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Captação de recursos do Programa Bom Aluno de Curitiba

Parte I- Contexto histórico do surgimento do Programa Bom Aluno

1.6. Captação de recursos do Programa Bom Aluno de Curitiba

Na formação inicial do Programa Bom Aluno (1993), seus mantenedores eram os empresários Francisco Simeão e Luiz Bonacin, donos, até então, da empresa BS Colway, especializada em fabricar pneus remoldados. No entanto, em 2007, a empresa foi impedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de importar pneus usados

da Europa e/ou Ásia utilizados como principal matéria-prima na fabricação de pneus remoldados. Em dezembro de 2007, por conta dos entraves judiciais entre os empresários e o Supremo Tribunal Federal (STF), a empresa é fechada e mais 700 funcionários foram demitidos.

Os empresários decidiram manter os alunos que já estavam no Programa, com a proposta que o Programa tivesse outras formas de captação de recursos. Durante três anos não houve processo seletivo, só a manutenção dos alunos que já faziam parte do Programa.

A sede do Programa Bom Aluno de Curitiba localizava-se incialmente na cidade de Piraquara, região metropolitana de Curitiba, juntamente com o prédio da empresa BS Colway. Como a empresa foi fechada, o espaço da antiga fábrica acabou sendo utilizado como galpões industriais para aluguel e hoje também no local está instalado um Aeródromo - uma empresa de táxi aéreo, pertencente aos empresários.

A sede do programa foi transferida para Curitiba, não só pelas condições supracitadas, mas também para haver uma redução dos gastos com a locomoção dos alunos, já que, independente da região metropolitana ou de Curitiba que o aluno habite, todas as escolas particulares conveniadas com o Programa localizam-se na cidade de Curitiba.

Segundo, a psicóloga 2, os empresários diversificaram suas fontes renda econômicas: além dos galpões industrias e do Aeródromo, os empresários também criaram a Auto Centers, além de possuírem uma hidrelétrica na Estrada da Graciosa, que está em fase de mudanças e restruturação.

Os empresários estimulam a equipe técnica do Programa a captarem recursos de diversas fontes. Segundo a psicóloga 2, a responsável por captar recursos para o Programa:

Então eles foram para vários seguimentos, justamente porque, quando eles ficaram em um só, e acabou, ele teve um prejuízo. Então hoje ele tem vários seguimentos comerciais e vários CNPJs para ter vários recursos. Por isso que ele manteve o Programa e conseguiu bancá-lo, apesar dos cortes e reformulação do Programa. Mas há uma cobrança muito grande aqui para que a gente vá atrás de dinheiro também. O Programa tem uma sustentabilidade, hoje; praticamente, a gente tá bancando tudo com essas parcerias. (Entrevista, psicóloga 2- PBA).

Desta forma, na busca de captação de outras fontes de recursos, o Programa foi inscrito no Conselho Municipal de Assistência Social e se enquadrou na categoria de OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). Ao se inscrever no

Conselho Nacional de Assistência Social, uma entidade pode solicitar a isenção do recolhimento da cota patronal do INSS de seus funcionários, o que implicará uma economia de 12% no pagamento de seus tributos. No caso de entidades que utilizam recursos provenientes do Estado, o registro de OSCIP faz-se necessário.

Em março de 2012, o Programa Bom Aluno de Curitiba foi contemplado através de Seleção Pública pelo Projeto da Petrobrás - Integração Petrobrás Comunidade14.

A equipe técnica do Programa não nos informou o valor do recurso financeiro destinado a instituição, só que o convênio tem a duração de 24 meses, sendo renovado por mais 24 meses.

Como parte do contrato, ficou estabelecido a obrigatoriedade do Programa entregar relatórios de desempenho acadêmicos dos alunos e prestações de contas dos recursos gastos do valor doado, além do Programa incumbir-se de divulgar a marca através de banners, camisetas e bonés confeccionados com logotipo, sendo os alunos, os agentes divulgadores.

O Programa foi contemplado em 2013 com um Convênio do Estado do Paraná, por intermédio da Secretaria de Estado da Família e Desenvolvimento Social - SEDS, com recursos do Fundo Estadual para Infância e Adolescência (contrato em anexo). Além do Programa ser inscrito no COMTIBA - Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente de Curitiba.

Além desses recursos, outra fonte de captação advém de grandes empresas, que podem “adotar” um aluno pelo valor de R$ 450, 00 por mês. Há empresas que adotam 4 alunos, como outras que já chegaram adotar 40 alunos. Isto varia muito conforme o ano, pois os alunos ficam em média de 7 a 12 anos no Programa. Se uma empresa adota 40 alunos, não significa que ela terá que adotá-los pelo tempo que estes permanecerem no Programa. Para o diretor do IBAB, este é um dos problemas de captação de recursos no mundo empresarial, pois é difícil convencer o empresário que este aluno ficará no Programa por até 12 anos. Por isso, a procura por doadores é constante, por conta da volatilidade das doações.

[...]e o que isso significa para uma empresa como o grupo Votorantim, para o Itaú, o banco Bradesco a manter o projeto Bom Aluno com 50 alunos? basta fazer as aulas de reforço, as matérias complementares e de um escritório para fazer o acompanhamento. Isso aí vai custar mil reais cada aluno, no começo, depois bem menos, o que significa 600 mil reais por ano. Para o

14 Para esta seleção foram destinados R$ 14 milhões por dois anos, podendo ser inscritos projetos que solicitem valor de patrocínio até R$ 200.000,00 para execução por 24 (vinte e quatro) meses, com a possibilidade de renovação por igual período. (Http://sites.petrobras.com.br/minisite/integracaocomunidades) acesso em 02/02/2015.

Bradesco, faço isso pra ele: ele vai lá e abate no imposto de renda, nem precisa ter o trabalho de ir lá para organizar tudo, faço isso, desde que ele pague. E você coloca as pessoas como as que eu tenho aqui no Programa, elas tocam o Programa sozinhas, mas o inibidor, é que vou ter que mantê-las por 12 anos. (Entrevista, diretor –IBAB)

O programa conta ainda com a doação de pessoas físicas, muitos são ex-alunos do Programa. Também nesses casos são apresentados relatórios do desempenho dos alunos e prestação de contas dos recursos doados.

Como já citado anteriormente, há a necessidade da existência de convênios com as Escolas Particulares para o funcionamento do programa. No início do Programa, as escolas particulares concediam bolsa de estudos parciais, mas, atualmente, todas as escolas conveniadas oferecem bolsa de estudos integrais. Além dos colégios, também faculdades e universidades oferecem bolsas parciais. “Nossos

alunos demonstraram que são os melhores, pois o Bom Aluno agora provou que temos ótimos alunos, a ponto de algumas escolas particulares virem procurar nossos alunos” (Entrevista, gerente, PBA).

Para se ter a ideia dos gastos dos programas segue a planilha de gastos do Programa Bom Aluno de Curitiba e Região no ano de 2011 em reais (R$):

QUADRO 3- MEDIA DE CUSTO DO PROGRAMA Quantidade de alunos 220

Total de despesas de custeio 209.000,00

Total de despesas de pessoal 114.458,58

Total de despesas com serviços de terceiros

614.800,00

Total de despesas com equipamentos

2.800,00

Total geral de aluno 968.058,58

Valor por aluno por mês 366,69

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