sãs. De qualquer maneira, diremos algumas palavras das adaptações que podemos realizar nestes dados e que são válidas em todos os casos de elaboração de um plano de trabalho. As fichas avulsas das quais propo- remos aqui um modeJo são aparentemente a forma mais racional, prática e cada vez mais utilizada (no cinema americano já são um hábito).
Definição
O Plano de trabalho é o documento principal para a produção. Ele é apresentado sob a forma de um grande quadro sinótico, esquema- tizando a organização e o andamento geral das filmagens. Sua função é indicar o dia a dia do início ao fim da filmagem, o trabalho previsto, especificando as características (datas, tipo, locais) assim como diversos elementos do detalhamento que devem intervir (cenário, cena, n9 de planos, intérpretes etc.).
Responsável
Como nós dissemos, é o Assistente de Dir ecão que deve redigir o plano de trabalhoe em certos casos extremos ele assume a incumbência total de elaborá-lo. Mas o mais comum é que o Assistente de Direcão o realize em ligação estreita com outros profissionais interessados; a produção, que fornece dados gerais e supervisiona o trabalho, o Dire-tor, o Cenógrafo (no que toca aos cenários) e finalmente a Produção E xecutiva. O plano de trabalho é, então, o resultado de todas essas colaborações. Para as explicações que se seguem s uporemos que, variando seu poder de atuação, o Assistente de Direcão seja o Principal responsável pela elaboração do plano de trabalho.
Forma
Estudaremos aqui, como base, o plano de trabalho clássico tal qual ele se apresenta atualmente em quase todas as produções france-104
ELABORAÇÃO DE UM PLANO DE TRABALHO / — Ritmo médio de um dia de filmagem
A primeira operação consiste em estabelecer o ritmo médio de um dia de filmagem e aqui dois casos podem se apresentar: a duração total da filmagem poderá ser fixada após a preparação do plano de trabalho, como ocorre com frequência, e a duração total da filmagem já está mais ou menos determinada anteriormente pelo produtor, que a estabeleceu a partir de uma visão geral do filme, levando em consideração os recursos de que dispõe para a produção (sabemos, por exemplo, de infcio, que se trata de "um filme de 8 semanas"). Efetivamente a duração total da filmagem tem uma grande influência no orçamento (que é, de fato, quase sempre estabelecido paralelamente ao plano de trabalho) no que toc a a salários dos técnicos, contratos de aluguel etc. E por isso que, na maioria das vezes, o Assistente de Direcão está pressionado pelo prazo de duração das filmagens imposto. Não se trata, então, de estimar o tempo necessário às f i Imagens de cada cena, mas sim de quantos dias dispomos no total para realizar o filme e de como repartir esse tempo cor-retamente, segundo as dificuldades inerentes ao filme, para que ele seja realizável.
Começamos então por mesurar o número de planos por dia de filmagem, dividindo o n9 total da découpage pelo número de dias pre- vistos:
Ex.: Découpage de 480 planos
Filmagem prevista: S semanas, ou seja 48 dias úteis reduzi- dos (4 folgas e deslocamentos da equipe) total: 44 dias úteis Por dia: 480 planos -r 44 dias = 11 planos (em média) Logicamente não se trata de uma média rígida. Certas cenas poderão facilmente permitir a filmagem de 15 ou 18 planos p or dia, mas em situações mais difíceis deve-se prever 5 ou 6 planos. Ê ai' que intervirá o julgamento e a experiência do Assistente de Direcão.
NOTA: A duração total das filmagens determinada pela Produção é consequência do género do nível de acabamento do filme (certos temas são mais fáceis de filmar que outros) Os filmes mais
ambiciosos supõem em geral diretores mais gabaritados, que exigem um melhor acabamento e para tal será necessário mais tempo de trabalho. Isso já não ocorre com Diretores de menos prestígio ou experiência, seja para filmes "comerciais" ou "ex- perimentais".
0 FATOR DURAÇÃO DAS FILMAGENS
DETERMINADO À
PRIORI É ENTÃO O PRIMEIRO DADO IMPORTANTE PARA A
ELABORAÇÃO DO PLANO DE TRABALHO
1 f — Reunião dos pianos por cena
Para realizar este trabalho, é conveniente utilizar pequenas carte- ias que permitirão em seguida, colocando-as uma ao lado da outra, testar várias fórmulas para a melhor ordem de filmagem, levando em conta todos os imperativos.
