WENDIE APARECIDA PICCININI
A LOCALIZAÇÃO DE APLS COMO CONDICIONANTE DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
NA CIDADE SATÉLITE DE CUMBICA
ORIENTADORA: PROF. DRA. GILDA COLLET BRUNA
São Paulo 2016
WENDIE APARECIDA PICCININI
A LOCALIZAÇÃO DE APLS COMO CONDICIONANTE DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
NA CIDADE SATÉLITE DE CUMBICA
Tese apresentada no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie – PPGAU, como requisito para a obtenção do título de
Doutora em Arquitetura e Urbanismo
ORIENTADORA: PROF. DRA. GILDA COLLET BRUNA
São Paulo 2016
P588L Piccinini, Wendie Aparecida.
A localização de APLS como condicionante do desenvolvimento sustentável na Cidade Satélite de Cumbica / Wendie Aparecida Piccinini - 2016.
149 f. : il. ; 30 cm
Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2016.
Bibliografia: f. 141 – 149.
1. Arranjos produtivos locais. 2. Desenvolvimento sustentável. 3. Meio ambiente. I. Título.
CDD 338.9
Aos meus filhos, Thais, Thabata, Wade e Fernando.
AGRADECIMENTOS
Sempre,
aos meus pais, Loise, Odete (in memóriam), por terem me ensinado o valor do conhecimento e ao meu irmão, Wade (in memoriam), por ter me mostrado o universo da arquitetura.
Em especial,
à minha orientadora, Professora Doutora Gilda Collet Bruna, pela dedicação, incentivo, auxílio e inestimável transmissão de conhecimentos não só na construção desta tese de doutorado, como também na minha formação docente.
Às amigas,
Paula Rachel da Rocha Jorge, Maria Elizabete Paez Rodriguez, Maria Conceição Bahia Valadares;
generosamente prestativas.
Aos colaboradores,
Igor Raul Liedke, meu estagiário do EMAU- Escritório Modelo da Universidade Anhembi Morumbi e a jovem arquiteta Mariana de Toledo Ignácio, pela inestimável ajuda na elaboração de mapas e edição gráfica, respectivamente.
A professora Doutora Eunice Helena Sguizzardi Abascal, coordenadora do Programa de Pós Graduação Strictu Senso em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, por sua dedicação e atenção sempre que solicitada.
À Universidade Presbiteriana Mackenzie,
Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo – PPGAU- , pela bolsa de estudos em pós-graduação, viabilizando o projeto de pesquisa que resultou nesta tese de doutorado.
À todos entrevistados, e amigos, que direta e indiretamente, colaboraram na elaboração desta tese.
RESUMO
RESUMO
Diversas são as hipóteses para a existência de um Arranjo Produtivo Local (APL); nesta tese entende-se os APLs como um tipo de cluster composto por pequenas e médias empresas agrupadas em torno de um determinado segmento; interagindo por meio dos relacionamentos, sejam formais ou informais, entre estas empresas e demais instituições públicas ou privadas envolvidas. Os APLs normalmente são observados como fatores desencadeadores de fenômenos sociais e econômicos, assim geradores de empregos;
neste sentido parte-se da hipótese que são instrumentos de integração e de desenvolvimento sustentável em termos socioambientais e econômicos; favorecem a implantação de atitudes tanto em relação ao meio ambiente quanto a melhores condições de vida. A constatação destas características será discutida a partir de indicadores de desenvolvimento sustentável e sua relação com a transformação do solo, apropriado por aglomerados produtivos. Para tanto servirá de paradigma o caso do Loteamento Cidade Satélite de Cumbica (1946) no distrito de Cumbica em Guarulhos, SP, e sua relação com aspectos de degradação ambiental e de crescimento demográfico nesta região,
através das indústrias do setor metalomecânico, as quais contam com a complementação de serviços comuns entre si, no entanto falta articulação formal, ou seja, nem sempre estão presentes por sinergia, nem recebem articulação do governo ou instituições não governamentais com ingerência na capacidade produtiva das firmas, dificultando atitudes voltadas para um desenvolvimento local pertinentes à estruturas produtivas de cooperação mutua.
Palavras Chave: Arranjos Produtivos Locais, Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente
ABSTRACT
ABSTRACT
There are diverse hypotheses for the existence of Local Productive Arrangement – LPA. In this thesis, the APLs are understood as a kind of cluster composed by small and median enterprises grouped around a determined segment, interacting through the relationships, being formal or informal, these enterprises and other public institutions or private ones involved.
