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Esse capítulo demonstra as Características do Trabalho da Mulher Policial, tendo como itens a serem analisados: Percepções Negativas e Percepções Positivas, onde são apresentadas as características negativas e positivas do trabalho de policial, apontadas pelas participantes da pesquisa. O segundo item diz respeito aos Motivos Pelos Quais Trabalha, neste as participantes indicam o porquê trabalham na polícia civil. O terceiro item apresenta os Riscos do Trabalho de Policial, onde são discutidos os riscos de profissão de policial se acordo com as respostas das participantes da pesquisa. O quarto e último item Trabalho e Saúde descreve as implicações do trabalho na saúde das mulheres policiais.

Considerando as implicações do trabalho das participantes, o Gráfico 1apresenta as percepções negativas acerca do trabalho de policial e o Gráfico2 apresenta as Percepções Positivas acerca do trabalho de Policial:

Gráfico1 - Percepções Negativas acerca do Trabalho de Policial Para Mulheres Policiais Civis (n=41).

Fonte: Elaborado pela autora, 2012

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90%100% O trabalho na polícia é humilhante

Sinto-me infeliz pelo trabalho que desenvolvo Sinto-me decepcionada pelo trabalho que

desenvolvo

Sinto-me fracassada pelo trabalho que desenvolvo Percebo que meu trabalho tem um impacto

negativo nas outras esferas da vida Sinto-me estressada pelo trabalho que desenvolvo

Trabalho, para ganhar dinheiro O trabalho na polícia é cansativo O trabalho na polícia é estressante

Percepções negativas acerca do trabalho de

policial para mulheres policiais civis

Gráfico2- Percepções Positivas Acerca do Trabalho de Policial Para Mulheres Policiais Civis (n=41).

Fonte: Elaborado pela autora, 2012

Pode-se perceber que a maior parte das participantes, avalia seu trabalho positivamente, é possível observar isso na afirmativa O trabalho na polícia é prazeroso, onde 92,7% das participantes concordaram totalmente ou concordaram. De acordo com Siqueira et al (2009) bem estar subjetivo está ligado as vivencias do sujeito, ou seja, o sujeito sente-se satisfeito em seu trabalho quando vivencia mais emoções positivas e menos emoções negativas. Desta forma, é possível inferir que possivelmente as participantes vivenciaram mais situações satisfatórias no trabalho, através de emoções positivas. Os autores ainda apontam que o indivíduo pode apresentar um comprometimento organizacional afetivo, onde o mesmo se identifica com a instituição onde está inserido e planeja manter-se na mesma (SIQUEIRA et al, 2009). Sendo assim, possivelmente estas mulheres se identificam com o

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90%100% Trabalho na polícia, por causa do reconhecimento

social

Sou policial, pois gosto do respeito que o trabalho traz

Sinto-me corajosa pelo trabalho que desenvolvo O trabalho na polícia é satisfatório Sinto-me feliz pelo trabalho que desenvolvo Sinto-me cuidadora pelo trabalho que desenvolvo Sinto-me uma heroína pelo trabalho que

desenvolvo

O trabalho na polícia é enriquecedor O trabalho na polícia é gratificante Realizo meu trabalho, pois gosto de ajudar a

sociedade

O trabalho na polícia é prazeroso

Percepções positivas acerca do trabalho de

policial para mulheres policiais

trabalho de policial e apreciam o trabalho que realizam. Porém apesar de apresentarem aspectos positivos acerca do trabalho que desenvolvem, grande parte das participantes (87,8%) apontou que o trabalho na polícia é estressante. Bonifácio et al (s/d p.2), afirmam que o estresse ocupacional é o “potencial nocivo que o trabalho pode ter na vida das pessoas relacionado não apenas com o ambiente, mas, principalmente, com a sua organização”, esses aspectos estão ligados também a carga horária desempenhada pelo sujeito, as relações no ambiente de trabalho, a hierarquia da instituição, dentre outros aspectos. Desta forma, as participantes da pesquisa podem avaliar positivamente seu trabalho, porém consideram o mesmo estressante.

