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Cap´ıtulo

No documento Termodinâmica. Capítulo 6 (páginas 31-36)

Teoria Cin´etica dos Gases

No cap´ıtulo anterior definimos as bases da teoria termodinˆamica enunciando as leis zero e primeira da termodinˆamica. A primeira permitiu definir conceito de temperatura, essencial para indicar o equil´ıbrio t´ermico, e a primeira lei nos permitiu descrever a transferˆencia de energia em um processo termodinˆa- mico. Aqui faremos uma breve digress˜ao com o objetivo de mostrar a base te´orica por tr´as das equa¸c˜oes desenvolvidas no cap´ıtulo anterior. ´E importante notar que as equa¸c˜oes que desenvolvemos no cap´ıtulo anterior tinham sido justificadas por meio de experimentos. No entanto, hoje sabemos que a termodinˆa- mica ´e o limite macrosc´opico da chamada f´ısica estat´ıstica, um ramo muito importante da f´ısica. Aqui aplicaremos os conceitos de f´ısica estat´ıstica aos chamados gases ideais que chamamos de teoria cin´etica dos gases.

Antes de considerar as quantidades termodinˆamicas, ´e necess´ario definir algumas quantidades ´uteis na descri¸c˜ao de muitas part´ıculas.

7.1

O n´umero de Avogadro

Quando lidamos com ´atomos e mol´eculas ´e conveniente medir o tamanho das amostras em moles. Fazendo isso, temos certeza que estamos comparando amostras com o mesmo n´umero de ´atomos ou mol´eculas. O mol ´e definido da seguinte forma:

1 mol ´e o n´umero de ´atomos em uma amostra de 12g de carbono 12. O n´umero de ´atomos ou mol´eculas em um mol ´e dado por

NA= 6, 02× 1023 mol−1 (7.1)

O n´umero n de moles contido em uma amostra ´e dada pela raz˜ao entre o n´umero de ´atomos ou

mol´eculas N da amostra e o n´umero de ´atomos ou mol´eculas em um mol, i.e.,

n = N NA

(7.2)

Podemos calcular o n´umero de moles em uma amostra a partir da massa Mamda amostra e da massa molar M (massa de 1 mol) ou da massa molecular m (massa de uma mol´ecula):

n = Mam M = Mam NAm . (7.3)

7.2

Gases Ideais

Quando queremos determinar as propriedades de um g´as, a primeira pergunta seria quais s˜ao as mol´eculas do g´as? No entanto, se colocamos 1 mol de v´arios gases em um recipiente com um mesmo volume e sob a mesma temperatura mediremos valores de press˜ao ligeiramente diferentes. Se medimos a press˜ao para concentra¸c˜oes cada vez menores de g´as, estas pequenas diferen¸cas de press˜oes medidas tendem a desaparecer.

Medidas mais precisas mostram que, em baixas concentra¸c˜oes, todos os gases obedecem a seguinte rela¸c˜ao:

pV = nRT (7.4)

onde p ´e a press˜ao absoluta, n o n´umero de moles, T e V s˜ao a temperatura e volume e R ´e a chamada constante dos gases ideais:

R = 8, 31 J/mol K.

A Eq. (7.4) ´e chamada lei dos gases ideais. Contanto que a concentra¸c˜ao do g´as seja baixa, essa lei se aplica a qualquer g´as ou mistura de gases.

Podemos escrever a Eq. (7.4) em termos da constante de Boltzmann, definida por:

kB= R NA = 8, 31 J/mol K 6, 02× 1023 mol−1 = 1, 38× 10 23 J/K.

assim, podemos escrever R = NAkB,e substituindo na (7.4) segue que:

pV = nNAkBT

7.2. GASES IDEAIS 205

Figura 7.1: Trˆes isotermas em um diagrama p− V . A trajet´oria mostrada na isoterma central representa uma expans˜ao isot´ermica de um g´as no estado inicial i para um estado final f . A trajet´oria de f para i na mesma isoterma representa o processo inverso, uma compress˜ao isot´ermica.

Note que a diferen¸ca entre as Eqs. (7.4) e (7.5) ´e que a primeira envolve o n´umero de moles e a segunda envolve o n´umero de mol´eculas contidas no g´as.

