1.3 A EXPANSÃO DA OCUPAÇÃO HUMANA E A DEGRADAÇÃO
1.3.3 Características e peculiaridades da Sociedade de Risco e o
Desde o final da última década do século passado (XX), a questão do risco tem ocupado lugar de destaque em estudos e pesquisas na Teoria Social e, pela sua relação direta com as questões da natureza, também no Direito Ambiental.
Neste contexto, Anthony Giddens e Ulrich Beck, sociólogos europeus, têm incentivado incisivamente os debates sobre o risco, sua concepção e consequências, no âmbito da conectividade com os problemas enfrentados a partir dos complexos “dilemas da modernidade”32
como os “efeitos da degradação do ambiente nas sociedades modernas, e as condições sob as quais as forças políticas podem ser mobilizadas com êxito contra a degradação do ambiente”33
A presente tese, que analisa a dimensão do Poder Público frente ao seu dever de prestar contas à Sociedade sobre as áreas contaminadas a partir de sua averbação no registro imobiliário, considerando a atual contingência de uma sociedade de risco e o direito à informação, tem como suporte a Teoria do Risco de Ulrick Beck, complementada com as ideias de Anthony Giddens e Jüngen Habbermas em razão da necessidade de uma gestão dos riscos mais dinâmica, cientifica e social.
32 GOLDBLAT, David. Teoria Social e Ambiente, p. 16. 33 Idem, p. 17.
A polêmica questão da imprevisibilidade dos efeitos causados pelo desenvolvimento tecnológico e pelo uso indiscriminado de recursos naturais desafia a dialética buscando não somente na análise econômica que fundamenta as principais decisões estatais em face da globalização, mas na edificação de um paradigma emancipatório social no sentido da construção de uma racionalidade ambiental que vê no risco posto um dos principais desafios a serem vencidos.
A Teoria do Risco permeia as questões que envolvem os riscos como elemento “inseparável das idéias de probabilidade e de incerteza. [...] o risco implica a existência de uma sociedade que tenta desligar-se do passado – na realidade, a primeira característica da civilização da era moderna”34
, conforme explica Anthony Giddens explica:
Viver em uma sociedade global significa a necessidade de enfrentar uma série de novos factores de risco. Em muitas situações teremos de ser mais atrevidos do que cautelosos no apoio que dispensamos à inovação científica ou a outros tipos de mudança. Ao cabo e ao resto, uma das raízes da palavra «risco», no português original, levou à criação de outra palavra que também significa «ousar».35
Com o surgimento da revolução industrial na Inglaterra por volta do final do século XVIII, a Sociedade passou a adaptar-se à realidade de produção e consumo36, a uma nova concepção de organização de trabalho e à lógica do capital, onde a obtenção do lucro era o principal objetivo. Com a ascensão do capitalismo e a instalação da era
34 GIDDENS, Antony. O mundo na era da globalização. Trad. Saul Barata. Lisboa: Editorial
Presença, 2000, p. 32-33
35 Idem, p. 43. 36
A lógica consumerista tem relação direta com a questão ambiental tanto pelo aspecto da utilização de recursos naturais para a produção de bens de consumo, mas, também pela visão da durabilidade. A durabilidade como valor agregado cede lugar ao baixo custo de produção sem considerar no cálculo final as subcondições humanas que muitas vezes são submetidos os trabalhadores. É uma lógica inversa que ignora as questões socioambientais como valor a ser contabilizado no compromisso e na responsabilidade de se deixar para as futuras gerações não somente recursos naturais, mas, a cultura para a perpetuação da consciência ambiental. Zygmunt Bauman, diz que a sociedade de consumo se fundamenta no excesso e na extravagância o que acarreta, por consequência, o desperdício, além de alimentar uma satisfação momentânea, marcada pela pressão das indústrias que sempre produzem produtos novos objetivando substituir os antigos e fomentar o incessante consumo. Sobre o assunto ver: BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadorias. RJ: Jorge Zahar, 2008.
“taylorista”37
radicais mudanças aconteceram e de forma vertiginosa o que marcou, definitivamente, a intervenção humana na natureza e se vislumbrou o inicio de uma era de devastação e degradação ambiental jamais vista na história do ser humano e tudo em nome do progresso econômico.
