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Estudos estados Brasileiros
Reconhecendo as significativas transformações na estrutura produ-tiva e no perfil do investimento industrial por que passa a economia estadual na última década, torna-se necessário entender respostas e contribuições que vem dando o comercio exterior aos estímulos gerados na base produtiva.
A economia pernambucana, na última metade do século, se voltou for-temente para o comércio interno nacional, e seu comércio exterior, histori-camente relevante, desde a consolidação da indústria incentivada pelos me-canismos de desenvolvimento regional (Sudene), foi relegado a um segundo plano. Na verdade, o processo de industrialização regional caracterizado pela implantação no Nordeste de filiais de empresas do Sul-Sudeste significou a consolidação de um papel supridor regional de bens e serviços, com poucas empresas nordestinas se voltando para o mercado nacional.
As empresas industriais da região consolidam, portanto, sua posição de fornecedoras de bens e insumos ao mercado regional e, eventualmente, ao nacional, pouco sendo destinado ao mercado externo.
O comércio exterior, tradicionalmente considerado uma fonte de dina-mismo regional, passou a ter papel de menor relevância neste contexto de elevada expansão do mercado interno nacional (décadas de 1960 a 1980).
É somente a partir de meados dos anos 1990, com uma abertura comer-cial mais ampla da economia brasileira, que as oportunidades do mercado inter-nacional passam a ser vistas como espaços a serem mais explorados pelo sistema empresarial regional. De todo modo, para o Nordeste e Pernambuco, o corpo
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Estudos estado empresarial teve dificuldade em converter, para o mercado internacional, sua produção antes voltada para o mercado nacional em sua quase totalidade.
Nesta última década, em função da implantação de plantas industriais de alto valor agregado para a consolidação de uma refinaria de petróleo (Petro-bras) e de um estaleiro naval, o perfil produtivo estadual tende a se alterar de modo bastante significativo. Numa primeira fase, a de implantação dos proje-tos industriais, as importações, principalmente de bens de capital, tendem a aumentar mais que proporcionalmente ao PIB estadual. Uma vez concluídos os projetos, entretanto, as importações tendem a se reduzir, mas as exporta-ções não deverão se expandir significativamente, pois tais grandes projetos estão majoritariamente voltados para o mercado nacional.
É verdade, como foi mostrado em seções anteriores deste trabalho, que vários investimentos produtivos privados, ainda em fase de implantação, pu-xados por grandes projetos governamentais, poderão contribuir para a expan-são das exportações. O projeto da fábrica de automóveis da Fiat no estado, por exemplo, quando concluído, poderá dar alguma contribuição à expansão do comércio exterior estadual. Entretanto, as motivações que conduziram à efeti-vação do projeto de investimento no estado apontam para uma destinação, em sua maior parte, ao mercado nacional da produção automobilística.
A Tabela 69 disponibiliza os valores das exportações estaduais vis-à-vis as exportações totais regionais. As evidências mostram que a economia de Pernam-buco foi capaz de aproveitar estímulos da economia mundial e expandir suas vendas internacionais de bens. As exportações estaduais praticamente quadru-plicaram entre 1998 e 2012, em termos de valor, enquanto as vendas da região Nordeste para o resto do mundo, desde 1998, cresceram cinco vezes mais.
Colocada a expansão das exportações estaduais em contexto regional, entretanto, nota-se sua pequena relevância. O patamar médio de participação relativa é baixo e sofreu um declínio no período analisado de 9,7% para 7%
entre 1998 e 2012. O Gráfico 13 ilustra, com propriedade, a trajetória das ex-portações regional e estadual. Percebe-se que, ao longo dos últimos 14 anos, ampliou-se a diferença entre o comportamento do valor das exportações do estado em relação à região. Isso sugere, de um lado, uma melhoria do grau de competitividade da economia regional, sem um acompanhamento mais vigo-roso da economia pernambucana no que concerne ao indicador das expor-tações. Ademais, a economia nordestina, diferentemente da pernambucana, tem maior potencial de diversificação produtiva, tendo na última década ex-pandido a produção de grãos dos cerrados baianos e maranhenses, bem como a produção de minerais a partir do Maranhão para mercados internacionais, principalmente a China.