The APLs normally are observed as triggering factors of social and economic phenomena, thus generating jobs; in this sense one start by the hypothesis that are instruments of integration and sustainable development, in terms socio environmental and economic; they favor the implementation of attitudes, both in relation to the environment as well as the better conditions of life.
The finding of these characteristics will be discussed from sustainable development indicators and their relationship with land transformation by the productive agglomerations; to serve as a paradigm through the case of the allotment of the Satellite City of
Cumbica (1946). Cumbica is at the district of Cumbica, at Guarulhos, SP. Its relation with the aspects of environmental degradation and of demographic growth in this region is through the industries of the mechanical engineering sector, which count on a common services complementation. Nevertheless, it lacks formal articulation, that is, they are not always present for synergy, nor they receive governmental articulation from non-governmental institutions with interference of firms’ productive capacity, making difficult actions for local development, the relevant production structures of mutual cooperation.
Key words: Local Productive Arrangement; Sustainable Development; Environment.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Imagem 01: Determinantes da concentração geográfica de empresas. __________________________________________________________________________________ 45 Imagem 02: Economias de escala. _______________________________________________________________________________________________________________ 49 Imagem 03: Curva de Localização e área de Concentração utilizada para o cálculo do GINI Locacional. ________________________________________________________ 63 Imagem 04: Porcentagens de Indústrias do Setor no Distrito de Cumbica ________________________________________________________________________________ 72 Imagem 05: Região Metropolitana de São Paulo, com destaque para Guarulhos. __________________________________________________________________________ 89 Imagem 06: Barco no Rio Tietê transportando tijolos, em 1945. _______________________________________________________________________________________ 91 Imagem 07: Foto da Inauguração da estação de Guarulhos. ___________________________________________________________________________________________ 92 Imagem 08: Foto atual, retirada do mesmo local. ___________________________________________________________________________________________________ 92 Imagem 09: Foto da Base Aérea de Cumbica, trecho da antiga rodovia Rio - São Paulo. Destaque para o Loteamento Cidade Industrial Satélite de Cumbica, em 1948. ____ 95 Imagem 10: Mapa do Loteamento da Cidade Industrial Satélite de Cumbica, de 5 de Novembro de 1945 – Implantado pelo Decreto Municipal nº 14. _________________ 95 Imagem 11: Inauguração da Rodovia Presidente Dutra - 19/01/1995. ___________________________________________________________________________________ 96 Imagem 12: Construção do trevo de acesso Via Dutra-Guarulhos, no início da década de 1950. ______________________________________________________________ 96 Imagem 13: Concentração das Indústrias ao longo da Rodovia Presidente Dutra. _________________________________________________________________________ 98 Imagem 14: Inserção do município de Guarulhos na Região Metropolitana. _____________________________________________________________________________ 103 Imagem 15: Destaque para o loteamento Industrial Cidade Satélite de Cumbica. _________________________________________________________________________ 104 Imagem 16: Mapa de Uso e Ocupação do Solo I. ___________________________________________________________________________________________________ 106 Imagem 19 e 20: Assentamentos urbanos precários, Cidade Satélite Industrial de Cumbica. ________________________________________________________________ 108 Imagem 21: Mapa de uso e ocupação do solo II. ___________________________________________________________________________________________________ 109 Imagem 22: Mapa de uso e Ocupação do Solo – Destaque para o Loteamento Cidade Satélite de Cumbica. ___________________________________________________ 110 Imagem 23: Mapa de ZEIS – Zonas Especiais de Interesse Social. ______________________________________________________________________________________ 110 Imagens 24 e 25: Empresas ao longo da Avenida Santos Dummont, Cumbica, Guarulhos – SP. ______________________________________________________________ 111 Imagens 26 e 27: Ruas sem asfalto. Cidade Satélite Industrial de Cumbica. ______________________________________________________________________________ 112 Imagem 28: Domicílios com serviços inadequados de infraestrutura. __________________________________________________________________________________ 113 Imagem 29: Zoneamento e Assentamentos Precários. ______________________________________________________________________________________________ 115 Imagem 30: Áreas sujeitas a constantes alagamentos. ______________________________________________________________________________________________ 115 Imagem 31, 32 e 33: Processo de Pavimentação asfáltica da Avenida Guinle. ____________________________________________________________________________ 116 Imagem 34: Gráfico que mostra em porcentagem as empresas exportadoras em Guarulhos. _______________________________________________________________ 122 Imagem 35: Indústrias do Segmento Metalomecânico no Loteamento Cidade Satélite de Cumbica. __________________________________________________________ 127 Imagem 36: Equipamentos urbanos – Educação. ___________________________________________________________________________________________________ 131 Imagem 37: Equipamentos urbanos – Saúde. _____________________________________________________________________________________________________ 131 Imagem 38: Equipamentos urbanos – Serviços. ____________________________________________________________________________________________________ 132 Imagem 39: Equipamentos urbanos – Segurança. __________________________________________________________________________________________________ 132
LISTA DE TABELAS
Tabela 01: Características das classificações segundo o grau de organização do APL. _______________________________________________________________________ 56 Tabela 02: Estabelecimentos Industriais na Cidade Industrial Satélite de Cumbica. ________________________________________________________________________ 65 Tabela 03: Indicadores de referência para cálculo do IIA. _______________________________________________________________________ Erro! Indicador não definido.
