4 ANÁLISE DOS DADOS
4.1 ANÁLISE DO MANUAL 1(M1)
4.1.2 Componente (ii) no M1
4.1.2.2 Características das teorias (B)
Fragmento 3
³$RORQJRGHVVHPHLRVpFXORRJHUDWLYLVPRSDVVRXSRUGLYHUVDVPRGLILFDo}HVH
reformulações, que refletem a preocupação dos pesquisadores dessa corrente em elaborar um modelo teórico formal, inspirado na matemática, capaz de descrever e explicar
abstratameQWHRTXHpHFRPRIXQFLRQDDOLQJXDJHPKXPDQD´0$57(/277$S
Neste fragmento, observamos que o autor explicita a relação direta do Gerativismo com a Matemática. Essa relação seria de causar estranhamento ao estudante do curso de Letras, posto que ambas as disciplinas estivessem em polos opostos de acordo com o senso comum. A antipatia pelo Gerativismo poderia ser gerada entre os estudantes de Letras exatamente por aproximação descrita entre a área de saber de sua preferência com a área de saber da qual desses estudantes vêm fugindo desde sempre.
3RU FRQVHJXLQWH DV ³GLYHUVDV PRGLILFDo}HV H UHIRUPXODo}HV´ SHODV TXDLV SDVVRX R *HUDWLYLVPR HP ³PHLR VpFXOR´ SRGHULDP LQGLFDU XPD WHQWDWLYD GH DIDVWDU R HVWXGDQWH GH Letras dessa teoria por ela ser tão complicada quanto à Matemática que a teria inspirado, conforme o fragmento. A presença de termos técnicos sem muitas explicações, a exemplo de ³PRGHORWHyULFRIRUPDO´SHUPLWH-nos constatar a violação a duas Máximas Conversacionais: a de Modo e a de Quantidade. Poderia ter dito o que disse de um modo mais claro e didático e de modo mais informativo, sobretudo para um leitor debutante na área. Certamente essa dupla violação não nos parece fortuita. Ela poderá ter um rebatimento futuro na construção de uma percepção negativa da teoria na cabeça dos iniciantes do curso de Letras por parecer confusa QDWHUPLQRORJLDHQDSUiWLFDGHSHVTXLVDKDMDYLVWDWHUSDVVDGRSRU³GLYHUVDVPRGLILFDo}HVH UHIRUPXODo}HV´HPWmRSRXFRWHPSR
Fragmento 4
³$OLQJXtVWLFDgerativa foi inicialmente formulada como uma espécie de resposta e rejeição ao modelo behaviorista de descrição dos fatos da linguagem, modelo esse que foi dominante na linguística e nas
ciências de uma maneira geral durante toda a primeira metade do séculR;;´0$57(/277$
p.127).
O Fragmento 4 nos informa que o Gerativismo surgiu como uma teoria que se opôs a outra vigente durante a metade do Século XX a Teoria Behaviorista. Detectamos aqui uma violação à Máxima da Quantidade, ou seja, não houve informações suficientes relativas ao Behaviorismo necessárias para situar o leitor no confronto de teorias no qual foi metido pelo
autor. A falta de dedicação de um espaço maior à explicitação dos fundamentos daquela teoria citada, nem em nota de rodapé, nos parece bem proposital. Seria importante para o iniciante receber, ainda que de forma superficial, dados sobre essa corrente teórica e assim poder compreender o porquê Behaviorismo ter sido rejeitado e merecer uma resposta do Gerativismo. A omissão de noções preliminares sobre o Behaviorismo também pode ser percebida como uma atitude carregada de Pressuposto (pp) marcado linguisticamente pela H[SUHVVmR ³>@ resposta e rejeição ao modelo behaviorista´ 2V VXEVWDQWLYRV ³UHVSRVWD´ H ³UHMHLomR´FRQILUPDPDRFRUUrQFLD do (pp).
O objetivo do autor do fragmento em análise talvez tenha sido deixar no recém- estudante da área a falsa percepção de que o Gerativismo apenas teria focado seu esforço teórico em combater uma teoria menor, inexpressiva, e não em propor explicações plausíveis para o funcionamento da linguagem, pretensão central em toda teoria de linguagem. Em outras palavras, sutilmente o autor não dá a devida atenção ao Gerativismo por não concentrar o foco no que realmente deveria uma teoria de linguagem fazer.
