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CAPÍTULO TERCEIRO ( 45 )

No documento livro6 (páginas 35-40)

CAPÍTULO PRIMEIRO

CAPÍTULO TERCEIRO ( 45 )

DA DESCRIÇÃO DA NOBRE E POPULOSA CIDADE DE ANGRA, CABEÇA DO BISPADO DE TODAS AS ILHAS DOS AÇORES, E, DAÍ POR DIANTE, DA COSTA DA ILHA DA BANDA

DO SUL, ATÉ À SERRETA, CABO OCIDENTAL DELA

Na ponta da baía do porto de Angra, da parte do oriente, está uma grande fortaleza, chamada de São Sebastião, com uma grande cisterna dentro, que levará quinhentas pipas de água, com seus baluartes e um cubelo em baixo, quase raso com o mar, onde está assentada a artilharia, do qual sobem arriba por uma comprida abóboda por debaixo do chão, fechada com suas portas chapeadas de ferro, e em cima com casas de munição e bombardeiros, com outra porta principal de serventia da terra, guarnecida de muita e grossa artilharia. Pegado com esta fortaleza, espaço de um tiro de besta pera a banda da cidade, está um porto, fechado de alto e largo muro pela banda da terra, que não tem mais que uma porta muito pequena, por onde não cabe senão uma só pessoa, que se chama o porto das Pipas, no qual se recolhem cinco e seis navios, posto que sejam de setenta e oitenta toneladas, e ali varam arriba e invernam e consertam, e, ainda que haja tormentas grandes, não recebem dano; no qual porto também se fizeram e fazem navios grandes e pequenos, como foi um Bastião Merens, dos nobres da terra, que fez nele duas naus muito grandes, e João de Betancor, Nicolau Dias, João Cordeiro, João Martins, do Porto do Judeu, e outros muitos fizeram naus e navios grandes e pequenos e barcos de toda a sorte; neste porto está um cais novo, que mandou fazer João da Silva do Canto, grande parte à sua custa, que foi grande bem pera a salvação dos navios. Da ponta desta fortaleza se vai fazendo uma grande baía, de um quarto de légua, até outra ponta, que se chama do Brasil, que é um morro grande, alto, comprido, a modo de ilhéu, largo na ponta que sai ao mar; é estreito onde está pegado na terra, tanto como um tiro de besta da terra e até começar a subir ao alto, onde está outra fortaleza, que se chama de Santo António, com fonte (46) de água que nasce na mesma fortaleza, e casas do capitão e bombardeiros; antre as quais fortalezas se faz uma boca de um tiro de espingarda de largo, com que fica seguro aquele porto pera não poderem entrar nele, com uma fermosa e soberba entrada, da qual está aparecendo a nobre e afamada cidade de Angra, situada no mais curvo da baía, cercada de rocha pela parte mais alta, e de forte muro pelo mais baixo, com sua artilharia por cima dos muros, fechada com duas portas, uma que vai pera um grande cais de cantaria que sai ao mar, e outra que sai pera uma pequena praia, chamada a Prainha, em que se fazem muitas naus, navios e galés, que estão da outra banda. Dentro deste cais grande se recolhem todos os batéis de pescar e de serviço da terra, antre o qual e a fortaleza, que está da banda do oriente, fica o outro cais de cantaria, que se chama, como disse, o porto das Pipas, baía da areia, onde se recolhem e fazem também muitos navios, que no inverno é o melhor abrigo da baía, a qual faz muito fermosa o grande e alto monte chamado Brasil, já dito, parte todo coberto de erva de pasto, parte de lavoura (e dantes era todo povoado de arvoredo), que cerca toda a baía em comprido da banda do ponente, no cabo da qual está a segunda fortaleza, já dita; em cima dele está uma casa de atalaia, com doze mil réis de mantimento com o facho que vigia todo mar. Neste monte estão dois montõis, ou fachos de pedra e cal, à maneira de África, nos quais assina o atalaia as velas que vêm daquela parte, até três, com bandeiras pequenas por esta ordem: no montão e facho do oriente põem somente o número das bandeiras igual ao dos navios que vêm daquela parte até três, e, passando os navios de três, põem uma bandeira grande de campo, e o mesmo sinal faz no montão e facho do ocidente, quando da mesma parte aparecem os navios; e quando são caravelas pequenas, que servem de umas ilhas pera as outras, arvora as bandeiras mais baixas. Pela costa, ao redor deste Brasil, onde podem sair os barcos nela, há muito marisco e muitas cracas, por ser todo de pedra de tufo, mas agora está tudo cortado ao picão de grande altura. Logo abaixo da casa, cercada de quatro outeiros, dois maiores e dois menores, está uma muito funda caldeira, e redonda como o mesmo monte, quase ao lível com o mar em sua fundura, que se semeia de novidade de trigo, pastel e outras