Outro aspecto importante a ser destacado, diz respeito à afirmativa trabalho para ganhar dinheiro, ou seja, a questão financeira influencia diretamente na escolha para estar na Instituição. Este fato, pode ser relacionado à estabilidade no serviço publico Cappelle e Melo afirmam que muitas mulheres entram na instituição policial, devido a estabilidade do emprego público (2010), desta forma, muitas vezes as mulheres entram na instituição policial sem ter clareza acerca da natureza do trabalho policial e as implicações que o mesmo pode trazer à sua vida e a dos que a cercam. Porém a afirmativa pode não ter ficado claro, ou seja, tinha-se a idéia de tentar identificar se estas mulheres trabalhavam para o sustento financeiro.

Nos Gráficos 1 e 2, foi possível perceber as Percepções Negativas e Positivas do Trabalho de Policial, já o Gráfico 3 apresenta ao motivos pelos quais as participantes trabalham, ou seja, será possível observar o porque de trabalhar na polícia:

Gráfico3- Motivos pelos quais as mulheres policiais civis trabalham (n=41).

Fonte: Elaborado pela autora, 2012

No Gráfico 3 é possível observar que 43,9% das participantes afirmaram trabalho na polícia sempre foi um desejo meu, ou seja, estas mulheres escolheram trabalhar na polícia por outros motivos que não um desejo anterior. De acordo com pesquisa realizada pelo IBGE (2012), no ano de 2011, dos trabalhadores no setor público 55,3% eram mulheres e 44,7% homens. Cappelle e Melo (2010) apontam que muitas mulheres procuram o trabalho na polícia (civil ou militar), pois trata-se de um emprego público, o que traz uma estabilidade, pois o risco de demissão ou afastamento é baixo, afirmativa que corrobora com os dados apresentados na pesquisa, onde 80,5% das participantes concordaram ou concordaram totalmente que trabalham na polícia pois é um emprego público e há estabilidade.

Outro aspecto a ser destacado diz respeito ao salário pago na Instituição, na pesquisa de Cappelle e Melo (2010), as autoras afirmam que um dos motivos das mulheres ingressarem na carreira policial é o salário pago, ou seja, estas mulheres avaliam positivamente o salário da Instituição. Porém na presente pesquisa as participantes apontam que discordam ou discordam totalmente que o salário pago é bom, ou seja, não trabalham na polícia pelo salário. Vale salientar que a média de tempo de serviço das participantes é de 13 anos e 11 meses, Pode-se inferir que ao entrar na Instituição elas avaliam positivamente o

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90%100% Trabalho na polícia, pois o salário pago é bom

Entrei na polícia, pois tenho parente (s) na Instituição

Trabalho, pois meu companheiro também tem um emprego

Estou na polícia, pois é um emprego público e há estabilidade

Não tenho planos de sair da polícia civil Trabalho na polícia, pois sempre foi um desejo

meu

Motivos pelos quais as mulheres policiais

civis trabalham

valor pago de seus salários, porém com o passar dos anos, mostram-se insatisfeitas com o mesmo, desta forma, avaliam negativamente seus salários.

Na afirmativa, trabalho, pois meu companheiro também tem um emprego, 82,5% das participantes afirmaram que discordam ou discordam totalmente, ou seja, estas mulheres trabalham por um desejo próprio ou não possuem companheiro. Além disso, de acordo com dados fornecidos no site do IPEA (2010), entre os anos de 2001 e 2009 o número de mulheres chefes de família subiu de 27% para 35%, ou seja, cada vez mais as mulheres chefiam suas famílias sendo as principais provedoras do lar.

Na afirmativa trabalho na polícia, pois tenho parentes na Instituição 12,2% concordaram ou concordaram totalmente. A escolha profissional é influenciada pela família e pessoas próximas dos sujeitos, principalmente os pais (ALMEIDA e PINHO. 2008; GONÇALVES E COIMBRA, 2007). Almeida e Pinho (2008, p.173), apontam que os pais exercem uma grande influencia na escolha profissional de seus filhos, “Há sempre alguma maneira de influenciar, seja expressando abertamente a opinião, muitas vezes pressionando o filho a seguir determinada profissão, seja de maneira mais sutil ou manipuladora”. Sendo assim, mesmo que estas mulheres não tenham parentes na polícia, possivelmente seus familiares, principalmente os pais, podem ter influenciado na escolha profissional de ser policial.

Como discutido no Gráfico 3, muitas mulheres escolheram a profissão de policial por se tratar de um emprego público que há estabilidade, porém ao escolherem a profissão sabiam que a mesma apresenta riscos. Sendo assim, como as participantes avaliam os riscos de sua profissão? O Gráfico 4, apresenta os fatores de risco da profissão na percepção das 41 policiais civis que participaram da pesquisa:

Gráfico 4- Fatores de risco da profissão (n=41).

