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CABRAL, Oswaldo Rodrigues Nossa Senhora do Desterro – Memória – Volume II – p 334.

CAPÍTULO II: ASPECTOS DA ESTRUTURA E

FUNCIONAMENTO DA ESCOLA DE APRENDIZES MARINHEIROS DE SANTA CATARINA.

96- CABRAL, Oswaldo Rodrigues Nossa Senhora do Desterro – Memória – Volume II – p 334.

97- Ofício nº 74 de 22 de dezembro de 1889, enviado pelo Comando da Escola de Aprendizes Marinheiros de Santa Catarina ao Presidente da Província. Ofícios dos Presidentes da Província/Aprendizes Marinheiros 1885/1890 (APESC).

Sua Magestade conformando-se com o parecer enunciado pelo Conselho Naval em consulta nº 4333 de 19 do mez corrente, há por bem determinar que os prêmios cedidos pelos pais ou tutores dos Aprendizes Marinheiros em beneficio dos mesmos, devem emquanto estes não atingirem a maior idade, ser recolhidos nas Províncias ás Thesourarias de Fazenda, e na Corte ao Thesouro, a fim de que venção o juro da lei.A respeito deste depósito que se fará por intermédio dos Commissarios das Companhias sob a inspecção dos Commandantes,(...). Attingindo á maioridade os aprendizes, ser-lhe-ão essas quantias entregues, ou a seus pais ou tutores, se por ventura antes houverem sido desligados do serviço por incapazes. Quando desertarem, não poderão recebel-as durante o tempo da deserção, e, quando falleção, redundarão as alludidas quantias em beneficio do asylo de inválidos, emquanto não apparecerem legítimos herdeiros, competentemente habilitados98.

Pela citação acima fica claro que os menores não teriam acesso a esse prêmio, de forma imediata, e dependendo da situação nem sequer viriam a recebê-lo. O próprio Comandante da Escola, em seu Relatório enviado ao Presidente da Província, Francisco José da Rocha, afirma que o prêmio de algum modo repugnado pelos paes como importando na renda dos filhos, em 98- Cópia do aviso regulamentar de 28 de novembro de 1867, que versava sobre o destino que deveriam ter os referidos prêmios, enviado ao Presidente da Província de Santa Catarina pelo Ministério dos Negócios da Marinha, em 17 de dezembro de 1867 sob forma de Aviso Circular (APESC).

nada aproveita á elles, e um pouco longe está de ser fonte fecunda de angariar aprendiz99. Para ele seria mais aprazível aos pais, que não dispusessem de condições para garantir a educação dos filhos, deixá-los a cargo de um estabelecimento que viesse a oferecer todas as garantias de que o futuro dos mesmos estaria amparado e protegido, do que entregá-los a esta Escola em troca de diminuto premio e ficar na incerteza de ter ou não proporcionado a eles um meio certo e seguro, que lhes proteja das eventualidades do futuro. Assim sendo, pede o referido Comandante que:

(...) aos aprendizes marinheiros, que além de bôa conducta e applicação revelarem intelligencia, talento talhado para estudos superiores, se lhes faculte a entrada para a Eschola de Machinas e outros estabelecimentos congêneres, e aos que assentarem praça no Corpo de Imperiaes Marinheiros e servirem sem notas que desabonem, tenhão, como recompensa ao darem baixa, emprego em qualquer repartição ou estabelecimento de Marinha.Esta medida de indiscutível alcance, levará á convicção os que por incredulidade, preferem a perdição dos filhos a tel-os ao serviço da Patria100.

Podemos perceber por esta colocação, do Comandante da Escola Aprendizes Marinheiros de Santa Catarina, que uma das grandes dificuldades

99- Relatório Geral do Comando da Escola de Aprendizes Marinheiros, enviado ao Presidente da Província de Santa Catarina, Francisco José da Rocha, em 30 de dezembro de 1885 – Livro de Ofícios dos Presidentes da Província/Aprendizes Marinheiros – 1885/90 (APESC).

desta em conseguir alunos encontrava-se no fato de não existirem garantias para as crianças, de terem um futuro certo, após serem dispensados pela Marinha. Isto esclarece o fato de apesar do prêmio, não ser grande a procura para o alistamento voluntário na referida instituição militar. Um outro fator que contribuía para o inexpressivo alistamento voluntário de menores era a prática, comum naquela época, destes, que se encontrassem na faixa etária entre l3 e 16 anos de idade, permanecerem junto de algum mestre de ofício como aprendizes, visando garantir o aprendizado de uma profissão, que lhes proporcionasse um futuro mais estável, com opção de emprego101.