Eis como se organizam essas carteias: com as dimensões 8 X 12 cm, tamanho ideal para poder colocá-las uma ao lado da outra em uma mesa grande ou no chão. São redigidas a pa rtir do detalhamento: 1 cartão por cena (e não por cenário)
AMBIENTE HAL L DO HOTEL B - Escritório do Sr. Allain
XIV — Sr. Allain avisa sua decisão (127-133)
Carrinho Circular
(4)
(6)
(1) Nome do cenário ou locação (2) Número, resumo e planos por cena
(3) Os personagens (atores, pequenos papéis, figuração)
(4) Os access órios difíceis ou elementos materiais ou técnicas impor tantes
(5) Local de filmagem: (S) Estúdio, (X) exteriores etc.
(6) Iluminação: (D) Dia, {N} Noite etc. e o n9 total dos planos da cena (7)
(7) Estimativa da duração necessária para as filmagens (partindo-se da média e levando em conta as dificuldades da cena). Indicação em dias (1 dia, 2 dias) ou fracão de dia. Quando em exterior, se a cena necessita de um horário especial, como noite, domingo, madrugada, colocamos entre parênteses.
/// — Ordem de filmagem dos diferentes cenários
Para determinar esta ordem deve-se tentar conciliar, na medida do possível, um grande número de dados mais ou menos prioritários e quase sempre contraditórios.Éexatamente aí que está a grande função do plano
de trabalho. Estes dados são de dois níveis: a) Dados gerais da produção Eis os principais:
1) a necessidade de respeitar as exigências do Diretor que deseja filmar em ordem as cenas difíceis antes das outras, guardando a progressão dramática de interpretação do roteiro. Ordem imposta pela ação. Ex. Um cenário que é destruído progressivamente durante as filmagens.
NOTA: De uma maneira geral e desde que seja possível, o ideal é guardar a ordem de filmagem dentro da progressão dramática do roteiro. Isso facilitará o trabalho da Direção e apresentará melhor rendimento artístico e, assim, procurar-se-á o melhor método de filmagem.
2) A disponibilidade dos atores em datas determinadas, devido a outros motivos, obriga-nos a grupar os cenários onde eles entram em cena.
NOTA: De qualquer maneira, a Produção quase sempre deseja que gru- pemos todas as cenas de um determinado ator, porque isso possibilita pagar-se um salário menos oneroso devido à curta ocupação do profissional. 107
CD
Sr. Allain Jacques Contador (3) (7) 3/4 J3) As cenas que têm a participação de um grande número de figurantes são grupadas, pois eles são pagos por dia, seja qual for a duração do seu trabalho. O mesmo pode ocorrer quando equipamentos técnicos (grua, helicóptero, carrinho) ou accessórios (carros antigos, carruagens etc.) para os quais o preço de aluguel é muito alto.
4) Para escolha das datas em exterior e estúdio, tentamos grupá-las para dividir em dois blocos que serão filmados no início ou final das filmagens. A escolha das datas para os exteriores dependerá de um grande número de elementos que poderão estar acrescidos aos precedentes (disponibilidade dos atores) e outros, tais como as condi ções da natureza (sol, vegetal da estacão, atividades locais etc.)
NOTA:Éinteressante começar pelos exteriores, pois torna-se mais fácil manter a continuidade com os elementos do estúdio do que inversamente. Mas, por outro lado, estaremos sujeitos às condi- ções atmosféricas que nos forcarão ultrapassar o tempo previsto e, conseqúentemente acarretarão despesas inúteis como aluguel de estúdio sem utilização. Caso o estúdio náo esteja alugado anteriormente, corremos o risco de não poder terminar o filme se o estúdio estiver alugado a outra Produção. Por isso, cada filmagem é um problema particular a ser estudado.
De qualquer maneira, logo que o período "exteriores" esteja de- terminado no conjunto geral da duração da filmagem é que determina- mos a ordem conveniente de trabalho em relação às contingências apresentadas. Resta somente determinar a ordem de filmagem do período estúdio e para isso temos que considerar agora:
b) Os dados ligados aos problemas do estúdio, do set, dos cená- rios;
1) Anotamos todos os imperativos do estúdio alugado pela Produção. Eis um exemplo típico de problema que pode surgir — o aluguel do estúdio começa 10 dias antes do início das filmagens.
2) Disposição dos 4 estúdios: C é grande
D é médio (mais para grande) A é médio (mais para pequeno ) B é pequeno.
Só é possível realizar a transparência nos estúdios C ou D. 3) Quando não dispomos de duas equipes de trabalhado res ]>.n.i simultaneamente montar e desmontar os cenários.
