CAPÍTULO 3 - A TRAMA, O TRÂNSITO, O TRANSE
3.4. C ENTRO E SPÍRITA A NJO I SMAEL
A casa Espírita Anjo Ismael, foi fundada no ano de 1976, pelo grupo de Luiz Leal.
Anteriormente a isso, Luiz já havia criado, na cidade do Rio de Janeiro, cidade onde nasceu e criou-se, antes de vir para o estado sul-mato-grossense, um espaço de religião aos moldes espiritualistas devido ao diálogo tendencioso entre vincular práticas Umbandistas a base ortodoxa Espírita. Além de fundador, Luiz era o dirigente espiritual de sua equipe de médiuns, que participava ativamente das atividades da casa, cujo enfoque era voltado a prática do esoterismo, possibilitando a inserção de outras práticas que não somente estavam vinculadas ao Espiritismo.
No entanto, a casa Espírita Ismael não possui nenhum vínculo com a Federação Espírita Brasileira – FEB, até os dias de hoje. Segundo Maria:
Agora é que nós estamos estreitando laços com a FEB, está havendo um interesse por parte do grupo em se relacionar com a federação, mas a Federação orienta algumas coisas que não condiz com a nossa maneira de trabalhar, como por exemplo, o fato do dirigente estar
mediunizado no momento da consulta, e a FEB não aprova esse tipo de coisa (MARIA, 06/2013, DOURADOS - MS).
O fato da casa não ser filiada à federação espírita, contribui a algumas analogias com relação ás outras duas casas que estarão envolvidas entre si. Como já foi dito aqui em algum momento, o MEFA não possui relações com a FEB, e o Terreiro Reino de Ogum Beira Mar, não possui vínculo com a Federação Umbandista de igual forma. Logo, o fato destas casas não serem vinculadas às instituições e classes federativas, sugere um ponto em comum entre elas, para dizer que, de alguma forma elas compõem um quadro de similaridades. Após tornar claro este ponto comum, desejo continuar a tecer esta rede repleta de conexões.
Os sinais diacríticos Umbandistas estão presentes em todas as casas, porem o grau de entendimento, liberdade, e espaço ás estas entidades possuem intensas oscilações e diferenças, pois em cada uma delas, eles são vistos de formas distintas, e por mais que haja ideias em comum, o espaço destes sinais afirmados a partir de um circuito de negação, retirando-lhes características, a fim de reafirmar sua presença, que é controlada, umas mais outras menos. O importante é dizer que apesar de estarem presentes, os graus de entendimento pragmático são completamente diferentes, e isto é algo que procurei tornar explicito na primeira parte desta análise, bem como expressar o pensamento do criador para contribuir a visualização do andamento das casas que fundou.
De acordo com o autor fundador: “No kardecismo eu meu intelectualizei, e na Umbanda conheci a humildade”. Em sua trajetória de vida no campo religioso, dá-se claramente a impressão de que, tanto a Umbanda como o Espiritismo estavam continuadamente envolto as suas experiências. Serão apresentados os interlocutores, que aparecem à medida que a história vai sendo contada, a partir dos relatos e da experiência de campo. Após a fundação outras trajetórias viabilizam maiores detalhes sobre esta demonstração analítica.
Naquela época, alguns integrantes possuíam famílias, sendo grande maioria filhos, que também compõe o corpo narrativo sobre os acontecimentos. Muitos interlocutores se encaminharam na religião Centro Espírita por circunstâncias familiares. Os que irão narrar o Ismael antigo são aqueles que já cresceram dentro de um centro espírita, e assim foram construindo sua trajetória a partir de algo que já estava estabelecido pelos laços de família.
Naquela época Catarina, integrante do grupo do senhor Luiz leal, tinha duas filhas que a acompanhava, eram elas Maria e Ísis. Mineira, tinha uma filha de nome Maria, todos membros da casa. Nêga tinha uma filha, chamada Beatriz, Luiz Leal, dentre seus filhos,
Adolfo foi o que mais se destacou ao tomar a frente dos trabalhos do Centro Espírita Ismael.
Outra personagem que também estava presente nesta primeira etapa é Benita. Estive conversando com ela, pois até hoje é médium do MEFA.
