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Capítulo 2 – Suplemetação oral com vitamina E: integridade da membrana

Suplementação oral com vitamina E: integridade da membrana espermática e qualidade seminal em touros suplementados à pasto.

Resumo

O experimento foi realizado na Fazenda Sereno, localizada em Jaciara-MT, com o objetivo de avaliar a integridade da membrana plasmática e qualidade seminal de touros suplementados com 400 UI de vitamina E/dia. Foram utilizados 11 touros Brangus com idade média de 120 meses e peso médio de 442,2 Kg distribuídos aleatoriamente em dois tratamentos: grupo controle (GC) e grupo suplementado com vitamina E (GE- 400 UI de vitamina E/dia) adicionados ao suplemento concentrado. Cada grupo foi mantido separado em piquetes formados por pastagem de Panicum maximum cv. Mombaça e receberam concentrado diariamente na quantidade de 4,5 kg/animal. A suplementação com vitamina E foi realizada por 60 dias. Durante o período experimental foram realizadas 4 coletas de sêmen sendo: uma antes do início da suplementação; uma com 30 e outra com 60 dias de suplementação, e uma 15 dias após o término da suplementação. O sêmen foi coletado por eletroejaculação, em tubo graduado, aferiu-se o volume, cor e aspecto do ejaculado. Em seguida foram avaliados motilidade, vigor e turbilhonamento espermático. Foram realizados testes para avaliar a integridade da membrana espermática e da membrana acrossomal, para avaliar a viabilidade espermática e reação de acrossoma. O experimento foi realizado em delineamento inteiramente casualizado com medidas repetidas no tempo. Os dados foram analisados através da ANOVA e do teste SNK com um nível de significância de 10%. Foi encontrado efeito do tratamento para a variável Tripan 3 na coleta 3 (p=0,0243) e coleta 4 (p=0,3510), Tripan 4 na coleta 3 (p=0,0894). Foram encontrados efeito da coleta para CONS (consistência testiculaR) (p≤0,0001); VOL (volume) (p=0,0442); vigor (p=0,0263); DEFMA defeito maior (p=0,0515) ; DEFTOT defeito total (p=0,0703) e HIPO teste hiposmótico (p=0,0131). Efeito na interação tratamento x coleta foram encontrados para as variáveis TRI1 (p≤0,0001), TRI3 (p=0,00410) e TRI 4 (p=0,0462). Não foram encontradas diferenças (p>0,10) para as demais variáveis:motilidade, concentração e turbilhonamento. Com os resultados obtidos nas condições

experimentais do presente trabalho, conclui-se que a suplementação oral com vitamina E de 400UI/dia não apresentou melhoria sobre a qualidade seminal nem a integridade da membrana espermática de touros.

Palavras-chaves: espécies reativas ao oxigênio, estresse oxidativo, lipoperoxidação.

Oral supplementation with vitamin E: membrane integrity of sperm and semen quality in bulls.

Abstract - The experiment was conducted at Sereno Ranch, located in Jaciara-MT, in order to evaluate plasma membrane integrity and sperm quality of bulls old supplemented with 400 IU of vitamin E / day. Eleven Brangus bulls were used with mean age of 120 months and mean weight of 442.2 kg were randomly distributed into two treatments: control group (CG) and the group supplemented with vitamin E (GE- 400 IU vitamin E / day) added to supplement concentrated. Each group was kept in a separate paddock of Panicum maximum cv. Mombaça received daily in the amount of 4.5 kg / animal. Supplementation with vitamin E was performed for 60 days. During the experimental period were performed with four semen collections: one before the start of supplementation, and another one with 30 to 60 days of supplementation, and 15 days after the end of supplementation. Semen was collected by electroejaculation in the graduated tube, has measured the volume, color and appearance of the ejaculate. They were then evaluated motility, spermatic vigor and turbulence. Tests were conducted to evaluate the integrity of the membrane sperm acrosomal membrane and to assess the viability and sperm acrosome reaction. The experiment was conducted in completely randomized design with repeated measures. Data were analyzed by ANOVA and SNK test with a significance level of 10%. Treatment effect was found for the variable in the collection Tripan 3 in collection 3 (p = 0.0243) and collection 4 (p = 0.3510), Tripan 4 in collection 3 (p = 0.0894). Were found to effect the collection CONS (testicular consistency) (p ≤ 0.0001), VOL (volume) (p = 0.0442), vigor (p = 0.0263); DEFMA greater defect (p = 0.0515) ; DEFTOT total defect (p = 0.0703) and HYPO hypoosmotic test (p = 0.0131). X treatment interaction effect was found in the collection Qtr1 variables (p ≤ 0.0001), Qtr3 (p = 0.00410) and TRI 4 (p = 0.0462). There were no significant differences (p> 0.10) for the other variables: motility, concentration and

