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Características formais de Arranjos Produtivos Locais (APLs) e vantagens competitivas locacionais

Através de Marshall que em 1890, já introduzia na economia industrial a ideia de que há ganhos na formação de aglomerações setoriais em um determinado espaço geográfico, por sua vez, também enfatiza que o fenômeno da concentração geográfica de empresas é tão antigo como o comércio (MARSHALL, 1982).

Os seres humanos sempre supriram suas necessidades com recursos locais, no entanto os costumes foram se diversificando e as carências também viabilizando a oportunidade dos produtores suprirem as necessidades dos consumidores além da esfera local. Artigos como vestuários, especiarias, adornos pessoais e alguns utensílios de metal produzidos apenas em algumas regiões puderam ser difundidos por toda a Europa. A divulgação e a venda dos produtos eram feitas por feiras, pelos próprios fabricantes ou mascates profissionais que se deslocavam por longas distancias para vender seus produtos e conhecer novos lugares, apontando de forma elementar já naquela época a importância da distribuição do produto frente à produção industrial.

Marshall (1982 apud REQUENA, 2006, p. 19) observa ainda que a localização rudimentar da indústria em longínquas vilas da Europa central influenciou de forma gradativa não só a produção mecânica das empresas como também administrativa, pois se desenvolviam através de grupos familiares. Estes grupos produtivos muitas vezes foram responsáveis pela formação de aldeias, como exemplo indústrias localizadas na Rússia, todas dedicadas aos trabalhos em madeira, voltadas para a produção de carroças. Uma fabricava raios para as rodas, outras a carroceria e toda a série de elementos responsáveis pela composição do produto final. Considera que foi na Rússia, frequentemente a origem da indústria localizada, embora também mostre indícios que esta similaridade na produção de um determinado produto vem aparecer na história das civilizações orientais e na história da Europa medieval. Marshall utiliza o nome “indústria localizada”, como mais comum, embora não mais adequada, de denominar a indústria concentrada em certas localidades.

Todos estes benefícios adquiridos pelas pequenas e microempresas nos distritos industriais ingleses, por exemplo, foram denominados por Marshall (1982) como “economias externas”, sendo apontadas

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como a principal causa do grande desenvolvimento socioeconômico alcançado pela Inglaterra no século XIX. Segundo Hissa, p. 1 (2003):

Pode-se afirmar que os distritos industriais ingleses eram constituídos por aglomerações de grandes, pequenas e médias empresas inter-relacionadas em microrregiões geográficas, produzindo bens em larga escala tanto para o mercado interno como para o mercado externo (principalmente).

Estas empresas eram fortemente "beneficiadas por fatores obtidos gratuitamente" na economia, como infraestrutura, mão-de-obra já treinada, existência de recursos naturais locais, informações sobre as novas técnicas de produção, etc., assim como eram beneficiadas pela proximidade geográfica entre si mantendo alto grau de inter-relacionamento, o que lhes asseguravam à produção em larga escala, não só reduzindo custos de transporte e de outras transações, mas também proporcionando e agilizando a comunicação entre os produtores (HISSA, 2003).

Neste sentido ressalva que tais economias, asseguradas pela concentração de empresas com características similares em uma determinada região, caracterizam estes ganhos de “economias

externas”, particularmente relevantes para estas empresas, este conceito foi introduzido com o objetivo de expor que o fator locacional é significativo, gerando externalidades positivas, o que reforça o crescimento socioeconômico a partir destas concentração de atividades (GARCEZ, 2000).

Num primeiro momento muitas causas levam à localização de uma ou mais indústrias, num determinado local, mas as condições físicas, climáticas, e a existência de matéria-prima nas proximidades ou um acesso fácil, seja por terra ou por mar, costumam ser fatores determinantes.

Do ponto de vista econômico, os APLs são sistemas de produção estabelecidos em um determinado local, a princípio graças às vantagens competitivas que aquela própria localização proporciona, sejam condições naturais, disponibilidade de matéria prima e de fontes de energia, ou facilidade de deslocamento e transportes. Estas vantagens oferecidas por uma região tendem a funcionar como atratores de novas empresas, impulsionando a produção e rentabilidade das empresas existentes (REQUENA, 2006) a partir da

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presença de economias externas e internas representadas na Imagem 01, na página a seguir.