Tabela 04: Linha do Tempo de atuações junto às políticas de incentivo aos APLs. _____________________________________________________________________ 80 Tabela 05: APLs apoiados pelo programa estadual de fomento à APLs em relação aos indicadores de desenvolvimento sustentável. ________________________________ 85 Tabela 06: Segmentos Industriais e postos de trabalho, no Distrito de Cumbica, em Guarulhos. _____________________________________________________________ 100 Tabela 07: Crescimento Demográfico. ___________________________________________________________________________________________________________ 101 Tabela 10: Relação de indústrias do segmento metalomecânico em Guarulhos. __________________________________________________________________________ 124 Tabela 11: Índice de Desenvolvimento Humano de Cumbica em relação à Guarulhos e São Paulo. ___________________________________________________________ 133
LISTA DE ABREVIATURAS
APL: Arranjos Produtivos Locais, 12
BNDES: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, 41 BRICs: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, 41
CDS: Comissão do Desenvolvimento Sustentável., 23 CEE: Cadastro de Estabelecimentos Empregadores, 61 CIESP: Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, 33
CMMAD: Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento., 21 CNAE: Classificação Nacional de Atividades Econômicas, 64
CNUMDA: Confederação das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento., 22 CONAMA: Conselho Nacional do Meio Ambiente, 29
FIESP: Federação da Indústria do Estado de São Paulo, 78 GL: GINI Locacional, 62
GTP APL: Grupo de Trabalho Permanente para APLSs., 13 HHm: Hirschman-Herfindahl modificado, 66
IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 23 IDH: Índice de Desenvolvimento Humano, 32
IPT: Instituto e Pesquisas Tecnológicas, 78 IPVS: Índice Paulista de Vulnerabilidade, 27
MDIC: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior., 13 MTE: Ministério do Trabalho e Emprego, 61
ONG: Organizações não Governamentais, 22 ONU: Organização das Nações Unidas., 22 P+L: Produção Mais Limpa, 33
PIB: Produto Interno Bruto, 27 PR: Participação Relativa, 66 QL: Quociente Locacional, 60
RAIS/TEM: Relação Anual de Informações Sociais / Ministério do Trabalho e Emprego., 13 RMSP: Região Metropolitana de São Paulo, 24
SEBRAE: Serviço Brasileiro de apoio às Micro e Pequenas Empresas, 78 SNUC: Sistema Nacional de Unidades de Conservação, 31
UC: Unidades de Conservação, 31
UNFCCC: Convenção - Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, 29
SUMÁRIO
RESUMO _____________________________________________________________________________________________________________________________________ 6 ABSTRACT ___________________________________________________________________________________________________________________________________ 7 INTRODUÇÃO________________________________________________________________________________________________________________________________ 12 CAPÍTULO I __________________________________________________________________________________________________________________________________ 20
Meio Ambiente e organização produtiva _________________________________________________________________________________________________________ 20 1.1 Indicadores de desenvolvimento sustentável ____________________________________________________________________________________________________ 35 CAPÍTULO II _________________________________________________________________________________________________________________________________ 39
Arranjos Produtivos Locais _____________________________________________________________________________________________________________________ 39 2.1 Características formais de Arranjos Produtivos Locais (APLs) e vantagens competitivas locacionais. ________________________________________________________ 43 2.2 Metodologia para a identificação de Arranjos Produtivos Locais (APLs) _______________________________________________________________________________ 59 CAPÍTULO III _________________________________________________________________________________________________________________________________ 75 Políticas estaduais para Arranjos Produtivos Locais (APLs) no estado de São Paulo _______________________________________________________________________ 75 CAPÍTULO IV_________________________________________________________________________________________________________________________________ 89
Estudo de Caso: Loteamento Cidade Satélite Industrial de Guarulhos __________________________________________________________________________________ 89 4.1 Perfil do Município de Guarulhos: Localização Industrial ___________________________________________________________________________________________ 89 4.1.1 Perfil Industrial do Distrito de Cumbica: destaque para o loteamento Industrial Cidade Satélite de Cumbica_______________________________________________ 104 4.2 Indústrias do segmento Metalomecânico ______________________________________________________________________________________________________ 122 CONCLUSÃO ________________________________________________________________________________________________________________________________ 135 REFERÊNCIAS _______________________________________________________________________________________________________________________________ 139
12 INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Esta pesquisa se inicia no processo de conclusão da dissertação de mestrado intitulada “O Papel dos Arranjos Produtivos Locais - APLs no Desenvolvimento Urbano de Limeira” (UPM, 2006).