turbulence. With the results obtained in the experimental conditions of this study, we conclude that oral supplementation with vitamin E, 400UI/dia showed no improvement over the quality of semen or sperm membrane integrity in bulls

4.1 Introdução

A interrelação entre vitaminas e função reprodutiva são conhecidas há bastante tempo. Em geral, todas as vitaminas são necessárias para a reprodução, devido às suas funções no metabolismo, manutenção e crescimento. Contudo, essas vitaminas também podem ter funções e exigências específicas no trato reprodutivo. As exigências de uma vitamina no trato reprodutivo podem mudar de acordo com o estágio fisiológico deste tecido durante o ciclo reprodutivo (PASQUALOTTO et al., 2001).

A membrana espermática é rica em ácidos graxos poliinsaturados necessários para manter a fluidez da membrana durante a fusão no momento da fertilização. Devido a isso a membrana espermática torna-se vulnerável aos danos oxidativos decorrentes da excessiva produção de ROS no sêmen, causando o estresse oxidativo. Este fato resulta em comprometimento da capacitação espermática, reação acrossômica, aumento na permeabilidade da membrana espermática, causando anomalias morfológicas e prejudicando a fertilidade (PASQUALOTTO et al., 2001; CARVALHO et al., 2002).

A vitamina E é considerada um dos principais protetores de membrana contra ROS (Reactive Oxygen Species), é um antioxidante lipossolúvel e tem a capacidade de impedir a propagação das reações em cadeia induzidas pelas ROS nas membranas biológicas, representando uma importante defesa contra as lesões oxidativas causadas à membrana espermática, inibindo a peroxidação lipídica dessas membranas (SMITH e AKINBAMIJO, 2000).

A diminuição da qualidade seminal geralmente é mal compreendida, porém pode ser influenciada por fatores como ambiente, idade e dieta. Dietas contendo antioxidantes e sua influência na qualidade seminal tem sido estudada, a fim de minimizar os danos causados pelas espécies reativas ao oxigênio (ROS), porém os resultados avaliando o uso oral de vitamina E sobre os efeitos na qualidade espermática são conflitantes (ESKENAZI et al., 2005).

Objetivou-se avaliar se a suplementação oral com 400UI de vitamina E/dia alteraria as características seminais e a integridade da membrana espermática de touros criados a campo.

4.2 Material e Métodos

O experimento foi realizado na Fazenda Sereno - GAP, localizada no município de Jaciara, distante 140 km de Cuiabá, Mato Grosso, no período de junho a setembro de 2008.

Foram utilizados 11 touros da raça Brangus com idade média de 120 meses, e peso corporal médio inicial de 442,2 Kg. Ao início do experimento, os animais foram vermifugados (Doramectina 1% - Dectomax®, Pfizer Saúde Animal) e tratados com ectoparasiticida ( Cipermetrina + Ethion - Ciperthion®, Shering-Plough), o controle de ectoparasitas foi realizado a cada coleta de dados. Em seguida os animais foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos: GC= Grupo controle (suplementação concentrada sem adição de vitamina E); GE=Grupo vitamina E (suplementação concentrada com 400UI/animal/dia de vitamina E).