A industrialização trouxe como consequência, além de inúmeros prejuízos ambientais, uma nuvem de dúvida a pairar sobre a humanidade que diz respeito ao seu futuro. Se por um lado o objetivo do crescimento econômico foi atingido por algumas nações, por outro, os riscos dele decorrente também passaram a fazer parte dos prognósticos nebulosos a longo prazo.
Os riscos globais produzidos pela sociedade industrial deram as condições necessárias para o aparecimento de uma “Sociedade de Risco”38, como mostra Ulrich Beck, e que se tornou paradigmática no século XX frente ao grau de incerteza e imprevisibilidade dos resultados por ela gerados e que passaram a ser incontroláveis pela ausência de mecanismos ou indicadores para avaliar a extensão de seus efeitos.
A incerteza e imprevisibilidade dos efeitos dos riscos funcionam com dúplice sentido diante do poder decisório. O primeiro sentido diz respeito à decisão de cessar a ação, não realizar, limitar a ação, diante da possibilidade da ocorrência de um resultado lesivo ao ser humano ou à natureza. O segundo sentido, o que efetivamente ocorre, é que diante da incerteza do resultado lesivo há a continuidade da ação. Diante da incidência muito maior de decisões tomadas por não se conhecer os riscos, mas, apostando em um resultado menos lesivo ou nem mesmo apostando em nada, ou seja, ignorando-se qualquer possibilidade de prejuízo à vida e à natureza, é que se chegou à Sociedade de Risco.
O risco, embora sempre presente na história da humanidade, não pode ser visto somente sob o aspecto de perigo, mas, também sob o aspecto de ousadia. Foi pela ousadia, embora eivada de riscos, que o desenvolvimento em um sentido geral ocorreu. Essa afirmativa não considera, propositadamente, as questões específicas ambientais, apenas, visa demonstrar o quanto risco acompanha a trajetória humana.
O que Ulrich Beck destaca, acompanhado de outros autores como Anthony Giddens, Jüngen Habermas e Zygmunt Baumann, é a questão
37 Termo empregado para designar o período histórico de crescimento industrial em que
Frederick Winslow Taylor desenvolveu método de produção industrial com o objetivo de ampliar a produção e, consequentemente, o lucro. Sobre o assunto sugere-se leitura: RAGO, Luiza Margareth. MOREIRA, Eduardo F. P.. O que é taylorismo? São Paulo: Brasiliense, 1984.
do controle do risco a partir da ideia dos prejuízos ambientais advindos da intervenção humana, ou seja, os riscos atribuídos à Sociedade atual, aqueles que possuem sua gênese na ação humana sobre o ambiente por meio de suas atividades econômicas, industriais, tecnológicas e que levam ao domínio da incerteza produzindo uma insegurança generalizada pela ausência de mecanismos de controle ou previsão desses riscos em uma escala globalizada em que passam a ser “invisíveis” pelos reflexos desconhecidos que possam vir a ter.
Na concepção do autor alemão a incapacidade de controle e determinação dos riscos exige da Sociedade atual uma redefinição comportamental em relação à produção de bens de consumo, ao
quantum de resíduos gerados e à forma de consumir que de forma
concreta causam sérios danos ambientais e não permitem um grau elevado de previsibilidade com margem suficientemente segura sobre os efeitos que passam a ser ocultos.
Ao abordar as questões que envolvem o risco, considera em seu aspecto conceitual elementos como riscos ambientais ou ecológicos, econômicos, tecnológicos, aliados, ainda, ao conceito de globalização e as transformações econômicas e sociais por ela causados. Analisando a obra de Beck, David Goldblatt destaca que:
[…] tem uma particular importância para qualquer pessoa interessada na resposta da teoria social à degradação do ambiente e à política de ambiente. O aspecto característico de sua obra consiste em localizar as origens da degradação do ambiente precisamente no centro de uma teoria da sociedade moderna, em vez de considerá-la um elemento periférico ou uma reflexão teórica posterior. 39
A visão do risco sob uma ótica política e econômica já foi vencida não somente pela transversalidade, mas, principalmente porque outros fatores devem ser considerados quando se trata de danos ao meio ambiente. Ainda na lição de David Goldblatt, busca-se a força argumentativa para isso quando ele diz:
Há também outros tipos de conhecimento que têm impacto no ambiente, por exemplo, o modo como a epidemiologia da doença foi interpretada. É preciso saber que a cólera se desenvolve na água para a doença ser uma questão a ter em conta no
abastecimento, ou não, de água. O facto de, apesar de existir esse conhecimento, a rede de abastecimento de água não ser constituída de imediato, atesta a importância do poder diferencial dos vários interesses envolvidos na política do ambiente. 40
Os aspectos econômicos que sempre balizaram as decisões políticas e, por consequência, afetaram o ambiente, hoje são parâmetros que, ao lado de outros, são considerados, ou pelo menos deveriam ser, para a tomada de decisões.
