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Capítulo Doze

No documento Por um momento apenas- 2 (páginas 154-168)

Embora nunca tenha faltado a um compromisso ou se atrasado para um show ou entrevista, Nicole sabia que seu histórico anterior não faria a menor diferença hoje.

As pessoas acreditavam no que queriam, e ela tinha absoluta certeza de que todo mundo automaticamente pensaria que a balada da noite anterior fora tão boa que ela não apareceu para a gravação de seu próprio clipe. Assim, ainda que estivesse tentada a entrar no set pedindo mil desculpas, achou melhor não dizer nada. Ela tinha que estar completamente controlada a partir do primeiro momento em que pisasse no set.

— Oi, gente! — ela cumprimentou com a voz suave. — Peço desculpas pelo atraso; tive que cuidar de assuntos importantes hoje pela manhã.

Ela nem se deu ao trabalho de prestar atenção às respostas, nem mesmo quando ficou com medo de enrubescer ao lembrar-se dos detalhes do “assunto importante”.

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A paixão que ela e Marcus compartilharam tinha sido uma loucura, a ponto de ela nem se preocupar se deveria confiar nele. Ele tinha a chave do quarto do hotel, o que significa que, se quisesse, poderia bisbilhotar à vontade por suas coisas. No entanto, embora tenha jurado nunca mais confiar em um homem e saber que havia a possibilidade de estar sendo idiota e ingênua de novo, ela simplesmente não conseguia imaginar Marcus mexendo em nada.

De qualquer forma, ela não tinha espaço mental para processar o que faria com Marcus até que o clipe estivesse pronto, assim forçou-se a tirá-lo da cabeça. Aquelas mãos grandes, aqueles lábios, aquele membro enorme entrando dentro dela e...

— Nick, bem na hora!

O cumprimento efusivo de Lori arrancou Nicole de seus pensamentos proibidos.

— Me desculpe por estar tão atrasada — ela disse em voz baixa, só para a coreógrafa.

A irmã de Marcus não deu importância ao pedido de desculpas de Nicole:

— Todo mundo tinha um ajuste para fazer, juro que acabaram neste minuto. Assim que acabar de se trocar e fazer a maquiagem, vamos nos aquecer, OK?

Nicole adorava o jeito de Lori de não fazer tempestade em copo d´água. Tantas pessoas com quem já trabalhara ao longo dos anos usariam isso contra ela, insinuariam que não era confiável e que não esperavam outra coisa dela.

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Nicole estava se virando para falar com o diretor quando sentiu a mão de Lori no seu braço:

— Sei que estamos com pressa, mas, bem rápido, queria pedir desculpas por ter saído do jantar com você e o Marcus ontem à noite.

Nicole não queria admitir que nem havia pensado nisso depois que Lori saíra. Sentindo-se culpada, perguntou:

— Está tudo bem? Lori deu de ombros.

— Vai dar tudo certo, de um jeito ou de outro, eu acho. — Foi a resposta misteriosa que ela deu. — Mas não teria ido embora se não tivesse certeza de que estaria em boas mãos com meu irmão mais velho. Ele tomou conta de você e a levou de volta ao hotel?

Nicole nunca fez tanto esforço para fazer cara de paisagem. A respiração parou na garganta quando abriu a boca para tentar falar e pigarreou algumas vezes antes de conseguir responder:

— Claro, ele foi ótimo.

Tão ridículo e maravilhosamente ótimo que ela quase desistiu do clipe só para ter a oportunidade de passar o dia inteiro nos braços dele.

Por sorte, o diretor entrou e a salvou de enrubescer ainda mais. Feliz pela chance de se concentrar no trabalho em vez de no turbilhão de emoções que sentia com relação ao que acontecera com Marcus, Nicole passou as doze horas seguintes trabalhando como nunca trabalhara na vida.

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Todo mundo poderia ter começado o dia achando que ela era uma pop star que não inspirava confiança... mas, no final, ela provou que podia aguentar mais que todos.

Doze horas depois...

Ela havia superado todo mundo, mas, a que custo?

Depois de arrastar-se até o elevador para a cobertura, Nicole mal tinha forças para erguer a mão e colocar a chave no leitor ao lado da porta.

Ficou lá parada, com a cabeça encostada na parede e os olhos fechados. Trinta segundos a mais e ela teria desmaiado e ficado sem se mexer por mais 24 horas.

