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O CAMINHO DA JUSTIFICAÇÃO Introdução

O FRUTO DO ESPIRITO SANTO

O CAMINHO DA JUSTIFICAÇÃO Introdução

Biblicamente, justificação é um ato espontâneo de Deus, pelo qual Ele declara o crente sem culpa, regenerado, restaurado pela Sua graça e livre da condenação.

Tal disposição divina tem por base o sacrifício expiatório e redentor de Cristo, mediante a nossa fé.

Somente Deus, por este meio, pode justificar o injusto, sem praticar injustiça. Deste modo declara a nova posição do pecador em Cristo, o que não mais permitirá a sua condenação, porquanto creu em Jesus.

Na justificação, é Deus quem se compadece e dá ao pecador os benefícios da graça. Porém, na ação da fé, é o pecador que se abre para Deus, aceitando o dom da salvação. É este o caminho da justificação (Rm. 3.24-26, 28; 8.33; 5.1; 2 Co. 5.17).

I – A justiça de Deus revelada na cruz de Cristo (Rm. 3.21-26) 1. A fonte de nossa justificação – Deus e Sua graça (vs. 21-24)

“A graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo... que está no seio do Pai”. Cristo é a manifestação da graça de Deus: “Pela graça sois salvos, mediante a fé, e isso não vem de vós, é dom de Deus” (Ef. 2.8; Jo. 1.17-18). 2. A base da nossa justificação – Cristo e Sua cruz (vs. 24-25)

Justificação é o ponto alto da obra salvadora de Deus; só é superado pela glorificação (Rm. 8.29-30). Ela nos abre caminho para uma nova posição, novo relacionamento com Deus: “Mas fostes lavados, fostes santificados, fostes justificados, em o nome do Senhor Jesus Cristo” (1 Co. 6.9-11; veja também 2 Co. 5.17).

Foi pela cruz de Cristo que alcançamos reconciliação, redenção, paz e harmonia. Pois Jesus apaziguou a ira de Deus com o Seu sacrifício na cruz (Ef. 2.15-18; Rm. 3.25; 1 Pe. 1.18-19).

3. Os meios da nossa justificação – fé (vs. 22, 25 e 26)

Fé é a capacidade de confiarmos todo o nosso ser, corpo, alma e espírito, o nosso destino, tudo à direção de Deus em Cristo para nos conduzir. Fé é a confiança total, e “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb. 11.6; Sl. 37.5).

A justificação é o lado divino da nossa salvação, a fé é o lado humano. Pela justificação Deus declara a nossa posição de salvos, mas Ele somente justifica aquele que crê (Rm. 1.17; 5.1).

II – A defesa da justiça de Deus contra (Rm. 3.27-31) 1ª pergunta: “Onde, pois, a jactância”? (vs. 27-28)

Os religiosos egocêntricos criam no que faziam e não se preocupavam com o que na realidade eram – tudo nas obras e nada na fé. Conheciam a lei e se sentiam vaidosos, porém praticavam os mesmos erros dos gentios (Lc. 18.11; Tg. 2.10; Rm. 2.17-24).

Pastor, Capelão e Juiz de Paz Eclesiástico: Odilon Gonzaga de Campos Treinamento de Obreiro pág: 117

Paulo diz que justificação vem somente de Deus, sem qualquer mérito humano, pela fé, somente – nenhuma jactância ou arrogância de homens.

2ª pergunta: “É, porventura, Deus somente dos judeus”? (vs. 29-30)

Paulo reafirma ser a justificação possível somente pela fé em Cristo, nada de mérito humano, visto que se trata de uma realização puramente divina. É, sim, privilégio de toda a raça humana, pois é de alcance universal e é para Cristo, que convergem todas as coisas (Ef. 1.9-11; 2.11-16; Rm. 10.12).

3ª pergunta: “Anulamos, pois, a lei pela fé”? (v.31)

Paulo responde: “Em hipótese nenhuma, antes a lei é confirmada pela fé”. Cristo lhe deu cabal cumprimento nas suas exigências impraticáveis pelo homem (Cl. 2.16; Rm. 10.5).

A lei foi símbolo e meio de nos conduzir até Cristo (Gl. 3.24). Entretanto, vindo a fé, a lei cumpriu o seu objetivo, nos libertou e nos uniu a Cristo (Gl. 3.23-26).