108
Passamos em seguida a examinar os problemas do filme propria- mente dito. Temos por exemplo: Os dois grandes cenários só poderão ser construídos (tendo em vista as dimensões do sei) no estúdio C (hall da estação) e no C ou D (sala de espera). Os cenários com trans- parência devem evidentemente ser localizados no C ou D (sala de espera, interior, veículo); a fossa (desnível do cenário ou piscina) só existe
no estúdio C.
Visto os problemas acima, passamos então a redigir novas carteias, desta vez por cenário (e não mais por cena), para as quais nos esforçaremos em determinar — sem esquecer os dados gerais de produção apresentados anteriormente — qual a melhor ordem de filmagem e, conseqúentemente, da construção dos cenários.
Este trabalho deve ser feito em estreita ligação com o Cenógrafo que fornecerá as informações complementares precisas (duração de construção e de demolição) e quase sempre apresentará suçestões para o conjunto do problema Cenografia. Eis como são redigidas estas carteias:
(7)
(6)
(2)
(5)
Seguem abaixo as explicações das indicações na ordem em que devem ser estabelecidas:
(1) O nome do cenário
(2) As observações relativas ao cenário (necessidade de um
grande estúdio, transparência etc.)
(3) A duração da filmagem determinada pelos cartões preceden tes (a soma total do tempo das várias cenas no mesmo cenário)
(4) Tempo necessário para a construção do cenário (4) (5) Demolição do cenário (informações fornecidas pelo cenó
grafo)
(6) Estúdio (6) ordem de filmagem escolhida
(7) Esta ordem será indicada após várias informações, imperati vos e rascunhos testados.
IV — Plano de rodízio dos cenários no estúdio
Veremos agora como se apresenta o quadro quando tudo já está definido com soluções que satisfaçam ao conjunto de exigências e im- perativos. (É bom lembrar que dispomos no caso de duas equipes, uma de construção e outra de demolição dos cenários, trabalhando simulta- neamente). DATAS
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110 NOTA:Não estão in-clufdos os sábados, domingos e feriados. — Construção do cenário seguinte(pintar de azul) — Demolição do cenárioprecedente(pintar de amarelo)
Nós havíamos suposto que devíamos nos ater às condições im- postas no parágrafo precedente, Além do mais, partimos dos seguintes dados específicos:
— Início de filmagens segunda, 31 maio (locaç ão do estúdio 10 dias úteis antes das filmagens)
— Lista de cenários (extraída das carteias) que compõem o qua dro abaixo: CENÁRIO DURAÇÃO DE ORDEM FINAL ESTABELECIDA Construçã o Filmagem Demolição quarto 3 4 1 restaurante 5 5 2 49 hall da gare 8 3 3 19 cozinha Françoise 2 1 1 sala de espera 7 1 3 29 escritório 5 2 2 39 INFORMAÇÕES INICIAIS
OBS. Notaremos que, dentro das possibilidades,
ao organizar o Plano de Rotação dos Cenários nos estúdios deixaremos uma margem de segurança entre o planejado e a realidade.Épor isso que deixaremos uma margem de dois dias de
sobra entre a data prevista de
111
Legenda do quadro anterior:
Cenário a ser filmado (pintar de vermelho) SALÃO RESULTADO DO QUADRO TERMINADO ETC.
término das construções e a filmagem {prevendo-se então os atra- sos) assim como entre o fim das filmagens e a demolição do cenário (prevendo-se atrasos e o fato do Diretor assistir aos copiões da cena). Em geral, a partir das informações fornecidas pelo Cenó- grafo - que é sempre prudente — são sempre contados os prazos com folga.
A — Estúdio
1) HalldaGare (3 dias) 2} Sala de recepção (1 dia) 3) Escritório (3 dias) 4) Restaurante (5 dias) 5) Etc.
aos quais acrescentaremos a ordem de filmagem dos exteriores redigida paralelamente, levando-se em conta vários imperativos dos quais depen- demos. Suponhamos, por exemplo, que nós os grupemos para o final das filmagens, na seguinte ordem:
B) — Exteriores
Floresta de Vincennes16 — Um canteiro no campo (1/2 dia) 17-No lago (1/2 dia)
Lentes
Praça do Mercado (1 dia) etc.
Organizamos, então, da seguinte forma:
1) Uma lista determinando a ordem de filmagem de todos os ce nários do primeiro ao último dia, com a duração determinada de cada um.
2) Os locais de filmagem destes cenários (estúdios, diferentes
locações em exteriores)
;i)ABindicações dos tempos: duração total (8 semanas, por exem-
plo), iniciando dia 31 de maio. Ou seja, 8 vezes 6-48 dias -manos dois dias de feriado e dois dias de deslocamento nas externas (ida e volta). Sobram efetivamente, 44 dias do filmagem.
i >• -' • ninM|Mnecessário, sobretudo em locações externas, e se osM.