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comércio exterior
Tabela 69
Nordeste e Pernambuco – Exportações (em US$ 1.000 FOB) 2011-2014
Anos Nordeste Pernambuco PE/NE
1998 3.720.485 362.257 9,74
1999 3.355.505 265.888 7,92
2000 4.026.157 284.248 7,06
2001 4.187.781 335.462 8,01
2002 4.655.567 319.996 6,87
2003 6.112.111 411.137 6,73
2004 8.043.285 517.549 6,43
2005 10.561.141 786.051 7,44 2006 11.629.126 781.046 6,72 2007 13.086.243 870.557 6,65 2008 15.451.508 937.633 6,07 2009 11.616.308 823.972 7,09
2010 15.863.313 1.112.502 7,01
2011 18.845.433 1.198.969 6,36
2012 18.773.218 1.319.976 7,03
Fonte: Secex.
20.000.000 18.000.000 16.000.000 14.000.000 12.000.000 8.000.000 6.000.000 4.000.000 2.000.000 0
Gráfico 13
Nordeste e Pernambuco – Total das exportações (em US$ 1.000 FOB) 1998-2012
Fonte: Secex.
Nordeste Pernambuco
1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
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Estudos estado O Gráfico 14, por sua vez, ilustra o comportamento comparado das exportações e importações do estado de Pernambuco no período em análise.
A partir de sua leitura, é possível observar que as exportações cresceram, em valor, a taxas extremamente modestas quando comparadas com as importa-ções, que praticamente explodiram. As exportaimporta-ções, tradicionalmente, depen-dem do comportamento e nível da renda externa, e da taxa real de câmbio, tendo outras variáveis, como o gosto e a preferência dos consumidores, papel menos relevante. São variáveis, portanto, fora de controle da economia local.
As importações dependem, por sua vez, de maneira mais relevante do nível e comportamento da renda interna (que na última década se expandiu em termos reais), da taxa real de câmbio e dos investimentos (compra de insumos e bens de capital).
É possível afirmar que a pletora de bens exportados pela economia local se defrontou com sérios problemas de mercado – preços relativos –, daí o cres-cimento modesto do indicador. No caso das importações, com um comporta-mento quase explosivo, elas refletem as mudanças estruturais por que passa a economia local, onde se destaca um vigoroso processo de industrialização capitaneado pela indústria química, de petróleo e naval. Ampliaram-se as im-portações de máquinas, equipamentos e insumos para suprir essas novas ati-vidades produtivas implantadas no território pernambucano a partir de 2003.
7.000.000 6.000.000 5.000.000 4.000.000 3.000.000 2.000.000 1.000.000 0
Gráfico 14
Pernambuco – Total das exportações e importações (em US$ 1.000 FOB) 1998-2012
Fonte: Secex.
Exportação Importação
1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
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Outra maneira de capturar a tendência de expansão do comércio exterior no processo de crescimento econômico do estado pode ser através da análise da dinâmica das exportações e importações. O índice de crescimento do valor das exportações e importações, para o período 1998-2012 (1998 = 100), auxilia neste exercício. As estimativas encontram-se na Tabela 70.
comércio exterior
Tabela 70
Pernambuco – Exportações importações 1998-2012
Anos Exportações Importações
1998 100, 100 1999 73,40 80,26 2000 78,47 102,17 2001 92,60 112,27 2002 88,33 92,12 2003 113,49 86,88 2004 142,87 82,82 2005 216,99 87,97 2006 215,61 111,85 2007 240,31 187,75 2008 258,83 268,57 2009 227,46 216,27 2010 307,10 357,21 2011 330,97 604,06 2012 364,38 719,89
Fonte: Secex. Elaboração dos autores.
O Gráfico 15 ilustra a trajetória da dinâmica das importações e expor-tações. É possível observar que as importações permanecem estagnadas até 2006, quando então o índice dispara, suplantando o crescimento das expor-tações. Veja-se que as exportações apresentaram uma trajetória de crescimen-to nitidamente ascendente ao longo do período em análise. Isso sugere que sua contribuição para o crescimento do PIB de Pernambuco no período foi claramente positiva. As importações cresceram 7,2 vezes entre 1998 e 2012, enquanto que as exportações aumentaram em 3,6 vezes. Entre 1998 e 2005, sua expansão foi pequena e claudicante; somente a partir de 2006 um impulso mais forte passa a ser percebido, com o índice saindo de cerca de 112 para 719 no final da série.
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Estudos estado
Gráfico 15 Pernambuco Grau de Abertura
Total das Exportações e Importações /PIB de Pernambuco
800 700 600 500 400 300 200 100 0
Gráfico 15
Pernambuco – Grau de abertura, total das exportações e importações/PIB estadual 1998-2012
Fonte: Secex.
Exportação Importação
1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012