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3.2. Políticas Cearenses de Segurança Pública

3.2.1 Projeto Distrito-Modelo

3.2.1.2 Características do Projeto Distrito-Modelo

Com o advento da criação da SSPDC, colocando sob comando único a

segurança pública, com o claro objetivo de buscar a integração e de ampliar a

cooperação mútua nas atividades diárias e nas operações a serem realizadas pela

Polícia Militar, a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros do Estado do Ceará, ensejou a

necessidade de ser desenvolvido um sistema de trabalho que permitisse uma

estreita e permanente colaboração entre as polícias. Foi com esse propósito por

iniciativa governamental a contratação de assessoria da First Security Consulting,

empresa de renome internacional, detentora em seus quadros de profissionais de

reconhecida capacidade e de extensa folha de serviços prestados à causa da

segurança pública dos Estados Unidos e outros países.

Feito o diagnóstico inicial pela empresa americana em Junho de 1997,

foram detectadas, entre outras deficiências: a falta de viaturas, de efetivos, de meios

de comunicação, de condições de trabalho, de salários adequados, da baixa auto-

estima dos profissionais de segurança pública, do não compartilhamento de dados

estatísticos, da falta de colaboração entre as policiais. Em conseqüência, foi

apresentada a proposta de criação de um Projeto de Distrito-Modelo a ser

implantado, testado e aperfeiçoado durante 6 (seis) meses na área de circunscrição

de uma companhia policial militar, antes de ser expandido às demais áreas da

cidade.

Após pesquisas, inúmeras visitas e entrevistas, foi escolhida para

implantação do projeto, a área de circunscrição da 4

ª

companhia do 6

º

Batalhão

Policial Militar (4ªCia/6ºBPM), que é a mesma do 12º Distrito Policial (12

º

DP) no

Conjunto Ceará e o 32º Distrito Policial (32

º

DP) no bairro de Bom Jardim. Após a

designação da escolha da área do 1º Distrito-Modelo, este passou a funcionar com

os seguintes pressupostos:

3.2.1.2.1 Integração

O primeiro aspecto a ser observado com relação ao Projeto Distrito-

Modelo é visto sobre o prisma da integração, o que também era então propagado

pelo Plano Nacional de Segurança Pública (2001, p.26), com ênfase em suas ações

de número 51 e 54, transcritas a seguir.

51. Intensificação do Policiamento Integrado

Apoiar, inclusive financeiramente, estados que implantarem

programas de policiamento integrados entre a Polícia Civil e

Militar, [...], além de estimular a participação dos poderes

públicos municipais nas atividades das polícias estaduais.

54. Missões Especiais de Patrulhamento Integrado

Concentrar a atuação policial em áreas que apresentam maior

risco para pessoas serem assassinadas ou molestadas, a partir

da compatibilização das áreas de intervenção da Polícia Militar e

da Polícia Civil, com o objetivo de dar à ação repressiva

coordenação e unidade tática.

Baseada nestas premissas era delineada a característica primordial dos

Distritos-Modelo no alcance da integração operacional das organizações policiais,

mas antes da ação propriamente dita, se agendava a realização de alguns

encontros.

3.2.1.2.2 Reuniões Operacionais

Estes momentos de um Distrito-Modelo não eram revestidos de

formalidades e aconteciam com as presenças do comandante da companhia PM e

dos delegados titulares lotados na respectiva área circunscricional.

Além dos responsáveis pelo gerenciamento de um DM, eram convidados

os delegados plantonistas e os demais oficiais da companhia PM, isto pelo menos

de quinze em quinze dias, já que o ideal seria a presença de todos nas reuniões

operacionais que aconteciam pelo menos uma vez por semana, de acordo com

a estabilidade almejada ao nível de segurança pública sob a responsabilidade de um

Distrito-Modelo.

A reunião operacional inicialmente assumia um tom avaliativo do que foi

realizado na semana anterior para após se discutir os acertos e as correções a

serem levadas a efeito dali em diante.

3.2.1.2.3 Reunião para Avaliação de Desempenho

Era o momento em que os integrantes dos diversos Distritos-Modelo se

faziam presentes num mesmo ambiente para se trocar experiências e informações,

porque uma área de atuação não pode ficar isolada, muito pelo contrário, esta

compactada em terreno diferente mas que se interliga a outras e, assim sendo, têm

espaços físicos conjuntos. A bem da verdade, o que se buscava era a excelência

dos serviços de segurança pública em toda a capital cearense.

3.2.1.2.4 Reunião Setorial

As reuniões setoriais eram encontros mensais envolvendo representações

comunitárias com os dirigentes locais das Polícias Militar e Civil e do Corpo de

Bombeiros. Esse evento, normalmente, era realizado na sede da companhia PM e

ali eram discutidos de forma pacífica e respeitosa os problemas de segurança

pública que afligiam naquela oportunidade as representações comunitárias inseridos

na área de um DM. Mas os contatos não eram exclusivos somente naquele

momento. Sempre que se fazia necessário, ou mesmo através de visitas informais

ou de outros encontros sociais, ocorria a interação dos cidadãos com os

comandantes e/ou delegados num envolvimento salutar em prol da segurança

pública.

3.2.1.2.5 Recursos Materiais, Tecnológicos e de Comunicação

Além da criação do Centro Integrado de Operações Policiais (CIOPS). Os

carros de rádio-patrulha dos Distritos-Modelo foram todos equipados com

computadores de bordo e sistema de localização por satélite (GPS), bem como os

presos dos Distritos Policias passaram a ser permanentemente monitorados por

circuito interno de televisão e a tecnologia da comunicação também foi contemplada,

através da aquisição do sistema de rádio-comunicação trunking, o qual

impossibilitava a recepção indevida dos ”rádios da polícia”.

Para o compartilhamento de informações e dados estatísticos envolvendo

a Companhia PM e os distritos policiais foi viabilizada a utilização de um documento

chamado Relatório de Crime, o qual era aplicado no local onde o ilícito penal se

consumasse, normalmente pela Polícia Militar ou no relato de uma queixa crime na

delegacia de Polícia Civil e, consequentemente, servia como uma ferramenta no

direcionamento das ações operacionais e de integração dos Distritos-Modelo.

3.2.1.2.6 Recursos Humanos

O projeto Distrito-Modelo foi implementado com o propósito de melhorar a

auto-estima do policial proporcionando-lhe melhores condições de trabalho e

perspectivas de progressão profissional.

Ao se contextualizar o Projeto Distrito-Modelo como uma política de segurança pública do Estado do Ceará, algumas considerações são pertinentes.

Qualificou-se o Projeto como uma estratégia de segurança pública, viabilizada a partir da criação da Secretaria da Segurança Pública e de Defesa da Cidadania, no ano de 1997. Foi uma ação de governo caracterizada pela integração das organizações, Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros, com a participação comunitária através da possibilidade de se estabelecer diversas parcerias. Foi ofertado o suporte logístico de recursos materiais, tecnológicos e de comunicação e, principalmente, com a elevação da auto estima dos profissionais de segurança pública com a melhoria da ambiência nos quartéis e delegacias e com a inserção de materiais, viaturas, armamento e equipamentos de proteção individual, os quais foram adquiridos pelo Governo do Estado do Ceará com o apoio do Governo Federal na disponibilização de recursos financeiros oriundos do Fundo Nacional de Segurança Pública, liberados e supervisionados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP).