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CAPÍTULO QUADRAGÉSIMO SEGUNDO

No documento livro6 (páginas 158-170)

CAPÍTULO PRIMEIRO

CAPÍTULO QUADRAGÉSIMO SEGUNDO

CAPÍTULO QUADRAGÉSIMO SEGUNDO

DOS PRIMEIROS CAPITÃES QUE (SEGUNDO DIZEM) DESCOBRIRAM A ILHA GRACIOSA E DE SEUS FILHOS E DESCENDENTES E ALGUNS ILUSTRES E ANTIGOS

POVOADORES

Dizem alguns que, depois que as ilhas Terceira, São Jorge, Faial e o Pico foram descobertas, dali a alguns anos, tendo notícia Pero Correia, fidalgo nos livros de el-rei e dos Correias do reino, que a ilha Graciosa aparecia, pediu licença a el-rei pera a ir descobrir, e, havida a licença e mercê da capitania dela, veio ter à ilha Terceira em um navio em que a ia buscar, e dali se partiu a descobri-la, e, achando-a, fez logo dizer missa nela, chamando-lhe todos ilha Graciosa, porque o é na vista que tem, verde e quase chã, e pouco montuosa, e tal apareceu aos que este nome lhe puseram, pela ver tão bem assombrada e quase rasa, sem montes altos e grandes e vulcão, nem carranca, como têm outras ilhas; e de lá mandou logo à ilha Terceira buscar gado que deitou na terra.

Feito isto, se tornou caminho de Lisboa buscar sua mulher e filhos e gente pera a povoarem. E que neste meio tempo estando ele no reino, veio um Vasco Gil Sodré de África, natural de Montemor-o-Velho, com sua mulher, Breatis Gonçalves de Bectaforte, natural do castelo de Bectaforte de Inglaterra, com dois filhos, um por nome Diogo Vaz Sodré e outro Fernão Vaz Sodré, e algumas filhas e doze criados, e, chegando à ilha Terceira, detreminou passar-se à Graciosa, pelo que fretou um navio em que foi com sua gente ter a ela e, desembarcando em um grande areal e não sabendo pera onde fosse com a mulher e filhos, por a terra estar toda coberta de espesso arvoredo, achou um carreiro que o gado tinha feito, e, caminhando por ele pela terra dentro, foi ter a uma furna, que se chama a Furna do Castelo, feita como uma casa de pedra, ao modo de abóbada muito fremosa, onde se meteu e agasalhou com sua gente; e, estando ali por espaço de dois meses, como então havia guerras antre Portugal e Castela, foram alguns castelhanos em um navio àquela ilha e, saindo no areai, seguindo o mesmo caminho e vereda pela terra dentro, foram ter à boca daquela furna, e, querendo entrar nela, Vasco Gil e os seus lhe tolheram a entrada, à boca da mesma furna, que era como uma porta pequena; e, pelejando ali algum espaço, botou a mulher e filhas fora por outra boca, que a furna por detrás tinha, e saiu com os filhos e criados a pelejar com os castelhanos, onde mataram quatro ou cinco. Os espanhóis, como eram muitos e traziam boas armas e os da terra as não tinham, lhe mataram dois criados e tomaram o mesmo Vasco Gil Sodré e o levaram consigo, sem nunca mais aparecer, nem tornar à ilha, nem novas dele. E que sabendo el-rei no reino como Vasco Gil era levado preso dos castelhanos, mandou a Pero Correia da Cunha, fidalgo de sua casa, que fosse pera a ilha Graciosa, com a capitania dela, pelos muitos serviços que ele lhe tinha feitos em África; o qual logo se partiu com sua mulher, Dona Iseu Palestrela de Mendonça, filha do capitão do Porto Santo, e a foi povoar.