Fragmento 5
³&KRPVN\FKHJRXDDILUPDULQFOXVLYHTXHDcriatividade é o principal aspecto caracterizador do comportamento linguístico humano, aquilo que mais fundamentalmente distingue a OLQJXDJHPKXPDQDGRVVLVWHPDVGHFRPXQLFDomRDQLPDO´0$57(/277$S
$R DILUPDU R SURWDJRQLVPR GD ³FULDWLYLGDGH´ QD FDUDFWHUL]DomR GR FRPSRUWDPHQWR linguístico das pessoas, o autor do capítulo coloca esse aspecto como fundamental, porém não DGLFLRQDH[SOLFDo}HVRXWUDVVREUHDUHOHYkQFLDGD³FULDWLYLGDGH´SDUDDOLQJXDJHPYLRODQGRD Máxima da Quantidade, pois diz menos do que é requerido para sustentar um importante postulado da teoria gerativa. O autor não fornece maiores informações sobre como acontece HVVHSURFHVVRQDPHQWHGRIDODQWHHVREUHFRPRRIDODQWHGHPRQVWUDULDHVVD³FULDWLYLGDGH´DR falar. O aposto explicativo apresentada na sequência não nos parecera esclarecedor suficiente para quem dá os primeiros passos no mundo da ciência da linguagem.
$ LQVHUomR GR FRQHFWLYR ³LQFOXVLYH´ DQWHV GD DILUPDomR GH &KRPVN\ VREUH R SDSHO essencial da criatividade na linguagem humana, permite-nos identificar um pressuposto (pp) linguisticamente marcado de dúvida ou de, pelos menos, questionamento sobre o valor da criatividade tal como defendido na teoria em foco. Deixa o autor do capítulo nas entrelinhas
GR RSHUDGRU DUJXPHQWDWLYR ³LQFOXVLYH´ XP H[DJHUR RX XP HTXtYRFR REVHUYDFLRQDO GH Chomsky. Sobre a compreensão do trecho pelo leitor-estudante, é possível que paire a dúvida VREUHDFHQWUDOLGDGHGD³FULDWLYLGDGH´SURSRVWDSHODWHRULDJHUDWLYLVWD2XWUDYH]KDYHULDXPD crítica velada ao modelo apresentado que somada às outras colaborariam todas elas para uma construção de uma imagem pouco positiva por parte de quem acaba de acessar informações sobre um modelo que lhe é desconhecido.
$WULEXLU j ³FULDWLYLGDGH´ R ³SULQFLSDO DVSHFWR FDUDFWHUL]DGRU´ p SUHVVXSRU SS D existência de outros aspectos próprios do Gerativismo. Contudo, o autor não se preocupa em apontar quais são tais outros aspectos com os detalhes necessários para que o leitor iniciante entenda a essência da teoria. Esta omissão de informações importantes pode ser categorizada como violação à Máxima da Quantidade, que não ocorre, certamente, por um acaso ou ³GHVFXLGRQmRLQWHQFLRQDO´GRDXWRU
Fragmento 6
³3DUD&KRPVN\DFDSDFLGDGHKXPDQDGHIDODUHHQWHQGHUXPDOtQJXDSHORPHQRVLVWRpR comportamento linguístico dos indivíduos, deve ser compreendida como o resultado de um dispositivo inato, uma capacidade genética e, portanto, interna ao organismo humano (e não completamente determinada pelo mundo exterior, como diziam os behavioristas), a qual deve ser radicada na biologia do cérebro/mente da espécie e é destinada a constituir a competência linguística de um falante. Essa disposição inata para a competência linguística é o que ficou FRQKHFLGRFRPRIDFXOGDGHGDOLQJXDJHP´0$57(/277$S
Considerando que a base dos postulados do Gerativismo guarda uma relação de proximidade com outras ciências que perscrutam a mente humana, as chamadas ciências cognitivas, o autor do capítulo, para reforçar os fundamentos chomskyanos duplicando a mesma ideia no trecho do Fragmento, a fim de convencer o leitor pela reiteração de informações sem acréscimos significativos. A repetição meramente retórica é uma violação à Máxima da Quantidade, já que não há novas informações expostas, apenas paráfrases sobre o mesmo tema.