Imagem 01: Determinantes da concentração geográfica de empresas.

Fonte: Elaborado a partir de Machado (2003, p. 11 apud REQUENA, 2006, p. 30).

Esta capacidade de atrair novas empresas transforma-se em uma composição produtiva onde a presença de produtores

especializados contribui para a divisão do trabalho entre eles, e é neste processo de divisão do trabalho que são geradas e ampliadas as economias externas, reforçando segundo Garcia (2006) as possibilidades da capacidade produtiva de produtores locais. Entende-se, portanto, que as economias externas são serviços que um produtor proporciona a outro sem qualquer compensação, ou seja, proporcionam vantagens competitivas e ganhos de escala às empresas.

O conceito de economias externas é utilizado por diversos autores para justificar tanto a tendência à localização de atividades quanto

às vantagens competitivas dos produtores.

Vale citar ainda através de Marshall (apud GARCIA, 2006, p. 305) três tipos básicos de economias decorrentes da especialização

entre agentes produtivos localizados: primeiro, a mão de obra

qualificada com habilidades específicas dentro do segmento industrial, apresentam custos reduzidos de treinamento, considerando que as empresas locais se apropriam de processos de aprendizados externos, porém endógenos ao arranjo produtivo local.

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Quando se trata de setores de alta tecnologia destaca-se a existência de organismos especializados no treinamento e qualificação de mão de obra, já no caso de setores em que a base técnica é mais simples as capacidades são transferidas quase que naturalmente. A simplicidade da tecnologia processual permite que as habilidades dos trabalhadores sejam reproduzidas no local de

trabalho16.

O segundo fator apontado dentro da importância das economias externas são os fornecedores, este especializados, seja de bens ou serviços, estas empresas tendem a estabelecerem também unidades nos sistemas locais contribuindo para a geração de economias externas junto aos produtores, considerando a facilidade de acesso a esses produtos ou serviços, o que segundo o autor é capaz de atrair produtores de serviços ou insumos importantes para o sistema de vantagens competitivas locais.

Nesta sequência, o terceiro elemento citado por Marshall que

justifica a presença de economias externas são os spill-overs, ou

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“Este processo de aprendizado é chamado por diversos autores como

learnming-by-doing, esta expressão não foi utilizada por Marshall, embora seja extensivamente utilizada em trabalhos de autores mais recentes como Nelson e Winter (1982), Dosi (1984) e Freeman (1920)” (GARCIA, 2006, p. 306).

seja, transbordamentos tecnológicos e de conhecimento, caracterizando muitas vezes o desenvolvimento de aglomerações como resultado de transbordamento de empresas pioneiras.

A tecnologia interage com a dinâmica industrial, deste modo o surgimento de novos conhecimentos tecnológicos, muda os paradigmas estabelecidos, propiciando inovações radicais, levando a emergência segmentos industriais completamente novos, por exemplo, o surgimento de um novo design pode ser visto como resultado da interação entre escolhas técnicas e de mercado. Os transbordamentos de conhecimento e tecnologia, chamados spill-overs

tecnológicos, são facilitados com a proximidade geográfica, por meio de canais próprios de comunicação e fontes de informação especializada (MACHADO, 2003 apud REQUENA, 2006, p. 25).

Deste modo, observa-se que atividades econômicas voltadas para o conhecimento têm grandes possibilidades de aglomerar-se dentro de uma região geográfica, o que têm estimulado à política pública a direcionar-se para políticas capacitantes, tanto no âmbito local como regional (SAMPAIO, 2002 apud REQUENA, 2006).

Os Distritos Industriais desempenharam um papel social e econômico relevante na organização industrial da Itália, nos distritos industriais italianos a empresa é uma preocupação da