Note que todos os gases reais se aproximam da lei dos gases ideais no limite em que suas mol´eculas n˜ao interagem. Isto nos permite analisar o comportamento limite dos gases reais usando uma lei bastante simples.

7.2.1 O trabalho realizado por um g´as ideal `a temperatura constante

Suponha que o g´as ideal seja introduzido em um cilindro com um ˆembolo como o que estudamos no cap´ıtulo anterior. Suponha que mantemos a temperatura do g´as ideal fixa, usando o reservat´orio t´ermico, e fazemos seu volume variar desde um valor inicial Vi a um valor final Vf. Este tipo de processo a temperatura constante ´e chamado de expans˜ao isot´ermica (ou compress˜ao isot´ermica no caso inverso).

O processo isot´ermico ´e representado por uma curva chamada isoterma no diagrama p–V , como mostrado na Fig. 7.1.

Podemos obter a express˜ao matem´atica atrav´es da lei dos gases ideais,

pV = nRTp = nRT

V =

constante

V

O trabalho pode ser calculado atrav´es da Eq. (6.8): W =Vf Vi p(V ) dV = nRTVf Vi dV V

e resolvendo a integral, segue que:

W = nRT ln ( Vf Vi ) (7.6)

Vemos da Eq. (7.6) que se Vf > Vi e W > 0 que ´e o caso da expans˜ao e no caso da compress˜ao temos Vf < Vi e W < 0 o que implica no aumento da energia interna do g´as segundo a primeira lei de termodinˆamica.

7.2.2 Trabalho a press˜ao e volume constantes

O trabalho realizado pelo g´as a volume constante ´e dado pela Eq. (6.8):

W =

Vf Vi

p(V ) dV = 0W = 0, (7.7)

desde que Vi = Vf quando o volume n˜ao varia.

No caso da press˜ao constante, temos pela Eq. (6.8):

W =Vf Vi p(V ) dV = pVf Vi dV

desde que a press˜ao ´e constante e n˜ao depende do volume, ent˜ao podemos retir´a-la da integral. Assim,

W = p(Vf − Vi). (7.8)

Exemplo

1. Um cilindro tem 12 L de O2 a 20 oC e 15 atm. A temperatura ´e aumentada para 35 oC e o volume ´e

reduzido para 8, 5 L. Qual ´e a press˜ao final do g´as em atmosferas? Suponha que o g´as ´e ideal.

Como o g´as ´e ideal, ent˜ao podemos usar

pV = nRT

que ´e o v´alida nos estados inicial e final do g´as, assim temos que:

7.3. PRESS ˜AO, TEMPERATURA E VELOCIDADE M ´EDIA QUADR ´ATICA 207 de onde obtemos pfVf piVi = Tf Tipf = ( TfVi TiVf ) pi e convertendo as temperaturas para Kelvins, segue que:

pf = 12 8, 5 ( 273 K + 20 273 K + 35 ) × 15 atm = 22 atm.

2. Um mol de oxigˆenio (trate-o como g´as ideal) se expande a uma temperatura constante de 310 K de um volume inicial Vi = 12 L a um volume final Vf = 19 L. Qual o trabalho realizado pelo g´as durante

a expans˜ao?

Temos, pela Eq. (7.6)

W = nRT ln

(

Vf

Vi )

desde que a temperatura ´e mantida constante no processo. Assim, substituindo-se os valores correspon- dentes, segue que:

W = 1 mol× (3, 18 J/mol K) × 310 K × ln ( 19 12 ) W = 1180 J.

7.3

Press˜ao, Temperatura e Velocidade M´edia Quadr´atica

Aqui, temos como objetivo responder a seguinte pergunta:

Temos n moles de um g´as em uma caixa de volume V . Qual ´e a rela¸c˜ao entre a press˜ao do g´as sobre as paredes da caixa e a velocidade das mol´eculas do g´as? Vamos considerar que as colis˜oes das mol´eculas com as paredes s˜ao el´asticas e ignorar as colis˜oes entre as mol´eculas. Vamos determinar a transferˆencia de momento sobre a parede da caixa paralela ao plano yz, veja a Fig. 7.2. Neste caso, a ´unica componente do momento que muda ´e a componente x:

Normal à área

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