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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 Considerações Sobre Análise do Ambiente Competitivo e dos Recursos

2.1.2 Visão Baseada em Recursos (VBR)

2.1.2.2 Capacidades

Ao referirem-se as capacidades na VBR Barney (1991, 2001) identifica como sendo aquelas que formam um subconjunto dos recursos de uma empresa e são definidas como ativos tangíveis e intangíveis que permitem a empresa aproveitar por completo outros recursos que controla e estão embutidas dentro de um pacote de recursos.

De outra maneira, Hall (1993) classifica capacidades como recursos intangíveis por sua característica de ter, ou seja, de posse (patentes, marcas) e capacidades de fazer, ou seja, ação (habilidades e competências, “know-how”), enquanto Kristandl e Bonts (2007) entendem como um subconjunto de recursos estratégicos que compreende ativos tangíveis e capacidades. Já Mahoney e Pandian (1992) destacam que possuir melhores recursos é insuficiente para que as empresas alcancem melhores resultados e consideram que são por meio das capacidades ou competências distintivas explorando esses recursos que desenvolverá melhor desempenho.

Conforme aponta Newbert (2007) não são os recursos estáticos da empresa que são centrais, mas as capacidades e as competências que tem valor são raras, difíceis de imitar e insubstituíveis que são essenciais para sua posição competitiva. Newbert (2008) corrobora e enfatiza que a empresa não precisa buscar novos recursos e capacidades necessariamente, mas deve desenvolver novas maneiras de combiná-las.

Como observado por Barney (1991; 2001), nem todos os recursos da empresa tem o potencial de ser fonte de vantagem competitiva. Assim, as questões, também denominadas de atributos, podem ser compreendidas como indicadores que medem quão heterogêneos e imóveis são determinados recursos e capacidades, e quão útil estes recursos e capacidades serão para gerar a vantagem competitiva (BARNEY, 1991; 2001). Esses recursos para ter este potencial devem ter quatro atributos considerados VRIN, conforme indicado no Quadro 1.

Quadro 1- Classificação dos Recursos - Modelo VRIN

Recursos VRIN Descrição

Valioso São os recursos que permitem uma empresa formular ou implementar estratégias que melhorem sua eficiência e eficácia.

Raro São os recursos que não são possuídos por um grande número de empresas, isto é, não controlados por inúmeros concorrentes.

Imperfeitamente imitáveis

São os recursos que as outras empresas não possuem e não podem ser obtidos com facilidade, uma vez que, enfrentam uma desvantagem de custo para obtê-la ou desenvolvê- la.

Não substituíveis São os recursos que são insubstituíveis quando não existem recursos equivalentes, ou seja, que permitam implementar a mesma estratégia.

Fonte: Adaptado: Barney (1991)

Posteriormente, esse modelo VRIN foi aprimorado por Barney e Clark (2007), tornando-o conhecido como VRIO. Estes autores preconizam que para que um recurso ou uma capacidade de uma organização tenha potencial de criar uma vantagem competitiva, deve ter quatro atributos, devendo ser: (a) valioso, no sentido de explorar oportunidades e ou

neutralizar ameaças na empresa; (b) raro entre a concorrência; (c) imperfeitamente imitável; (d) capaz de ser explorado pelos processos organizacionais da empresa.

Contudo, Barney (1991) considera que nem todos os recursos possuem relevância estratégica paras as empresas e, dessa maneira, alguns recursos podem levá-la a elaborar e colocar em prática estratégias que, ao contrário do que é almejado, reduzir a sua eficiência e eficácia. Não obstante isso, empresas que exploram os recursos e capacidades que já controlam na escolha e implementação de estratégias são as mais propensas a gerar vantagens competitivas, ao contrário daquelas que adquirem os recursos e capacidades para então poderem implementar uma estratégia em mercados competitivos.

Diferentemente, Grant (1991) entende capacidades, relativas a empresa, as que decorrem do uso de um conjunto de recursos tangíveis e intangíveis, organizados para realizar uma tarefa ou para atingir um objetivo. O autor aborda capacidades de maneira mais integrativa e relacionada à aprendizagem e identifica que as capacidades de uma empresa representam o que pode ser desenvolvido pelo grupo de recursos que trabalham em conjunto. Segundo o autor as capacidades importantes são aquelas que surgem a partir de uma integração de capacidades funcionais individuais para a maioria das empresas.

Outro aspecto observado por Grant (1991) é que as empresas devem harmonizar a exploração de recursos existentes com o desenvolvimento dos recursos e capacidades para vantagem competitiva. Além disso, a empresa deve alcançar o ponto em que as capacidades são aprendidas e aperfeiçoadas por meio da repetição desenvolvendo-se em novas estratégias constantemente indo além dos limites de suas capacidades em qualquer momento específico. Assim, conforme reforça Grant (1991) o ingrediente chave no relacionamento entre recursos e capacidades está na habilidade da organização para alcançar cooperação e coordenação das equipes.

Contudo, Helfat (2000) afirma que ainda há relativamente pouca compreensão de como as empresas ao longo tempo conseguem se tornar bem-sucedidas usando as suas capacidades, enquanto outras empresas não o fazem. Segundo a autora, essa dificuldade é porque ainda não está compreendido como exatamente é que as capacidades das empresas surgem, desenvolvem e mudam ao longo do tempo para compreensão das vantagens e desvantagens competitivas.

Helfat (2000) e Helfat e Peteraf (2003) identificam que para compreender as capacidades dentro da VBR é necessário identificar os tipos, ligações, combinações, interações e mudanças de recursos e capacidades controlados e desenvolvidos ao longo do

tempo pela empresa para obter vantagem competitiva. Desse modo, para melhorar a clareza e poder explicativo da VBR é necessário distinguir a aquisição e posse, desenvolvimento e implantação das capacidades e as ações de integração na empresa (MONTEALEGRE, 2002; KRAAIJENBRINK; SPENDER; GROEN, 2010).

Dosi, Failo e Marengo (2008) corroboram com esta condição e apontam que a limitação no entendimento da capacidade dentro da VBR tem sido porque essa teoria pressupõe que o desempenho e vantagem competitiva duradoura implicam na posse e desenvolvimento de recursos tangíveis e intangíveis idiossincráticos e difíceis de imitar e não nas capacidades que a empresa detém para explorá-la.

Neste projeto de pesquisa capacidade é distinguida de duas maneiras: a capacidade como um recurso estratégico definido como ativos tangíveis e intangíveis que permitem a empresa aproveitar por completo outros recursos que controla e estão embutidas dentro de um pacote de recursos integrados; e como a habilidade de agir para explorar a base de recursos que a empresa detém e controla para o processo de inovação.

A seção (2.1.2.3) é discutida habilidades e capacidades da empresa.