Já no que se refere aos menores órfãos ou desvalidos, era freqüente a queixa, principalmente por parte do Comando da Escola Aprendizes Marinheiros, às autoridades governamentais, que por sua vez também se queixavam em suas falas e relatórios, de que os Juízes de Órfãos e Chefes de Polícia não se empenhavam em encaminhar estes para serem alistados na Escola Aprendizes Marinheiros102.

Sob a intelligente e zelosa administração do Capitão tenente João Justino de Proença continuam os serviços concernentes à Capitania do Porto. Esse funcionário sempre solícito em bem cumprir os deveres de seu cargo, tem por diversas vezes dirigido-se a esta Presidencia expondo a conveniencia de se completar o numero de praças da companhia de aprendizes

101- Id. Ibdem.

102- Ofício nº 08 de 23 de fevereiro de 1889, enviado pelo Comando da Escola Aprendizes Marinheiros de Santa Catarina ao Presidente da Província – Ofícios dos Presidentes da Província/Aprendizes Marinheiros – 1885/90 (APESC), Fala com que João Capistrano Bandeira de Mello Filho, abriu a 1ª sessão da Assembléia Legislativa da Província de Santa Catarina, em 1º de março de 1876 – p. 55 (APESC) e Aviso Circular nº 671

marinheiros. Convencido, também,dessa necessidade, esta Presidencia há recommendado aos Juizes de Orphãos a remessa de menores nas condições da lei para serem alistados, e ainda em 23 do mez findo dirigi, uma circular neste sentido áquellas autoridades.Infelizmente, porém, poucos são os menores que têm sido enviados para serem alli admittidos, continuando assim com grandes claros a dita companhia103.

Um outro dado digno de ser mencionado é que entre os menores, qualificados como desvalidos pelas autoridades, e, portanto aptos à serem recrutados para o alistamento na Escola Aprendizes Marinheiros, encontravam-se os expostos104.

Outro agravante nas dificuldades de se conseguir alunos para esta instituição, segundo o Capitão do Porto no ano de 1884105, era a existência de castigos corporais a bordo dos navios da Armada, aos quais eram destacados até o número de vinte Aprendizes Marinheiros, que eram selecionados entre os que tivessem permanecido por um ano na Escola e, como era muito recomendado, fossem os mais robustos e adiantados para que, nestes navios,

de 18 de julho de 1871 – Livro de Avisos: Presidente da Província/Ministério da Marinha – Ano 1871 (APESC).

103- Fala com que Antônio Gonçalves Chaves, abriu a 1ª sessão da Assembléia Legislativa Provincial de Santa Catarina em 6 de outubro de 1882 – p. 27 (APESC).

104- De acordo com Maria Luiza Marcilio em seu texto A roda dos expostos e a criança abandonada na

História do Brasil. 1726-7950. In História Social da Infância no Brasil, aos meninos expostos apresentava-

se a possibilidade de serem enviados à referida Escola, que para ela consistia em uma Escola profissionalizante para estes pequenos desvalidos, onde passavam a viver dentro de uma dura disciplina militar (p. 73).

105- Extrato do Relatório da Capitania do Porto, destacado pelo Presidente da Província, Francisco da Gama Roza, em sua fala que abriu a 1ª sessão da Assembléia Legislativa Provincial de Santa Catarina, em 05 de fevereiro de 1884 – p. 55 (APESC).

continuassem a receber instruções práticas da arte de marinheiro. Após a realização de algumas viagens marítimas, estes destacamentos retornavam à Escola e um novo seria enviado a bordo, para que todas as praças pudessem receber a mesma instrução106.

O Regulamento anexo ao Decreto nº 1517, designava exclusivamente, para penalizar os Aprendizes Marinheiros por suas faltas e infrações, que por ventura viessem a cometer, as penas correccionaes de prisão simples, solitária, privação temporaria de parte da ração, e guardas ou sentinellas dobradas107. Mas, pelo que parece, as regras não estavam sendo seguidas. De acordo com um Aviso expedido em 1863 pelo Gabinete do Ministro da Marinha, se fazia necessário lembrar ao Comandante da Escola de Aprendizes Marinheiros que:

O artigo 38 do Regulamento anexo ao Decreto nº 1517, de 4 de Janeiro de 1855 (...). Sendo, pois, inteiramente contrario a semelhante exposição a castigo de pancadas com chibata ou outros instrumentos flagelladores, que, segundo consta empregão alguns Commandantes das respectivas Companhias, determina sua Magestade o Imperador a V. Exª., que recommende ao Commandante da Companhia de Aprendizes Marinheiros ahi estabelecida a mais escrupulosa observancia do sobredito artigo; devendo V. Exª. responsabilisal-o, nos termos da lei pelas

106- Artigo 21 do Regulamento para a organização, comando e administração da Companhia de Aprendizes Marinheiros, anexo ao Decreto nº 1517 de 04 de janeiro de 1855 (APESC).

transgressões108.