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coisas, a qual (segundo a experiência de agora mostra) foi pico mui alto e todo se derreteu em fogo e terremoto, como outros da mesma ilha, de que dão sinal os aliceces (sic) que se abriram pera a Sé nova, onde, cavando duas braças debaixo do chão, se achavam esculpidos no tufo que tiravam os ramos e folhas do louro e de outras árvores. O topo deste Brasil, pela banda do mar, é uma altíssima testa de alta rocha talhada.

Está esta cidade situada ao modo circular, quase redonda, em um baixo vale e nos outeiros que a cercam, em um dos quais, mais alto da banda do norte, está como amparo dela um forte castelo com munições e artilharia, novamente renovado e provido, sendo dantes mais fraco, edificado somente pera recolhimento e defensão dos moradores dela no tempo das guerras de Portugal com Castela, no qual castelo morava antigamente o capitão da ilha, Manuel Corte Real, e despois morou em outros paços, abaixo do mesmo castelo, com rico jardim de muitas laranjeiras e frescura, que ainda agora possui, o qual herdou de sua irmã, Dona Iria, que foi casada com Pero de Góis, nobre fidalgo. Está toda ela mui bem situada, com muitas ruas largas e cordeadas com as bocas ao mar, que as fazem muito graciosas, com uma rua mui larga que as atravessa e parte todas pelo meio de um cabo da cidade até o outro. Tem casas sumptuosas, e delas de dois sobrados, edificadas todas por boa e gentil ordem, como cabeça de todo o bispado destas ilhas, que a há-de dar a todas elas, em que ordinariamente reside o bispo, em seus paços, com um fermoso jardim ornado e regado com uma fresca fonte no meio. Os quais estão defronte da Sé, que está quase no meio da cidade, sumptuoso templo ainda não acabado, decorado com três bispos que nela estão sepultados, sc., Dom Jorge de Santiago, Dom Nuno Alvres Pereira e Dom Gaspar de Faria, servida com cinco dignidades e doze cónegos, quatro meios cónegos, dez capelães, um só chantre, três curas, mestre da capela, tangedor de órgãos, sancristão (sic), o altaneiro e oito moços de coro, com seu porteiro da maça e um sineiro (47), ornada com ricos pontificais e ornamentos e muitas e ricas peças de prata, com salário de pregador, que têm por provisão de el-rei os frades de São Francisco. Dentro, nesta cidade, e seus arrabaldes há quatro freiguesias, em que há dois mil e quinhentos moradores, sc., na freiguesia da Sé mais de mil, e na de Nossa Senhora da Conceição, rica e graciosa igreja de três naves, novecentos, onde há um vigairo e um cura e sete beneficiados, e na de São Pedro quatrocentos, que tem vigairo e cura e dois beneficiados, e na de São Bento e Val de Linhares perto de cento, onde há só o vigairo. Tem um sumptuoso mosteiro de São Francisco, da invocação de Nossa Senhora da Guia (48) onde ordinariamente residem até vinte religiosos (49), situado no mais alto da cidade, com fresco pomar e horta regada com uma ribeira de água, e na claustra tem chafariz de água, com muitas capelas de morgados; e dois mosteiros de freiras, da ordem de Santa Clara da observância, um da invocação da Esperança, da obediência dos frades, e outro da invocação de São Gonçalo, que primeiro foi da obediência do bispo do Porto e agora é, por bula apostólica, da obediência do bispo de Angra, cujo padroeiro era Braz Pires do Canto e agora é Dom Diogo, seu genro, casado com sua filha Dona Maria do Canto, de trinta religiosas professas. Está também nesta cidade, sobre a baía do porto, um colégio dos padres da Companhia de Jesus, por entretanto, até se edificar outro novo, onde faziam muito fruto nas almas, livrando muitas da boca do lobo antes de lhe terem as mãos atadas e eles degradados, dotado e fundado por el-rei como comendador da Ordem de Cristo, cuja comenda são estas ilhas, onde há doze religiosos antre pregadores e mestres de latim e casos de consciência; cuja ermida é da invocação de Nossa Senhora das Neves, em a qual tornados, fazem na terra os bens que dantes faziam.