Os Arranjos Produtivos Locais - APL, são aglomerados de empresas de um mesmo segmento que apresentam especialização produtiva e mantém vínculos de articulação, integração, cooperação e aprendizado entre si e com outros agentes locais tais como governo, associações empresariais, instituições de crédito, ensino e pesquisa (CARDOSO, 2014, p. 7).
A localização destas indústrias que compõem a cadeia produtiva do APL de joias e bijuterias do município de Limeira encontra-se bastante pulverizada no território do município em que está implantada, em bairros próximos ao centro, em locais bastante distintos daqueles destinados a Distritos Industriais ou em áreas de zoneamento especificamente industrial.
Os empreendimentos do segmento de Joias e Bijuterias implantados em Limeira e estudados durante a pesquisa do mestrado têm seu impacto urbano e ambiental. Do ponto de vista urbano, espalham-se pelas áreas centrais e seus arredores,
dando-lhes vitalidade juntamente com as demais atividades do local. Em termos ambientais, porém, consomem energia e água e seus resíduos são tóxicos, e seu despejo muitas vezes foge do controle (REQUENA, 2006, p. 66).
Em termos espaciais se há a concentração de um determinado tipo de empresa no território, há algum tipo de vantagem competitiva locacional vinculada a esta concentração. Caso contrário as empresas estariam dispersas no território de acordo com a densidade econômica ou com a oferta de matéria prima.
Diversas são as hipóteses para a existência de um APL numa determinada região, gerando vantagens competitivas. Estas podem funcionar como atratores de novas empresas recebendo outros enfoques e denominações: Distritos ou loteamentos industriais, conglomerados industriais, clusters ou sistemas produtivos locais.
A partir destas reflexões e com relação à ocupação do território e sua incorporação econômica como fator produtivo da economia local, vale lembrar que as inovações e o crescimento se estimulam mutuamente e ocorrem no território (BRUNA et al., 2006). Deste
13 INTRODUÇÃO
modo pode-se observar a região formada por múltiplos padrões de ocupação espacial e ambiental.
Embora os APLs venham sendo observados como fatores desencadeadores sociais e econômicos, assim geradores de empregos, bem como instrumentos de integração entre uso do solo e desenvolvimento sustentável; destaca-se que estas concentrações de empresas em APLs favorecem a implantação de atitudes tanto em relação ao meio ambiente quanto a melhores condições de vida. Assim sendo a hipótese a provar por esta tese é que os APLs são facilitadores e indutores do desenvolvimento sustentável.
A maior parte dos estudos empíricos e análises conceituais abordam as aglomerações dessas empresas como Arranjos Produtivos Locais consolidados de acordo com o que mostra a literatura. No entanto, evidencia-se a importância de reconhecer novos arranjos produtivos, pois muitos deles já existem, atuam como fatores de desenvolvimento local e regional, e não são reconhecidos.
O apoio aos APLs já reconhecidos é prioridade junto ao governo federal, como suporte da produção local sendo destacados não só
nos Plano Plurianuais, como no Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2007-2010 e na Política Nacional de Ciência, Tecnologia de Desenvolvimento Produtivo 2008-2013 (BARBOZA, 2004). Destaca-se a criação do Grupo de Trabalho Permanente para APLS (GTP APL) no âmbito de coordenação de ações de apoio, coordenadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e integrados por 33 instituições públicas e privadas. Este apoio induz à criação de Núcleos Estaduais de apoio aos Arranjos Produtivos, além de iniciativas privadas e agências internacionais (CAMPOS et al., 2010 e MDIC, 2007 apud ANDERSEN; BRUNO 2014, p. 2\16).
