal de Campo, nome dado em 1762, ao posto de
Sargento-mor de Batalha7.
1 Idem.
2 Ver Anexo Documental, p. 212.
3 Idem.
4 Ver Anexo Documental, p. 213.
5ADB/ACSP - cx.04, proc. 021(2) (1) Extracto do Registo Geral das Mercês do tempo de D. José I
relativo a António José de São Payo Melo e Castro, Conde de São Payo.
6 folha duzentos e sessenta e quatro verso.
7 AMARAL, Manuel - O Exército Português, nos finais do Antigo Regime, recrutamento de oficiais -
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Até 1775, a carreira militar conhece um significativo interregno, no que concerne às promoções. Entretanto em 2 de Novembro de 1769 por petição do Conde São Payo, pede provisão de D. José I. Nela se inclui a: «da Alcaidaria morda
Fortaleza e Villa da Torre de Moncorvo, com todas as rendas, foros, direitos e tributos»\
Por alvará, de 3 de Agosto de 1767, foi extinto o cargo de Alcaide-mor e Alcaide-pequeno em todas as praças da raia e no resto do Reino por outro de 3 de Setembro de 1769, sendo substituídos pelos governadores das praças: «no entanto,
ficou ainda subsistindo o título honorífico de Alcaide depois dessa data»2.
Refere-se a forma no que concerne à carta de nomeação, referente ao Conde de São Payo, à imagem dos seus antepassados: «fará preito e homenagem,
segundo foro costume destes reynos, e lhe sera dada a posse delia por hum meu Porteiro da Camará segundo ordenança, mostrando primeiro certidão (...) de meu Conselho, e meu secretario de como me tem feito a dita homenagem e mando que esta carta se treslade e registe no Livro da Chancelaria e da Correição da Comarca da dita villa de Torre (...) no Livro da Camará (...) no Livro dos meus próprios da Contadoria da dita villa»3.