Normal à área sombreada
7.3. PRESS ˜ AO, TEMPERATURA E VELOCIDADE M ´ EDIA QUADR ´ ATICA
onde N ´e o n´umero total de mol´eculas que existem na caixa.
Como N = nNA, ent˜ao temos nNA parcelas na soma entre parˆenteses. Podemos substituir a soma por N (vx2)med = nNA(v2x)med, onde (vx2)med ´e a m´edia do quadrado das velocidades. Logo,
p = mnNA L3 (v
2
x)med. (7.10)
Mas como M = mNA´e a massa molar do g´as e L3 ´e o volume da caixa podemos escrever ainda:
p = nM V (v 2 x)med= nM V ⟨v 2 x⟩ (7.11)
onde usamos uma nota¸c˜ao mais compacta para a m´edia do quadrado. Para qualquer mol´ecula temos que:
v2 = vx2+ vy2+ v2z.
Como existem muitas mol´eculas e elas est˜ao se movendo em dire¸c˜oes aleat´orias, os valores m´edios dos quadrados das velocidades s˜ao iguais para todas as dire¸c˜oes, i.e., ⟨v2x⟩ = ⟨vy2⟩ = ⟨vz2⟩ logo
⟨v2⟩ = ⟨v2
x⟩ + ⟨vy2⟩ + ⟨v2z⟩ = 3⟨vx2⟩
e substituindo este resultado na Eq. (7.11) segue que:
p = nM
3V ⟨v
2⟩ (7.12)
A ra´ız quadrada de⟨v2⟩ ´e um tipo de m´edia chamada velocidade m´edia quadr´atica das mol´eculas e ´e representada por vrms1. Assim, podemos escrever:
vrms = √
⟨v2⟩ e podemos escrever a Eq. (7.12) para a press˜ao na forma:
p = nM
3V v 2
rms (7.13)
Combinando a Eq. (7.13) com a lei dos gases ideais, podemos escrever vrmsem termos da temperatura:
pV = nRT ou seja, nM 3V v 2 rmsV = nRT 1
G´as Massa Molar (10−3 kg/mol) vrms (m/s)
H2 2,02 1920
O2 32 483
SO2 64,1 342
Tabela 7.1: Tabela mostrando alguns valores da velocidade rms para alguns gases.
ou ainda:
vrms= √
3RT
M . (7.14)
Na tabela7.1temos alguns valores de velocidades rms. Notamos que, por exemplo, para o g´as H2, a velocidade ´e extremamente alta, de 1920 m/s que equivale a aproximadamente 6900 km/h. Assim, desde que as mol´eculas movem-se t˜ao depressa ´e natural perguntar porque levamos quase um minuto para sentir o cheiro de um perfume quando abrimos o frasco do outro lado de uma sala? A resposta ´e que, apesar da velocidade elevada, as mol´eculas do perfume se afastam muito lentamente do frasco por causa da colis˜ao entre as mol´eculas.
7.3.1 Livre Caminho M´edio
A velocidade rms ´e bem elevada, conforme mostrado na tabela acima. No entanto, quando as mol´eculas colidem umas com as outras, a velocidade das mol´eculas muda de dire¸c˜ao de modo que o movimento de qualquer mol´ecula em um g´as ´e completamente aleat´orio conforme mostrado na Fig. 7.3.
Este tipo de movimento ca´otico ´e chamado de movimento difusivo ou simplesmente difus˜ao. Desta forma, vemos que a alta velocidade das mol´eculas existe apenas entre duas colis˜oes e a cada colis˜ao a velocidade muda de dire¸c˜ao. Com isso, a velocidade m´edia efetiva ´e muito menor do que a velocidade entre duas colis˜oes.
Desde que as colis˜oes s˜ao aleat´orias, a distˆancia percorrida pela mol´ecula ´e vari´avel. No entanto, podemos definir uma distˆancia m´edia entre colis˜oes que chamamos de “livre caminho m´edio”, (simbolizado por l).
Se consideramos que as mol´eculas possam ser aproximadas por esferas de diˆametro d, ´e de se esperar que l diminua com d e tamb´em com a concentra¸c˜ao de mol´eculas (N/V ). Para estimar o livre caminho m´edio notamos que duas mol´eculas (representado por esferas) v˜ao colidir quando a distˆancia entre seus centros ´e menor ou igual a d como mostrado na Fig. 7.4a. De maneira equivalente, podemos representar
7.3. PRESS ˜AO, TEMPERATURA E VELOCIDADE M ´EDIA QUADR ´ATICA 211
Figura 7.3: Diagrama mostrando a trajet´oria descrita por uma mol´ecula do g´as. Devido as colis˜oes com as outras mol´eculas do g´as a trajet´oria ´e aleat´oria.
(a)
(b)
(c)
Figura 7.4: (a) Uma colis˜ao ocorre quando a distˆancia entre os centros das mol´eculas est˜ao a uma distˆancia menor do que o diˆametro das mol´eculas. (b) representa¸c˜ao equivalente, por´em mais conveniente, ´e pensar na mol´ecula em movimento como tendo raio d e em todas as outras sendo pontos. (c) No intervalo de tempo t a mol´ecula descreve um volume cil´ındrico de raio d e comprimento ⟨v⟩t.
esta mesma situa¸c˜ao considerando que a mol´ecula tem um diˆametro 2d e as demais s˜ao pontuais como mostrado na Fig. 7.4b. A esfera de raio d ´e chamada de esfera de exclus˜ao e possui um volume 8 vezes
maior do que o volume da mol´ecula, V = 4 3πd 3 = 8×4 3π ( d 2 )3 = 8Vmolec..
Quando a mol´ecula percorre sua trajet´oria a sua esfera de exclus˜ao varre um volume cil´ındrico com eixo centrado na trajet´oria descrita pelo centro O (veja a Fig. 7.4c).
O no m´edio de colis˜oes sofridas pela mol´ecula ´e igual ao no de mol´eculas contidas neste volume cil´ındrico. Note que a ´area da se¸c˜ao transversal do cilindro
σ = πd2
´
e a ´area efetiva da mol´ecula que chamamos de se¸c˜ao de choque. Esta ´area desempenha um papel im- portante no c´alculo da taxa de colis˜oes. Para estimar o livre caminho m´edio, vamos considerar que as demais mol´eculas contidas no volume varrido s˜ao pontuais e que a ´unica mol´ecula em movimento ´e a que tem centro em O. Assim, num tempo t, a mol´ecula varre um volume dado por,
V = σ⟨v⟩t
Agora, o n´umero de colis˜oes sofridas ser´a dada pelo n´umero de mol´eculas contidas neste volume, assim, se N/V ´e a concentra¸c˜ao de mol´eculas ent˜ao o n´umero de colis˜oes ser´a
no de colis˜oes = N
V × σ⟨v⟩t
A freq¨uˆencia com que a mol´ecula sofre colis˜oes ser´a
f = n
o de colis˜oes
t =
N
V × σ⟨v⟩
Dividindo a distˆancia percorrida por unidade de tempo, que ´e a pr´opria velocidade m´edia, pelo n´umero de colis˜oes por unidade de tempo, obtemos l:
l = ⟨v⟩ f =
1 (N/V )πd2
E vemos ent˜ao que l → 0 quando N/V, d → ∞. Este c´alculo n˜ao leva em conta o movimento das mol´eculas. Assim, em um c´alculo mais preciso deve-se considerar a velocidade relativa da mol´ecula no lugar de ⟨v⟩. Neste caso, obtemos um resultado ligeiramente diferente,
l = ⟨v⟩ f =
1
√