Parte I- Contexto histórico do surgimento do Programa Bom Aluno
1.3. Metodologia do Programa: o processo de seleção
1.4.1. Primeiro Ciclo: 8º ano do Ensino Fundamental
Na fase de adaptação ao Programa, os alunos cursam o ensino regular do 8º ano do Ensino Fundamental nas escolas públicas e, no contraturno, passam a frequentar as atividades fornecidas na sede do Programa. Essas atividades ocorrem quatro vezes por semana, com uma carga horária de 12 horas/semanais.
No ciclo do 8º ano do Ensino Fundamental, o Eixo Acadêmico se desenvolve nas aulas de reforço semanais de Português, Matemática e Inglês. O objetivo do reforço escolar é superar a defasagem dos conteúdos dos alunos ingressantes. As notas das avaliações no Processo Seletivo são utilizadas como diagnóstico dos componentes curriculares necessários a serem desenvolvidos em aula durante o 8ºano, uma vez que o aluno, ao ingressar na escola particular, terá de se adaptar a uma escola de elite e de prestígio acadêmico, além de ter a incumbência de apresentar bom desempenho escolar. Tal cobrança se dará por meio do Programa e das próprias Escolas Particulares conveniadas. Segundo o gerente, no início do Programa as Escolas Particulares ofereciam 50% de bolsa; e, conforme os alunos foram se destacando como bons alunos, as escolas passaram a ofertar o valor integral das mensalidades.
As Escolas Particulares hoje querem um aluno do Bom Aluno, pois sabem que serão os melhores da turma. Acabam incentivando os colegas da sala. E é bom para a Escola, porque lá pra frente esse aluno vai se destacar no vestibular. (Entrevista, gerente -PBA).
A atividade realizada no Eixo de Desenvolvimento Pessoal inclui no 8º ano a aula de Hábito de Estudos. Essas atividades são realizadas uma vez por semana por 4 horas no sistema rotativo de 15 em 15 dias. Com o objetivo de auxiliar o aluno na organização de sua rotina, no cronograma de estudos e na elaboração das expectativas de se ingressar na Escola Particular.
Já no progresso de estudos vamos caminhando por partes, vamos devagar. Na fase da adaptação é uma pedagoga e uma psicóloga, trabalhando primeiro, matemática e português e desenvolvimento pessoal do aluno. Para trabalhar os conteúdos e ampliar a visão do mundo deles dentro dos sonhos deles mesmos; trabalhamos com planejamento de estudos e tentamos construir um significado com eles, para que estudar. Os nossos alunos já tem um diferencial. Vamos desenvolvendo neles aos poucos a partir de cada um aos poucos até chegar a criticidade. (Entrevista, pedagoga- PBA).
Os ingressantes entrevistados descrevem ser um choque diagnosticar o bom desempenho escolar de todos os alunos participantes, ou seja, para se destacarem
no Programa como bons alunos, todos os entrevistados relataram que passaram a ter que estudar em casa, algo que raramente faziam. Um aluno do 8º ano relata:
A minha rotina mudou bastante, porque antes eu não estudava, tirava boas notas porque prestava atenção nas aulas, mas aqui a exigência é maior, você tem que estudar tem que realmente saber. A da minha família também mudou. Eu peço para o meu pai, que é professor de Português, me dá prova porque não sou muito bom em Português. (Entrevista, aluno 8ºano).
Outra grande mudança na rotina dos ingressantes é a utilização de transporte público, dependendo da região habitada, alguns alunos percorreram grandes distâncias entre o itinerário residência, escola pública e sede do Programa.
Segundo a psicóloga 1, é nas atividades de desenvolvimento pessoal que se pode verificar se os alunos estão dispostos a se dedicarem aos estudos acadêmicos, assim como os convida a repensar seus papéis como bons alunos. Durante esta fase de adaptação geralmente são discutidos textos que incentivem a assimilação dos valores do Programa, em consonância com depoimentos dos participantes do ensino médio e superior sobre suas experiências estudantis. Deseja-se que os alunos reflitam, porque foram escolhidos a participarem do Programa.
Perguntamos para os alunos se querem isso ou não. É deixado isso bem claro pro aluno: você está aqui porque este é um programa acadêmico, se você também quer jogar futebol, que é muito comum, e isso não for atrapalhar no seu rendimento escolar, tudo bem, senão você terá que escolher, pois o Programa auxilia, mas a escolha é sempre do aluno. (Entrevista, psicóloga, 1- PBA).
De acordo com a Equipe Técnica do Programa, no ano de ingresso alunos e familiares passam pela fase de adaptação. Portanto, concomitante ao trabalho desenvolvido com os alunos pelos eixos Acadêmico e Desenvolvimento Pessoal, se desenvolve o trabalho com pais através das propostas do Eixo da Família “o trabalho
feito com a família é muito importante, pois se o aluno não tem o mínimo de apoio e condições para estudar ele não vai se desenvolver bem aqui no Programa”.
(Entrevista, gerente- PBA)
A proposta do Eixo da Família é oferecer um curso (dez encontros num período de 03 meses), no ano de ingresso. Participam desses encontros cerca de sessenta pessoas sendo dois representantes da família de cada aluno. Entende-se que as composições familiares hoje são diversas, então, fica a critério da família quem vai participar. O grupo geral é redistribuído em três grupos sendo tarde e noite de segunda a sexta e aos sábados.
Segundo a psicóloga 1 os encontros são vivenciais e não teóricos. O primeiro objetivo da formação de pais é integrá-los à filosofia do Programa. O segundo é desmistificar o Programa em relação à cobrança dos alunos para que eles sejam os melhores, e o terceiro objetivo é conscientizar a família da importância da participação na vida escolar do filho.
Este momento é muito importante, porque é neste momento que conhecemos a família, as dificuldades; este é um diferencial do Programa, pois o trabalho todo é uma mediação entre o desenvolvimento familiar, desenvolvimento do aluno e o acompanhamento dele na escola. Então, a gente não conhece só o aluno, a gente conhece muito o aluno e a família dele. É através do curso que os pais podem chegar e conversar com a gente. (Entrevista, psicóloga, 1, PBA)