O terceiro capítulo versa sobre Relacionamento Interpessoal e Atividades de Lazer, neste são apresentados dois itens: Relação Com os Colegas e Relação Com os Amigos, No primeiro item é analisado o círculo de amizade das mulheres policiais e como é a relação delas com seus colegas de trabalho. O segundo item demonstra a Relação Com a Família e Filhos, este diz respeito a participação da mulher na relação com a família, bem como com os filhos. O quarto item denominado Atividades Realizadas Nos Dias de Folga, descrevem as atividades que as policiais realizam quando não estão trabalhando.
O Gráfico 7, trata da relação das participantes com seus colegas de trabalho e o Gráfico 8, apresenta as percepções das participantes em suas relações de amizade. Desta forma foi possível avaliar como é a relação das mulheres com seus colegas de trabalho e a relação da mesma com seu círculo de amizades:
Gráfico 7- Relação com os colegas de trabalho das mulheres policiais civis (n=41).
Fonte: Elaborado pela autora, 2012
Gráfico 8- Relações de amizade das mulheres policiais civis (n=41).
Fonte: Elaborado pela autora, 2012
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90%100% Há muita competição entre meus colegas de
trabalho
Tenho laços de amizade com os meus colegas de trabalho
Tenho um bom relacionamento com meus colegas de trabalho
Relação com os colegas de trabalho das
mulheres policiais
Concordo Totalmente Concordo Discordo Discordo Totalmente
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90%100% A maior parte dos meus amigos é policial civil ou
militar
Tenho contato freqüente com os meus amigos
Relações de amizade das mulheres policiais
civis
De acordo com os dados coletados, as participantes avaliam positivamente suas relações com seus colegas de trabalho. Na afirmativa, tenho laços de amizade com os meus colegas de trabalho, 95,1% concordaram ou concordaram totalmente, bem como na afirmativa tenho um bom relacionamento com os meus colegas onde 100% das participantes afirmaram manter uma boa relação com seus colegas, concordando ou concordando totalmente. Cappelle e Melo (2010), demonstram que laços de amizade vão se constituindo também pela natureza do trabalho, ou seja, a exposição a risco no trabalho policial faz com que muitas vezes as vidas dos sujeitos dependam de seus colegas, desta forma, para enfrentarem as situações adversas inerentes de seu trabalho criam laços de amizade que possibilitam a troca de experiências e a ajuda mútua. Estes fatores podem ocorrer também pela convivência desses sujeitos nos regimes plantões em que trabalham (CAPELLE e MELO, 2010), ou seja, por vezes estes trabalhadores convivem com seus colegas, 12 horas de seu dia, por exemplo.Sendo assim tem a possibilidade de conviver com seus colegas durante um longo período de tempo
Na afirmativa há muita competição entre os meus colegas de trabalho, apenas 34,1% das participantes concordaram, ou concordaram totalmente, ou seja, a maior parte das mulheres não percebe um clima de competição no ambiente de trabalho. Fato que pode facilitar a convivência com os colegas de trabalho durante o período em que está de serviço.
No Gráfico 8, das participantes 86,8% afirmaram que mantêm contato freqüente com seus amigos, isso pode ocorrer, pois no gráfico 7 as mesmas afirmam manterem uma relação de amizade com seus colegas de trabalho, desta forma, como trabalham no mesmo ambiente é possível que tenham um maior contato. Outro dado a ser destacado, diz respeito à afirmativa a maior parte dos meus amigos é policial civil ou militar, onde 81,6% das participantes discordaram, ou discordaram totalmente. Ou seja, pode-se entender que o círculo de amizades destas mulheres não está restrito apenas a policiais, ou colegas de trabalho. Sendo assim, apesar da natureza do trabalho envolver riscos que interferem na realidade dos policiais (SILVA;VIEIRA, 2008), estas mulheres mantêm relações sociais não apenas na Instituição, mas também fora dela.
O Gráfico 7 e 8, apresenta dados referentes à relação das mulheres policiais civis com seus colegas de trabalho, bem como seu círculo de amizades. Percebeu-se que grande parte das mulheres mantém relações de amizades com seus parceiros de trabalho. Mas como o trabalho influencia a Relação com a família e os filhos? No gráfico 9, são apresentados dados referentes a relação das mulheres com seus familiares:
Gráfico 9 - Relação com a família (n=41).
Fonte: Elaborado pela autora, 2012
Nos Gráficos 9, é possível observar que as participantes estão presentes na relação com sua família, isto pode ser observado na afirmativa participo de todas as decisões familiares, onde 86,1% das participantes concordaram ou concordaram totalmente. Ou seja, apesar destas mulheres terem uma dupla/tripla jornada, de trabalhar na Instituição policial, muitas vezes em escala de plantão e ainda serem responsáveis pelo cuidado da casa, dos filhos e a relação com seu companheiro (SANTOS, 2011; SACRAMENTO, 2007), elas apontam que são ativas nas decisões familiares e se fazem presente na relação com seus entes.