A área destinada aos animais experimentais foi constituída de dois piquetes de 7,35 ha, com Panicum maximum cv. Mombaça. Providos de bebedouro e cocho para fornecimento do suplemento, cujas dimensões permitiam o acesso de todos os animais simultaneamente. Os animais foram mantidos em pastejo, sendo suplementados com ração concentrada uma vez ao dia. A composição porcentual do suplemento concentrado fornecido aos animais experimentais era: Farelo de soja 27,50%; Milho integral moído 67,25%; Calcário 1,50%; Enxofre 0,25%; Uréia 0,50%; Sal mineral 88 3% (Níveis de garantia por kg do produto: Fósforo – 88g; Cálcio – 154g; Cobre – 1700mg; Enxofre 12g; Cobalto – 200mg; Manganês – 1300mg; Zinco – 5000mg; Iodo – 130mg; Selênio 20mg; Magnésio – 6mg; Sódio – 130mg).

Os suplementos foram formulados para ganho de peso de 1 kg/dia e continham 21% de PB na matéria natural. Foram fornecidos em quantidade equivalentes a 4,5 kg/animal/dia e, sempre às 11:00h. Foram coletadas amostras de forragem e do suplemento para posteriores análises no Laboratório de Nutrição Animal da FAMEV- UFMT (Tabela1).

Tabela1.Composição químico-bromatológica do suplemento concentrado e da forragem utilizada na alimentação dos animais experimentais com base na matéria natural

Nutriente Suplemento (%) Forragem (%)

Matéria seca (MS) 90,00 37,99

Proteína Bruta (PB) 21,00 6,23

Fibra em detergente neutro (FDN) 29,40 67,57

Extrato etéreo (EE) 2,50 1,05

Matéria mineral (MM) 8,43 7,80

O experimento teve duração de 75 dias. Os animais foram suplementados por um período de 60 dias. Ao final dos 60 dias os animais continuaram recebendo o mesmo manejo, sendo fornecido concentrado sem a suplementação de vitamina E durante 15 dias, para avaliação de possível efeito residual da suplementação de vitamina E. Antes do período experimental os animais passaram por um período de adaptação de 10 dias, aos piquetes e ao concentrado. Durante o experimento foram realizadas 4 coletas de sêmen, sendo que a coleta 1 foi realizada antes de iniciar a suplementação com vitamina E (D0 – sem suplementação de vitamina E), no dia seguinte iniciou-se a suplementação com vitamina E dos touros do grupo GE e 30 dias após realizou-se a coleta 2 (D30- com suplementação de vitamina E); 60 dias após realizou-se a coleta 3 (D60- com suplementação de vitamina E). Após os 60 dias de suplementação os animais continuaram a receber o mesmo manejo, porém não foi adicionado a vitamina E ao suplemento, e após 15 dias da terceira coleta realizou-se então a coleta 4 (D75- sem suplementação de vitamina E) para avaliação do efeito residual da suplementação vitamínica sobre os parâmetros espermáticos.

Para a coleta do sêmen os animais foram contidos em tronco apropriado e submetidos à higienização do pênis e prepúcio. A consistência testicular (CONS) foi avaliada e classificada em escala de um a cinco, onde, 1 foi considerado o testículo duro e 5 foi considerado o testículo mole (REICHENBACH et al., 2008). Posteriormente a realização do exame clínico dos animais, realizou-se a limpeza do reto e ao mesmo tempo avaliou-se a genitália interna e em seguida o sêmen era coletado através do método de eletroejaculação, e recolhido em tubo plástico graduado em mililitros, isolado de choque térmico e da luz, previamente aquecido.

Após a coleta do sêmen, aferiu-se o volume (VOL), cor e aspecto do ejaculado por meio de visualização direta do tubo graduado utilizado para a coleta. Em seguida o sêmen foi avaliado de acordo com as recomendações do Colégio Brasileiro de Reprodução Animal (CBRA, 1998), para os seguintes parâmetros: Turbilhonamento

(TURB): feito com uma gota sobre uma lâmina previamente aquecida a 37ºC, e observado em microscópio óptico em aumento de 40x, com uma escala de 0 a 5, sendo que 0 foi considerado a ausência de turbilhão e 5 o turbilhão máximo. Motilidade e Vigor espermáticos: feita entre lâmina e lamínula, previamente aquecida à 37ºC em microscópio óptico em aumento de 100x. A motilidade espermática foi avaliada como porcentagem de espermatozóides móveis e vigor espermático como escala (0 a 5) (CBRA, 1998).