M!«»; » ninnis ostiverem de acordo, poderemos filmar nos
firliilni • domingos (com preços dobrados de acordo com a
legislação). O mesmo ocorre com as filmagens noturnas e as extras suplementares na jornada de trabalho normal. 4) Dispomos, graças ao detalhamento, das pequenas carteias (por cena) e de todas as indicações relativas à cena e organização da filmagem prop riamente dita (n9 dos planos, atores, figuração etc.).
Temos, então, tudo que é necessário para redigir o quadro geral do andamento dos trabalhos: plano de trabalho.
Embora ocorram variações de uma produção para outra, o plano de trabalho tem mais ou menos sempre a mesma disposição e método. Alguns itens podem ser suprimidos ou acrescidos, mas no cômputo em geral pouco se muda. Disposição em colunas verticais (1 por dia) e as sessões horizontais, e chegamos então a um imenso quadro com a disposição que segue abaixo.
FBIHHIKIMA:., - ... '•!!
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M i M 1! iMil M DE FILMAGEM 19 29 39 4° 59 6? | S 1 5 | i- MA SEMANA Mil 31S T O1 2 Q S3 4 M JUNHO llfiiUE FILMAGEM H» I STUDIO C NÉDIA liunAmo N N N N W N 1 INARIO HALL b S c.8
1
N° DE CENA x XI 1 ~8 9l 90 1 NUMERO nos '1 ANOS 10 11 14 17 M 21 22 23 100 111 112 113 141 1U1 102 TOTAL DE PLANOS 4 4 5 1 MINUTAGEM PREVISTA MINUTAGEM REAL IOTAL DE MINUTAGEM DO DIA E L E N C O TOTAL DE DIAS ATO R PERSONAGEM S T M < O a* x D PEQUENOS PAPÉIS FIGURAÇÃOí
1 ACCESSORIOS NOTAS TÉCNICAS 113 18 19OBSERVAÇÕES SOBRE A REDAÇAO DO PLANO DE TRABALHO
A — Disposição Geral:
1} Este método de Plano de Trabalho é um modelo-padrão que responde às necessidades de "produção" da maior parte dos filmes. De qualquer forma, alguns filmes podem determinar certas adaptações ou acréscimos de sessões suplementares, o que é sempre possível fazer. Quando de cada sessão e as di- mensões dependerão, logicamente, das características do filme. Realizamos, então, um rascunho para estudar a melhor dispo- sição (sobretudo o n9de planos segundo a quantidade máxima de planos previstos em 1 dia de trabalho e a dos atores segundo o número dos grandes papéis). Para as colunas verticais, a quantidade e a sua largura serão calculadas em função do n9de dias.
2) No rascunho é possível reunir em determinadas colunas parcialmente, várias colunas para escrever de uma só vez as indicações que coincidem em várias Jornadas de trabalho (ce- nário, local de filmagem, mês etc.).
B - Observações A Propósito das Colunas e sua Função:
1) ColunaData (Quando filmamos?):Indicamos todos os dias, assim como os dias de folga (que são em seguida riscados na coluna toda }.
2)Coluna Condições de filmagem (Por onde começamos?)
A utilização de cores diferentes (e as letras indicativas) permitem imediatamente se ter uma visão geral da filmagem no que toca às locações. A coluna Horário é utilizada, sobretudo, para os "exteriores" onde estes horários geralmente são diferentes dos turnos de "estúdio" (cenas noturnas ou de madrugada etc.) e, de qualquer maneira, diferentes do horário normal fmeio-dia às 8 h).
3) Coluna Filmagem (O que filmamos?)
Para a cena anotamos duas palavras, uma indicando a refe- rência que permite diferenciar as cenas em um mesmo cenário.
Para os planos, dispomos na ordem do roteiro (ordem de filmagem de planos no dia em que será determinado poste- riormente). Na mesma jornada os n9s das cenas de um mesmo cenário serão separados por um traço, mas se há uma mudança de cenário, separamos por dois traços.
Somente a minutagem prevista (total da pré-minutagem dos planos do dia) é indicada antes da filmagem. As duas outras 114
colunas são evidentemente preenchidas pouco a pouco à medida que a filmagem avança, permitindo manter em dia o andamento do filme.
4) Coluna interpretação (De quem precisamos?)