Nem a lei era suficiente para fornecer alguma segurança aos menores que eram alistados na Escola de Aprendizes Marinheiros, mesmo assim as autoridades buscavam justificar a falta de alunos, conferindo a culpa aos pais, tutores, enfim às pessoas responsáveis pelos menores. É o que podemos evidenciar pela seguinte citação:

É de sentir-se que se conserve como que estacionaria esta util instituição, em que a indigencia de alguns chefes de família encontraria o bem estar presente e futuro de seus filhos. Entretanto, ou por indifferença, ou por ignorancia, ou pela negação da nação, esses paes que nem o indispensavelmente necessario podem dar aos filhos preferem vel-os entregues á ociosidade e, conseqüentemente, ao vicio109.

Todavia, pelas informações obtidas percebo que esta não era bem a realidade. Os pais ou tutores dos menores, não tinham confiança em entregar os mesmos à referida instituição devido a indiferença das autoridades responsáveis, mediante ao futuro dos mesmos e também aos castigos corporais que lhes eram aplicados. Estas apenas preocupavam-se em satisfazer suas

108- Aviso circular de 17 de agosto de 1863, enviado pelo Ministério da Marinha ao Presidente da Província de Santa Catarina – Livro de Avisos: Presidente da Província/Ministério da Marinha – Ano 1863 (APESC). 109- Relatório dirigido pelo Presidente da Província de Santa Catarina, André Cordeiro de Araújo Lima, à Assembléia Legislativa Provincial, no ato da abertura da sessão ordinária de 25 de março de 1870, p. 19 (APESC).

necessidades imediatas de mão de obra para os trabalhos de marinhagem, como já vimos ao longo desta explanação.

2 –Elementos Do Cotidiano Da Escola De Aprendizes Marinheiros.

A educação de um futuro marinheiro, que precisava estar disposto a lutar por sua pátria deveria, segundo o discurso militar no século XIX, ser uma educação sob as bandeiras e realizada longe das afeições da família110. A instrução militar era concebida como uma parte importante da educação, mas a ação de educar era pensada como um processo muito mais amplo, mais completo e complexo que implicava em transformações interiores. Para atingir tais transformações, a instrução militar seria um meio, mas a experiência de vida, na prática das atividades militares, seria o aspecto principal111.

A educação que provinha das corporações militares visava padronizar comportamentos, sendo assim:

era, sobretudo de posturas e valores, em que a disciplina era tida como a base fundamental. (...) Sedimentar virtudes para formar o cidadão. O amor à pátria era, então, resultado de uma experiência que se colocava para além dos conteúdos escolares. A abnegação proveniente das situações em que punha em

110- Palestras militares, Revista do Exército Brasileiro, ano quarto, 1885, p.144 – Apud ALVES , Claudia Maria Costa – A Visão Militar Da Educação No Império – In GONDRA, José (Org.) – Dos Arquivos À

Escrita Da História: A Educação Brasileira Entre o Império E A República No Século XIX – p. 161.

risco a própria vida, o sacrifício do cotidiano nos quartéis que forçava o indivíduo a abrir mão de desejos e exigências, o desinteresse gerado pela atitude de colocar o bem da pátria acima do seu próprio constituíram um método de formar o cidadão112.

Por estas colocações posso deduzir que a vida das crianças, que se tornavam alunos da Escola Aprendizes Marinheiros de Santa Catarina, não era nada fácil; ainda muito jovens eram separados de suas famílias e deviam se acostumar à vida do mar e a rígida disciplina militar a qual passavam a ser submetidos. Uma vez alistados viviam exclusivamente para o aprendizado da arte de marinheiros113. A Escola era seu lar. Seus fardamentos e calçados eram por ela própria fornecidos, com verbas do Governo114. O referido fardamento se constituía de um uniforme composto de blusa ou camisa de pannos, camisa e calça de flanela, camisa e calça de brim e capas de dito, camisa e calça de algodão, bonetes de panno e lenços de seda; macas, sacos de lona, colchões, cobertores de lã e travesseiros também faziam parte do mesmo115.O Ministério dos Negócios da Marinha, por meio de um aviso expedido em 05 de junho de 1878, procurava manter uma harmonia nos uniformes das classes militares, mandando que a Intendência da Marinha na Corte, fosse responsável pelo 112- Id. Ibdem, p. 160.

