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Capítulo Seis

No documento Por um momento apenas- 2 (páginas 83-91)

Não.

Puta merda!

Marcus ficou paralisado sob o abraço de sua irmã, enquanto olhava para a única pessoa na sala.

Nicole.

Puta merda, o que ela estava fazendo aqui?

Pela maneira como estava vestida, com uma camiseta curta de barriga de fora e shorts curtos bem apertados, podia dizer que ela era uma bailarina. Era muito azar que ela fosse uma das bailarinas de Lori.

Mas, o que deveria ser azar, na verdade não era.

Porque, independentemente de quantas vezes dissera a si mesmo que afastar-se dela naquela manhã tinha sido a coisa certa a fazer, ele até agora não tinha se convencido disso. Não quando seu corpo e sua mente estavam em absoluto conflito. E não quando ele queria pegar aquele beijo e transformá-lo em um emaranhado de corpos e prazer, dia e noite.

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Na noite passada, ele pôde ver o quanto o corpo dela era lindo naquele vestido de couro, mas agora ela estava quase nua, somente com as mais finas camadas de algodão e lycra cobrindo suas curvas de tirar o fôlego.

E — ah — aquilo era uma gota de suor descendo entre seus seios?

Lori voltou a abraçá-lo e ele se obrigou a desviar o olhar de

Nicole. A irmãzinha olhou para ele, estudando-o com mais cuidado que o normal.

— Deu tudo certo nas suas reuniões de hoje? Você parece um pouco tenso.

Ele tentou manter a atenção na irmã e não naquela mulher absolutamente fantástica ao lado da parede de espelhos.

— Foi tudo bem.

Lori franziu o cenho diante da resposta seca dele. Ela sempre fora fascinada pela indústria do vinho e ele geralmente compartilhava os detalhes de seus negócios com ela. Não só porque ela se interessava pelo assunto, mas também porque tinha muitas ótimas ideias. Se ela não fosse uma bailarina e uma coreógrafa tão boa, ele a teria contratado assim que saiu da faculdade.

— Tem alguma coisa errada — ela não disse isso com tom de pergunta. — Mais tarde. Vou fazer você me contar tudo mais tarde. — E, então, deixou cair uma das mãos dele e usou a outra para puxá-lo na direção de Nicole, que os

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observava com cautela. — Venha aqui. Mal posso esperar para apresentá-lo a Nick.

Nick?

Alguma coisa passou pela sua cabeça, uma sensação de que deveria saber algo a que não prestara atenção ontem à noite, mas estava tão atordoado por ver a mulher sobre a qual havia fantasiado o dia todo que não conseguia entender nada.

— Nick, este é meu irmão Marcus.

Nicole — Nick não lhe soava bem, embora sua irmã tenha pronunciado com tanta confiança — estava apertando a barra de madeira em frente ao espelho com tanta força, que as juntas dos dedos estavam quase brancas. Seu rosto também estava meio pálido, e ela não estava fazendo nada para disfarçar o horror por vê-lo novamente.

A culpa atravessou o peito de Marcus. Ela havia dado a cara a tapa, pedindo mais uma noite com ele, e ele a rejeitara friamente. Com exceção do beijo, que tinha sido qualquer coisa exceto frio.

E agora, aqui estava ele, infiltrado no show de dança de uma grande estrela pop.

Vê-lo novamente deveria ser a última coisa que ela queria.

Lori olhava de um para o outro, com uma expressão absolutamente confusa. Sabendo que era melhor quebrar o gelo — e rápido — antes que sua irmã adivinhasse o quanto as coisas iam mal, ele esticou a mão e disse:

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Nicole olhou para a mão dele por um longo tempo, antes de olhá-lo de volta com aqueles olhos grandes que o assombraram o dia todo. Os movimentos dela eram automáticos, quase robóticos, quando finalmente afastou-se da barra e colocou suas mãos sobre as dele.

— Olá. — Ela pigarreou enquanto retirava a mão. — É um prazer conhecê-lo também.

O silêncio caiu pesado e espesso, antes de ele perguntar: — Então, há quanto tempo trabalham juntas?

Lori deu outra olhada estranha para ele.

— Você sabe que estou trabalhando na filmagem desse clipe nos últimos dois dias.

Tudo bem, então; Nicole deve ser uma das novas bailarinas dela. Mas, antes que pudesse fazer mais perguntas ou falar alguma bobagem para deixar Nicole mais à vontade, um grupo grande atravessou a porta. Ele reconheceu a maioria deles como os homens e mulheres com quem Lori já havia trabalhado antes, e eles acenaram para cumprimentá- lo.

— Tem vinho para nós, Marcus?

Ele sorriu, mas o sorriso não caía bem em seu rosto, não com Nicole ainda olhando para ele, como se sua presença fosse total e completamente indesejada.

— Vou providenciar para que tenha uma caixa esperando por vocês quando acabarem — ele prometeu. Virou de volta para Lori. — Parece que você tem que voltar. Vou sair do seu caminho.

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— Queria que ficasse e assistisse. — Ela olhou para Nicole. — Tem problema se ele ficar por aqui?

Nicole lambeu os lábios, parecendo incerta. E, então, sorriu, um movimento nos lábios que parecia tão natural quanto o sorriso que ele mesmo acabara de dar aos bailarinos.

