4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
4.2 Codificação Aberta
4.2.7 Cod7: Formas Possíveis de Relacionamentos
O Cod7 (Figura 15 e 16) foi tratado de Formas de Relacionamentos. Os dados analisados a partir das entrevistas com E13M e E1Na geraram o código (Nós), formas possíveis de relacionamentos e seus relacionamentos em colaboração e aprendizagem, estabelecimento e construção de parceria, cooperação, redes e fazer com fornecedor, licenciamentos e contratos conforme a Figura 23.
Figura 23 – Formas Possíveis de Relacionamentos
Os dados coletados das entrevistas com E13M e E1Na revelaram que não existe a transição de um projeto de fechado para mais aberto. O que existe, segundo os entrevistados, é a transferência de conhecimento e da tecnologia ao longo do projeto. Assim, o melhor potencial de inovação é que venha aberto, mesmo em colaboração (E1Na). No entanto, ao requerer propriedade intelectual nos moldes dos Estados Unidos da América tem que contribuir intelectualmente no projeto (E1Na).
Para esse entrevistado da empresa Natura, é uma premissa, o líder do projeto, colaborar com o parceiro externo. Neste sentido, o grande aprendizado está em entender que a academia e a indústria podem produzir pesquisa e desenvolvimento individualmente e em conjunto sem estereótipos (E1Na).
Este contexto indicado pelo E1Na, apresentou que a empresa precisa ter a capacidade de aprender a trabalhar na adversidade e saber colaborar, ter capacidade de saber se colocar no lugar do outro para entender o valor que está sendo gerado. Outra capacidade revelada nas entrevistas é a capacidade de identificar perfis (professores, funcionários) que saibam trabalhar de forma colaborativa.
Os dados sinalizaram que houve uma evolução no entendimento de inovação aberta e colaboração além do olhar de tecnologia e transacional, a colaboração tem sido um tema fundamental para as empresas entrevistadas (E13M; E1Na). A colaboração faz parte da cultura de inovação que extrapola para inovação aberta (E13M). Assim, no ecossistema inteiro tem que ter muita fluidez e muita colaboração, e desse modo, para obter inovação de determinado produto/projeto, a troca de informação tem que circular em todo ecossistema, quanto mais acontecer, maior a probabilidade de encontrar a solução, e isso só acontece com a colaboração (E1Na).
Outra questão importante identificada pelos entrevistados E13M e E1Na é que as empresas valorizam o conhecimento específico, mas devem valorizar o que colabora com o meio no ecossistema de inovação, como também, essa é uma vitamina que ocorre em inovação aberta. Para que isso se desenvolva, a empresa tem um time que olha para tudo e orienta os pesquisadores, colaboradores e busca estruturar a base e deixar as coisas acontecerem naturalmente no processo de inovação envolvendo-se no que entender ser mais complexo, é isso que é a fonte de aprendizado (E1Na).
Os dados sugeriram que muitas vezes, a referência no mercado, no ecossistema, não é alguém que está habituado e que queira trabalhar com empresa, e que na verdade, não adianta trabalhar com esse ator, é melhor procurar um ator que não seja o primeiro em
reconhecimento pela empresa, mas que esteja disposto a trabalhar e que aos poucos este ator poderá tornar-se o primeiro e incorporar esses aprendizados neste relacionamento (E1Na).
Para tanto, é necessário ter um líder do projeto na empresa e na parceria (E1Na). Segundo esse entrevistado, este líder na empresa tem o papel de fazer a aprovação dos estágios do projeto internamente e trabalhar com a diferença cultural dos parceiros que é mais um aprendizado.
Outro aprendizado neste relacionamento é que a empresa precisa ter processos que ajudem a mitigar riscos, e assim, esse time que é multidisciplinar orienta as parcerias. Esse time não negocia todas as parcerias, ele entra na negociação quando existe uma necessidade institucional que prioritariamente é em relação as incertezas dependendo das iniciativas e os tipos de cada projeto e que tipo de plataforma será utilizada. Assim, de acordo com o modo que é feito o projeto, a empresa vai fazer de forma aberta, podendo ser contrato, parceria ou colaboração (E1Na).