As demais análises seminais foram preparadas no momento da coleta e avaliadas posteriormente no Laboratório de Biotecnologia e Reprodução Animal (LABRA) da Universidade Federal de Mato Grosso. Uma alíquota de sêmen foi diluída em solução de formol salino na proporção 1:200 para avaliação da concentração espermática (CONC) do ejaculado e avaliação da morfologia espermática. A concentração espermática foi determinada através da contagem em Câmara de Neubauer, e expressa em milhões de espermatozóides por mL. A análise da morfologia espermática foi feita através de preparações úmidas, entre lâmina e lamínula, avaliando-se 200 células espermáticas com auxílio de microscopia por contraste de fase, aumento de 1000x e imersão. As alterações espermáticas foram classificadas de acordo com Barth e Oko (1989) sendo divididas em defeitos maiores (DEFMA), menores (DEFME) e totais (DEFTOT) (CBRA, 1998).

O teste hipo-osmótico (HIPO) foi realizado segundo a metodologia de Jeyendran et al. (1984). As amostras foram analisadas em microscopia com contraste de fase, aumento de 1000x, pelo método de câmara úmida. Avaliaram-se 200 células, sendo estas classificadas em espermatozóides normais, com cauda enrolada e cauda fortemente enrolada (FONSECA et al., 2005).

Na análise da viabilidade espermática, foi utilizada a coloração de eosina e nigrosina (EOS) (WHO, 1992), onde os espermatozóides com membrana íntegra (vivos) são impermeáveis ao corante, mantendo-se incolores, e os com membrana lesionada (mortos) se coram de rosa. Foram contadas 200 células em microscópio óptico, sob imersão e aumento de1000x.

Para avaliação da integridade acrossomal, utilizou-se o Corante Simples de Pope ou coloração de fast Green rosa bengala (POPE et al., 1991) que foi avaliada em microscópio óptico, sob imersão e aumento de 1000x. Foram avaliadas 200 células classificadas em:

• Acrossoma não íntegro: região acrossomal de coloração rosa.

Para observar a reação acrossômica foi realizada a técnica de Harayama et al. (1993) que consiste na coloração tripla dos espermatozóides capacitados. Esta técnica possibilita a visualização de quatro padrões de coloração espermática:

• espermatozóides vivos com acrossoma intacto (Classe 1, TRI 1); • espermatozóides vivos com reação acrossomal (Classe 2, TRI 2); • espermatozóides mortos com acrossoma intacto (Classe 3, TRI 3); • espermatozóides mortos com reação acrossomal (Classe 4, TRI 4).

Foi estimado o consumo diário de vitamina E dos animais experimentais, para melhor discutir os resultados encontrados, e os valores da vitamina existentes na gramínea e nos ingredientes do suplemento obtidos no NRC (2001).

O experimento foi realizado em delineamento inteiramente casualizado com medidas repetidas no tempo. Os dados foram analisados através da ANOVA e do teste SNK com um nível de significância de 10% com auxilio do programa estatístico SAS (SAS, 2001). Quando necessário os dados foram transformados para serem analisados como dados paramétricos. Os dados foram expressos na forma de média e erro padrão da média dos dados originais.

4.3 Resultados e Discussão

Para a variável consistência testicular foi observado efeito (p<0,0001) da coleta (p<0,0001). Sendo que a coleta 1 apresentou valor de (3,77±0,078), coleta 2 (3,00± 0) , coleta 3 (3,09± 0,090) e coleta 4 (3,45± 0,15) (Tabela2). Ou seja, independente do tratamento ao qual os animais foram submetidos observou-se uma redução na consistência testicular durante o experimento. Esta redução pode ser explicada pelo fato que os animais experimentais estarem em estação de monta antes do experimento o que poderia ter iniciado um processo de degeneração testicular. Durante a suplementação os animais encontravam-se em repouso sexual e este repouso pode ter proporcionado condições para a recuperação espontânea do tecido testicular e alteração da consistência testicular (SETCHELL,1998).