Saindo da porta do mar à rua Direita, principal, está uma fermosa casa da Misericórdia, de três naves e três portais, com seu hospital anexo e sua renda, assi de el-rei como de outras pessoas, que pode ser cento e trinta moios de trigo e oitenta mil réis, que deu el-rei em dinheiro, com dízimo de frangos que monta catorze mil réis, e cento e trinta ou quarenta mil réis de foros de vinhas e casas, e dez moios de trigo que lhe tem dotado frei António Varejão, com encarrego de certas missas em cada um ano, grande e proveitoso refúgio de muitos enfermos e pobres da terra e de muitos mais que pelo mar vêm de fora, de muitas partes, por ser o porto desta cidade escala de muitas navegações. Nesta casa há capelães, com ordenado da mesma casa, que celebram com muita veneração os ofícios divinos, e se dizem muitas missas quotidianas. Além das igrejas, há nesta cidade muitas ermidas, muito bem fundadas e ornadas: a ermida de São Lázaro, com hospital pera os mesmos lázaros, a ermida de Nossa Senhora de Natividade, dos pretos, imediata a Roma por bula apostólica, outra de Nossa Senhora dos Remédios, de Pero de Castro do Canto, outra de São Sebastião, outra do Corpo Santo, dos mareantes, outra dos Santos Cosmo (sic) e Damião, outra de São João, outra de Santa Luzia, e outra de Santa Caterina. Pegado com São Lázaro, está novamente começada uma igreja e

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mosteiro de religiosos de Nossa Senhora da Graça, com tantas indulgências, que lhe chamam Roma, todo ordenado e fundado pelo reverendo padre frei António Varejão, bom pregador da ordem de Santo Agostinho.

Na entrada do porto está uma nobre casa da alfândega de el-rei, toda de cantaria lavrada, de grandes rendimentos pelas muitas entradas e saídas que há na terra, onde soía haver da própria ilha muitos navios de comércio, e agora são menos, pelos embargarem os oficiais de el-rei pera seu serviço, e onde residem seus provedores, feitores e corregedores.

