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PROGRAMAS DE COMPUTADOR

2.2.5 Capacidade inter-institucional

A capacidade inter-institucional da ARA-Centro pode ser dividida em três categorias principais de actores: 1) a autoridade nacional da água, 2) as autoridades da água zimbabweanas e 3) os utentes da água e outras partes interessadas e afectadas.

As relações de trabalho com a DNA melhoraram durante o Projecto Pungoé. As reuniões regulares da Comissão de Direcção do Projecto com a participação da ARA-Centro e da DNA, disponibilizaram informações regulares das actividades às autoridades. Além disso, através do projecto, tem-se verificado um apoio mais directo à ARA-Centro, fornecido principalmente através da Directora Nacional Adjunta, a Enga Olinda Sousa.

Os cursos de formação em modelação e SIG têm sido realizados com a participação do pessoal da ARA-Centro e da DNA. A razão para isto, foi de se poder utilizar a base de conhecimentos da DNA e simultaneamente aumentar a massa critica dos conhecimentos dentro das autoridades da água em Moçambique.

As relações entre a ARA-Centro e a ZINWA-Save têm também melhorado consideravelmente através de reuniões e seminários regulares realizados no projecto. As reuniões da Comissão de Gestão do Projecto têm sido realizadas mensalmente. Os cursos e formação no trabalho têm sido executados em conjunto entre a ARA-Centro e a ZINWA-Save para facilitar contactos entre o pessoal técnico. Organizaram-se visitas aos respectivos países no âmbito da formação em trabalho.

Em termos da interacção das partes interessadas e afectadas, o estabelecimento do Comité da Bacia do Pungoé forneceu uma melhoria significativa. O Comité é um fórum que a ARA-Centro pode utilizar para fins informativos e para estabelecer contactos sobre as questões relacionadas com os recursos hídricos. No entanto, apesar dos Estatutos da ARA-Centro estarem definidos desde Agosto de 2004, o pessoal da ARA-Centro parece ter ainda um problema em agir como autoridade face aos utentes de água e às outras autoridades regionais. O papel e a autoridade da ARA-Centro não é ainda suficientemente conhecido e respeitado por alguns utentes de água e outras instituições governamentais na região. Isto deu origem à situação de alguns utentes se recusarem a pagar a tarifa completa pela água consumida, referindo-se por vezes a outras autoridades.

Esta situação pode prejudicar a disponibilidade dos utentes de água vizinhos pagarem pelo seu consumo. O seminário interno realizado em Junho de 2005 na ARA-Centro, discutiu

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este problema e propôs uma campanha de informação para divulgar o papel e autoridade da ARA-Centro aos utentes de água, partes interessadas e afectadas e outras autoridades governamentais.

2.3 Matriz da CI

Na Tabela 2.6. apresenta-se uma avaliação subjectiva da capacidade actual da ARA-Centro para cumprir os requisitos dos estatutos.

Tabela 2.6 Matriz de CI para a ARA-Centro A escala vai de 1 (capacidade inadequada) a 3 (capacidade suficiente) a 5 (capacidade sustentável).

CAPACIDADE Desenvolvimento de Faculdades Humanas Organização e Desenvolvimento de Recursos Desenvolvimento Institucional MISSÃO Técnicos Económicos e de Gestão

Formulação e actualização dos planos da bacia

para a GIRH 3 3 2 4

Desenvolver e manter uma base de dados

hidrométricos necessárias para a GIRH 3 3 2 3 Desenvolver e manter uma base de dados de

qualidade da água necessária para a gestão ambiental

1 2 2 2

Desenvolver valor acrescentado aos dados através do SIG e da modelação para a prestação de serviços

2 4 2 3

Licenciamento de usos da água e descargas de

efluente incluindo a respectiva aplicação 2 3 2 2 Desenvolver e manter um processo de

participação das partes interessadas 3 4 2 2 Planeamento, concepção, construção, operação e

manutenção de obras hidráulicas 1 1 1 3

Desenvolver e manter uma cooperação bilateral 5 3 2 4

No âmbito do conceito de “threshold” (limiar), a capacidade total para cada missão é igual ao valor mais baixo na linha da Tabela 2.6. Apesar da capacidade melhorada ao longo dos últimos anos, a ARA-Centro não tem ainda capacidade para satisfazer os requisitos básicos definidos pelos estatutos.

A razão principal para a pouca capacidade para efectuar todas as missões é a limitação organizacional e económica da ARA-Centro. Esta capacidade é baixa devido, principalmente, ao financiamento insuficiente, ao número limitado de pessoal e à falta de infra-estruturas básicas, como escritórios locais, veículos, etc.

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A capacidade actual mais baixa está relacionada com a capacidade para planear, conceber, construir e operar infra-estruturas hidráulicas. Esta missão é uma tarefa de grande magnitude que exige um elevado número de pessoal com diferentes conhecimentos de engenharia. Actualmente, a ARA-Centro não tem nenhum engenheiro com educação superior especializado em engenharia hidráulica. Uma solução possível nesta área seria utilizar as boas relações com a ARA-Sul que desenvolveu, na última década, uma capacidade funcional para desenvolver e operar grandes infra-estruturas hidráulicas.

