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Capitulo Tres

No documento Sinopse. Meu marido. Meu Monstro. (páginas 29-38)

Adrian

Winter.

Lia disse que seu nome é Winter.

Não só isso, mas ela também não disse nada além daquelas cinco palavras miseráveis. Ela tem entrado e saído da consciência nos últimos três dias. E quando ela acorda, ela não encara nada, nem mesmo reconhecendo a minha ou a presença de qualquer outra pessoa.

Dra. Putin disse que é puramente mental neste ponto e que sua reação corporal está relacionada a isso. Chamei sua psiquiatra ou, mais precisamente, ameacei-a para que ela viesse verificar Lia. A Dra. Taylor é uma mulher pequena, morena, de cabelo preto curto e postura ereta, que insistia em falar sozinha com minha esposa. Mas isso não me impede de olhar pela janela de vidro. Surpreendentemente, Lia está conversando com a terapeuta, e ela não parece estar repetindo o fato de que é Winter indefinidamente.

Kolya permanece em silêncio ao meu lado depois que mando um Yan resmungão voltar para casa para cuidar de Jeremy. Eu tive que voltar para pequenos intervalos durante os últimos dias para fazer companhia a ele antes de colocá-lo para dormir. Ele chorou na primeira vez que eu disse

que sua mãe tinha viajado e voltaria para buscá-lo em breve. Então ele se recusou a dormir em qualquer lugar, exceto no meu colo e na minha companhia.

Jeremy sempre se acostumou a ter sua mãe por perto, e não tenho a menor ideia de como fazê-lo mudar de situação. Por enquanto, ele precisa acreditar que ela está fora e voltará. Porque ela vai voltar. Mesmo que eu tenha que ameaçar e coagir todos os médicos e psicoterapeutas. Dra. Taylor sorri para Lia, então caminha até a janela e fecha as venezianas para bloquear minha visão delas. Estou prestes a entrar, mas sou interrompido quando a terapeuta sai e fecha a porta atrás dela.

— Porque você fez isso? — Eu pergunto com uma calma misturada com uma raiva profunda.

O fato de Lia não falar comigo, muito menos me reconhecer, é como ser picado por agulhas minúsculas. A dor não é aguda, mas é constante e ininterrupta.

Dra. Taylor desliza seus óculos de aro dourado sobre o nariz. Sua mão está tremendo e posso dizer que ela está intimidada por mim, mas ela encontra meu olhar de frente. — Porque você a está assustando.

— Ela me reconheceu? — Eu pergunto lentamente, esperançosamente, e até mesmo o corpo de Kolya se inclina para frente em antecipação à resposta.

Eu finjo que essas palavras não me cortam como uma faca cega. — Ela disse isso?

— Sim.

— O que mais ela disse?

— Que há homens assustadores fora de seu quarto e que ela não fez nada de errado. Ela também parece acreditar que é Winter Cavanaugh e até mesmo relatou os eventos de sua vida. Pelo que você me contou, ela já conheceu Winter e conversou com ela, então o fato de ela saber todos os detalhes não é uma surpresa.

— O que há de errado com ela?

— Ela está se dissociando, Sr. Volkov. — Dissociando?

— Aconteceu devido ao evento traumático que ela vivenciou, e outros fatores de sua infância, aliados aos traumas da vida adulta, são provavelmente os que a levaram a esse estado. Acredito que o caso dela seja uma forma de fuga dissociativa. Ela não percebe que está passando por uma perda de memória e inventou uma nova identidade para preencher as lacunas.

— E como faço para impedi-la de se dissociar?

— Você não pode. Ela atualmente acredita ser Winter e se você disser a ela o contrário ou forçá-la, ela pode piorar e desenvolver outros tipos críticos de dissociações.

— Você está me dizendo para sentar e não fazer nada?

— Algo parecido. Ela precisa encontrar seu antigo eu por conta própria. Sua neurose está muito forte agora. Em outras palavras, sua mente é muito frágil e ela é a única que pode reconstruí-la. Qualquer forma de coação terá o efeito oposto exato. Na verdade, as vítimas de dissociação escapam para suas mentes em resposta a um trauma ou abuso. — Ela enfatiza a última palavra, mesmo enquanto tenta evitar meu olhar.

Leva tudo de mim para não quebrar seu pescoço e mostrar a ela como é o verdadeiro abuso. Em vez disso, eu seguro minha calma para que possa obter as respostas dela. — O que ela precisa agora?

— Uma mudança de seu habitat normal seria ótimo. Ela também precisa de uma comitiva de apoio e nenhum diálogo crítico. Para abrir sua mente novamente, Lia precisa se sentir segura.

— E você não acha que isso vai acontecer se ela estiver na minha companhia.

— Eu não disse isso.

— Você estava pensando nisso.

— Bem, sim, Sr. Volkov. Eu te disse, ela te considera uma ameaça, e como ela realmente não se lembra de você, estar na sua presença vai piorar o caso dela.

