CAPÍTULO 5 – INTRODUZINDO O CENÁRIO, A ORQUESTRA E A
6.1 A POLÍTICA OFICIAL E A PRÁXIS DO CsF
6.1.4 CAA: Decreto X Website e Portarias Interministeriais nº
Considerando a quantidade de documentos inerentes ao CAA, para facilitar o entendimento subdividi a leitura destes em a) Composição e atribuições do CAA e b) Ações realizadas pelo CAA.
a) Composição e atribuições do CAA
Conforme o decreto, a composição do Comitê de Assessoramento (CAA) contaria com onze membros, indicados no decreto como sendo,
I - um representante da Casa Civil da Presidência da República; II - um representante do Ministério da Educação;
III - um representante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; IV - um representante do Ministério das Relações Exteriores;
V - um representante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;
VI - um representante do Ministério da Fazenda;
VII - um representante do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão; e
VIII - quatro representantes de entidades privadas que participem do financiamento do Programa.
Todavia, o website do CsF não forneceu informações sobre essa composição. Os únicos documentos disponíveis para download no website, referente ao CAA, eram as Portarias Interministeriais (doravante PI) nº 251, de 12 de abril de 2012, e a PI nº 02, de 22 de maio de 2015. Porém, no portal do MEC encontrei os dados da PI nº 648, de 22 de maio de 2012, a qual informava a composição do CAA.
Segundo dados coletados também no website do MEC78, a primeira reunião do CAA foi realizada no dia 23 de maio de 2012. Nessa ocasião, estiveram presentes os membros designados para a compor o CAA, juntamente com o então ministro da educação Aloízio Mercadante. Segundo a notícia, na fala de abertura da reunião o ministro da educação ressaltou que o investimento no CsF era uma questão estratégica para o Brasil, a qual promoveria as universidades brasileiras a um nível mundial no que tange à pesquisa em ciência, tecnologia e
78 http://portal.mec.gov.br/ultimas-noticias/212-educacao-superior-1690610854/17775-comite-de-
inovação. A matéria encerra informando que nas reuniões seguintes, o CAA proporia ações, metas, indicadores e definiria as áreas prioritárias do programa.
Consoante as atribuições prescritas para CAA, regulamentadas pela PI nº 251, caberia ao CAA do programa CsF,
I – propor ações para o seu bom desenvolvimento; II – propor metas e indicadores de desempenho; III – propor áreas prioritárias de atuação;
IV – manifestar-se sobre as ações desenvolvidas para o cumprimento das metas;
V – analisar e encaminhar outros assuntos considerados relevantes para o Programa;
VI – acompanhar e avaliar sua execução: e VII – divulgar, periodicamente, seus resultados.
Fonte: D.O.U. Sessão 1, nº 72, 13 de abril de 2012, p.4.
Com esse intuito, verifiquei que a portaria indicava a periodicidade de duas reuniões ordinárias ao ano, realizadas em semestres diferentes, e reuniões extraordinárias realizadas a qualquer tempo, conforme convocação do presidente do CAA, e com um quantitativo mínimo de seis membros. O local indicado para as reuniões fora estabelecido como o Ministério sede do presidente do CAA. A portaria prescrevia a participação de terceiros, quando fosse necessário, para emitirem pareceres especializados e necessários para o bom desempenho das ações do CsF. Outrossim, a PI informava que o coordenador do Comitê Executivo (COMEX) do CsF participaria das reuniões do CAA com direito a voz. A pauta das reuniões ficaria a encargo do presidente e deveria ser informada aos demais membros do CAA com dez dias de antecedência. Quanto às deliberações do CAA, seriam executadas por meio do voto da maioria, as quais deveriam ser registradas em Atas e divulgadas após a aprovação. Ainda conforme prescrições da PI nº 251, a presidência do CAA seria exercida por um período de 12 meses, pelos representantes do MCTI e MEC. Ao aferir essa composição na PI nº 648, observei que o presidente indicado para exercício a partir de 21 de maio de 2012 foi o presidente da CAPES, representante do MEC. Em relação ao período de mandato dos representantes do CAA, prescrito pelo decreto e atendido pela PI nº 648, constava três anos de mandato para o MEC e MCTI, dois anos para os demais ministérios e um ano para os representantes das entidades privadas, entretanto, não foi possível verificar uma nova composição do CAA, além da publicada na PI 648. A respeito, no website do CsF foi disponibilizada a PI nº 2, de maio de 2015, a qual designava um membro titular e um suplente do MDIC para CAA. Contudo, ao verificar a composição inicial do CAA constatei que se trata do mesmo representante sendo
designado para compor o CAA. Após essa portaria, outra portaria foi publicada em 22 de fevereiro de 2016 concernente à composição do CAA, a PI nº02, e novamente verifiquei apenas uma substituição da suplência publicada na portaria anterior.