Outros com mais verdade dizem que não levaram os castelhanos a Vasco Gil Sodré, porque viveu muitos anos na mesma ilha, onde depois faleceu. E também mais verdadeiramente afirmam que na ilha Graciosa, no princípio de sua povoação, houve dois capitães; um deles se chamava Fuão Barreto, fidalgo natural do Algarve, dos Barretos dali. Este veio logo a povoar a sua ametade e ficou da banda do sul, onde agora é a vila da Praia, e, estando ali com sua mulher e gente no tempo em que havia guerras antre Portugal e Castela, veio a ter certas diferenças com um frade, seu capelão, que ali tinha consigo; antre as quais dizem que esbofeteou e espancou o frade, e o injuriou e afrontou gravemente. Vendo-se o frade assi afrontado, apartou-se dele pelo mato dentro meia légua, pouco mais ou menos, pera onde agora se chamam as Eiras de Diogo de Melo, e, estando ali, ao longo do mar, sobre uma rocha, viu certas naus castelhanas, que, então, tinham guerra com Portugal, que vinham costeando a ilha; e, como as viu tão perto e tanto a seu propósito, que as podia chamar a seu salvo, sem ser visto, por ser tudo mato e estar longe, capeou-lhe com um pano que chegassem

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ali; mandando eles um barco a terra e saltando o frade nele, lhes contou como estava afrontado e o que era feito, que lhes pedia o vingassem e o levassem dali, o que eles fizeram. Mandando desembarcar mais gente, sem nunca serem vistos do capitão, nem de outra pessoa, por causa do mato que era muito e mui alto, e, desembarcando, quiseram logo os castelhanos ir direitos a casa do capitão a buscá-lo. Disse-lhes o frade que não o haviam de achar em casa e fossem com ele, que os levaria onde o achassem, que era o lugar em que ele costumava sempre estar, com seus criados e gente, folgando, o que fizeram, indo onde o frade os levou; e ali o acharam e tomaram e prenderam, e a gente que com ele estava; somente um page do capitão fugiu e foi dar recado à capitoa do que passava, a qual, ouvindo as tristes novas, se acolheu com suas mulheres e criados, que consigo tinha, pera a Caldeira, recolhendo-se no castelete dela, que a natureza ali obrou, onde escapou e toda a gente que com ela foi, e os castelhanos se tornaram a embarcar e se foram, levando consigo o dito capitão preso; o pera onde ou que se dele fez nunca se mais soube.

Passados já alguns dias que a capitoa estava fugida e ali acolhida, por não ter recado do capitão, nem saber dele, aventurou-se a mandar descobrir, por alguns dos que consigo tinha, que era feito dele e o que passava. Vindo os que ela mandou a isso, acharam como era levado por indústria do frade e tudo o que havia passado, como atrás tenho dito; e com este recado se tornaram à capitoa, assás tristes e descontentes, e lhe deram a nova, que ela recebeu com grande dor e grandes palavras de boa cristã, dizendo que por seus pecados viera fazer seu marido mal ao ungido de Cristo, pera que o mesmo Cristo (que não deixa mal sem castigo, nem bem sem galardão) o castigasse; e se veio pera o lugar onde vivia, e dali a tempo escreveu a Vasco Gil, cuja irmã ela era, que se viesse pera ela, pera a acompanhar, o que ele fez, e foi dos primeiros que ali vieram.

Neste tempo, o outro capitão, que chamavam Pero Correia da Cunha, filho de Gonçalo Correia, senhor de Farelões (sic), que nunca havia vindo à dita ilha, estava na ilha do Porto Santo, governando aquela capitania por um seu sobrinho; e, estando lá, ou lho escreveram da dita ilha Graciosa, ou o soube por outra via, veio a saber do que acontecera ao outro capitão, Fuão Barreto, e como a sua capitania, do Barreto, estava deserta por não ter filho e que el-rei a não tinha ainda provido. Foi-se, então, à corte e pediu a el-rei que, visto como aquela ilha era tão pequena, mais que todas as mais, e como as outras não tinham mais que, cada uma, seu capitão, e algumas delas eram de um só, que houvesse respeito a isto, pois se não poderiam reger bem dois capitães em ilha tão pequena, sem dúvidas e diferenças, e a ele ser fidalgo de sua casa, pelo que lhe fizesse mercê da outra ametade e ajuntasse toda a uma capitania, o que el-rei lhe concedeu; e com isto se veio o dito capitão Pero Correia pera a dita ilha, com sua mulher Dona Iseu Palestrela de Mendanha (sic), filha do capitão do Porto Santo, e com alguma gente a povoá-la, e fez seu aposento da outra banda, no lugar em que agora está a vila principal, que se chama a vila de Santa Cruz, e fez as suas casas onde se chama o Pico ou Outeiro das Mentiras, e houve de sua mulher, Dona Iseu Palestrela, um filho, por nome Duarte Correia, que depois lhe sucedeu na capitania, e três filhas, Dona Filipa, Dona Branca, ou Dona Briolanja, e Dona Maria.