Fonte: Elaborado pela autora, 2012

No Gráfico 4, das participantes 46,3% concordam ou concordam totalmente com a afirmativa o atendimento ao público é um fator de risco da profissão, ou seja a menor parte das mulheres. Porém nas outras afirmativas a maioria das mulheres (mais de 50% da amostra) aponta que o uso de armas 73,4%, o indiciamento de suspeitos 61,7% e as operações policiais 93,5%, são fatores de risco da profissão. Ou seja, mesmo esses fatores sendo inerentes a profissão, essas participantes apontam que estes são riscos que elas vivenciam. De acordo com Caldas e Silva (2000) e Natividade (2009), os riscos vivenciados pelos sujeitos em suas profissões podem resultar em sofrimento psíquico dos sujeitos, tal como o estresse, afirmativa que corrobora com o Gráfico 1, onde 87,8% das participantes afirmam que o trabalho na polícia é estressante. Isto pode ocorrer, pois, em geral, estas mulheres enfrentam diariamente situações que acreditam serem fatores de risco, estando em alerta constante. De acordo com Coleta e Coleta (2008) e Castro (2012), os policiais vivenciam rotinas de trabalho estressantes, pois em sua rotina de trabalho estão em contato direto com a criminalidade e a marginalidade. Sendo assim, fatores de risco são inerentes a profissão de policial, porém podem fazer com que doenças sejam desencadeadas.

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90%100% O indiciamento de suspeitos é um fator de risco

na profissão

O atendimento ao público é um fator de risco na profissão

O uso de armas é um fator de risco na profissão As operações policiais são um fator de risco na

profissão

Fatores de risco da profissão

De acordo com a CBO (Classificação Brasileira de Ocupações), a profissão de investigador de polícia tem como características:

Investigadores de polícia e papiloscopistas policiais trabalham em órgãos da administração pública, de segurança e defesa, como estatutários. O trabalho dessas ocupações, geralmente, é realizado em equipe, sob supervisão ocasional. Os profissionais trabalham em locais fechados, abertos ou em veículos, em horários irregulares e variados, com ou sem rodízio de turnos. Podem estar sujeitos a situações de pressão, à exposição de material tóxico e risco de morte.(site)

Assim sendo, os riscos que estes profissionais estão expostos fazem parte de sua rotina de trabalho. Porém podem ser aspectos que desencadeiam patologias tanto físicas quanto psíquicas adoecimentos destes trabalhadores. Além disso, constantemente a mídia divulga noticiais sobre a violência contra policiais, como o caso que ocorreu em outubro, da agente prisional que foi assassinada quando entrava em casa. Ainda não foi divulgada o que motivou o assassinato da agente, porém especula-se que a mesma tenha sido assassinada pois, estava entrando em casa dirigindo o carro de seu companheiro, que é diretor de uma penitenciária no estado de Santa Catarina. Desta forma, o alvo poderia ser seu companheiro, mas pode ter sida assassinada por engano (Jornal Notícias do Dia, 2012). Por isso além dos riscos enfrentados diariamente, os trabalhadores da segurança pública acompanham os casos de violência que são publicados freqüentemente, como s ataques a ônibus e unidades da polícia civil e militar. Sendo assim os policiais devem ficar sempre atentos ao que está ocorrendo, o que pode gerar um desgaste metal aos mesmos.

A partir da afirmativa das mulheres policias que o trabalho na polícia é estressante e tendo claro que os fatores de risco da profissão podem resultar no adoecimento dos trabalhadores que envolvem esta atividade, o Gráfico 5, que apresenta os sintomas físicos percebidos por mulheres policiais e o Gráfico 6 que demonstra o sintoma psicológicos percebidos pelas mulheres policiais civis. Explicitam os sintomas físicos e psíquicos percebidos pelas mulheres policiais civis pesquisadas. Vale destacar que nestes dois gráficos as legendas são diferentes das demais, ou seja, as possibilidades de respostas eram: sempre, as vezes, raramente e nunca.

Gráfico 5 – Sintomas físicos percebidos pelas mulheres policiais civis (n=41).

Fonte: Elaborado pela autora, 2012

Gráfico 6 – Sintomas psicológicos percebidos pelas mulheres policiais civis (n=41).