Benita possui 26 anos de MEFA: “eu ajudei a construir e levantar com as minhas mãos aqueles tijolos para construir o alicerce daquela casa”, que participou das atividades do Centro Espírita Ismael compondo o grupo do Sr. Luiz Leal dirigente espiritual da casa. Nos dias de hoje, é membro da sala de cura há uns 10 anos, e segundo ela, do tempo do Sr. Luiz Leal e da Sra. Nêga ela é a única que permanece viva nas atividades da casa. Segundo ela:
Cheguei lá no centro com a minha sobrinha, não era o MEFA, era lá no outro centro, mas era do MEFA, aí dei o nome dela e o meu e fiz nossas fichas, e quando foi na hora da chamada, era um pouco diferente do MEFA, aí quando chegou minha vez eu sentei La na cadeira e era o Sr. Luiz Leal que atendia, quando ele pôs a mão na minha cabeça me deu um excesso de choro que parecia que eu não chorava a um mês. Ele falou minha vida inteira, e ele não sabia de nada, eu não o conhecia. Disse que eu era médium deveria desenvolver minha mediunidade senão as coisas não iriam melhorar.
Aí ele me convidou pra ir trabalhar na casa, e eu sempre fui católica e eu fiquei bastante preocupada (BENITA, 07/2013, DOURADOS - MS).
Após este acontecimento, Sra. Benita começou a participar da casa anjo Ismael.
Segundo a autora nos próximos dias os quais passou a frequentar a casa, recebeu o “mentor espiritual” que a acompanhava, este mentor pertencia à linha de Oxossi, e seu nome é Caboclo da Mata Virgem: até hoje ele é meu “guia”. Ou seja, desde aquela época no anjo Ismael os espíritos que ali trabalhavam pertenciam à égide da Umbanda: La trabalhava com Umbanda e Kardecismo, mas era muito diferente do MEFA(BENITA, 06/2013, DOURADOS - MS).
Este relato enfatiza a concretização de uma experiência que expressa uma mudança no cenário da vida, modificada a partir de um rito de passagem para uma religião espiritualista.
De acordo com a fala desta personagem, a mudança do dirigente fundador para a formação e fundação da Casa São Francisco de Assis ocorreu devido a um desentendimento com um dos dirigentes da casa anjo Ismael, levando a conflitos que geraram necessidades a criação de uma
nova casa. Após a fala desta personagem me coloco a descrever as narrativas da interlocutora Maria. Maria é filha de Catarina, integrante da Casa espírita Ismael no período da fundação.
O fundador, ao perceber que muitas pessoas estavam com dificuldade de chegar e frequentar a casa, pois a mesma se encontrava do “outro lado da cidade”, fundou um novo espaço de culto que em breve estaria em funcionamento, estaria localizada em outro ponto da cidade de Dourados-MS, que por coincidência estaria localizado em uma área periférica da cidade, aonde sobrevive até os dias de hoje.
Alguns relatos demonstraram que, a origem do atrito é o eixo central da saída do dirigente. Apresento a seguir ás opiniões que expressam os acontecimentos potenciais a ruptura e cisão em que a Casa Francisco de Assis, seria continuidade da Casa Espírita Ismael, em termos de práticas e métodos ritualísticos.
Após expressar questões referentes à sua primeira fundação na cidade de Dourados – MS, Luiz começa a fornecer indicativas de como surgi à ideia de uma segunda fundação:
O primeiro centro que eu criei foi à Casa Espírita Ismael. E devido à quantidade de pessoas que estava frequentando a casa, houve á necessidade de fundar outra casa, em outro lugar. Esta outra casa seria o que é hoje a Casa Espírita Francisco de Assis. Mas com o passar do tempo o MEFA também ficou muito apertado, e houve a necessidade de uma terceira fundação, que foi à Casa Franciscana, que eu ajudei a fundar e dirigi os trabalhos de lá por algum tempo. Foi eleito outro bairro para atender as pessoas que moravam naquela região particular, para que não houvesse necessidade de um deslocamento absurdo, pois muita gente não tinha condição de ir ao MEFA devido à longa distância (LEAL, 07/2013, DOURADOS - MS).