As três filhas dizem alguns que levou seu pai à corte pera damas da rainha e estiveram lá dois anos; e, tornando o pai, Dona Branca, ou Dona Briolanja, e Dona Maria não quiseram ficar lá e se vieram com ele pera a dita ilha. Dona Filipa não quis vir e era tão presuntuosa, que não queria que no Paço lhe chamassem Dona Filipa, senão Filipa da Cunha; e casou depois lá com um irmão de João Roiz de Sá, do Porto, de que não houve filhos.

Dona Branca, ou, como outros dizem, Dona Briolanja, filha do capitão Pero Correia, depois de estar na terra por espaço de dois ou três anos, se casou a furto com Diogo Vaz Sodré, filho de Vasco Gil Sodré, sem o capitão ser sabedor deste casamento, determinando de a casar com um fidalgo de Portugal. Mandou Dona Branca aviso a Diogo Vaz, o qual se foi logo dentro a casa do capitão e, achando-o assentado pera jantar, lhe disse que era casado com ela e, como desejava que tudo se fizesse pacificamente, a não quisera mandar pedir por outrem e por isso ia em pessoa, que folgaria que sua mercê fosse disso contente, pois já estava feito. Respondeu-lhe o capitão que, se ele quisesse a sua negra Briolanja, de boa vontade lha daria, se ela o quisesse. Respondeu-lhe Diogo Vaz que tomava aquelas palavras dele como de pai, porque, se isso não fora, logo ali acabaram a demanda; e, passando outras palavras, com que Diogo Vaz, cheio de cólera, queria arrancar da espada, olhou pera Dona Branca, que em um estrado estava assentada, e, vendo que as lágrimas lhe corriam pelo rosto abaixo, com dor dela se deteve e se desceu pela escada pera fora; e, por se suspeitar que ele ia de noite e

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falava com ela, seu irmão Duarte Correia, com muitos homens de casa do capitão, o andavam espiando pera o matarem, o que sabendo Diogo Vaz, também andava acompanhado com seu irmão Fernão Vaz Sodré e alguns criados, até que se vieram a encontrar uns com outros e, tendo grande briga, em que se feriram muitos de parte a parte, foi de modo que houve muitas querelas; e tudo sobre dizer o capitão que Diogo Vaz não era tão fidalgo como ele. Determinaram, então, os dois irmãos Diogo Vaz e Fernão Vaz de irem buscar ao reino o brasão de seu pai, e, estando aviados, Dona Branca que neste tempo se sentiu pejada, mandou dizer a seu marido que a tirasse uma noite de casa e a levasse consigo, ou a deixasse em alguma outra; e, por que ela não fizesse algum desatino, lhe mandou dizer Diogo Vaz que ele não se queria ir, mas mandava seu irmão. Como teve tempo e o barco prestes pera partir, a justiça se pôs, muito acompanhada de gente, no porto da Barra pera os prenderem, por causa das querelas que deles tinham dado. Diogo Vaz, como era muito valente homem, cavalgando em um cavalo, armado com uma lança nas mãos, se foi ao porto, onde pelejou esforçadamente com toda a justiça e mais contrários, e, recuando com o cavalo até chegar à borda do mar, com um negro que consigo levava, chegando ali, à barca, saltou de cima do cavalo nela e se foi pera a caravela, que andava à vela, esperando por ele. E, chegando a Portugal, achou em Montemor-o-Velho o brasão de seu pai e o tirou com outros estromentos, em que muitas pessoas juraram que sua avó, mãe de seu pai, fora casada em Inglaterra com um conde de um lugar ou vila, que se chamava o Castelo de Bectaforte, e o nome dela era Dona Brisoda (sic) Sodré de Bectaforte; donde trouxe provado como era grande fidalgo, e, tornando-se pera a ilha Graciosa com o brasão que apresentou, lhe perdoou o capitão, e casou com a dita Dona Branca, ou Briolanja e, casados, viveram muitos anos e houveram muitos filhos, e deles procede grande geração de nobre gente.