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família. Seu distrito industrial é composto de numerosas pequenas empresas que exercem atividades relacionadas com uma única categoria industrial e que estão localizados em uma comunidade claramente identificável em termos de geografia, história e cultura. Homogeneidade cultural produz uma atmosfera de comportamento cooperativo e confiante em que a ação econômica é regulada por uma série de regras implícitas e explícitas regidas por ambas as convenções sociais e organizações públicas e privadas (LAZERSON; LORENZONI, 1999, p. 238 apud GRANDO et al., 2008). O Distrito Industrial têxtil de Biella, no Piemonte Italiano é o exemplo de distrito bem-sucedido na área têxtil deste país. Esse caso em particular é importante por fornecer exemplos de processos de reestruturação, frente às mudanças nos cenários mundiais. Outro exemplo interessante é o Distrito de malhas de

algodão de Tiruppur, no sul da Índia, onde se têm a oportunidade

de observar como se mesclam várias características dos distritos de países desenvolvidos, com particularidades desses novos espaços industriais em economias atrasadas, servindo para ilustrar tanto as vantagens dos sistemas produtivos que se beneficiam das “economias de aglomeração”, de atividades especializadas, como

das suas limitações enquanto formas alternativas de

desenvolvimento para nações subdesenvolvidas

(GALVÃO, 2005 apud REQUENA, p. 33).

Estes são apenas alguns exemplos pioneiros de sucesso, levando-se em consideração que o movimento de incentivo à implantação de organizações produtivas para promover regiões através de sua potencialidade cresceu por todo o mundo.

Esta abordagem vista como exemplo de eficiência coletiva aponta também que a identificação sociocultural entre os diversos produtores é essencial para estimular a cooperação entre as firmas. A confiança em que as empresas possuem entre si ajuda a equacionar o fator cooperação-concorrência dentro de um Arranjo Produtivo Local.

A proximidade geográfica entre os produtores e a própria setorização produtiva facilita a criação de canais de comunicação e o processo de circulação das informações, no entanto esta forma de externalidade positiva entre produtores não é muito apontada pelos autores que tratam desta questão. O próprio Marshall não

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enfatiza que este processo de aprendizagem seja consequência da proximidade entre as empresas.

Krugman (1992 apud SANTOS SILVA, 2007) entende a localização da produção no espaço como geografia econômica, ou seja, a preocupação com a localização das aglomerações produtivas em relação ao resultado econômico, enfatiza as externalidades positivas, no entanto associa as aglomerações sob o determinante da participação dos países no comércio internacional, reconhecendo que a vantagem competitiva destas firmas é justamente a capacidade de se apropriar de ganhos decorrentes da concentração de produtores, no entanto nos trabalhos de Krugman segundo Garcia (2006, p. 311) não existem referências relevantes quanto a importância das instituições para o desenvolvimento dos sistemas locais de produção apesar do papel significativo para a formação da competitividade entre as empresas participantes do sistema.

No entanto, neste contexto Krugman

(1992 apud SANTOS SILVA, 2007) determina fatores relevantes para a localização de empresas segundo o modelo marshalliano,

considerando que a concentração geográfica e setorial de empresas em relação ao mercado de trabalho cria especialidades beneficiando trabalhadores e empresas.

Cita que em relação a empresas que formam clusters ou APLs os

insumos intermediários, ou seja, aqueles produtos já acabados, provenientes de outras indústrias, os quais são empregados no estado em que se encontram, sem qualquer alteração em função do seu emprego no novo produto, podem ser provenientes de mais de um fornecedor, favorecendo a relação entre custos fixos e variáveis para a empresa.

Esta relação entre custos fixos e custos variáveis, denominada como economias de escala age no sentido de concentrar as empresas. Quanto maior for a economia de escala, maiores as reduções de custo, estimulando a concentração das atividades produtivas. Deste modo, uma redução nos custos de transporte, leva a um aumento das economias de escala e consequentemente, um aumento neste tipo de concentração.

O tamanho de uma empresa vai determinar os custos fixos, já os custos variáveis são determinados pelos insumos, matéria prima,

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custos de transporte, distribuição e comercialização, mão de obra especializada e outros, no entanto para que seja viável a existência de um arranjo produtivo é necessário também que haja economias de escala no processo produtivo, do contrários as empresas vão se instalar próximas da demanda.

As economias de escala são determinadas pela relação entre custos fixos e custos variáveis, como mostra a imagem 02:

Imagem 02: Economias de escala.

Fonte: Elaborado a partir de Requena (2006, p. 37).

O desenvolvimento técnico para a produção de um produto ou serviço tem influência direta na relação entre custos fixos e custos variáveis, consequentemente cria retornos de escala. O desenvolvimento de determinados produtos que criam altos custos fixos comparados aos custos de transporte favorece a concentração

de determinadas atividades econômicas em uma única localidade (REQUENA, 2006).