Assim, a acessibilidade é um dos fatores mencionados, considerando que, as escolhas da elaboração de uma narrativa de algum acontecimento, parte de contextos eleitos para fornecer explicações concisas para um determinado fato. No entanto, aqui estamos diante de um quadro religioso, e veremos a seguir falas correspondentes que expressam a perspectiva adequada ao nosso campo de análise.
No ano de 1976 Luiz Leal inaugura a Casa Espírita Ismael, cujas atividades eram continuidades de práticas ritualísticas promovidas na capital do estado do Rio de Janeiro, onde Luiz nasceu, foi criado, se criou enquanto um membro da religião espiritualista e fundou
sua primeira casa. Mais adiante, em outro momento, estará bastante claro como à liderança do fundador influenciou a formação da identidade ideológica das práticas que foram sendo adaptadas, a partir desta primeira fundação.
Ao que tudo indica a Casa Ismael ter sido criada com o intuito de atender ás necessidades que para Luiz Leal, era de extrema urgência, mas, deve ser dito, que a Casa Ismael, foi formatada aos moldes das atividades que já eram exercidas no Rio de Janeiro, onde Luiz fundou sua primeira casa Espírita, cujo diálogo, Umbanda e Espiritismo já era um fator ideológico.
A intenção de vincular Umbanda e Espiritismo sempre foi primordial para o entendimento de Luiz Leal, a Casa Espírita Ismael ganha uma roupagem peculiar, pois desde aquela época as práticas rituais exercidas na Casa Ismael era a inserção de um novo produto de bens oferecidos para a população douradense que se firmava.
Isto expressa que esta casa possuía peculiaridades que a mantinha em um lugar diferenciado. A seguir trago as falas dos interlocutores que presenciaram a época e me relataram alguns trechos de como eram promovidas atividades na Casa Espírita Anjo Ismael, como era denominada antigamente pelo fundador e frequentadores. Posso sondar que o principal capital oferecido pela casa era o fenômeno da possessão.
Durante o período da descrição, alguns interlocutores entram em cena para apresentar sua experiência na Casa Espírita Anjo Ismael, como era identificada naquela época.
Considerando as temporalidades diferentes, cabe uma contextualização deste momento que só se faz possível demonstrar através da memória. Assim, o primeiro tempo data o ano de 1976.
No intuito de fornecer subsídios para o entendimento de como a Casa Ismael foi fundado, bem como as atividades que eram desenvolvidas, tendo em vista os afastamentos e aproximações característica deste processo. Maria, diz:
...naquele tempo minha mãe começou a desenvolver a mediunidade com o grupo da casa que era liderado pelo Luiz Leal. O trânsito entre estas casas é muito antigo. Esses dias eu estava olhando a ata de fundação do Centro Espírita Ismael, e estava escrito que um dos objetivos da casa é o estudo da doutrina espírita, e falava de estudos esotéricos. E o intuito era trabalhar nos moldes esotéricos, fora do padrão FEB (MARIA, 06/2013, DOURADOS – MS).
Salvo as vagas memórias da atividaderealizada na Casa Espírita Anjo Ismael na época, outra interlocutora, que também estava envolvida neste processo relatou algumas falas bastante pertinentes, que pode contribuir de forma significativa ao entendimento de como era o Ismael da década de 70. Maria é filha de uma das integrantes do grupo liderado por Luiz Leal, naquela época, e que posteriormente iria compor o quadro de dirigentes da casa Movimento Espírita Francisco de Assis. Por mais que sua condição de criança limitasse sua memória, sua posição refere a quem esteve presente, considerando que muitos integrantes do Ismael daquele tempo, já faleceram sobrando assim poucas opções de contato.
Inicialmente Maria relatou como foi o encontro de sua Mãe com Luiz Leal, que em um futuro próximo estaria ligado integralmente a sua equipe da Casa Espírita Anjo Ismael.
Segundo ela:
Quando o MEFA foi fundado eu já estava ali, e antes do MEFA eu conheci o Ismael através da minha mãe. A minha mãe conheceu o Sr.