Dispomos primeiramente os atores que correspondem aos primeiros papéis (em geral os que tem várias cenas do filme) na coluna "atores", grupando (por ordem decrescente de impor- tância) de uma parte os homens, de outro lado as mulheres e dando nome do ator e do personagem.
Uma pequena coluna, na extrema direita, indica para cada ator um símbolo distinto (formas e c ores diferentes).
NOTA: Símbolos de formas iguais e de cores diferentes não são sufi- cientes, pois do Plano de Trabalho original se faz cópias xerox (preto e branco) e corre-se o risco de confusão entre dois atores que estão próximos.
Na primeira coluna à esquerda marcamos o número de
cachets(dias presentes às filmagens), se o ator não fez contrato para o filme. Os outros p"ápéis (pequenos papéis ou figuração com fala) são colocados com letras na c oluna especializada, assim como a figuração com indicação numerada (ex. 20 con- sumidores).
5) Coluna Diversos (Do que precisamos?)
Indicamos, em todas gs letras, os accessórios ou problemas técnicos e materiais importantes.
O PLANO DE TRABALHO EM FICHAS INDIVIDUAIS
Um dos inconvenientes mais graves do Plano de Trabalho em sua forma clássica, e mais comum durante a filmagem são as dificuldades imprevistas (atores, cenários, incidentes variados) que obrigam a deslocar as previsões e os meios estabelecidos. A reprodução dos resultados são em continuidade —o bonito plano de trabalho do início logo torna-se inutilizável e temos então que começar um novo. Observamos então produções que refazem várias vezes o plano de trabalho sem se deixar ficar a reboque dos acontecimentos. Parece-nos então que o método de fichas avulsas permite uma regular colocação em dia, e este método se impõe cada vez mais para a comodidade de um trabalho racionalmente organizado.
No momento atual, na França, este método é ainda muito pouco utilizado. De qualquer maneira após ter cuidadosamente estudado o problema nós pessoalmente propomos o método que nos parece o mais prático e que serve de base para nosso modelo.
1) A estrutura do quadro deve ser rígida, com medidas aproxima- das entre 100 X 75 cm, comportando cantoneiras para sustentar as fi- chas em ordem de trabalho.
2} O princípio geral da distribuição por sessão e colunas é o mesmo que o método clássico. As sessões são exatamente as mesmas. Quanto ás colunas, por jornada de trabalho, apresentam uma única diferença: não possuem uma largura uniforme. Cada cena possui sua ficha que contém as informações correspondentes. Se no caso de uma jornada de trabalho estiver prevista apenas uma cena, a coluna deste dia terá a largura de uma ficha. No caso de comportar várias cenas, a coluna do dia terá a largura de 1, 2 ou 3 fichas e a separação entre os dias de trabalho será estabelecida por fichas estreitas de separação (preta por exemplo).
Entre uma semana e outra separemos, como nos modelos clássicos de plano de trabalho, com uma ficha especial de largura normal mas de aspecto diferente (vermelho, por ex.)
3) Verticalmente, cada jornada de trabalho será dividida em 3 partes, supondo cada uma das fichas independentes; uma dando conti- nuidade às informações fornecidas pela anterior, uma para as informações "datas"',uma outra para as informações "condições de filmagem" (tipo, locais, horário) e uma terceira, a mais longa, comportando todas as indi- cações retiradas do roteiro e de seu detalhamento: cenário, cena, n9 dos planos, atores, accessórios etc). Isto tem a vantagem de permitir uma atualizacão rápida e funcional no caso de transferência, adiamentos ou modificações das atividades de filmagem. A terceira ficha (a ficha "filme") não se modificará, mesmo que mudemos as datas ou condições de filmagem. Apenas retiramos a ficha e colocamo-la em outra ordem, em vez de refazê-la, corrigindo datas e locações segundo as modificações que se apresentaranVcomo necessárias.
As vantagens do Plano de Trabalho em fichas móveis e individuais são triplas:
1) Modificá-lo à medida que as necessidades se apresentam e du rante os trabalhos da filmagem, daí a possibilidade de manter o plano constante mente atualizado.
2) Es ta atualizacão constante permite a utilização do plano de trabalho, não apenas como uma previsão de programa de trabalho, mas também como um testemunho do trabalho já realizado. Ele se divide constantemente em duas partes que se articulam em torno da jornada de trabalho em andamento: na primeira parte o resumo de tudo que já foi efetivamente realizado, em seguida a previsão dos dias vindouros com o restante do trabalho a ser feito. O documento geral, o plano de trabalho propriamente dito (um organograma de parede), fica afixado no escritório da produção, mas cópias xerox (reduzidas) distribuídas no