Com um clique, a fechadura destrancou e ela colocou o peso do corpo na porta para abri-la. Ela mal vislumbrou Marcus sentado à mesa de jantar atrás do laptop antes que ele viesse correndo em direção a ela.

— Nicole. — Ele a pegou um momento antes de ela desmaiar. — Nossa, o que fizeram com você hoje?

— Eles não fizeram nada; foi meu orgulho idiota — ela respondeu, mesmo sabendo que não fazia o menor sentido. E então, ai, meu Deus, era tão bom estar nos braços dele que perdeu completamente sua linha de pensamento enquanto deixava que ele a carregasse até o sofá.

Ela fechou os olhos, encostada no peito dele e, por fim, entregou-se à mais completa exaustão.

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Nicole acordou nos braços de Marcus, desorientada, porém à vontade. Ele tinha sido tão gentil, colocando almofadas embaixo de seu torso e de seus pés enquanto ela dormira como uma pedra. Ela adorava ficar assim com ele, aconchegada e segura. Ninguém nunca a fizera sentir-se tão à vontade desse jeito, como se não tivesse nada para provar. Diante dele, ela não tinha que estar “ligada”, ou desempenhar algum papel para impressioná-lo; podia simplesmente ser ela mesma, Nicole, em vez da internacionalmente famosa Nick.

— Que horas são? — Os olhos pareciam cheios de areia e seu corpo doía de dançar e interpretar a 110% durante doze horas ininterruptas.

— Tarde.

Sentindo-se mal por ter pedido para passar mais uma noite com ele, para, de novo, tê-lo embaixo dela em um sofá enquanto roncava, ela disse:

— Sempre pego no sono com você. Ele riu suavemente.

— Fico imaginando se isso deveria ser um sinal.

Aliviada por ele não estar chateado por ela não ter cumprido a promessa, ela respondeu:

— Vou compensar você; prometo.

Ela inclinou-se para frente para dar um beijo nele, a língua dela acariciando a dele durante alguns segundos, antes de Marcus se afastar de repente.

— Você está cansada. Primeiro me conte sobre o clipe. Ela preferia beijá-lo a ter que falar sobre seu dia atribulado, porém, quando ele começou a massagear um de

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seus pés, ela não conseguiu fazer nada além de resmungar sobre o quanto doía... e o quanto era bom ao mesmo tempo. As mãos dele eram suaves e firmes, exatamente como quando fizeram amor.

A certa altura, Nicole percebeu que ele lhe perguntara alguma coisa, mas ela levou mais tempo do que deveria para se lembrar do quê.

— Correu tudo bem com a gravação — ela contou, sem ter noção do quanto ele realmente queria saber. Provavelmente estava só sendo educado, talvez pensasse que ela era uma daquelas celebridades que gostavam de falar sobre si mesmas quando, na verdade, Nicole preferia fazer qualquer outra coisa em vez disso.

— Lori ligou assim que você voltou. Ela não parou de falar no quanto você foi espetacular.

O estômago de Nicole revirou-se, mal acreditando no que acabara de ouvir.

— Eu não disse nada sobre nós. Juro. O que quer que nós significasse.

— Sei que não. Minha irmã está muito feliz por trabalhar com você, desde o início. Ela me disse que nunca viu ninguém tão concentrada e que trabalhe tanto quanto você. Para mim, isso não é nenhuma surpresa.

Nicole sentia-se totalmente quente diante do toque das mãos dele subindo por sua panturrilha, enquanto Marcus massageava os nós de seus músculos; com o elogio, a quentura espalhou-se por todo o corpo dela.

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— A maioria das pessoas se surpreende. — O comentário levemente amargo saiu-lhe dos lábios antes que pudesse segurá-lo. Diante do olhar inquisitivo dele, ela explicou:

— Minha imagem não é exatamente a de um gênio viciado em trabalho. — Ela deveria estar muito cansada para falar tão abertamente com Marcus sobre esse tipo de assunto.

Ele franziu o cenho. — Sua imagem?

Mesmo sabendo que deveria terminar a conversa, ela continuou:

— Ah, vai, você deve saber tudo sobre imagens na mídia, considerando que um de seus irmãos é um grande astro do cinema.

— Como sabe disso?

— Não se preocupe — ela respondeu com uma voz mais arrogante do que deveria. — Não pesquisei sobre você na internet.

Marcus levantou a sobrancelha enquanto ela explicava: — Lori me disse ontem que Smith Sullivan é irmão dela. — Nicole meneou a cabeça e olhou cuidadosamente para Marcus. — Se eu estivesse procurando pela semelhança familiar, talvez pudesse ter ligado vocês três.