Luiz quando a minha avó ficou muito doente, ela era doida da cabeça, e precisava passar por um tratamento muito sério, por que seu problema era espiritual. Uma tia da minha avó ficou sabendo dos trabalhos espirituais que o Sr. Luiz realizava e ele foi a casa atender ela. Foi quando minha mãe conheceu o Sr. Luiz pela primeira vez, inclusive ele fundou o Centro Anjo Ismael (naquela época) também, foi à primeira casa que ele criou. E ele convidou a minha mãe pra ir ao centro, e minha mãe acabou ficando (MARIA, 07/2013, DOURADOS - MS).
Conforme a narrativa Maria fornece indícios de como se configurava ás práticas ritualísticas do Ismael na época. Segundo ela, se viu obrigada a frequentar aquele espaço de culto, devido às influencias e imposições de sua mãe, que exigia sua presença junto a ela nos dias de atividade.
Fernando Brumana e Martinez (1991), já dava indicativas destas transmissões fornecidas pelos laços familiares, exercendo assim um papel relevante, tendo em vista que, tais relações servem como fatores de influência entre adeptos ligados a religião. Isso aconteceu com Maria, pode-se considerar que talvez nem quisesse adentrar a este universo, porem as relações que a vinculam a mãe a levou a aceitar e a transferir para a filha maiores possibilidades para aderir aos códigos da religião, a qual estava sendo inserida via parentesco
(BRUMANA, 1991, p.140).Segundo ela: “Os trabalhos do Ismael na época eram de manifestação de espíritos mesmo, eu me lembro que não tinha cadeira para sentar, os médiuns trabalhavam em pé, e o único que sentava era o Preto-Velho que tinha a banquetinha dele”. (Caderno de Campo, 08/2013).
Mais adiante eu perguntei a ela se as atividades do Ismael eram semelhantes aos trabalhos de um terreiro de Umbanda, e ela não soube me dizer, e logo já entendi o motivo da não analogia com relação aquele espaço. De fato, é por que Maria não tem familiaridade nenhuma com um terreiro de Umbanda, por não dominar os signos e as sinalizações ritualísticas, a qual é perfeitamente reconhecida e identificada por aqueles que têm uma formação Umbandista em sua trajetória de vida.
Deve-se considerar que Maria não compõe o trânsito, exceto em sua passagem pelo Ismael naquela época, no entanto sua fala expôs o fato do dia em que visitou um terreiro de Umbanda pela primeira vez, e que por pura coincidência e para minha sorte enquanto pesquisadora, o terreiro que visitou o ano passado, a casa Reino de Ogum Beira Mar, através do grupo MEFA que passaram a frequentar o terreiro, e também, me recordo que estava presente na casa neste dia, no meio do ano de 2012, período em que já estava fazendo campo e observando o fenômeno do trânsito.
Continuando suas recordações da experiência apreendida na Casa Espírita Ismael continuou dizendo, e através de sua experiência na Casa Espírita Reino de Ogum Beira Mar, disse algo extremamente significativo e que pode verdadeiramente me dizer muita coisa:
O Ismael quando fundado nos anos 70, os trabalhos eram no mesmo estilo do terreiro do Sr. Aretino. A primeira vez que pus meus pés ali no terreiro da Dona Tereza, me veio o Ismael antigo rapidamente na minha casa, para mim é igualzinho sem tirar e nem pôr, o estilo é o mesmo, o Ismael era daquele jeito. Quando eu olhei lembrei por que eu não conhecia terreiro de Umbanda, mas o que eu vi do Ismael ali no terreiro é que, naquele tempo não tinha cadeira para os médiuns sentar, só tinha para o público, mas para os trabalhadores não, o único que sentava era o preto velho (Caderno de Campo conversa com Maria do MEFA, 08/2013).
Assim, indaguei sobre como se dava ali na casa Ismael o desenvolvimento mediúnico, segundo Maria: “era gira! Minha mãe desenvolveu girando.”
Ainda falando sobre o Ismael ponderou que:
O salão do Ismael era grande, não tinha compartimento de sala como tem no MEFA. Mas quando eu entrei ali no Sr. Aretino e vi a Ísis trabalhando, aquele preto-velho sentado, vi você lá também, aquele momento me fez lembrar o Ismael na mesma hora. A diferença é que ali no Ismael o salão era bem maior, tinha uma cerca que separava o público dos trabalhadores da casa (dos médiuns), era uma cerca parecida com cabo de vassoura, para separar médium da casa, das pessoas que iam ali para tomar passe. Não me lembro de velas, nem imagem, o que tinha era água para fluidificar igual tem no MEFA. Era igualzinho sem tirar nem pôr. (Caderno de campo, 08/2013).