Quase sempre é esta cidade muito enobrecida com generosos e poderosos moradores, de diversos apelidos: os Corte-Reais, Gatos, Costas, Fagundos, Betancores, Vieiras, Cotas, Machados, Barcelos, Pedrosos, Valadões, Antonas, Borges, Silveiras, Sousas, Monizes, Ceas, Sampaios, Lemos, Farias, Rodovalhos, Chamas (sic), Torrados, Tirros (sic) e Bruges, Maias, Guimais (sic), Boins, Sericeiras (sic), Leitões, AIbernazes, Pinheiros, Silvas, que procederam de Dona Violante da Silva, mulher de Pedreanes do Canto, e de outra senhora, Bárbora da Silva, que foi da Graciosa, Cantos, Pachecos, Netos, Carvalhos, Baiões, Coelhos, Leonardos, Tavares, Azevedos, Matelas e Pereiras; Saias Vedras (sic) (50) houve, e acabou-se este apelido por ser casa de que houve pouca geração, que foi um só filho e uma filha freira; Dotados (sic), que são homens nobres antigos na terra; os mais deles liados por casamentos, e os da Praia com muita parte deles de Angra, e quase todos têm seus brasões de cota de armas. Da geração dos Pachecos, de que já tenho dito quando tratei dos que há nesta ilha de São Miguel, houve um chamado Manuel Pacheco, que foi contador em todas as ilhas de Baixo, de que ficou um filho, por nome António Pacheco de Lima, fidalgo muito honrado que serve de contador, como seu pai, nas ditas ilhas e é juiz do mar e direitos reais e dos órfãos da dita cidade de Angra, onde é morador; tem o hábito de Cristo e é de tão boas partes e discrição, que a quantos o vêem prende com elas, honroso pera os homens, bem inclinado, de muito respeito, grande amigo de seus parentes e desejoso de acrescentar na dita geração, gentil- homem, gracioso, alegre, liberal, virtuoso e temente a Deus, de muita verdade, desinteressado em falar e dizer o que entende, sem ter de ver com pessoa alguma, e por tal é conhecido de todos; é casado com Dona Catarina de Menezes, neta de Sebastião Moniz Barreto e filha de Rui Dias Pacheco, primo coirmão de seu pai, dele, António Pacheco. Tem um só filho, de pouca idade, que chamam Manuel Pacheco de Lima, como o contador, seu avô.

Afora a ribeira do Telhal, que corre pela parte do oriente, perto da freiguesia da Concepção, pelo meio desta cidade corre outra grossa ribeira de água, a qual vem ter ao porto, com que se regam muitos jardins que nela há e moem doze moinhos dentro, na cidade, que são serventia de toda esta parte do sul, a qual ribeira procede de várias fontes, que estão quase uma légua da cidade contra uma grande serra, e ao pé dela mesma nasce outra fonte, de muita cópia de água, com arca fechada, da qual por canos vem ter à cidade e se reparte por quatro principais chafarizes, afora outro que sai junto do cais, donde se provêem todos os navegantes e armadas; e, além disso, se reparte por todos os mosteiros e algumas casas principais, com que fica a cidade muito fresca e abundante; de modo que são por todos doze chafarizes. Tem esta cidade ao redor de si muitos pomares, jardins e hortas, de que é também servida e provida, como o é de todas as outras partes da mesma ilha, e das outras ilhas, de carne, pescado, mel, manteiga, madeira e de outras muitas coisas que dão as ilhas, afora outras diferentes que vêm a ela das Índias de Portugal e Castela, Guiné, São Tomé, ilhas do Cabo Verde e Brasil, além do comércio que tem de Frandes, Inglaterra, Portugal e Castela, e de outros reinos. As serventias da mesma cidade são tão boas, que facilmente se podem prover de tudo todas as pessoas, porque todas as coisas necessárias há em muita abundância e se vendem pelas portas, e andam vendendo por toda a cidade, ao costume de Lisboa, excepto vinho e azeite, que somente se vende nas tavernas, e a carne nos açougues, com que fica parecendo, e é, uma Lisboa pequena, onde haverá quarenta tendas de ferreiros e sarralheiros (sic), e setenta e duas de carpinteiros de obra de caixaria e ricos escritórios, e setenta de sapateiros, e trezentos pedreiros, e cinquenta carpinteiros de ribeira, e cento e vinte bombardeiros, antre os quais há vinte e quatro de comedia, que tem cada um por ano um moio de trigo e uma pipa de vinho e doze mil réis em dinheiro, e um deles mestre de fazer salitre e caparrosa e pedra hume, que tudo se tira em uma furna da ilha Graciosa.

Há nesta cidade bem cinquenta confrarias nas igrejas paroquiais, mosteiros e ermidas, e cada somana têm estas confrarias seis missas, as quais se sustentam de esmolas do povo, afora outras muitas que se pedem pera confrarias e ermidas de fora dela.