b) Ações realizadas pelo CAA
Quanto às ações do CAA, embora a divulgação das Atas das reuniões do CAA estivesse prescrita na PI nº 251, não foi possível encontrá-las nos websites do CsF, MEC, MCTI, CAPES e CNPq, ou nas publicações do DOU, para analisar o que foi realizado ante o prescrito no decreto. Em busca dessas informações, localizei, na Sala de Imprensa da CAPES, a notícia de que no dia 05 de novembro de 2012 o CAA realizara sua segunda reunião no edifício-sede da CAPES. Segundo o texto da notícia79, nessa reunião
[...] foi abordada a situação atual do programa, como a concessões de bolsas, que em 31 de outubro alcançou o número de 17.910; novos editais, que serão lançados ainda neste mês novembro; parcerias com o setor empresarial; iniciativas para oferta de cursos de idiomas em nível nacional; e outros assuntos (CAPES, 2012).
Como previsto, tanto no Decreto 7,642 quanto na PI. 251, após essa reunião o CAA elegeu as áreas prioritárias do programa CsF (TABELA 06), as quais foram publicadas na PI nº 01 de 09 de janeiro de 2013. Sobre essa ação, vale apontar aqui que a aceitação das áreas eleitas como prioritárias no CsF não foi consenso na comunidade acadêmica que se manifestou enfaticamente contrária a não inclusão das Ciências Sociais e Humanidades. Além das manifestações contrárias por meio das redes sociais, um evento importante que marcou a insatisfação da comunidade acadêmica foi a audiência pública ocorrida na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados (CCTI/CD), em 13 de dezembro de 2012, da qual participaram representantes da CAPES, do CNPq, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, do Conselho Regional de Administração do Distrito federal (CRA/DF), da Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração (ANGRAD) e da Universidade Católica de Brasília. Ao longo dos debates nessa audiência, a dificuldade de identificação dos cursos que compunham as áreas prioritárias foi levantada pelo representado do MEC como entrave operacional, acrescentando, como possível causa, as diferenças na cultura operacional dos ministérios envolvidos na gestão do CsF.
79 http://www.capes.gov.br/sala-de-imprensa/noticias/5869-comite-de-acompanhamento-e-assessoramento-do-
Outrossim, nessa ocasião, foram apontados dois grandes desafios para o CsF, o primeiro, ressaltado como emergencial, a falta de proficiência linguística em idiomas estrangeiros, em especial, em língua inglesa; o segundo, sobre o aproveitamento de créditos dos bolsistas do CsF. Como esperado, os representantes da comunidade acadêmica se manifestaram acerca da inclusão de outras áreas, em especial, pelas áreas que representavam - os cursos de Administração, Contabilidade e Economia -, porém, não deixaram de registrar a imprescindibilidade das demais áreas do conhecimento para o desenvolvimento do país. Ao longo do debate, os representantes da comunidade acadêmica solicitaram que as discussões fossem encaminhadas ao CAA para apreciação. Além da escolha das áreas prioritárias, demais informações sobre a atuação direta do CAA não foram encontradas, tendo em vista que as Atas não foram divulgadas. Dessa feita, a única ação que pode ser diretamente atribuída ao CAA do CsF foi a atribuição das áreas prioritárias; o que não quer dizer que o CAA não realizou as atividades propostas no decreto, mas que tais atividades não foram divulgadas conforme o previsto e, por isso, não puderam ser avaliadas em face do que foi proposto.