— Se soubesse que eu era irmão da Lori e do Smith você não teria ido embora da boate comigo.

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— Você está certo — ela concordou sem rodeios. — Não teria ido embora com você. — Ela fez uma pausa antes de continuar: — E se você soubesse que eu era a infame Nick, você também não teria ido embora comigo.

Ao usar a palavra infame, os olhos negros de Marcus brilharam com algo que ela não conseguiu ler, mas, antes que ele pudesse responder, deu-se conta:

— Ei, aquela casa para onde fomos na primeira noite era a casa do Smith, não era?

Marcus simplesmente balançou a cabeça e perguntou: — Por que infame?

— Você realmente não sabe? — Deus, ela gostaria que não fosse tão difícil de acreditar. Mas ainda que não soubesse quem ela era naquela primeira noite, desde que descobrira que ela era Nick, Marcus já tivera tempo suficiente para fazer uma pesquisa.

— Também não fui à internet pesquisar sobre você.

Ui, não era muito divertido ter suas próprias palavras sarcásticas

sendo ditas de volta a ela. Ela piscou e disse:

— Me desculpe; passei dos limites com aquele comentário.

— Com certeza, passou mesmo — ele concordou enquanto escorregava a mão da panturrilha para a coxa, começando a massagear aquele músculo grande e firme. — Mas tenho certeza de que tem que lidar com esse tipo de coisa todo dia, não tem?

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Nicole achava muito difícil acreditar que ele não soubesse de nada sobre a história dela. No entanto, de novo, ele não era exatamente seu público-alvo, então, por que deveria saber?

— Sim, tenho — ela confirmou —, mas é um mal necessário, assim como minha imagem. Sempre achei que desde que consiga tocar minha música para as pessoas, a troca vale a pena.

— E qual é sua imagem, Nicole?

Que droga; Nicole gostaria que eles mudassem de assunto, antes que ela, sem querer, lhe contasse mais do que gostaria sobre si mesma e seu passado. Com certeza ele poderia achar on-line, em segundos, qualquer coisa que quisesse, mas grande parte dela — provavelmente a parte mais ingênua — não conseguia imaginá-lo sentado ao computador, procurando fotografias de paparazzi e histórias na revista People.

E agora que ele fizera uma pergunta direta e estava claramente interessado na resposta, não tinha escapatória.

— Minha imagem é bem óbvia — ela disse com uma cara retorcida. — Sexy. — Ela lambeu os lábios antes de soltar a palavra: — Baladeira.

— Consigo ver o sexy — ele comentou —, mas, baladeira? — Marcus encrespou a testa, olhou ao redor da suíte quase escura e silenciosa. — Não parecia que você estava dando festas de arromba antes de nos conhecermos.

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— As pessoas acreditam naquilo que é mais fácil de acreditarem.

— Com certeza — ele concordou —, mas só quando existe um motivo para acreditarem.

Ela detestava falar sobre isso, especialmente com Marcus, mas prometera a ele que seria honesta.

— Nem sempre tomei as melhores decisões.

Enquanto olhava para os joelhos, ela podia sentir os olhos dele sobre ela, quentes e escuros.

— Todo mundo toma decisões ruins em algum momento da vida.

Ela olhou para ele. — Você já tomou?

Marcus franziu os lábios.

— Na verdade, há muito pouco tempo.

Não havia outra coisa a fazer além de sentir-se confortada por aquilo.

— Infelizmente, tomei minha decisão diante do mundo. Daí a imagem de baladeira.

— Não daria para mudar isso, se realmente quisesse? Se deixasse as pessoas verem quem você é de verdade?

De fato, Nicole já se fizera essa mesma pergunta várias vezes durante o último ano, toda vez que seu estilista lhe trazia roupas cada vez mais ousadas, que não passavam de meras tiras de tecido. Conversar com seu gerente, gravadora ou agente parecia impossível; nenhum deles podia negar que a carreira dela explodira depois que Kenny a traíra. Ela fora capa de mais de uma dezena de revistas e, de repente,

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tornara-se mercadoria valiosa em talk shows. Desde então, sua popularidade não tinha caído. Pelo contrário, só tinha aumentado.

— Sei lá — ela disse. E em seguida: — Talvez. — Outro balançar de ombros. — Minha carreira nunca esteve tão bem. Talvez baladeira não seja necessariamente uma coisa ruim.