Os riscos ambientais estão por toda parte e não refletem sua nocividade local, mas, global transpondo fronteiras e o próprio tempo, pois, há situações como o acidente na usina nuclear de Chernobyl ocorrido em 1986, o vazamento de óleo no Alasca em 1989 e o vazamento de gás tóxico em Bhopal, na Índia, em 1984 em que é possível visualizar consequências até os dias de hoje de forma a demonstrar o nível elevado de risco que perpassa tempo e espaço ao qual são agregados outros riscos sejam ambientais, de saúde e de vida.
O risco é produto das atividades sociais em geral, cada qual com suas peculiaridades de época e voltados ao desenvolvimento de cada momento histórico.
No período pré-industrial os riscos diziam respeito às doenças, pragas e até mesmo aos desastres naturais que eram considerados fatalidades sem que a relação com a intervenção humana na natureza fosse cogitada como uma das possíveis causas.
Com o desenvolver da sociedade, em todos os aspectos, os riscos passaram a ter conotações diferenciadas e com o start do período industrial, um novo modelo econômico foi legitimado em nome do progresso e do desenvolvimento, mesmo produzindo reais prejuízos à natureza com a degradação crescente e imprevisibilidade de sua reversão. Conforme explica Ulrich Beck:
A oposição entre natureza e sociedade é uma construção do século XIX, que serve ao duplo propósito de controlar e ignorar a natureza. A natureza foi subjugada e explorada no final do século XX e, assim, transformada de fenômeno externo em interno, de fenômeno predeterminado em fabricado. Ao longo de sua transformação tecnológico-industrial e de sua comercialização
global, a natureza foi absorvida pelo sistema industrial. 41
A relação entre o crescimento econômico, baseado na ideologia consumista, e o bem estar social foi, paradoxalmente, sendo aceita pela Sociedade sem perceber que o preço do progresso era a destruição dos elementos essenciais para sua própria sobrevivência.
Essa passagem do período pré-industrial para o industrial marcou a chamada Modernidade e com ela vieram também novas formas de riscos cuja fuga do controle e as incertezas formaram o perfil da Sociedade de Risco.
Ulrich Beck lança a ideia da modernidade dividida em duas etapas: a primeira modernidade, tendo como principais traços a industrialização e a exploração dos recursos naturais e a segunda modernidade, caracterizada pela reflexão sobre os aspectos residuais da primeira modernidade em relação aos riscos e incertezas por ela gerados, bem como a crise ambiental, econômica, o processo de globalização, a individualização, o desemprego, dentre outros problemas desafiadores para o futuro. Essa segunda modernidade ainda pode ser caracterizada pela cientificidade, pelo conhecimento.
Vários autores tratam do assunto sob denominações diferenciadas, guardando, no entanto, pontos de semelhança e conectividade de seus elementos constitutivos. Enquanto Ulrick Beck chama de Modernidade Reflexiva (ou Segunda Modernidade), Anthony Giddens chama de Modernidade Tardia ou (Alta Modernidade), já Zigmunt Bauman denomina de Modernidade Líquida.
Esse período de intensas mudanças socioambientais motivadas por fatores econômicos, políticos e administrativos, afirma Ulrich Beck que se trata de uma “modernidade reflexiva”42
, motivada pela sua própria expansão e domínio das técnicas. Sobre o assunto, o autor alemão expõe:
O problema da modernização torna-se
“reflexivo”, convertendo-se a si mesmo em tema
e problema. Às questões do desenvolvimento e do emprego de tecnologias (no âmbito da natureza, da sociedade e da personalidade) sobrepõem-se questões do “manejo” político e científico –
41 BECK, Ulrick. Sociedade de risco: rumo a uma outra modernidade. Tradução Sebastião
Nascimento. São Paulo: Editora 34, 2010, p. 9.