III – A justiça de Deus ilustrada na vida de Abraão (Rm. 4.1-25) 1. Abraão não foi justificado pelas obras (vs. 1-8)

Claro que o patriarca Abraão foi o melhor judeu. Era um grande cumpridor dos seus deveres religiosos e amigo íntimo de Deus (Gn. 26.5; Is. 41.8). Realmente Deus justificou o patriarca Abraão, não pelo que ele fez, mas pelo que ele era. Até porque ele viveu muito antes da lei, que só veio 430 anos depois, e em nada se beneficiou dela, e sim, da fé que o caracterizou (Gl. 3.17).

2. Abraão não foi justificado pela circuncisão (vs. 9-12)

O patriarca não era da cultura da circuncisão quando creu em Deus. Talvez nem conhecesse tal prática. A circuncisão lhe foi proposta como pacto de Deus, para ele e sua descendência, mas, quando isso aconteceu, há tempo ele já estava justificado por Deus.

3. Abraão não foi justificado pela lei (vs. 13-17)

Como já percebemos no texto acima, a Lei nada tinha a ver com a justificação de Abraão. As promessas que recebeu de Deus e acatou por simples e extraordinária fé ocorreram 430 anos antes da Lei. Abraão era um gentio de Ur (Gn. 11.26; 12.1-3).

4. Abraão é justificado pela fé (vs. 13-17)

Ser justificado pela fé é adquirir a justiça de Deus. Temos de Paulo a linguagem legal: “justificar”. E também a linguagem vital: “União com Cristo e aceitação pela fé” (Rm. 3.22-26).

A despeito de todas as barreiras impossíveis ao homem, como ser pai de muitos povos, já com físico amortecido pela velhice, Abraão creu que tudo isso era possível pela Palavra de Deus, e ficou firme. Essa atitude de fé incondicional lhe foi creditado por Deus como justiça (Rm. 4.3-5, 18-22).

Esta atitude de fé perpetuou Abraão como amigo de Deus e pai dos que crêem em todo mundo, dentro e fora do judaísmo (Gl. 3.7-9).

Fé é uma operação da graça de Deus que nos inicia no processo do novo nascimento. Daí por diante, é nossa estimulante companheira em todo o percurso da vida cristã, até penetrar conosco céu a dentro, a fim de que tomemos posse das promessas aguardadas com tanto anseio (Rm. 11.2-3; 1 Co. 13.13). Segundo Paulo, todo homem está condenado e é indesculpável perante Deus. (Rm. 3.9; 2.1-3, 9). Quando à Lei, apenas apontou o pecado, porém foi impotente, para solucioná-lo (Rm. 8.3; 2.3-11).

Pastor, Capelão e Juiz de Paz Eclesiástico: Odilon Gonzaga de Campos Treinamento de Obreiro pág: 118

Porém, Deus, pela Sua graça, apresentou o (Fé é uma operação da graça de Deus que nos inicia no processo do novo nascimento) dom inefável da justificação, dádiva que nos veio pelo amor do Pai, através do sangue expiatório do Filho, e pelo livre exercício da fé humana (Ef. 2.7-8).

Assim, Cristo foi feito “sabedoria, santificação, redenção e justiça nossa” (1 Co. 1.30). De tal modo que nossos pecados foram cancelados na cruz e Deus nos declarou sem culpas. Agora, pelo caminho da justificação, somos reconciliados com Deus, escondidos com Cristo nEle, e assim temos paz total (Cl. 2.14; Rm. 5.1; Cl. 3.3).

Aplicações práticas para a minha vida

1. Diz Tiago: Preciso exteriorizar a fé através de ações que façam o mundo percebê-la quanto a sua existência e tamanho. Do contrário, o mundo não a percebe, pois se a minha vida cristã é apagada, o reino não progredirá (Tg. 2.14-48; Hb. 11.1, 6).

2. Se a justificação de Deus fosse por meio de obras, eu nunca estaria na galeria dos eleitos de Deus, selado para o dia do resgate total da minha propriedade, pois para tanto sou totalmente inútil (Ef. 1.13-14; 2.8-9).

Vocabulário APAZIGUAR: conciliar; promover a paz; pacificar.

EGOCÊNTRICO: aquele que tem o centro em si mesmo; egoísta. HIPÓTESE: suposição; premissa usada em um raciocínio.

JACTÂNCIA: vaidade; orgulho; ostentação; arrogância.

AS BÊNÇÃOS DA JUSTIFICAÇÃO