— Não, não é necessariamente uma coisa ruim — ele concordou

—, mas não é você, certo, Nicole?

Desanimada, ela se perguntava como era possível que ele já a conhecesse tão bem. Será que a noite anterior, quando seus corpos gozaram juntos e aquela manhã, quando sugara cada milímetro de prazer, Marcus também lhe tocara o coração, encontrando a verdade que ela tem escondido de todos?

Diante do silêncio de Nicole, Marcus insistiu de forma mais branda:

— Até agora só ouvi uma música e é fantástica. A mim me parece que você é talentosa o bastante para deixar que suas músicas falem por si próprias.

Toda essa conversa estava chegando a um território muito íntimo.

Para um relacionamento que não passaria de sexo, parecia que Marcus estava indo longe demais.

Nicole queria tirar o foco de atenção de cima dela e decidiu que não era justo só ele fazer todas as perguntas. Então falou:

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— Chega de falar de mim. Durante nosso intervalo hoje, a Lori estava me contando sobre sua vinícola. Como começou com isso?

Em vez de responder à pergunta, ele reclamou: — Minha irmã fala bastante, não é?

Ela sorriu.

— Você é o herói dela.

O sorriso de Nicole desapareceu quando prosseguiu: — Lori me contou que você, basicamente, criou as gêmeas, além de dois dos seus outros irmãos que são só um pouco mais velhos que ela.

Lori não fizera cerimônia para contar que seu pai morrera quando ela tinha 2 anos de idade, deixando a mãe com oito filhos para criar sozinha. Nicole imediatamente se perguntou quanto desse peso recaíra sobre os ombros de Marcus. Olhando para ele, e, depois de duas noites juntos, sabendo o quanto ele era centrado e forte, sentiu já saber a resposta. Marcus mudou de posição para poder alcançar melhor o outro pé de Nicole. Ela gemeu de prazer quando ele começou a apertar-lhe a pele sensível.

— Muito forte?

— Não, está perfeito.

O ar tremeu depois da palavra perfeito, levando-a diretamente de volta àqueles momentos em que ele enfiava o membro em seu sexo, ela implorando por mais, mais forte, mais fundo. Nicole sabia que ele tinha medo de machucá-la.

Mas, ah, a dorzinha que sentiu naquela primeira vez valera muito a pena.

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— Meu pai era um jardineiro de mão cheia — ele contou, a massagem indo dos pés para a panturrilha. — Minhas primeiras lembranças de infância são de fazer um buraco na terra ao lado dele enquanto ele plantava tomates e morangos.

As entranhas de Nicole se derreteram a imaginar Marcus como um bebê, enfiando a pazinha na terra. Tentava dizer a si mesma que estava reagindo assim só porque adora bebês, mas sabia que era Marcus que a fazia derreter. Claro, o fato de ele estar chegando cada vez mais perto da coxa dela, mais perto da parte de seu corpo que estava latejando à espera do toque dele, contribuía muito para seu estado de derretimento.

— Sempre admirei as pessoas que têm mão boa para plantar.

— Ela olhou para as próprias mãos. — Infelizmente as minhas mãos são boas para matar. As plantas saem correndo quando me veem chegando.

Ela amou a cara que ele fez quando disse:

— Não acho que minhas mãos sejam melhores que as suas. Na verdade, é tudo uma questão de matemática e ciência.

Ele fazia tudo parecer tão fácil, como se não tivesse nada a ver

com aquilo, mas Nicole não acreditava nisso.

— Isso é como dizer que as músicas são apenas combinações de notas e palavras. — Ela balançou a cabeça. — Elas são isso também, mas sempre achei que o que faz uma música ser realmente especial é alguma mágica

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indefinível, que ou está lá ou não. Aposto que suas vinhas são assim também. — Ela deu um sorrisinho. — E você é a mágica que as faz crescer tão bem.

— Nunca pensei sobre isso dessa maneira — ele disse devagar. — Como algo mágico.

Nicole esperava que ele fosse relevar o que acabara de dizer, que voltaria ao seu assunto de quantificação matemática e ciência. Em vez disso, os olhos dele ficaram intensos, cheios daquele desejo que fazia o sangue dela ferver.

— Sabe de uma coisa, acho que você está aprontando alguma.

Num instante, a mágica que existira entre eles desde o início ressurgiu, como se uma fada do sexo tivesse acabado de aparecer com sua varinha de condão.

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