Depois que Diogo Vaz Sodré foi recebido com sua mulher, vivendo o dito Pero Correia na sua ilha, quando veio, já Vasco Gil estava nela com sua irmã, a capitoa, mulher do Barreto, e viviam da banda da Praia, que depois foi vila, como é. E um filho do capitão Pero Correia, chamado Duarte Correia, ia muitas vezes àquela parte folgar. Vasco Gil, como pessoa principal, o agasalhava em sua casa como a filho morgado do capitão. Nestas idas se veio a namorar Duarte Correia, mancebo, de uma sua filha, chamada Mécia Vaz Sodré; e, depois de a haver, se afastava de sua casa. Vendo isto, seus irmãos, dela, filhos do dito Vasco Gil, determinaram tomá-lo com ela e fazê-lo casar, o que fizeram, e tanto procuraram isto, que, estando uma noite Duarte Correia ceando, entrou Fernão Vaz Sodré pela porta e com uma espada lhe jogou um golpe pera ali o matar, e a mãe de Duarte Correia, que tinha defronte de si a candeia acesa, que o cegava, com o que não via, vendo-o disfraçado, sem o conhecer, cuidando que trazia algum recado, não dizia nada ao filho, mas como o viu arrancar, gritando, lhe disse: «Filho, guarda-te». Ele não viu mais que a sombra sobre si e fugiu com o corpo pera uma parte e, quanto se arredou, tanto o errou o golpe e deu na cadeira, que fendeu até baixo, e em lhe dando, assoprou a candeia e foi-se, cuidando que lhe dera. O capitão velho, Pero Correia, que estava em cama muito enfermo, logo pôs por obra pera o prenderem, porque algumas vezes lhe fazia Fernão Vaz muitas daquelas afrontas e ali tornou a querelar dele como entrara em sua casa pera matar o seu filho. Fernão Vaz se desnaturou da terra, vindo-se pera esta ilha de São Miguel, onde foi escrivão da Câmara na vila da Ribeira Grande e genro de Rui Garcia, homem honrado e fidalgo. E dizem que o capitão Pero Correia mandou seu filho Duarte Correia pera a corte.

Dali a pouco tempo faleceu o capitão Pero Correia, e, depois, tratou Diogo Vaz demanda com Duarte Correia, seu filho, que lhe sucedeu na capitania, o qual, como se viu capitão, não queria casar com Mécia Vaz, que dantes tinha recebida, e, litigando por ela seu irmão Diogo Vaz, correndo a demanda e indo ao reino, houve o capitão sentença por si contra a Mécia Vaz, por ter casado em Portugal a Dona Filipa, sua irmã, com o irmão de João Roiz de Sá, que dizem nisto o favoreceu.

Também dizem alguns que, falecendo este segundo capitão, Duarte Correia, deixou e declarou em seu testamento a dita Mécia Vaz por sua mulher, e, como Dona Filipa soube que o irmão era morto, houve os papéis à mão e nunca os quis dar, por entender ser a capitania de Mécia Vaz, pois não havia filho algum de Duarte Correia que a herdasse e ele a deixava por mulher. Concertou-se, então, com Diogo Vaz, seu cunhado, dizendo-lhe como tinha os papéis na mão e a capitania era de sua irmã, Mécia Vaz, que lhe não havia de fazer bem algum, pelo que fizesse ele com ela aceitasse vinte moios de terra por concerto e deixasse a capitania a ela, Dona Filipa, porque, se lhe ficasse (pois não tinha filho nenhum e era mais velha que sua irmã, mulher do dito Diogo Vaz), por sua morte lha deixaria e em sua vida lhe faria sempre

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muito bem. Contentando isto a Diogo Vaz, fez com a irmã Mécia Vaz que tomasse os vinte moios de terra, que ela aceitou, por ser mulher que queria casar, pera seu casamento, e, Dona Filipa, como teve o concerto feito, vendeu a capitania ao marichal Dom Fernando Coutinho.

E por esta causa de Dona Filipa dizem que perdeu Mécia Vaz a capitania e seus herdeiros, mas não sei com quanta verdade se diz isto, pelo que direi adiante.