Outra missão, em que a ARA-Centro tem grandes dificuldades em cumprir os seus objectivos, está relacionada com a monitoria da qualidade da água e da gestão ambiental. A principal razão para isto é que estas áreas são relativamente novas para as autoridades regionais da água em Moçambique. Não está também disponível apoio da DNA e de outras autoridades regionais. No entanto, a recente contratação de um biólogo cria oportunidades para se melhorar consideravelmente a capacidade para esta área de especialização.

Conforme salientado nos seminários e nos questionários existe ainda capacidade insuficiente nas áreas de hidrologia aplicada, como modelação hidrológica e SIG. A principal razão para isto é a falta de experiência do pessoal chave.

Uma vez que a capacidade tanto na hidrologia aplicada como na gestão ambiental é essencial para elaborar a base do licenciamento de usos da água e descargas de efluente, esta capacidade é também insuficiente.

O licenciamento e processo de participação das partes interessadas são também prejudicados pela imagem desfavorável da ARA-Centro, conforme discutido no seminário interno em Junho de 2005. esta imagem desfavorável deve-se principalmente ao facto da função e autoridade da ARA-Centro não ser ainda suficiente conhecido e respeitado pelas partes interessadas.

2.4 Capacitação necessária

No contexto da capacidade actual na ARA-Centro (Tabela 2.6) é possível identificar a necessidade de capacitação adicional.

A longo prazo, a prioridade deve ser elevar a capacidade da organização e dos recursos da ARA-Centro. Para cumprir os requisitos estabelecidos nos estatutos para a ampla área sob a jurisdição da ARA-Centro, a organização deve ser maior em termos de rotação, número de pessoal e presença local.

No entanto, o desenvolvimento deve ser feito progressivamente como um crescimento orgânico consistente, uma vez que não estará disponível nenhum financiamento externo significativo para um aumento súbito da capacidade de organização. O aumento nos fundos através do maior número de licenças de uso de água e das receitas correspondentes estão directamente ligados à maior capacidade de prestar serviços às partes interessadas e afectadas.

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Os passos importantes para uma maior capacidade de organização são:

• Melhorar a imagem da ARA-Centro através de informações dirigidas aos utentes de água, a outras partes interessadas e afectadas e às instituições públicas, sobre as funções e a autoridade da ARA-Centro.

• Continuar e intensificar o trabalho de emissão de licenças de uso de água e a recolha de tarifas.

• Desenvolver capacidades nas relações e nas negociações com os clientes.

• Estabelecer unidades em escritórios locais por exemplo, em Chimoio.

Existe também espaço para uma utilização mais eficiente dos actuais recursos humanos e económicos. Com estas medidas, a capacidade institucional da ARA-Centro pode ser elevada sem uma contribuição adicional de financiamento:

• Melhorar as informações internas e o envolvimento do pessoal.

• Desenvolver manuais de procedimentos para as principais áreas de serviço.

• Desenvolver e introduzir um planeamento e gestão estratégica sob a forma de um plano de três anos, como um enquadramento para o planeamento operacional anual.

• Desenvolvimentos adicionais na descrição de funções introduzindo áreas principais de desempenho para cada cargo, como forma de obter uma melhor gestão do planeamento de trabalho e do desempenho.

A capacitação técnica será necessária no sequência da maior demanda de prestação de serviços. As áreas de modelação hidrológica, SIG, monitoria da qualidade dos recursos hídricos, devem ser destacadas para corresponder às demandas básicas como por exemplo, avaliar os pedidos de licenças, calcular os valores de projecto para obras hidráulicas e emitir avisos de cheias. Mesmo que exista uma rede hidrométrica básica serão provavelmente, necessárias melhorias em termos de fiabilidade e rápida comunicação dos dados.

A área de capacidade técnica necessária para operar e manter barragens deve ser considerada a longo prazo. A curto prazo, a melhor forma de aumentar a capacidade é através da ARA-Sul. Se a necessidade da ARA-Centro prestar serviços ou se responsabilizar por grandes infra-estruturas hidráulicas crescer, será necessário recrutar novas capacidades.

Na área de gestão financeira e contabilidade, o foco deve incidir não tanto na questão de lidar com as responsabilidades financeiras vis-à-vis, fundos do governo central, como na construção e operação dos aspectos financeiros das actividades comerciais da ARA-Centro. Existem procedimentos para lidar com os poucos clientes actualmente (menos de 20) mas estes procedimentos são relativamente rudimentares e devem ser alargados e melhorados. Um primeiro passo neste sentido foi o sistema de contabilidade baseado no Excel agora em

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uso. Este sistema poderá lidar com todas as contas necessárias para as operações comerciais. No entanto, é necessário elaborar ou adicionar uma série de funções aos sistemas existentes a curto prazo, por exemplo:

• Análise do sistema de tarifas existente e possíveis ajustes nas taxas actuais.

• Melhores procedimentos de cobrança e pagamento.

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3 Capacidade institucional da autoridade regional da água

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