1 INTRODUÇÃO
1.4 CAPÍTULO 4 – PARQUES URBANOS DO DISTRITO FEDERAL
1.4.1 Situação dos parques há dez anos
Com o objetivo de diagnosticar a situação dos parques criados e administrados no âmbito do DF, Ganem e Leal (2000) realizaram um trabalho entre os anos 1997 e 2000 por meio de estudo na Unidade de Desenvolvimento Urbano, Rural e Meio Ambiente (UDA) da Câmara Legislativa do Distrito Federal. O material levantou uma série de informações quanto ao estado de conservação dos ecossistemas dos parques, sua infraestrutura e também a existência de atividades de educação e pesquisa nestes locais, bem como o nível de ocupação humana em seu interior.
Na época da pesquisa existiam 41 parques urbanos no Distrito Federal e, segundo as autoras, somente 12 unidades tinham sua área delimitada e definida, o que significa um fator de extrema gravidade, pois prejudica a avaliação dos ecossistemas abrangidos pelo parque.
No entanto, um aspecto positivo foi comprovado pelo estudo: praticamente todos os parques apresentavam cobertura vegetal nativa em parte ou em toda a sua extensão. Do total, 30 unidades continham manchas de vegetação nativa e foram classificados no grupo dos melhores parques conservados. A pesquisa descreveu essas áreas como potenciais parques ecológicos devido ao seu aspecto selvagem, contendo extensões cobertas com ecossistema natural sem grandes áreas degradadas, demonstrando a importância da conscientização da população para o cuidado deles.
Em contrapartida, outras unidades apresentam uma realidade bem diferente, como ainda ocorre hoje no Parque São Sebastião, objeto do nosso estudo. Alguns parques tiveram suas fisionomias altamente modificadas devido a intensas alterações em seus ecossistemas. Para que possam ser consideradas como parques ecológicos, essas unidades devem apresentar vegetação nativa mínima exigida por lei (LEI Nº 265/99), ou seja, 30% em relação à área total. Dentre os parques que poderiam ser enquadrados como ecológicos foi constatado a presença de problemas ambientais. De forma geral, todas as unidades analisadas estavam precisando da recuperação de áreas degradadas, retirada de plantas invasoras e destinação correta do lixo acumulado. Em relação aos recursos hídricos presentes
nos parques do DF (GANEM; LEAL, 2000), das 41 unidades, mais de 50% possuem córregos, lagoas ou nascentes que se encontram poluídos devido ao recebimento de esgoto.
As autoras afirmam encontrar características cênicas belíssimas nos parques do DF, fator que poderia favorecer o contato harmônico da população com a natureza. Eles podem ser considerados uma pequena amostra do passado da região, pois contêm as belezas naturais iguais ao período que antecede o processo de degradação, ocasionado pela crescente urbanização.
Os dados apresentados por Ganem e Leal (2000) são devidamente confirmados em trabalho realizado por Braga e Pires (2002), visto que ambos os estudos foram realizados no período de 1997 a 2000. Eles tinham como objetivo conhecer a representação social dos parques ecológicos diante da relação entre o meio ambiente e a sociedade do DF e seu entorno; para isso, fizeram sua análise em três parques da região. Dentre eles, dois são os mesmos deste trabalho (Parque Ecológico e de Uso Múltiplo Olhos D’Água e Parque São Sebastião) e o terceiro foi o Parque Ecológico Taguatinga Cortado.
Braga e Pires (2002) tiveram o intuito de encontrar elementos que contribuíssem para a gestão dos parques da capital federal, captando as singularidades e as diferenças nos três casos e comparando se as realidades socioeconômicas implicam no uso, na representação e em demandas sociais distintas.
Os autores consideram que os parques do Distrito Federal são verdadeiras ilhas dentro do espaço urbano, pois constituem o que restou da vegetação natural para manter uma ligação entre os habitantes e a natureza original; além de servir como escapatória para construções de habitação, deixando-as sem infraestrutura adequada.