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Nesta cidade e em toda a ilha Terceira costumam os moradores, no verão, quando recolhem o trigo, metê-lo em covas debaixo do chão, feitas a modo de uma pipa, e delas tão grandes, que levam sete, oito, quinze, vinte moios, e isto por causa do bicho, sc., gorgulho, muchão e borboleta, o não comer, porque esta praga faz mal ao trigo nela, e dizem que este trigo assi encovado faz muito melhor pão e é de mais rendimento, e o têm nas covas três e quatro e seis meses, e ano inteiro, sem por isso se danar pouco nem muito.

Tem esta cidade, antre outras, uma saída pera a banda dos Biscoitos, que estão ao ponente, onde estão as vinhas e pomares, a qual é tão frequentada de gente, que não há dia que por ela não passem mais de mil pessoas, que parece uma rua das principais de Lisboa, e isto por respeito de terem todos suas vinhas, pomares e searas pera aquela parte.

Na volta do monte do Brasil pera a banda do ponente está outra baía grande, chamada Fanais, cercada de alta rocha, e no baixo dela, com muro e portas guarnecidas de artilharia e casa de vigia, que se chama o porto de São Pedro, por respeito da igreja do mesmo apóstolo da dita cidade, que aí está perto. Daqui vai correndo a costa mais algum tanto de uma légua quase toda rasa de biscoito, todo prantado de vinhas e pomares do mar até serra, que é outra larga légua, antre os quais há algumas fajãs de terra lavradia muito fértil, que dá pão em grande quantidade e bondade, e onde há tanta frescura de castanheiros, macieiras, pessegueiros, marmeleiros, laranjeiras e outras árvores, que parece outro Antre-Douro-e- Minho. Onde se chama o Porto (sic) Santo, no cimo destes biscoitos, está, antre outras, uma fonte de tanta água que faz um ribeiro grande, que corre pelos vales abaixo, com cujas águas se provêem todas as quintas, que por ali há muitas, recreação do verão, e pomares de todas as frutas e muitas e ricas colmeias, pela grande cópia da erva ussa, que é pasto gratíssimo das abelhas, onde há um homem que tem quinhentas colmeias, e é tão aprazível posto, que perto desta fonte fez um genoês (51), chamado Lopalma, uma fermosa quinta, prantada toda de pomares e vinhas, e junto das casas passa o mesmo ribeiro da mesma fonte; e ao longo do mar vão também muitas quintas que no mesmo mar têm sua recreação. E por todas estas faiãs se dá muita e boa hortalice e finos melões. Vai fazendo esta costa algumas calhetas, onde podem embarcar e desembarcar com o mar manso. Além da baía de São Pedro, que se diz dos Fanais, um tiro de berço ou mais está uma ponta e desembarcadouro que se diz o Pesqueiro do Alcaide, onde se edificou uma fortaleza, pera defensão da terra, que respondesse a outra fortaleza de São Pedro, que fica atrás, nos Fanais; e, logo, mais adiante outro tiro de berço está uma calheta pequena, que se diz de António Pires, pai do licenciado Manuel Gonçalves, arcediago da Sé de Angra, agora vigairo geral neste bispado (52), onde está edificado um cubelo com seu muro, em que estão seis ou sete peças de artilharia, com seu capitão e gente que a vigiam e guardam, em muitas choupanas de palha, que no verão fazem, em que se agasalham. Mais além, espaço de outro tiro de berço, está outra calheta, também pequena, do licenciado Manuel Anriques, que em outro tempo se dizia do Nordeste, onde estão feitos uns repairos de parede ensossa, com seus cestos cheios de terra pera repairo da gente que guarda aquele passo, com cinco ou seis peças de artilharia e seu capitão e bombardeiros.

Correndo adiante pela costa rasa e brava de baixos, espaço de dois tiros de berço está outra baía de calhau muito miúdo, chamada Prainha, onde algumas vezes varam os batéis e deitam redes ao peixe, sobre a qual está uma rocha baixa com umas eiras em cima, que se dizem do Albernaz; nas quais se edificou novamente uma fortaleza, com sua corredice de muro de dez palmos de largo e doze de alto, com que ficou fechada aquela baía toda até ir dar na

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