As economias internas são vistas como variáveis com ampla literatura na área econômica, pois dependem das decisões empresariais, podendo ter origem no mercado, na tecnologia, assim como na organização social ou na produção, abrindo espaço para cooperação entre fornecedores, elevando o grau de eficiência interno viabilizando a interação entre cooperação e competição entre as empresas.

Esta análise é relevante, considerando-se a posição privilegiada do município de Guarulhos, onde está localizado a o loteamento industrial Cidade Satélite de Cumbica, entre duas das principais rodovias nacionais: a rodovia Presidente Dutra, eixo de ligação São Paulo – Rio de Janeiro e a rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte. O distrito de Cumbica está cortado pelas rodovias Presidente Dutra (Rio-São Paulo), Ayrton Senna (São Paulo – Vale do Paraíba). Na sua malha viária tem como as principais Avenidas a Santos Dumont, ligando o distrito a Ermelino Matarazzo, Zona Leste da capital à Avenida Papa João Paulo I, que vai até o Distrito de

Custos fixos

Custos variáveis

Economias de Escala

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Bom Sucesso e a Avenida Monteiro Lobato ligando Cumbica ao centro do município (AGENDE, 2014; GUARULHOS, 2014).

Observa-se a importância da concentração geográfica de empresas em relação ao aumento de economias de escala, sendo interessante para os produtores atender a um mercado geograficamente extenso a partir de um único centro, o que só é viável com baixos custos variáveis, entre estes o custo de transporte permitindo alcançar localidades mais distantes.

Um fator importante, apontado por outro autor, Porter (apud GARCIA, 2006) é a presença das indústrias correlatas e de apoio nas aglomerações de empresas refletindo um elemento que vem

reforçar a competitividade entre os produtores. Esta

competitividade busca melhorias em acesso a inovações, preferencial a insumos, máquinas e equipamentos especializados, assim como serviços diferenciados. Destaca ainda que a proximidade geográfica entre as empresas e seus fornecedores estimula a manutenção de relações recíprocas formando uma rede que contribui para o processo de aprimoramento dos produtos e aprendizado industrial.

Porter (apud MACHADO, 2003 apud REQUENA, 2006) destaca a estratégia das empresas, em seu modelo “diamante” de competitividade. Um aspecto importante de ser ressaltado é que Porter é enfático na defesa da competitividade, contrapondo-se a raciocínios que sugerem que a competição possa levar à duplicação de esforços dificultando economias de escala.

A rivalidade local é vista como fonte de estímulo para a competitividade, pressionando o aumento da produtividade e a busca de paradigmas externos aumentando a rentabilidade. A posição geográfica facilita a pressão exercida pela competitividade, assim como atitudes e medidas inovadoras. As empresas observam com mais clareza as necessidades dos compradores, sejam novas opções tecnológicas, operacionais ou de distribuição.

O paradoxo da localização na economia global revela uma clara compreensão. Neste sentido de como as empresas continuam criando vantagens competitivas (MARQUES, 2005, p. 77 apud REQUENA, 2006, p. 28).

Ressaltando o que já foi citado anteriormente: as vantagens econômicas competitivas oferecidas por uma região tendem a

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funcionar como atratores de novas empresas, impulsionando a produção e a rentabilidade das empresas existentes.

Neste capítulo, até este parágrafo, buscou-se entender a localização e a existência de aglomerações produtivas, caracterizadas como APLs sob o aspecto econômico, no entanto, sabe-se que o conceito dos arranjos produtivos teve como modelo os distritos industriais na Itália e o Vale do Silício na Califórnia. Destaca-se, entretanto, que nestes dois modelos é atribuída à cooperação existente entre as empresas parte dos ganhos competitivos obtidos (SANTOS et al., 2008). Estes ganhos podem ser constatados principalmente nas décadas de 80 e 90 pela alta taxa de crescimento, exportações e capacidade inovadora da Itália como exemplo.

Ainda a partir de Santos (et al., 2008), vale ressaltar que a cooperação entre diversos atores e empresas em um arranjo produtivo local é o que difere este tipo de organização produtiva dos outros tipos de aglomerações existentes, como por exemplo, empresas que embora ocupem uma mesma posição geográfica apresentam diversidade produtiva.