A criação dos parques urbanos no DF teve seu auge em meados de 1994 e 1996. Justificava-se a necessidade de convívio com a natureza, sem considerar a solução de questões fundiárias – sendo essa uma das questões mais importantes antes do surgimento de parques ecológicos.
Pode-se observar que o tamanho do parque tem ligação direta com a sua época de criação: os mais recentes possuem tamanho menor. Além disso, a maioria dos parques não tem sua área delimitada, favorecendo o assentamento irregular.
Ainda sobre o estudo, em seu período de pesquisa contava o DF com mais de 40 parques e sua grande maioria encontrava-se depredada. Mesmo assim, mais parques estavam sendo aprovados sem uma previsão de recursos para instalação e manutenção. Muitos encontros foram criados para tratar deste assunto, com a finalidade de elaborar propostas que jamais foram colocadas em prática. Braga e Pires (2002) acreditam que a existência de vários partidos com ideais diferentes resultou na dificuldade de gerir os parques, visto que inúmeros foram os programas do governo incapazes de avançar na busca de soluções para os parques ecológicos. Os autores aplicaram mais de 500 questionários com o intuito de detalhar o perfil socioeconômico da população, suas representações sociais em relação aos parques e às formas de gerenciamento ambiental. Foi concluído que os parques urbanos são áreas com terreno promissor à promoção da Educação Ambiental, tendo como resultado a conscientização da população e a formação da cidadania.
Em relação ao DF, o perfil socioeconômico está diretamente ligado à visão de parque como área de preservação. Neste trabalho, Braga e Pires (2002) concluíram que quanto maior a renda e o nível de escolaridade, maior será a percepção da necessidade de preservar os parques. Em contrapartida, quanto menor a renda e o nível educacional, maior a visão de parque voltada exclusivamente ao lazer e diversão. Ou seja, as diferenças socioeconômicas podem influenciar na representação social dos parques.
Em relação à gestão ambiental do poder público, os autores colocam algumas sugestões para a melhoria dessa realidade. Dentre elas estão a construção de áreas de lazer, instalação de infraestrutura no interior dos parques, diminuição das invasões, garantia de segurança, manutenção e divulgação da existência do parque.
1.4.2 Situação atual
Holmes (2008) afirma que até o ano de 1990 só existiam três parques no Distrito Federal (Parque Recreativo do Gama, Parque Sarah Kubitschek e Parque Ezechias Heringer), o que demonstra uma ação recente em vista da proteção de áreas com altos valores ambientais. Atualmente, segundo os dados do Instituto Brasília Ambiental (IBRAM), o Distrito Federal conta com 68 parques urbanos portadores de diferentes nomenclaturas: ecológico, vivencial, recreativo e de uso múltiplo, que estão distribuídos em todas as suas regiões administrativas.
O crescente número de parques no Distrito Federal se deve à preocupação com o aumento da população, principalmente nas cidades do entorno de Brasília (SOUTO, 2004). Os parques podem favorecer o clima local, minimizando a secura e a poeira que são características da região, além de constituir belas áreas de lazer, o que as tornam atraentes à população.
Dentre as dificuldades existentes, podemos ressaltar a constante falta de recursos humanos e financeiros destinados ao funcionamento dos parques e sua criação de forma não sistematizada (VIANA, 2009). No entanto, alguns benefícios podem ser observados, como o despertar para a consciência ambiental tem crescido expressivamente nas principais capitais do Brasil, inclusive em Brasília. Portanto, é de suma importância realizar estudos em parques urbanos da capital federal como forma de disseminar o conhecimento para a preservação de suas áreas verdes, por meio da participação efetiva da comunidade. Além disso, conhecer as necessidades da população em relação ao lazer e recreação podem contribuir para a participação da mesma na construção de parques e na tomada de consciência ambiental.