— Claro que não. — Os lábios dela se abriram em um sorriso ainda mais largo, quase uma careta. — Ele deveria ver a mágica que você criou, Lori.

Finalmente, ela olhou de volta para Marcus, seus olhares conectados e em sintonia por um longo momento até que ela disse:

— Sua irmã é fantástica!

Nicole era tão linda — tão incrivelmente vulnerável ali em pé, na frente dele — que teve que se concentrar muito só para pronunciar as palavras:

— Eu sei.

Eles permaneceram assim mais do que deviam, olhando fixamente um para o outro sem falar nada. Finalmente, Lori disse:

— Sente-se aqui onde ninguém possa lhe acertar um chute sem querer.

Alguém ligou a música enquanto ele e Lori se afastavam de Nicole.

— Nunca pensei que fosse se comportar assim perto dela — ela sussurrou.

Marcus franziu o cenho, refletindo a expressão da irmã. Será que Nicole tinha contado à irmã sobre o encontro com

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ele? Sobre ir até a casa de Smith e pegar no sono no colo dele?

Não. Lori não seria capaz de guardar segredo sobre isso. Ela teria ligado horas atrás e exigiria saber o que ele estava fazendo saindo com alguém do trabalho dela.

— Nick tem que lidar com pessoas gaguejando e agindo de forma estranha perto dela o dia inteiro, igual ao Smith. Pedi que viesse porque sabia que você nem ligaria para a fama dela e não faria um estardalhaço sobre isso.

Enquanto levava uma bronca de sua irmãzinha pela maneira como se comportara, uma luz se acendeu na cabeça de Marcus.

Que merda!

— Nicole é a pop star para quem você trabalha?

Lori olhou-o como se ele tivesse deixado o cérebro para fritar na calçada.

— O nome dela é Nick. E você sabe que foi ela quem me contratou para trabalhar no clipe. Por que está tão estranho? Marcus subitamente percebeu de onde vinha aquela sensação de familiaridade que tinha sentido na noite passada. Lori deve ter mostrado fotos de Nicole, depois que foi contratada para trabalhar no clipe, mas tudo o que ele conseguia se lembrar era de muita maquiagem e de um macacão brilhante.

Graças a Deus, Lori não tinha tempo para esperar a resposta dele, pois um dos bailarinos precisava de ajuda. Com um último olhar de decepção para ele, a irmã voltou para a pista de dança.

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Nicole estava de costas, e ele podia ver o rosto dela refletido no espelho. Meu Deus, não conseguia parar de olhar para ela. O cabelo dela estava puxado para cima, em um rabo de cavalo e ele podia perceber o quanto tinha dançado pelas mechas de cabelo molhado enroladas ao redor do rosto.

Todos os bailarinos tinham corpos incríveis, mas, para Marcus, a forma curvilínea dos quadris e dos seios de Nicole era capaz de fazê-lo rolar no meio do estúdio.

Os olhos deles encontraram-se brevemente no espelho e ela rapidamente abaixou a cabeça. Lori foi até Nicole e colocou a mão sobre seu braço, abaixando-se para dizer alguma coisa.Nicole balançou a cabeça, então se posicionou.

Um segundo depois, Lori ligou a música e Nicole entrou em ação.

Meu Deus, ela é linda.

Marcus ficou fascinado quando ela, no centro do grupo, cantou juntamente com uma música surpreendentemente boa. Não era à toa que ela era uma estrela — era impossível tirar os olhos dela.

Ele lembrou-se da maneira como ela chamou a atenção de todo mundo na boate, simplesmente entrando no salão. Agora sabia que parte disso era porque era famosa, mas, mesmo que fosse uma mulher comum, ainda assim as pessoas parariam para olhar.

Enquanto suas curvas se movimentavam e arranhavam a lycra fina que lhe cobria a pele, Marcus não conseguia parar de imaginar como ela seria nua, a pele macia brilhando pelo esforço de contorcer-se embaixo dele na cama. Será que

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os olhos dela brilhariam para ele do mesmo jeito que faziam quando ela cantava?

Como será que aquele corpo forte e flexível se sentiria envolvido pelos quadris dele enquanto a penetrasse? Qual seria o gosto dela — será que os mamilos seriam tão doces quanto sua boca?

Será que seria depilada entre as pernas, sem nada além de tesão?

Como se tivesse lido os pensamentos dele, Nicole tropeçou de repente, derrubando um bailarino, e mais que depressa, Lori desligou a música.

Ele sabia que tinha que ir embora, que estava tirando a concentração dela. Mas não iria a lugar nenhum.

Marcus Sullivan não achava certo esconder-se dos próprios erros. Que inferno, seu relacionamento com Jill fora a única vez que tentara se convencer de que algo errado estava certo. Deveria ter confiado em seu instinto, porém estava focado naquilo que queria ver, em vez do que realmente estava à sua frente.

Sabia exatamente o que havia entre ele e Nicole, faíscas que acendiam e trepidavam tão luminosas e quentes que ele ainda podia sentir o fogo daquele único beijo.

Tinha sido um idiota em rejeitá-la.

Ele não seria um idiota ainda maior indo embora de novo.

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