• Nenhum resultado encontrado

065C Ingrid Gabriele de Souza

No documento ANAIS-PRFH-2014-2.pdf (10.51Mb) (páginas 141-146)

NATAL CENTRAL

065C Ingrid Gabriele de Souza

Madson Luis Sousa

Mariana Segundo Medeiros Robson Garcia da Silva

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia.

Área do conhecimento: petróleo

Palavras-chave: Rerrefino, logística reversa, óleos lubrificantes usados ou contaminados

(OLUC).

Resumo:

O óleo lubrificante é um insumo muito utilizado no setor industrial e principalmente no automotivo. Porém durante a sua utilização ocorre à degradação e o acúmulo de contaminantes e o resíduo gerado, o óleo usado ou contaminado (OLUC), é considerado perigoso e se lançado inadequadamente ao meio ambiente poderá causar impactos negativos àqueles que nele habitam. Neste sentido, o rerrefino surge como alternativa de tratamento que recicla esse resíduo, evitando-se os danos ambientais. Com base nisso, este trabalho tem como finalidade discutir o processo do rerrefino do OLUC. Para isso, a metodologia foi baseada em pesquisa bibliográfica e documental a fim de obter informações e aprofundar-se acerca do tema. Como resultados, apresentou-se as principais leis, os malefícios da disposição inadequada e os processos de rerrefino do OLUC. Em suma, conclui-se que o rerrefino do OLUC é uma medida de logística reversa que busca evitar a geração e a disposição inadequada de resíduo perigoso ao meio ambiente contribuindo para a prevenção da poluição, evitando o desperdício de recursos naturais e mantendo a produção de óleos lubrificantes.

Introdução

Junto com o crescimento do setor industrial e do mercado automotivo houve um aumento na demanda de óleos lubrificantes, haja vista que essa substância é utilizada para lubrificar os componentes móveis dos motores. Com isso, surge a preocupação quanto ao destino desses óleos quando usados ou contaminados, uma vez que a ABNT (2004) em sua norma NBR-10004, os classificam como resíduos perigosos por apresentar toxicidade, podendo causar danos ao meio ambiente e às pessoas se despejados

III FEIRA DO PFRH DO IFRN – 03 a 04 de dezembro de 2014

reaproveitar o OLUC, utiliza-se como processo de reciclagem o rerrefino. Assim sendo, o objetivo deste trabalho é discutir teoricamente o processo do rerrefino do OLUC.

Este trabalho é financiado pelo programa de Formação de Recursos Humanos (PFRH) da Petrobras, o qual está sendo desenvolvido como parte da pesquisa intitulada “Logística reversa aplicada ao óleo lubrificante em postos de gasolina de Natal/RN”.

Procedimentos metodológicos

Com o intuito de cumprir com o objetivo este trabalho foi de natureza bibliográfica, que segundo Gil (2002, p.44) é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos, sendo exigido em quase todos os estudos algum tipo de trabalho desse caráter. Com isso, essa pesquisa contou com a realização de levantamentos de referências em sites da internet, uma dissertação e uma tese de doutorado. Além disso, este trabalho realizou pesquisa documental por meio da consulta de norma, lei e resolução. Todas essas pesquisas têm como objetivo obter mais clareza e o maior número possível de informações acerca do tema em questão.

OLUC, logística reversa e o processo de rerrefino: considerações conceituais

O OLUC é conceituado como um óleo no fim de sua vida útil que, por ter sido usado normalmente ou ter sido contaminado, torna-se inapto para seu uso original (BRASIL, 2005)

Por logística reversa, Leite (2002), define como uma área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo de retorno dos bens de pós-consumo, ou seja, os resíduos sólidos, e a sua volta ao ciclo de negócios ou ciclo produtivo.

O rerrefino é caracterizado de acordo com a ANP 128/1999, como aquele que submete o OLUC a processos industriais para que sejam removidos os contaminantes e os produtos de degradação e de aditivos, atribuindo ao produto final desse processo as mesmas características de óleo lubrificante básico (BRASIL, 1999).

Portanto, o rerrefino pode ser considerado o principal meio de logística reversa do OLUC aos ciclos industriais, para tratamento, com o intuito de retornar ao ciclo produtivo.

Resultados e Discussão

Fica estabelecido no art. 2º da Resolução 9/1993 do CONAMA que o OLUC deve ser, obrigatoriamente, coletado e ter uma destinação adequada, de forma a não deteriorar o meio ambiente. Dessa forma, o art. 3º da Resolução 362/2005 do CONAMA, diz que após ser recolhido esse resíduo deverá ser direcionado à reciclagem por meio do processo de rerrefino.

Além disso, essas resoluções ainda se destacam por atribuir responsabilidades às pessoas jurídicas, que fazem parte do ciclo produtivo do resíduo, tais como os produtores, revendedores, geradores, coletores, rerrefinadores e importadores, fazendo-os, assim,

III FEIRA DO PFRH DO IFRN – 03 a 04 de dezembro de 2014

cumprir com a logística reversa do OLUC, a qual demanda o compromisso desses entes desde a coleta até sua destinação final.