Tabela 2. Média ± erro padrão da média das variáveis: circunferência escrotal (CE), consistência (CONS), volume (VOL), vigor espermático (VIG), % de defeitos maiores (DEFMA), % de defeitos totais (DEFTOT) das amostras seminais de touros Brangus não suplementados (Coleta 1) ou suplementados com vitamina E (Coleta 2 e 3) e após 15 dias da suplementação (Coleta 4).

Variável Coleta1 Coleta2 Coleta3 Coleta4 P

CONS (1-5) 3,77±0,078A 3,00±0 C 3,09±0,090 C 3,45±0,15 B <0.0001 VOL (mL) 6,59±0,98A 5,81±0,62A 5,36±0,65AB 4,04±0,56B 0,0442

VIGOR (0 -5) 2,95±0,19A 2,00±0,30B 2,63±0,15AB 2,63±0,20AB 0,0263

DEFMA(%) 20,77±2,89A 12,81±3,06B 17,63±2,07A 15,81±3,69AB 0,0515

DEFTOT (%) 26,18±3,24A 16,31±3,12B 20,13±2,28AB 19,04±3,93AB 0,0703

HIPO (%) 22,13±3,48AB 9,50±0AB 9,24±2,54B 26,88±3,84ª 0,0131 POPE (%) 3,75±0,46A 2,19±0,43B 1,61±0,22B 1,59±0,42B 0,0006

Houve diferença (p=0,0442) de volume de sêmen ejaculado entre as coletas avaliadas (Tabela2), o volume foi decaindo com o prosseguir das coletas, o que é esperado para touros em repouso sexual. Chacuret al. (2006) avaliando características seminais de touros da raça Canchim aos 14 e 48 meses de idade, também observaram diferença de volume de ejaculado entre as coletas. Segundo Pimentel (2004), o volume é medido na coleta através da leitura direta no copo graduado, em mL. O valor fisiológico para touros varia de 1 a 10 mL, dependendo do método de coleta utilizado (vagina artificial, eletroejaculador, massagem das vesículas). No entanto, a variação depende também do próprio animal, da idade do touro e da eficiência da contração dos vasos deferentes e caudas do epidídimo em respostas aos estímulos realizados (UNANIAN, 1993). A pequena quantidade de volume não é prejudicial à qualidade seminal do touro, mas acompanhada da baixa concentração espermática leva a uma redução na produção total de espermatozóides (HAFEZ, 2004).

Para a variável motilidade espermática não houve diferença entre as suplementações avaliadas (Tabela2). Esses resultados foram contrários aos encontrados por Marin – Guzman et al. (2000) que avaliaram a suplementação com 220 UI/vit.E/Kg de ração constataram melhoria na motilidade espermática em suínos.

Para a variável vigor espermático foi observado diferença apenas entre a coletas avaliadas (p=0,0263), sendo que o coleta1 obteve o melhor resultado com (2,95± 0,19), seguido da coleta 3 e 4 (2,63±0,15 e 2,63±0,20), e com menor vigor a coleta 2 (2,00±0,30) (Tabela2). De acordo com o CBRA (1998) para touros destinados a monta natural, o vigor ideal deve ser igual ou superior a três, em escala de zero a cinco (CBRA, 1998).

Os valores encontrados para vigor espermático no presente trabalho são inferiores aos preconizados pelo CBRA (1998) e próximos àqueles encontrados por Moraes et al. (1998) que avaliaram indicadores de exame andrológico em função da condição reprodutiva de touros Aberdeen angus e Brangus e encontraram médias para vigor espermático (2,51±0,08).

O turbilhonamento não diferiu entre os tratamentos, as coletas e interação tratamento x coleta (p>0,10). O turbilhonamento é uma variável dependente da motilidade, vigor, concentração e volume, portanto seus valores dependem do método de coleta, não sendo item considerado para descarte de um reprodutor, embora oturbilhonamento desejável seja igual ou superior a 3 (CBRA,1998).