113- Esta afirmação pode ser comprovada pelo Aviso nº 244 de 3 de fevereiro de 1872, enviado pelo Ministério da Marinha/ Encarregado do Quartel General da Marinha – Manoel Antônio Duarte de Azevedo, lembrando ao Presidente da Província que não convindo que os menores das companhias de aprendizes

marinheiros sejam distrahidos das ocupações próprias da profissão, a que se dedicam, acompanhando procissões e apresentando-se em outros actos estranhos à especial disciplina, que lhes é imposta. Sua Alteza a Princeza Imperial Regente, em nome do Imperador, (...) determina que os ditos menores sejam dispensados daquelles serviços, que não se acham previstos tanto no respectivo regulamento, como nas ordens em vigor. –

Coleção das Decisões do Governo do Império do Brasil – Ano 1872 – APESC.

114- Artigo 44 do Regulamento do Corpo de Imperiais Marinheiros – Organização, instrução, disciplina e recrutamento. Anexo ao Decreto nº 411 A de 5 de junho de1845, p. 31 – Coleção das Leis do Império do Brasil – Ano 1845 – APESC.

115- Conforme ofício nº 22 de 11 de maio de 1887, enviado pelo Comando da Escola Aprendizes Marinheiros a Francisco José da Rocha, Presidente da Província de Santa Catarina. Ofícios dos Presidentes da

fornecimento do fardamento, incluindo os calçados as praças das Companhias de Aprendizes Marinheiros116. No entanto, apesar desta determinação ter alcançado seus objetivos em relação a qualidade e padronização dos uniformes, apresentou sérios problemas no que diz respeito as medidas dos mesmos que eram enviados às Companhias de Aprendizes Marinheiros:

Essa pratica enquanto alcance o fim que se propôz em relação a qualidade e cor dos uniformes, tem, todavia apresentado o grave incoveniente de serem as Companhias fornecidas de fardamento e calçado, cujas medidas não lhes permittem ajustar-se aos corpos das praças a que são destinados. Accresce ainda que além de ser a differença dos menores preços da Corte absorvida pelo frete e mais despesas da remessa do fardamento e calçados, quase sempre chegão estes às províncias com avarias e faltas porque não se responsabilisão as Companhias de navegação encarregadas dos transportes, pelo que são constantes as reclamações a este respeito presentes ao Governo Imperial117.

Visando solucionar tais problemas para evitar os prejuízos que daí provinham ao Governo Imperial e também dar um fim as constantes Província/Aprendizes Marinheiros – 1885/90 (APESC).

116- Conforme Aviso Circular nº 1919 de 17 de julho de 1883, enviado pelo Ministério dos Negócios da Marinha ao Presidente da Província de Santa Catarina. Livro Avisos: Presidente da Província/ Ministério da Marinha – Ano 1883 – APESC.

reclamações, resolveu o Ministro da Marinha proporcionar as Companhias de Aprendizes Marinheiros meios para que estas, sob a responsabilidade dos respectivos Comandantes, se provessem dos referidos fardamentos (incluindo os calçados) que fossem melhor confeccionados e sem os inconvenientes acima mencionados. Assim sendo determinou que:

o fardamento e calçado (...) sejão adquiridos nas proprias províncias que delles necessitarem, incumbindo aos Presidentes das mesmas zelar os interesses do Estado de modo que haja a mais completa harmonia nos uniformes e sejão os fornecimentos feitos com a possível economia para o Thesouro Nacional118.

O Ministério dos Negócios da Marinha, ainda deixou claro que, antes de se efetuarem as compras autorizadas nas respectivas Províncias se deveria aproveitar o material que existia armazenado na Intendência da Marinha, e que esta tinha autorização para enviar às Companhias de Aprendizes Marinheiros os modelos e padrões dos uniformes e calçados que deveriam ser mantidos.

