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2.5 Segurança Pública

2.5.5 A Segurança Pública e as Constituições do Ceará, de 1967 a 1989

2.5.5.1 Constituição do Estado do Ceará, de 13 de maio de 1967

A constituição cearense promulgada na data de 13 de maio de 1967 sofreu diversas modificações a partir do seu próprio preâmbulo com a inserção da Emenda Constitucional nº. 21, de 16 de janeiro de 1985, a qual formalizou a incorporação das Emendas Constitucionais Federais de números 1 a 24. Assim, essa carta constitucional pode ser considerada uma cópia da Constituição Federal, na época em vigor, com algumas adaptações de seus dispositivos para o plano estadual.

Neste período, no Brasil, estava instalado o regime militar o que influenciou a adoção dos símbolos estaduais cearenses, no caso, a bandeira, o hino e as armas (Art. 1º, § 2º). A Polícia Militar passou a funcionar como sendo o braço visível do Poder e, por conseguinte, competiu unicamente ao Estado a sua “organização, efetivo, instrução, justiça e garantia das Polícias Militares (Art. 6º, alínea g). Estabeleceu ainda, como competência exclusiva do governador a iniciativa de leis que tratasse da “organização, efetivo, instrução, justiça, garantias, direitos, deveres e vantagens da Polícia Militar.” Note-se que não era mais a Assembléia Legislativa, como na maioria das constituições, inclusive a atual, que teria a competência de legislar a respeito da organização da Polícia Militar. Como enunciado, esta prerrogativa, neste momento histórico, foi exclusiva do Governador do Estado, conforme o texto legal em consideração.

Eram também atribuições privativas do Governador do Estado, dentre outras, por força do Art. 74, como a seguir se lê.

Nomear e exonerar os prefeitos municipais (item VI). Exercer o comando supremo da Polícia Militar e dela dispor, para a manutenção da ordem e da segurança do Estado (item VIII). Decretar e executar a intervenção estadual nos Municípios (item IX), [...].

Ao Governador de então, foi atribuído como crime de responsabilidade os que atentassem contra a Constituição Federal ou a do Estado e especialmente “a segurança interna e a tranqüilidade do Estado” (Art. 75, item IV), dentre outros.

A Polícia Militar, nesta fase da história nacional, foi utilizada no regime então vigente, no controle social a serviço do Estado, cuidando da segurança interna com a vinculação e controle do Exército Brasileiro. Esta ênfase pode ser observada na leitura de parte do artigo 83 no sentido de que constaria em legislação especial os direitos, vencimentos, vantagens e regalias (grifo nosso) do pessoal da Polícia Militar do Estado, nos seguintes termos:

Art. 82 - A Polícia Militar do Estado, considerada força auxiliar, reserva do Exército, é instituição permanente, organizada, com base na hierarquia e na disciplina, na conformidade da lei federal.

Art. 83 - Os direitos, vencimentos, vantagens e regalias do pessoal da Polícia Militar do Estado, em serviço ativo ou na inatividade, constarão da legislação especial, não sendo permitidas condições superiores a que, por lei ou regulamente, forem fixadas para o correspondente posto ou graduação do Exército.

[...].

A proteção do Estado foi singular e naturalmente em detrimento dos direitos e das garantias individuais, a começar pelo direito de greve, o qual não seria permitido nos serviços públicos e nas atividades essenciais (Art. 126). Também não foi permitida nenhuma forma de subversão ao regime, como a seguir será destacado:

Art. 120 – O abuso de direito individual ou político, com o propósito de subversão do regime democrático ou de corrupção, importará na suspensão daqueles direitos de dois a dez anos, a qual será declarada

na forma da Constituição Federal, sem prejuízo de ação civil ou penal que couber, assegurada ao paciente ampla defesa.

A participação popular não foi totalmente descartada, só não podia se opor ao regime. Assim, foi facultado aos Municípios depois de autorizados pela respectiva Câmara Municipal “organizar vigilância noturna, constituir quadros de voluntários para o combate a incêndio, prestar socorro em época de calamidade pública e realizar convênios com o Estado sobre esses serviços.

Ao tratar dos municípios, abre-se um parêntese pra falar da Guarda Civil. Esta organização é originária da Guarda Cívica, a qual, no Estado do Ceará, foi criada pela Lei nº. 1905, de 3 de setembro de 1880, “com um total de 63 homens” e por força do Decreto do Presidente do Estado do Ceará de nº. 274, de 31 de março de 1921, foi restabelecida com a denominação de Guarda Civil. O Art. 1º deste ato administrativo foi escrito da seguinte forma:

Art. 1º - É restabelecida a Guarda Cívica, sob a denominação de Guarda Civil e com o caráter militar, destinada ao policiamento desta capital, a qual ficará sob a imediata direção do Chefe de Polícia, sem subordinação alguma ao comandante da Força Pública do Estado.

O processo de extinção da Guarda Civil se deu por força de poucas linhas escritas constantes do Decreto-Lei nº. 1.072, de 30 de dezembro de 1969, o qual se referido as polícias militares em seu art. 1º, assim foi construído.

Art. 1º - Passa a ter a seguinte redação o art. 3º, letra a, do Decreto-lei nº. 667, de 2 de julho de 1969:

a) executar com exclusividade, ressalvadas as missões peculiares das Forças Armadas, o policiamento ostensivo, fardado, planejado pelas autoridades policiais competentes a fim de assegurar o cumprimento da lei, a manutenção da ordem pública e o exercício dos poderes constituídos.

Em poucas palavras, executar com exclusividade o policiamento ostensivo fardado, incumbência que desde então vem sendo desenvolvida pelas policiais militares do Brasil, foi essa de forma sumária a sentença de morte das Guardas Civis. Este fato quase não tem registro nos anais de nossa história. Depois desta data, 30 de dezembro de 1969, alguns guardas civis ingressaram nas polícias militares e outros tantos permaneceram integrando as fileiras da polícia civil até a extinção dos seus respectivos cargos de carreiras.

A saúde pública foi lembrada em uma redação isolada mas importante em relação “a inclusão do imposto sobre produtos industrializados na base de cálculo do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias incidentes sobre cigarros, [...]”. Foi esta uma iniciativa válida e digna de registro levando-se em conta os malefícios causados pelo uso do cigarro e dos derivados do fumo em geral.