Esta declaração de Maria é altamente significativa, pois no momento em que adentrou pela primeira vez no terreiro Ogum Beira Mar, Maria teve a impressão de estar retornando a um passado das práticas que eram exercidas na Casa Espírita Ismael na década de 70. O mais significativo é que sua identificação do terreiro com a casa reforça e induz a identificação das práticas ritualísticas da Umbanda.
No momento em que expõe sobre como eram as práticas do Ismael antigo, pude ter a certeza de que era um modelo cuja Umbanda estava bastante presente, só pelo simples fato de haver presença de Caboclos e Pretos Velhos, sentados em banquetas. Isso demonstra que a similaridade apontada por Maria tem a Umbanda como referência isto torna bastante explícito, como eram as práticas antigas, e como o decorrer dos anos trouxe inúmeras mudanças, afastamentos, aproximações e continuidades caminhando pendularmente entre Umbanda e Espiritismo.
Durante as atividades realizadad na casa Ismael, é notável que houve mudanças significativas, desde os tempos de Luiz Leal até os dias de hoje, se acompanharmos as considerações de Maria. Pois, se antes havia possibilidade de interagir com a estrutura da Casa Ismael com um terreiro, nos dias de hoje, a casa Ismael está mais próxima dos padrões ortodoxos da cultura Espírita, o que restringe a possibilidade dialógica.
Estas considerações servem para indicar o modo como a casa era vista pelos frequentadores da época, visto que, a um momento em que o fundador Luiz Leal deixa a casa e funda a Casa Movimento Espírita Francisco de Assis, a partir daí a casa Espírita Ismael,
sofre inúmeras modificações e mudanças no cenário ritualístico, e a cada dia passa a adotar um modelo que caminha para uma identificação ortodoxa Espírita.
Estas Casas fundadas por Luiz tiveram contribuições de outras pessoas, que já faleceram alguns recentemente, outros há algum tempo. E de todos os fundadores e dirigente antigos que vivenciaram naquele tempo, Luiz é o único que permanece vivo. A partir desta fala proferida pelo fundador das casas que me propus a estudar, quero justificar a necessidade de introduzir a Casa Espírita Ismael como um adicional para contribuir a contextualização da fundação do MEFA.
Para entender o sentido desta fundação, é necessário percorrer as ocorrências que desencadearam esse processo. O MEFA é o resultado de um processo anterior, e que senão por vias da primeira fundação, é possível que sua implementação não se concretizasse. Por isso, deve-se traçar um fio condutor que nos vele ao entendimento dos elementos que impulsionaram e fomentaram a construção de um novo espaço. Não se tratando somente de duas casas no momento se trata de três que estão intimamente interligadas e conectadas através de relações estabelecidas no passado e que prolifera até os dias de hoje.
No que se refere ao momento da cisão, que dá inicio ao processo de continuidade da Casa Espírita Francisco de Assis como originária de atividades estendidas, que remonta a Casa Espírita Ismael, foi elucidado na fala do Sr. Luiz que, o principal motivo que impulsiona a criação de uma nova casa, foi o grande número de pessoas que buscavam atendimento espiritual, promovendo a necessidade de novos espaços, que pudesse atender a demanda que crescia ao longo dos anos. Em suma, a fala do fundador, é que o MEFA foi criado para atender a demanda que a Casa Espírita Ismael já não comportava.
Mas, ao ouvir as falas dos outros interlocutores que assistiram este processo de mudança, é perceptível que esta ruptura, poderia ter outros aspectos que fomentaram este fato.
Alguns depoimentos apontam que:
Toda casa tem uma presidência no comando, mas a gente sabe que com o tempo novas pessoas aparecem para assumir aquilo que antigamente era responsabilidade de outra pessoa. Por que com o
Toda casa tem uma presidência no comando, mas a gente sabe que com o tempo novas pessoas aparecem para assumir aquilo que antigamente era responsabilidade de outra pessoa. Por que com o