Na Província de Santa Catarina no ano de 1884, com o intuito de cortar despesas realizadas com a remessa de colchões e travesseiros e ainda por ser conveniente que os calçados, para os menores da Companhia de Aprendizes Marinheiros, fossem fornecidos sob medida, evitando a recusa deste artigo por inadequado ao pessoal a que se destinava autoriza o Ministro da Marinha, Joaquim Raimundo Lamare, que tais objetos fossem adquiridos de acordo com as necessidades da Província e pelos preços que haviam sido

enviados sob forma de mapa aquela Secretaria de Estado119.

Apesar do fardamento ser gratuito quando os aprendizes precisassem de mais peças, além das fornecidas, estas seriam cobradas sob forma de desconto efetuado nos vencimentos dos mesmos. O conjunto que compõe o fardamento formava um saco que era entregue a cada aprendiz, este era responsável pela boa conservação do mesmo. No início de cada mês o Comandante da Companhia deveria fazer a vistoria dos referidos sacos, no caso da falta de alguma peça, este elaboraria uma lista e entregaria ao Comissário da Companhia que então as forneceria, após efetuar o registro no Livro de Socorros:

Haverá em cada Companhia hum livro de socorro ou de alardo, (...), e todas as vezes que se fornecer a qualquer Marinheiro alguma, ou algumas das peças (...), far-se-lhe-há ahi a competente carga, e este assentamento será assignado pelo Marinheiro, e rubricado pelo Commandante da Companhia, ficando entendido que só se lançarão em débito a cada praça, os objetos que assim lhe estiverem carregados nos livros de socorros120.

Existia um limite para o valor do desconto mensal que poderia ser realizado no vencimento de um Aprendiz, este não poderia exceder a metade

119- Aviso nº 1683 de 16 de outubro de 1884, enviado ao Presidente da Província de Santa Catarina pelo Ministério dos Negócios da Marinha – Livro de Avisos: Presidente da Província/Ministério da Marinha – Ano 1884 – APESC.

120- Artigo 48 do Regulamento do Corpo de Imperiais Marinheiros – Organização, instrução, disciplina, e recrutamento. Anexo ao Decreto nº 411 A, de 05 de junho de 1845 – Coleção das Leis do Império do Brasil – 1845 – p. 42 – APESC.

de sua soldada mensal, e quando deste modo se não possa completar de uma só vez o sacco de qualquer delles, ir-se-lhe-hão fornecendo mensalmente as peças para isso necessarias, abonando-se-lhe sempre, de preferencia,as que mais indispensaveis lhe forem121.

Além da revista mensal os Comandantes das Companhias eram autorizados a realizar outras, sempre que achassem necessário para garantir a conservação e limpeza dos mencionados sacos. Quando descobrissem alguma negligência ou fraude na conservação do fardamento cabia-lhes castigar os infratores122.

Para a aquisição de alimentos, fardamento, etc, existia na Escola Aprendizes Marinheiros um “Conselho de Compras”. Este Conselho era constituído pelo Comandante da Escola, que era um 1º Tenente, exercendo a função de Presidente do mesmo, além deste, outro 1º Tenente e um Escriturário da Alfândega que eram os vogaes e um Oficial da Fazenda que atuava como Secretário. Cabia a este Conselho divulgar a abertura de concorrência à licitação, para apresentação, pelos interessados, das propostas de venda dos gêneros a serem comprados; analisar as propostas apresentadas e comunicar suas decisões ao Presidente da Província que então, após consultar o Ministério da Marinha, deferia ou não a compra dos produtos em questão. Em caso de indeferimento outra licitação deveria ser aberta e repetia-se todo o procedimento123.

Além deste “Conselho de Compras” também funcionava, anexa a Escola, uma Enfermaria da Marinha que era um estabelecimento destinado ao

121- Artigo 47 do Regulamento do Corpo de Imperiais Marinheiros – op.cit. p. 42. 122- Artigo 46 Id. Ibdem.

123- Aviso nº 1683 de 16 de outubro de 1884, enviado ao Presidente da Província de Santa Catarina pelo Ministério dos Negócios da Marinha – Livro de Avisos Presidente da Província/Ministério da Marinha – Ano 1884 – APESC.

tratamento dos Aprendises Marinheiros e praças dos navios de guerra124. Era responsável por esta enfermaria um Cirurgião que juntamente com dois outros cirurgiões do Exército, solicitados pelo Comandante da Escola ao Presidente da Província, compunha a denominada junta de saúde. Esta era responsável pela inspeção dos menores que deveriam ser alistados na referida Escola, para