Não houve efeito da suplementação com vitamina E da coleta (p=0,6461), tratamento (p=0,7928) e interação tratamento e coleta (p=0,1763) para a variável concentração espermática. Xavier et al.(2008) também não observaram efeito de tratamento para a concentração do sêmen de caprinos submetidos tratados ou não com Selênio e Vitamina E.

Foi observado efeito da coleta para as variáveis, DEFMA (p=0,0515) e DEFTOT (p=0,0703), onde os melhores resultados obtidos para ambas as variáveis foram para a coleta 2 DEFMA(12,81±3,06) e DEFTOT (16,31±3,12) (Tabela 2), porém não foram observadas diferenças (p>0,10) entre os tratamentos para DEFMA (p=0,12380), DEFTOT (p=0,2072) e DEFME (p= 0,9776) (Tabela 3). Também não foram observados efeito da interação tratamento x coletas para DEFMA (p=0,1210), DEFME (p=0,9884) e DEFTOT (p=0,3307) .

Contrariando os resultados obtidos no presente trabalho, Velasquez –Pereira et al. (1998) verificaram diferença entre os tratamentos (p<0,05) para defeitos espermáticos maiores, entre touros que receberam ou não 400 UI de vitamina E. No trabalho destes autores os touros que não receberam vitamina E apresentara maior porcentagem de defeitos maiores (59,1±6,0), e os que receberam tiveram menor porcentagem de defeito maior (38,4±5,2).

Tabela 3. Média ± erro padrão da média das variáveis: circunferência escrotal (CE), consistência (CONS), volume (VOL), motilidade espermática (MOT), vigor espermático (VIG), turbilhonamento (TURB), concentração do ejaculado(CONC), % de defeitos menores (DEFME), % de defeitos maiores (DEFMA), % de defeitos totais (DEFTOT) das amostras seminais de touros Brangus não suplementados (GC) ou suplementados com vitamina E (GE).

Variável GC GE P CE (cm) 39,70±0,47 39,57±0,38 0,8334 CONS (1-5) 3,35±0,09 3,30±0,098 0,6040 VOL (mL) 5,29±0,58 5,65±0,46 0,4096 MOT (%) 58,75±2,69 57,36±3,04 0,6625 VIGOR (0 -5) 2,54±0,14 2,57±0,19 0,8740 TURB (0-5) 1,67±0,29 1,20±0,28 0,2775 CONC (x106 sptz/mL) 36,35±5,69 38,5±5,82 0,7928 DEFMA(%) 15,41±2,01 18,37±2,27 0,1238 DEFME (%) 3,79±0,56 3,20±0,38 0,9776 DEFTOT(%) 19,23±2,27 21,85±2,37 0,2072 HIPO (%) 23,37±3,29 19,88±3,62 0,6231 POPE(%) 2,14±0,26 2,47±0,42 0,5355

Também observou-se efeito de coleta (p=0,0131) sobre a integridade da membrana espermática (HIPO). A integridade da membrana espermática foi melhor na coleta 3 (9,24±2,5%) (Tabela2). A integridade da membrana espermática é de grande importância na determinação da fertilidade dos espermatozóides, pois para que haja capacitação, hiperativação, reação acrossômica e fusão com o oócito, é necessário que o espermatozoide tenha sua membrana integra (ALVAREZ e MORAES, 2006).Uma das principais causas da diminuição na integridade da membrana espermática é a lipoperoxidação dos lipídeos da membrana, que ocorre pela ação de espécies reativas ao oxigênio, que causam danos na membrana do espermatozóide reduzindo dessa forma a viabilidade e fertilidade dos espermatozóides (AITKEN, 1997; ALVAREZ e MORAES, 2006).

Observou efeito da coleta (p=0,0006) para espermatozóides com acrossoma íntegro, avaliado pela coloração POPE (Tabela 2), onde os animais da coleta 1 obtiveram maior número de espermatozóides com acrossoma íntegro (3,75±0,46%).