Um dos fatores de sucesso apontados nas entrevistas com E13M e E1Na é a abertura de conversar com os parceiros. A E1Na observa que a empresa Natura adota um programa de conhecimento e desenvolvimento de parceiros, entre eles fornecedores que são parceiros de inovação que são avaliados e reconhecidos dentro desse programa como também outros programas como o QLICAR, Natura Campus, Cocriando Natura e o relacionamento com
Startups. Uma questão importante apontada é a empresa trabalhar a relação empática como
fator de sucesso e como fator de insucesso é quando a parceria tem seu foco apenas no financeiro, para os entrevistados essa não é uma boa parceria (E1Na).
Os dados revelaram a necessidade de estabelecimento e construção de competências para fazer parceria. Dessa maneira, requer competência para desenvolver diretrizes, políticas claras, normas internas que facilitam o estabelecimento de parceria (E1Na). Este estabelecimento vai depender do que a empresa estiver fazendo, se é algo mais técnico, consumidor com uma visão de consumidor, canal de vendas com o olhar tanto do consumidor como da parte comercial (E1Na). Vai depender da capacidade de conectar com o pepiline de projetos e a partir daí surgem várias iniciativas para abrir portas para inovação aberta (E1Na). O entrevistado E1Na apontou que quando se trata de universidade a um relacionamento de maior cooperação e com empresas cooperação e desenvolvimento ou compra de projetos, materiais. Quando se trata da base tecnológica os dados mostram que tem projetos que a empresa opta por trazer para dentro, fazer uma parte fora ou totalmente fora com os parceiros ou cooperar na cadeia conforme discussão feita na estratégia adotada pela
empresa. Alguns casos geram internamente uma estruturação com centro de pesquisa incorporando uma parte do que se faz fora para dentro da empresa como é o exemplo da Natura com seu Centro de pesquisa aplicado ao Programa Bem Estar (E1Na).
Uma experiência sobre rede é apresentada na entrevista com E1Na que ampliou o seu modelo lançando o programa Cocriando Natura que é cocriação com os consumidores. Segundo esse entrevistado, este programa começou em 2012, com uma rede mais fechada e depois foi abrindo, em 2013. Em meados de 2013 a empresa Natura lançou o programa com consumidor, ao entender que precisava ampliar o seu olhar. A Natura Campus foi outra experiência em rede apresentado pelo E1Na que em 2011 abriu um pouco mais para que empresas, pesquisadores, áreas de P&D de empresa também começassem a interagir, não só universidades, mas principalmente nos desafios que, via de regra, a resposta é mais rápida e geralmente vem de empresas. Esta relação pressupõe valor compartilhado, trabalhando uma relação empática, e a parceria tem que ter o olhar do que é valor para o outro, o valor também tem que ser gerado para a rede, para os stakeholders dos programas e dos projetos (E1Na).
Os dados das entrevistas com E13M e E1Na mostraram a utilização de inteligência de redes para achar atores - professores, pessoas, pesquisadores - que tenham perfil para trabalhar de forma colaborativa ativando a rede, com uma inovação aberta em rede e trazendo empreendedorismo para dentro dessa rede.
Fazer com o fornecedor é destacado pelos entrevistados como porta de inovação aberta (E13M; E1Na). Como opção, a empresa pode achar pronto e comprar, ou licenciar, que conforme aponta o entrevistado E1Na, o licenciamento de regra no Brasil é bastante complicado, apesar das empresas buscarem este caminho, veem como bastante difícil. É observado que quando se trata de propriedade intelectual, pode ser constatado ao entrar no OMPI (Organização Mundial de Propriedade Intelectual) que os licenciamentos, ou são gratuitos para entidades sem fins lucrativos ou são licenciamentos dentro de um grande grupo, então, fazer licenciamento entre empresas é visto como bastante raro (E1Na).
Outra porta de entrada são os eventos organizados com fornecedores de inovação e inovação aberta com definições de temas, mesas de discussões nesses encontros lançando desafios apontado pelos entrevistados E13M e E1Na. Dessa maneira, o fornecedor traz algumas soluções para determinados tipos de problemas, tecnologias que podem interessar as empresas.