Caso contrário, se descartados no solo, em cursos d’água ou queimados irão causar graves danos ao meio ambiente devido seu aspecto tóxico. De acordo com o Sindirrefino (2008), o descarte no solo ou em cursos hídricos de OLUC quando descartado diretamente no solo, comprometem lençóis freáticos e aquíferos. E a queima do OLUC, sem tratamento prévio de desmetalização, emite óxidos metálicos, além de outros gases tóxicos, como a dioxina e óxidos de enxofre (DIGILIO, 1986).

Existem várias maneiras de realizar o rerrefino do OLUC, dentre elas destacam-se quatro: o processo de ácido sulfúrico-argila, o evaporador de filme, a destilação- hidrogenação e a ultrafiltração por membranas e adsorção (GUIMARÃES, 2006).

O processo ácido sulfúrico-argila consiste na decantação para retirar as impurezas mais grosseiras e insolúveis, sucessíveis tratamentos térmicos aos óleos e a sulfonação dos mesmos com a adição do ácido sulfúrico para retirar materiais oxidativos e aditivos. Na técnica de evaporador de filme o óleo é desidratado, aquecido e transportado para o vaso de flasheamento, onde é separado por expansão brusca. Após isso entra no equipamento evaporador de filme, no qual a sua fração destilada (tratada) e aquecida adquire forma de película por meio de um prato distribuidor. O método da destilação- hidrogenação começa com a prévia desidratação do óleo com a retirada de produtos leves a condições controladas. Após isso é feita a destilação fragmentada dos óleos utilizando vácuo e a consequente hidrogenação dos mesmos para garantir a melhoria na cor e no odor do produto. Em seguida, acontece a remoção terminal dos componentes do óleo hidroacabado com o uso de vapor para garantir que ele volte a suas características originais. Por fim ocorre o processo de ultrafiltração por membranas e adsorção, o qual consiste na filtração da cadeia do OLUC em escala molecular, suas substâncias que possuem massa molar inferior são permeadas e as de massa molar maior são contidas pela membrana. Sendo a parte permeada a fração do óleo lubrificante que poderá ser utilizada novamente (GUIMARÃES, 2006).

Conclusões

Com base nas considerações apresentadas neste trabalho, constata-se que o rerrefino é uma medida de logística reversa que buscar evitar a geração e a disposição inadequada de OLUC ao meio ambiente, por meio de processos industriais como o processo de ácido sulfúrico-argila, o evaporador de filme, a destilação-hidrogenação e a ultrafiltração por membranas e adsorção, os quais removem os contaminantes e, assim sendo, corroboram para o retorno deste produto ao ciclo produtivo. Desse modo, o rerrefino contribui para a prevenção da poluição, evita o desperdício de recursos naturais e mantém a produção de óleo lubrificantes.

III FEIRA DO PFRH DO IFRN – 03 a 04 de dezembro de 2014

Referências

BRASIL. Resolução CONAMA Nº 9, de 31 de agosto de 1993. Estabelece definições e

torna obrigatório o recolhimento e destinação adequada de todo o óleo lubrificante usado ou contaminado. Diário oficial da união, de 01 de outubro de 1993. Disponível em:

<http://www.siam.mg.gov.br/sla/download.pdf?idNorma=5065#_ftn1> . Acesso em: 26 de out. 2014.

BRASIL. Resolução CONAMA nº 362, de 23 de junho de 2005. Dispõe sobre o

recolhimento, coleta e destinação final de óleo lubrificante usado ou contaminado. Diário

Oficial da República Federativa doBrasil n° 121, de 27 de junho de 2005. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/res36205.xml>. Acesso em: 26 de out. 2014.

BRASIL. Portaria ANP Nº 128, de 30 de julho de 1999. Estabelece a regulamentação para

a atividade industrial de rerrefino de óleo lubrificante usado ou contaminado a ser exercida por pessoa jurídica sediada no País, organizada de acordo com as leis brasileiras. Diário

Oficial da União, de 28 de abril de 2000. Disponível em: <http://nxt.anp.gov.br/nxt/gateway.dll/leg/folder_portarias_anp/portarias_anp_tec/1999/julh o/panp%20128%20-%201999.xml> . Acesso em: 26 de out. 2014.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10004: resíduos sólidos - classificação. Rio de Janeiro, 1987.

DIGÍLIO, A.; Processo de rerrefino; Petróleo a Sociedade e a Ecologia; São Paulo; Centrais Impressoras Brasileiras. 1986. p.73-82.

SINDIRREFINO. Manual de procedimentos para fiscalização das atividades relacionadas a óleos lubrificantes usados ou contaminados: Resolução Conama nº 362/2005/ Diqua – Brasília, 2008. p. 7-61.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002. Disponível em:

<http://www.academia.edu/4405328/GIL_Antonio_Carlos_COMO_ELABORAR_PROJET OS_DE_PESQUISA_Copia>. Acesso em: 26 de out. 2014.

GUIMARÃES, J. Rerrefino de óleos lubrificantes de motores de combustão interna pelo processo de ultrafiltração e adsorção. 2006. 95 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Ambiental) - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 2006.

NATAL CENTRAL

DIACON

A IMPORTÂNCIA DAS ÁREAS DE GERENCIAMENTO DO PMBOK PARA A

No documento ANAIS-PRFH-2014-2.pdf (10.51Mb) (páginas 141-146)

Documentos relacionados