Para as variáveis espermatozóide vivos com acrossoma intacto (TRI1), espermatozóides vivos com acrossoma reagido (TRI2), espermatozóides mortos com acrossoma intacto (TRI 3), espermatozóides mortos com acrossoma reagido (TRI 4), foram observados efeitos da interação tratamento x coleta (TRI 1, p<0,0001; TRI3,p=0,0041; e TRI4, p=0,0462) (Tabela 4). Logo se pode concluir que o número de

espermatozóides vivos com acrossoma intacto (Tripan1) reduziu da coleta 1 para a coleta 2. Já o número de espermatozóides mortos com acrossoma intacto (Tripan 3), espermatozóides mortos com acrossoma reagido (Tripan 4) reduziram com o passar das coletas. Estes resultados são esperados, pois ao coletar os animais seguidamente, estimula-se a produção de novos espermatozóides, e consequentemente de maior qualidade.

Tabela 4 – Média ± erro padrão da média das variáveis espermatozóides vivos com acrossoma intacto (TR1–1), espermatozóides vivos com reação acrossômica (TRI–2), espermatozóides mortos com acrossoma intacto (TRI 3), espermatozóides mortos com reação acrossômal (TRI-4) do sêmen fresco e de touros Brangus por coleta e tratamento.

Variável Coleta 1 Coleta 2 Coleta 3 Coleta 4

Control e Colet a P Contr ole Coleta P Contro le Colet a P Contro le Colet a P TRI 1 % 82,20 ±8,81 91,13 ±3,95 0,45 77 90,42 ±3,37 24,75 ±24,27 0,009 8 0 0 0 0 0 0 TRI 2 % 0,33 ±0,16 0,49 ±0,35 - 0,31 ±0,23 0,11 ±0,11 - 0,39 ±0,14 0,36 ±0,22 - 0,56 ±0,08 0,19 ±0,12 - TRI 3 % 9,42 ±2,79 11,58 ±3,14 0,49 06 12,61 ±3,12 15,93 ±4,41 0,533 4 9,09 ±5,82 25,22 ±6,51 0,0243 8,22 ±2,30 2,26 ±0,55 0,0351 TRI 4 % 0,24 ±0,11 0,49 ±0,20 0,27 43 0,39 ±0,39 0,60 ±0,23 0,699 4 1,65 ±1,30 5,33 ±1,42 0,0894 3,20 ±2,07 0,29 ±0,12 0,2364 P <0.0001 0,5432 0,0041 0,0462

Segundo o NRC (1996) a exigência de vitamina E para bovino de corte nas fases de crescimento e terminação varia entre 50 à 100 UI de vitamina E/dia. Considerando-se a categoria animal e peso vivo médio dos animais deste experimento, estimou-se o consumo de matéria seca (CMS) em 11,55 kg de MS/dia. Os animais experimentais de ambos os grupos foram mantidos em sistema de pastejo recebendo 4,5 kg de concentrado diariamente. Deste modo, para se obter a quantidade de vitamina E fornecida pela dieta, estimou-se a quantidade da vitamina proveniente da ingestão de forragem e na ração concentrada (McDOWELL,1999; NRC, 1996). O total de vitamina E fornecido na dieta dos animais experimentais foi obtido pela soma dos valores estimados de vitamina E na forragem e na ração concentrada, sendo que o GE além da

vitamina E presente nos alimentos fornecidos durante o período experimental foi adicionado 400 UI de vitamina E/animal dia.

Para a estimativa da vitamina E proveniente da dieta não foi considerado quantidade proveniente na forragem, pois segundo o NRC (1996), não são encontrados valores significativos de vitamina E na maioria das gramíneas. Baseando-se nas estimativas calculadas na ração, observou-se que os animais do GC receberam diariamente 58 UI de vitamina E (Tabela 5), atendendo, portanto a demanda mínima de vitamina E diária dos animais estudados. Já os animais do GE, além da vitamina E fornecida pelos ingredientes da ração concentrada, foram também suplementados com 400 UI de vitamina E/ animal/dia, totalizando um fornecimento diário aos animais do

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