O primeiro capitão Pero Correia foi casado com Iseu Palestrela, filha de Bertolameu Palestrelo, primeiro capitão do Porto Santo, e de Breatis Furtada de Mendonça, sua primeira mulher, como já tenho dito no capítulo décimo do segundo livro, que trata da ilha da Madeira. E porque o dito capitão Bertolameu Palestrelo casou segunda vez com Isabel Moniz, de que houve um filho, chamado, como seu pai Bertolameu Palestrelo, que sucedia na casa, sendo este de pouca idade, faleceu seu pai e, enfadando-se sua mãe de morar no Porto Santo, houve um alvará de el-rei, com que, sendo seu filho minino, vendeu a capitania a Pero Correia, capitão da Graciosa, que lhe caía em lugar de genro, por ser casado com Iseu Palestrela, filha de seu marido; e vendeu-lha, assi como o marido a possuía, por preço de trezentos mil réis em dinheiro de contado e trinta mil de juro. Governou Pero Correia alguns anos a ilha, até que, sendo Bertolameu Palestrelo de idade que foi ao reino e daí a África servir a el-rei, vindo uma vez de Larache, arribando à ilha da Madeira, pousou no lugar do Caniço com seu cunhado Manuel Roiz de Vasconcelos, por cujo conselho, dando-lhe também pera isso ajuda, se pôs em preito com Pero Correia, que comprado tinha a ilha, e por demanda (visto como era menor e el- rei em preiuízo e seu, sem sua outorga, dera licença pera se vender a capitania foi havida e julgada a venda por nula e que se descontasse pelas rendas o que se dera por ela, donde ficou o dito Bertolameu Palestrelo investido e metido de posse da dita capitania do Porto Santo e excluído Pero Correia.

Teve Vasco Gil Sodré, antigo povoador da ilha Graciosa, de sua mulher, Breatis Gonçalves de Bectaforte, os filhos seguintes: O primeiro, Diogo Vaz, que casou com a filha do capitão, e Fernão Vaz Sodré, e filhas, Mécia Vaz, que casou com Roque de Melo, e Leanor Vaz e Inês Vaz, que todas foram casadas na terra com homens muito nobres e na ilha Graciosa viveram sempre apartados em a vila da Praia, e deles descendeu tão grande geração, que de todos estes irmãos se povoou esta vila, que será agora de duzentos e cinquenta vizinhos, cinquenta dos quais somente serão de outra geração, pela qual rezão dizem que todos os da Graciosa são fidalgos.

As armas do capitão Pero Correia e seus descendentes são: Em um escudo, uma águia com uma correia na boca e um jarro de água às mãos, e uma toalha, e, dentro no jarro, uma frol de cebola cecém (232).

Outros dizem outras coisas dos capitães da ilha Graciosa e das progénies ilustres que há nela, como a dos Correias e outras, como agora direi.

Este primeiro capitão da Graciosa, Pero Correia da Cunha, era filho de Gonçalo Correia, senhor de Farelões, e houve um filho que se chamou Duarte Correia, que também foi capitão, o qual casou com Dona Lianor de Melo, filha de Dona Breatis de Melo, que era filha de Álvaro Martins de Melo, irmão de Dom Pedro Martins de Melo, conde de Atalaia. Esta Dona Breatis teve três irmãos, sc., Roque de Melo, Diogo de Melo e Jorge de Melo, que morreu degolado na dita ilha por matar sua mulher. O Roque de Melo por tempos veio a lançar na ilha Graciosa, por onde se perdeu, e lhe levou el-rei o que tinha. Vendo-se pobre, tomou duas filhas e um filho, que tinha, e se foi com eles pera Lisboa, onde achou o marquês de Ferreira, que o recebeu com muita honra por parente e o levou consigo pera suas terras e lhe deu em que vivesse, até que morreu, e as filhas lhe meteu freiras e o filho deu a el-rei, e o mandou pera a índia, onde lhe chamavam Francisco de Melo, o Barbarrão de alcunha, e lá morreu. Ficaram na Graciosa, destes, Afonso Correia de Meio, já defunto, e dele ficaram os filhos que hoje há, que são Nuno Correia de Melo e Manuel Correia de Melo, que foi a Roma buscar dispensarão pera casar com

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