42 BECK, Ulrich. et alii. Modernização Reflexiva – Política, tradição e estética na ordem
administração, descoberta, integração, prevenção, acobertamento dos riscos de tecnologia efetiva ou potencialmente empregáveis tendo em vista horizontes de relevância a serem especificamente definidos.43
A Modernidade Reflexiva se abre para um capitalismo voltado à tecnologia, à informação, ao conhecimento numa perspectiva da dromológica, conforme se refere Paul Virilio44, ao falar velocidade como um equivalente de riqueza, como um valor. É a sociedade mundalizada ou globalizada em que o tempo e o espaço adquirem novos contornos exigindo uma restruturação social mais fluída45.
É também nessa Segunda Modernidade, tem surgem o risco como elemento que exige especial atenção (segurança, certeza e tolerabilidade) está a análise das transformações relacionadas ao mundo do trabalho, à família, à política, abrangendo a racionalização tecnológica, as alterações de estilo de vida das pessoas, da estrutura de dominação política (poder e participação), onde há um paradoxo entre a produção de riqueza e o reconhecimento dos riscos. Na ótica de Ulrick Beck, na sociedade industrial a “carência material” era uma necessidade a ser suprida para evitar as diferenças sociais, já na sociedade de risco, a “capacidade de antecipar perigos, de suportá-los, de lidar com eles em termos biográficos e políticos”46
é decisiva, pois, os riscos são acompanhados de incertezas que somente podem ser minimizadas pelo seu reconhecimento pela ciência, como condição para que sejam entendidos como existentes, porque sem isso não há como preveni-los.
A crítica que se faz, todavia, é que o rumo tomado pela “Sociedade de Risco” não garante que a ciência tenha o controle desses riscos como um padrão de segurança, isso ocorre porque o próprio desenvolvimento científico sofre fortes influências do poder econômico e estatal, que por sua vez controlam técnicas e normas que acabam colocando em situação de fragilidade a neutralidade da ciência em relação às informações fidedignas a respeito dos riscos.
Dessa forma a invisibilidade de efeitos dos riscos de que fala Ulrich Beck tem na dualidade a sua origem:
43 BECK, Ulrick. Sociedade de risco, p. 24.
44VIRILIO, Paul. Velocidade e Política. São Paulo: Estação Liberdade, 1996.
45 O termo fluidez é característica da chamada Modernidade Líquida a qual se refere Zigmunt
Bauman. Sobre o assunto ver: BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998.
a) pelo desconhecimento da ciência ante a incapacidade de alcance das técnicas;
b) pelo encobertamento dos verdadeiros resultados científicos em relação aos riscos que podem ser gerados.
Questões como a biotecnologia, a nanotecnologia, telecomunicações, desencadeiam controvérsias políticas e jurídicas pela incerteza dos riscos que possuem.
O que se percebe é que a ciência não é capaz de garantir a segurança necessária pela ineficácia das instituições políticas e jurídicas que têm uma atuação apenas simbólica e não efetiva no controle dos riscos levando ao que Ulrich Beck denomina de “irresponsabilidade organizada”47
pela invisibilidade dos verdadeiros efeitos dos riscos ambientais, além da ausência de políticas públicas e de uma democracia mais participativa que gera o agravamento da crise ambiental. Anthony Giddens, assim se manifesta:
Tais riscos são o resultado de turbulentos processos de globalização e nem mesmo meio século atrás a humanidade chegou a sofrer o mesmo tipo de ameaça. Esses riscos fazem parte do lado escuro da modernidade e eles, ou fatores de riscos de risco comparáveis, estarão presentes enquanto durar a modernidade, enquanto a rapidez da mudança social e tecnológica continuar a produzir consequências não previstas. 48
O sociólogo inglês, diz que a modernidade “refere-se a estilo, costume de vida ou organização social que emergiram na Europa a partir do século XVII e que ulteriormente se tornaram mais ou menos mundiais em sua influência”49
. Para ele, a desorientação é fator marcante e que é deflagrada pela transformação das concepções das pessoas sobre questões como perigo, risco, segurança e confiança.