Fonte: Elaborado pela autora, 2012

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90%100% Tenho diarréia

Tenho o comportamento de roer unhas Percebo que sofro de má digestão Tenho dores de cabeça Tenho prisão de ventre Sinto o coração bater mais acelerado Percebo alterações no meu apetite Tenho pressão alta Percebo que o meu cabelo cai mais que o normal Sofro de insônia ou sono agitado Sinto dores no corpo Sinto-me cansada

Sintomas físicos percebidos pelas mulheres

policiais

Sempre Às Vezes Raramente Nunca

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Apresento comportamentos agressivos

Julgo a minha vida monótona Choro sem motivo aparente Estou de mau humor Sinto medo repentinamente Sinto-me triste Tenho lapsos de memória Gosto de ficar sozinha sempre que posso Perco a concentração com facilidade Sinto-me angustiada Percebo-me irritada Percebo que estou estressada Sinto-me ansiosa

Sintomas psicológicos percebidos pelas

mulheres policiais

No Gráfico 5 é possível perceber que das participantes da pesquisa, 65% afirmam que sempre ou as vezes sofro de insônia ou sono agitado, 66,7% sinto dor no corpo, 65% sinto dores de cabeça, 57,5% percebo que meu cabelo cai mais que o normal, 53,8% sinto o coração bater mais acelerado. Ou seja, dos sintomas físicos apresentados no instrumento de coleta de dados, 44,9% das respostas indicavam que as participantes apresentavam os sintomas listados sempre ou às vezes. De acordo com Teixeira et al (2011) dores de cabeça, cansaço e dores musculares, podem estar ligadas a Síndrome de Burnout, Sobrinho et al (2009) apontam que

A definição mais divulgada de burnout compreende este fenômeno como uma síndrome psicológica, decorrente da tensão emocional crônica, vivenciada pelos profissionais cujo trabalho envolve o relacionamento intenso e frequente com pessoas que necessitam cuidados e/ou assistência.

Porém, as participantes da pesquisa não apresentaram outros sintomas como despersonalização, pois é possível perceber sentido no trabalho desenvolvido por elas. Desta forma, não pode-se afirmar que as mulheres pesquisadas apresentam Síndrome de Burnout. Ainda de acordo com Teixeira et al (2011). Porém estes sintomas podem estar relacionados ao estresse. Sendo assim, estes sintomas com o passar do tempo e o agravamento dos mesmos podem culminar em uma patologia. Podendo estas serem observadas nas afirmativas relacionadas a qualidade do sono, dores de cabeça e no corpo. Além disso, dores no corpo também podem interferir na execução plena das atividades laborais destas trabalhadoras, o que pode inclusive, representar risco para as mesmas e para a sociedade.

No Gráfico 6, das participantes da pesquisa, 80% percebem-se estressadas, dado que corrobora com o Gráfico 1, onde afirmaram que o trabalho na polícia é estressante. De acordo com Rosseti et al (s/d) baseado no Inventário de Sintomas de Stress para adultos de Lipp

O estresse pode ser definido como toda reação do organismo, juntamente com os componentes psicológicos, físicos, mentais e hormonais que ocorre quando surge a necessidade de uma grande adaptação a um evento estressor, mas que será prejudicial se houver exposição prolongada ao evento ou uma predisposição do indivíduo a determinadas patologias

Além disso, 89,7% se percebe ansiosa, 79,5% percebe-se irritada, 57,9% sente-se angustiada e 57,9% percebe que perde sua concentração com facilidade, 55% afirmam que

gostam de ficar sozinha sempre que podem e 90% referem-se sentir-se cansada. Desta forma, 50% das respostas apresentadas indicavam que os sintomas listados são apresentados sempre ou às vezes pelas participantes. Rosseti et all (s/d) indicam que o estresse em um grau mais elevado pode ocasionar a perda da memória (imediata), dificuldades para se concentrar, bem como o cansaço mental. Ou seja, as participantes da pesquisa em sua maior parte apontam que apresentam estes sintomas sempre ou às vezes.

Sendo assim, apesar da média das respostas (sempre, ou às vezes) terem sido 50% ou próximo a estes, os sintomas que são ligados ao Estresse tiveram uma média elevada das respostas. É importante destacar novamente que apesar das participantes estarem se referindo a presença destes sintomas, não foi a intenção deste estudo diagnosticar estresse e burnout, ou qualquer outra patologia.

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