— Temo que, em seu estado atual, ele faça mais mal do que bem. Ela pensa que é Winter e que perdeu um filho. Se ela vir outra criança tão cedo, o tiro pode sair pela culatra e levar a mais complicações. Sua psicose é bastante volátil e imprevisível agora e é melhor não colocar pressão em seu estado mental. Dê tempo a ela e tente preencher a lacuna para ele, tanto quanto possível.

— E se eu falar com ela?

— Você falando com ela é a razão de ela estar tendo esses ataques de pânico. Ela acredita ser Winter e você continua a chamando de Lia. — Ela faz uma pausa. — É melhor colocar alguma distância entre vocês dois por enquanto.

Eu quero dizer a ela que isso não vai acontecer. Que de jeito nenhum vou deixar Lia sozinha. Que se foda a psicoterapia e todas as suas bobagens. Lia e eu vamos escrever nossa própria história e, para que isso aconteça, ela precisa ficar ao meu lado. No entanto, eu vi os ataques de pânico da minha esposa. Eu testemunhei a dormência em seus olhos e, antes disso, experimentei sua rendição completa quando ela pulou daquele penhasco.

No fundo, eu sei que preciso deixá-la ir. Mesmo que apenas temporariamente. Mesmo que isso signifique rasgar a porra de um pedaço do meu peito.

A Dra. Taylor diz algo sobre recomendar um colega psicoterapeuta para que eu a deixe em paz, mas eu a afasto com dois dedos. Ela se apressa pelo corredor, seus saltos clicando enquanto ela continua olhando para

mim e Kolya. Encaro a janela com persianas fechadas e, embora não possa ver Lia dentro, posso senti-la.

Ela se tornou uma parte de mim. No início, só me aproximei dela por causa de quem ela é e do papel que desempenha no meu sistema. No entanto, ela lenta mas seguramente tornou-se parte integrante da minha vida. Ela me fez perder o controle mais de uma vez quando me achei incapaz de tal blasfêmia. Lia não apenas me desafiou, ela também se infiltrou sob minha pele e colidiu em meus ossos.

Agora, eu tenho que deixá-la ir para seu próprio bem. Porque embora eu precise dela em minha vida e anseie pela suavidade que ela traz às minhas bordas irregulares, eu aparentemente a cortei muito fundo que não apenas alcancei a carne, mas também cortei tendões e veias. Eu disse a ela que estaria lá para ela até que suas cicatrizes sarassem, mas acabei adicionando algumas minhas.

— Ei, Kolya. — Minha voz está letárgica, baixa. — Sim chefe.

— Você também acredita que sufoquei Lia?

Meu segundo em comando hesita antes de tocar os cabelos loiros curtos em sua nuca. — Honestamente? Eu acredito que vocês sufocaram um ao outro.

Eu o encaro. — Como assim?

— Você não deu a ela muitas opções e ela retaliou sendo fria e colocando distância entre vocês dois. Ela fez isso para se proteger, eu

acredito, mas você não é uma pessoa paciente, então a situação continuou aumentando até chegarmos a esta fase.

— Você sempre teve essas crenças? — Sim.

— Então por que você não as expressou?

— Você não pediu minha opinião, então não vi necessidade de opinar. — Achei que você estaria no assunto de Yan.

— Eu estou, parcialmente. No entanto, Yan pode ser imprudente. Devido a sua amizade com a Sra. Volkov, ele às vezes se esquece de seu personagem, chefe.

— Isso vai fazer com que ele seja morto um dia. — Ele só se preocupa com ela.

— E você acha que eu não?

— Claro que não. Você apenas... mostra de forma diferente. — Kolya faz uma pausa. — O que você planeja fazer sobre esta situação?

Um longo suspiro me deixa enquanto estudo o padrão das venezianas fechadas através do vidro. Quando a terapeuta disse que Lia precisa de uma mudança de habitat, uma ideia começou a se formar na minha cabeça. Eu odeio isso, mas pode muito bem ser a única solução possível agora.

Kolya me observa atentamente como se eu tivesse uma segunda cabeça. — Você irá?

— É isso ou vou perdê-la.

— E como você pretende fazer isso?

— Você ainda mantém contato com seu colega do Spetsnaz que era excelente em maquiagem de disfarce?

— Sim. Para que você precisa dele? — Yan.

— Yan?

— Seu colega vai disfarçar Yan para ficar de olho em Lia. — Ele não consegue ficar de olho nela como está?

— Não. Ela conhece seu rosto. Isso pode lembrar ela de mim e complicar seu estado. Ele precisa ter uma aparência diferente e ter outra formação.

— O que você quer que ele seja?

— Um sem-teto. Coloque Lia no abrigo que está sob nossa proteção e diga a Richard que ela deve ser tratada com cuidado, mas esconda sua identidade dele. Ele nunca a conheceu antes, então não deve ser difícil.

— Chefe, você tem certeza disso?

— Sim, Kolya. Vou deixá-la acreditar na mentira. Se ela quer ser Winter, que seja.

Porque mais cedo ou mais tarde, seu caminho será uma estrada de mão única para mim.

No documento Sinopse. Meu marido. Meu Monstro. (páginas 29-38)