No entanto, cooperação é um conceito com várias interpretações diferentes. Neste sentido, buscou-se entender o conceito da cooperação sob dois aspectos considerados pertinentes: quando a cooperação é coordenada por uma instituição representativa numa determinada associação, neste caso cooperação multilateral e quando a cooperação é caracterizada pela colaboração com o objetivo de solucionar um problema específico, neste caso cooperação bilateral.

A cooperação multilateral pode ser exemplificada quando grupos de firmas aglutinam forças em associações de negócios, ou consórcios numa associação de produtores, um centro de tecnologia, treinamento de mão de obra de gestão coletiva ou de associados. Já a cooperação bilateral ocorre entre as empresas individuais, podendo ser exemplificadas como relações formais ou informais, pela troca de conhecimento, tecnologia, compra de tecnologia e até relações em longo prazo ente cliente e fornecedor (SANTOS et al., 2008; MACHADO, 2003 apud REQUENA, 2006). Retornando aos distritos industriais italianos, a partir de Santos (et al., 2008), observa-se que neste caso a cooperação não é

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uma consequência natural se assentando sobre empresas que podem ser concorrentes, é uma cooperação multilateral porque tem como característica a presença de pequenas e médias empresas que em conjunto participam de uma cadeia produtiva, no entanto, para este tipo de cooperação funcionar satisfatoriamente fatores de localização e senso comunitário de alto nível são necessários.

Segundo Santos (2008), esta questão leva a conclusão que o conceito de APLs tendo como paradigma os distritos industriais italianos, com o propósito de adotar esta prática para outras localidades destaca-se a importância da cooperação interagindo com a presença de pequenas e médias empresas concentradas espacialmente na conexão de alguma cadeia produtiva; característica da cooperação multilateral.

Neste sentido a concentração geográfica de empresas num sistema de cooperação mútua implicaria num risco menor, tanto para as empresas como para os trabalhadores. A mão de obra estaria disponível ao mesmo tempo em que teria menor chance de escassez de emprego. A eventual queda de crescimento de

empregos em uma empresa, sendo compensada pelo processo inverso em outra. Considerando-se empresas estabelecidas em locais distintos, cada uma delas teria disponível um número reduzido de empregados; enfrentando ao mesmo tempo escassez de mão de obra e de trabalho dependente do desempenho da empresa (REQUENA, 2006, p. 35).

Considerando as empesas do setor metalomecânico instaladas na Cidade Satélite Industrial de Cumbica em Guarulhos, objeto desta pesquisa, abordadas no capítulo IV, embora ocupem mesma localização territorial, e aponte características pertinentes a um APL não mostram qualquer tipo de cooperação multilateral entre si, se comportando como empresas individuais, características de grandes empresas que apesar de espacialmente pertencerem a um determinado processo produtivo a cooperação, é bilateral.

Observa-se também que os diferentes estágios de maturidade de um APL são determinados a partir da observação do padrão de comportamento de um APL em relação a outro, podendo ser divididos em quatro fases: nascimento/embrionário, crescimento, maturidade e pós-maturidade. Inclusive nesta última fase são

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comuns os registros de declínio ou mudanças de tendências para manter a sustentabilidade econômica.

A primeira fase de evolução denominada de

nascimento/embrionário indica a existência de um APL em estágio inicial, ou seja, corresponde a identificação de um potencial APL. Está relacionada à concentração regional de uma cadeia produtiva e a adoção de inovações com economias de escala expressivas associadas às condições locais, como oferta de matérias primas, insumos, confiança mínima, capacitação de setores produtivos. Neste estágio não se observa à instalação de rede de fornecedores ou representações comerciais mais ostensivas, a competição se dá por custo, não havendo preocupação com a qualidade, e a cooperação apresenta caráter informal, horizontal e técnico, sendo baseada em relações familiares ou de amizade.

A cooperação vertical com fornecedores se inicia de forma primária (MACHADO, 2003 apud REQUENA, 2006); sendo comum a presença de microempresas compostas por um ou dois funcionários, como

por exemplo, o caso dos artesãos ou bordadeiras

(BORTOLOTTI, 2005).

As empresas que constituem um APL em fase embrionária nem sempre são reconhecidos pelos agentes locais e o apoio da comunidade é incipiente para seu desenvolvimento, considerando que possui importância restrita para a região em termos de produção de empregos e outros valores decorrentes da sua