A modernidade pode-se dizer, rompe o referencial protetor da pequena comunidade e da tradição, substituindo-as por organizações muito maiores e impessoais. O indivíduo se sente privado e só num mundo em que lhe falta o apoio psicológico e o
47 BECK, Ulrich. Risk society, 1992.
48 GIDDENS, Anthony. Modernidade e Identidade. Tradução Plínio Dentzen. Rio de Janeiro:
Jorge Zahar Editor, 2002, p. 115.
sentido de segurança oferecidos em ambientes mais tradicionais.50
Boaventura de Souza Santos51 diz que todas as transformações que estão a ocorrer no campo da função do direito demonstram a transição para um novo paradigma sociocultural a que ele denomina de pós-modernidade52, que atribuem às novas tendências científicas contemporâneas um de seus maiores alvos de críticas em face de sua lógica de desenvolvimento. Ulrich Beck afirma que
[…] o “acúmulo do poder do “progresso” tecnológico-econômico é cada vez mais ofuscado pela produção de riscos. Estes somente se deixam legitimar como “efeitos colaterais latentes” de um estágio inicial”. Com a sua universalização, escrutínio público e investigação (anticientífica), eles depõem o véu da latência e assumem um significado novo e decisivo nos debates sociais e políticos.53
A natureza dos riscos que marcou a sociedade industrial (Primeira Modernidade) é diferente daquela que marcou a Sociedade de Risco. Não se trata de afirmar que são maiores ou menores, aliás, nem o próprio idealizador dessa dicotomia, Ulrich Beck, faz referência a essa intensidade, nem há um traço que demarque o grau de previsibilidade, porque risco é risco.
A maior preocupação, ou pelo menos pelas leituras que se faz dos autores que discutem o assunto, paira sobre a gestão dos riscos sejam eles potenciais ou reais, e que não podem ser deixados sob a égide somente do Estado ou da Ciência, mas, deve envolver a efetiva participação social.
José Renato Nalini esclarece que a “possibilidade de riscos incalculáveis para o ambiente e para a saúde humana e para a preservação da biodiversidade é tema recente”54
. Porém o que se verifica é a intensidade do impacto social e científico pela ausência de conhecimento e, consequentemente, o aumento de incertezas.
O espaço de discussão abre a oportunidade para a informação e conhecimento, mas, sobretudo de participação e envolvimento o que
50 GIDDENS, Anthony. Modernidade e Identidade, p. 38.
51SOUZA SANTOS, Boaventura de Souza. Pela Mão de Alice: O Social e o Político na Pós-
Modernidade. 3° ed. Porto: Editora Cortês, 1998.
52 A pós-modernidade será tratada no capítulo 2 da pesquisa. 53 BECK, Ulrich, Sociedade de risco, p. 16.
legitima as ações e tomadas de decisão, pois, mesmo para criticar é preciso conhecer.
O uso de espaços de esfera pública serve para conscientizar e, muito mais que conscientizar, instar a que a população se assuma em uma posição ativa, atuante, veja-se como parte do problema e da solução. Os espaços de esfera pública têm como objetivo alcançar a verdade, a veracidade e a justiça, por intermédio da legitimidade.55
Os caminhos em busca de soluções para os problemas ambientais passam pela concepção da participação popular, pois, a idéia do Estado provedor já não encontra eco no atual modelo de A ministração Pública, pois, exclui a articulação com a sociedade e a expansão de espaços públicos o que, em realidade representam formas de valorizar e legitimar as ações estatais o que promove uma gestão participativa e não somente representativa.
No contexto da participação Habermas chama a atenção para a importância de garantir às pessoas o direito de comunicação e participação política mais ativa o que contribui para legitimar o próprio processo legislativo, assim ele explica que:
[…] na medida em que os direitos de comunicação e de participação política são constitutivos para um processo de legislação eficiente do ponto de vista da legitimação, esses direitos subjetivos não podem ser tidos como os de sujeitos jurídicos privados e isolados: eles têm que ser apreendidos no enfoque de participantes orientados pelo entendimento, que se encontram numa prática intersubjetiva de entendimento.56