3.2. Políticas Cearenses de Segurança Pública
3.2.2 Programa Ronda do Quarteirão
3.2.2.2 Estratégias do Programa Ronda do Quarteirão
Para falar do programa em si, será a seguir transcrito um trecho da
apostila confeccionada para o Curso de Formação Profissional de autoria de De
Paula e Agra Filho (2009, p.25), a respeito do Programa Ronda do Quarteirão.
[...]. Implementado em um projeto piloto no dia 21 de novembro de 2007, em 05 (cinco) Bases Territoriais, 04 (quatro) em fortaleza – Centro, Bom Jardim, Jangurussu e Meireles – e uma em Maracanaú. O Ronda do Quarteirão se expandiu a partir de dezembro do mesmo ano e hoje conta com 122 (cento e vinte e duas) Bases Territoriais, distribuídas nos municípios de fortaleza e Maracanaú, além de Caucaia.
Cada Base Territorial conta diuturnamente com uma Base Comunitária com três PMs devidamente capacitados em Doutrina de Polícia Comunitária. O detalhe que diferencia essa base comunitária é que ela é feita por uma Base Comunitária Móvel (BCM), e pode ser acionada por qualquer cidadão da comunidade pelo telefone que se encontra dentro da BCM. Ao ser acionada, a ser acionada, a base desloca-se até o solicitante. Dessa forma, o cidadão não precisa ir até a polícia, a polícia vai ao seu encontro. As solicitações recebidas pela BCM nem sempre são para atender a uma quebra da ordem pública; o nosso cliente (o cidadão) também pode chamar para conhecer a composição policial que cuida de sua segurança, ou para passar informações importantes, ou ainda para participar de uma reunião comunitária, afinal o policial comunitário é o novo integrante da comunidade.
O Programa Ronda do Quarteirão é uma estratégia de aproximação
com a comunidade cearense. Os seus turnos de serviço são ocupados pelos
mesmos policiais nos mesmos horários, a princípio, esta condição é fundamental
para estabelecer os vínculos entre os policiais e os residentes de determinado
espaço geográfico o que se denominou de base territorial. As bases comunitárias
móveis não podem se ausentar deste traçado e desta forma é naquele quadrante
em que as viaturas devem ser abastecidas com combustível e os policiais militares
devem fazer suas refeições com o fornecimento de tickets alimentação para quem
estiver de serviço. A essência da atual preventiva pode ser observada na transcrição
abaixo.
Cada turno tem uma equipe exclusiva, existindo ainda uma quarta equipe que trabalha quando uma dessas está folgando. As equipes exclusivas, além do estudo diário do território, também conhecem a rotina das pessoas que convivem naquela comunidade e vice-versa. Caso esta rotina seja quebrada, a hipótese de algum problema está acontecendo é levantada e de pronto é verificado o porquê da sua quebra.
Esta forma de atuação policial é voltada para a resolução de problemas, e não apenas para a repressão ao crime. Redefine o trabalho da polícia, de modo que o sucesso ou o fracasso dependam da qualidade do resultado (problemas resolvidos), mais do que simplesmente dos resultados quantitativos (números de ocorrências atendidas, detenções feitas, armas apreendidas, etc.). (DE PAULA e AGRA FILHO, 2009, p. 25).
A proposta inicial dos Distritos-Modelo, hoje, Áreas Operacionais
Integradas (AOpI) totalizadas em 11 (onze) existentes em Fortaleza, Caucaia e
Maracanaú passaram a agregar um total de 122 (cento e vinte e duas) subáreas
ocupadas pelas patrulhas Ronda na idéia de sempre se contar com a ajuda de um
amigo por perto. Importante frisar que cada área integrada dispõe no mínimo de uma
companhia da Polícia Militar, uma unidade do Corpo de Bombeiros e uma delegacia
de Polícia Civil.
As patrulhas Ronda nos turnos “A” e “B” contavam, inicialmente, com dois
ou três policiais militares, enquanto as do turno “C” eram distribuídas com três
componentes e apoiadas, em determinadas subáreas, por duplas de motociclistas
utilizando motocicletas de 400 cilindradas da marca Honda e modelo Falcon.
A orientação de fixar os mesmos policiais nos mesmos turnos de serviço é uma das determinantes para que eles sejam conhecidos da população local e consequentemente também conheçam a rotina e as pessoas que moram num determinado espaço geográfico, além da
possibilidade do contato direto via telefone, cujo número é divulgado pelos próprios patrulheiros, também se coloca a opção do uso do fone 190, não tarifado, contato neste caso, com grupo de despachantes na CIOPS exclusivos para as atividades do Ronda do Quarteirão.
As ações propostas da atuação dos policiais militares do Programa Ronda do Quarteirão, segundo o projeto inicial e na teoria de De Paula e Agra Filho (2009), podem ser sistematizados preventivamente mas também através de outras interfaces que serão progressivamente abordadas a seguir.