Outro dado a ser destacado, diz respeito às afirmativas minha família admira meu trabalho de policial onde 86,8% responderam que concordam ou concordam totalmente e a afirmativa meus familiares preocupam-se muito com o meu trabalho, na qual 73% responderam que concordam ou concordam totalmente. Pode-se entender então que a família destas mulheres as admiram como profissional, ou seja, reconhecem o trabalho desta profissional. Sacramento (2007) aponta que o reconhecimento dos familiares das mulheres policiais, faz com que este lugar de ser mulher e policial seja reconhecido e faz com que a própria Instituição repense seu papel. Sendo assim, o apoio familiar torna-se essencial, como suporte (CASTRO, 2012). Desta forma facilitam a continuidade da mulher polícia. Porém as
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90%100% Sempre brinco com os meus filhos
Estou sempre presente na relação com os meus filhos
Sempre ajudo meus filhos em suas atividades O trabalho faz com que eu tenha pouco tempo
com a minha família
Meus familiares preocupam-se muito com o meu trabalho
Estou sempre presente nas festas de família Minha família admira meu trabalho de policial Saio com freqüência com meu (minha)
companheiro (a)
Participo de todas as decisões familiares
Relação com a família
participantes apontam ainda que seus familiares preocupam-se com o trabalho das mesmas. Historicamente há uma maior exigência para que a mulher invista mais tempo na família, tanto para conceder o afeto a seu companheiro e filhos, como no cuidado dos mesmos e do lar (Carreiras, s/d). Desta forma, a mulher que trabalha, dispõe menos tempo para o cuidado da casa e da família. Além disso, a preocupação da família pode aumentar quando esta mulher desempenha uma profissão que apresenta risco para si e para seus familiares.
O Gráfico 9 apresenta ainda os dados relacionados à relação das mulheres policias civis e seus filhos, pode –se observar que estas mulheres avaliam que se fazem presentes na relação com os filhos, como na afirmativa estou sempre presente na relação com os meus filhos, onde 69,6% das participantes concordaram ou concordaram totalmente.
O Gráfico 10 apresenta as atividades que são realizadas pelas mulheres policiais civis em seus dias de folga
Gráfico 10- Atividades realizadas pelas mulheres policiais civis nos dias de folga (n=41).
Fonte: Elaborado pela autora, 2012
No Gráfico 10 é possível perceber que as participantes preocupam-se com sua atividade laboral, mesmo em seus momentos de folga, como na afirmativa penso no trabalho mesmo quando não estou nele onde 71,1% das participantes concordaram ou concordaram
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%
Descanso bastante quando estou de folga Nos meus dias de folga costumo fazer compras Vou ao cinema/teatro/show com freqüência Faço atividades que gosto quando estou de folga Sempre pratico exercícios físicos Vou com freqüência ao salão de beleza Penso no trabalho mesmo quando não estou nele Quando estou de folga cuido da casa Continuo estudando Faço horas extras no trabalho constantemente
Atividades realizadas pelas mulheres
policiais civis nos dias de folga
totalmente. Além disso, essas mulheres trabalham em casa quando estão de folga, onde 87,2% afirmaram quando estou de folga cuido da casa. Desta forma, essas policiais além de trabalharem na Instituição cuidam de seus lares, demonstrando então desempenharem uma dupla jornada. De acordo com Rocha e Debert- Ribeiro, (2011) as mulheres em geral vivenciam uma dupla jornada de trabalho, pois ao saírem de seus postos de trabalho, e retornarem para casa devem se preocupar com o cuidado dos filhos e da casa.
Outro aspecto a ser destacado diz respeito ao cuidado de si destas mulheres. Quando questionadas sobre a prática de atividades físicas 55,3% concordaram ou concordaram totalmente, afirmaram ainda que, continuam estudando 72,2%, vão com freqüência ao salão de beleza 72,2%, vão ao cinema/teatro/show com freqüência 58,3% e nos dias de folga costumam fazer compras 50,0%, ou seja, as participantes apresentam uma preocupação consigo mesmas. De acordo com uma pesquisa realizada por Dweck, pesquisadora ligada ao IPEA- Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (1999) das mulheres participantes da mesma, apenas 2% das mulheres afirmam não terem preocupação com os cuidados relacionados à estética. Das mulheres que afirmam manterem o cuidado pessoal, 44%, comprometem pelo menos 20% de seus rendimentos com produtos e serviços de beleza. Além disso, o mercado brasileiro de produtos de beleza expande-se anualmente, com investimentos cada vez maiores das empresas do ramo. O que demonstra que mulheres de todas as classes sociais e profissões investem nos cuidados de beleza, sendo assim, pode não haver relação entre a natureza da profissão das mulheres e a preocupação com os cuidados estéticos.
Outro dado relevante aponta que na afirmativa descanso bastante quando estou de folga, 59,5% das participantes discordou ou discordou totalmente. Possivelmente isto ocorre, pois suas rotinas dividem-se em ser policial, cuidar da casa, cuidar de si (fazer compras, praticar exercícios) e muitas vezes continuar estudando e o tempo que as mesmas têm para descansar é restrito. Vale destacar que na afirmativa faço horas extras no trabalho constantemente, 93,6% das participantes concordou ou concordou totalmente, ou seja, estas mulheres passam mais horas trabalhando. Mesmo tendo menos tempo para o descanso, as participantes afirmam que realizam atividades que gostam quando estão de folga (84,2% concordam ou concordam totalmente).