Neste contexto como objeto de estudo são abordadas as indústrias do setor metalomecânico implantadas em Guarulhos, especificamente no loteamento Industrial Cidade Satélite de Cumbica, considerando dados da Relação Anual de Informações Sociais/Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS/TEM) (GUARULHOS, 2014). Estes dados informam que o município possui um dos mais complexos parques industriais do estado de São Paulo, com rendimento médio relativo aos empregados formais em 2008
14 INTRODUÇÃO
de R$ 1.625,95. Sua principal característica é a diversidade de produtos. Estes dados apontam a existência de mais de 2.500 indústrias, o que permite classificar a cidade entre as dez maiores economias do país (GUARULHOS, 2013). Seus principais segmentos industriais são empresas farmacêuticas e químicas, autopeças, metalúrgicas, mecânica, têxteis e vestuário, gráficas e construção civil instaladas em sua maioria nos bairros de Cumbica, Bonsucesso, Pimentas, Itapegica e Taboão com destaque para a Cidade Industrial Satélite de Cumbica com mais de 700 indústrias. Observa- se que a concentração geográfica destas empresas e suas atividades produtivas nem sempre contam com sinergia, nem com articulação do governo ou instituições não governamentais influindo na capacidade produtiva das firmas. No entanto, encontram sucesso econômico local e regional, atuando com maior ou menor impacto ambiental (GUARULHOS, 2014).
O distrito de Cumbica é a terceira região mais populosa de Guarulhos (IBGE, 2010) que compreende 23,05 Km² e é composta pelos seguintes bairros: Cidade Industrial Satélite de Cumbica, Cidade Jardim Cumbica, Cumbica, Vila Aeroporto, Vila Nova Cumbica, Jardim Cumbica, Jardim das Nações, Jardim Ottawa,
Jardim São Manoel, Parque Uirapuru, Jardim Santa Helena e Soinco (AGENDE 2014).
Ressalta-se, entretanto, que este aglomerado de empresas da Cidade Satélite Industrial de Cumbica ao se integrar com a rede urbana regional gera impactos sociais e ambientais, do mesmo modo em que a partir do momento que ocupassem uma região específica, poderiam facilitar a implantação de projetos comuns às empresas que equacionassem seus impactos, permitindo facilidade de acesso e monitoramento, além de interligar o desenvolvimento socioeconômico e controlar as transformações no meio ambiente.
Atualmente pode-se observar um empenho discutível das políticas urbanas em Guarulhos, principalmente no que diz respeito a um controle da localização e impactos dos processos produtivos no espaço urbano, é frágil a implantação e a fiscalização de instrumentos de proteção ambiental e social, decorrente da inobservância das legislações federais, estaduais e locais.
Uma legislação urbana de Uso e Ocupação do Solo, assim como Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, devem servir de parâmetros no processo de gestão urbana, assegurando o
15 INTRODUÇÃO
adequado desenvolvimento da região, visando não somente serviços administrativos como também garantindo a oferta de serviços e infraestrutura urbana básica, de tal maneira que, tantos agentes públicos, como privados, mesmo que com interesses opostos, possam desenvolver seus projetos de forma harmoniosa (SEBRAE, 2004).
A ABNT NBR ISO 26000:20101 aponta que a característica essencial da responsabilidade social é a disposição de incorporar considerações socioambientais em seus processos decisórios, bem como de responsabilidade ética, pelos impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente, implicando num comportamento que contribua para um desenvolvimento sustentável, e integrado a toda uma organização que leve em conta os interesses das partes envolvidas.
As considerações aqui abordadas tem maior importância ao se constatar a extensão dos problemas ambientais em Cumbica.
Problemas estes gerados via água, solo ou ar, ao mesmo tempo em que influenciam as áreas vizinhas, seja positivamente pela geração
1 Norma Brasileira ABNT NBR 26000:2010 Aborda Responsabilidade Social
de trabalho e renda, seja negativamente pelo espraiamento da poluição, e ausência de seu controle.
O objetivo desta tese é mostrar que os APLs são facilitadores do desenvolvimento sustentável, daí a importância das transformações do solo observadas no loteamento Cidade Satélite de Cumbica, que por sua vez poderia ter outra dimensão socioambiental, se houvesse maior sinergia entre as empresas instaladas e outros atores locais, favorecendo a implantação de atitudes, tanto em relação ao meio ambiente, quanto a melhores condições de vida, coerentes com o conjunto de indicadores de desenvolvimento sustentável proposto pela Comissão de Desenvolvimento Sustentável (CDS) das Nações Unidas (IBGE, 2008).
Estas observações serão feitas com base em análise bibliográfica, buscando aprofundar conceitos de APLs como exemplo de formas de ocupação espacial e desenvolvimento sustentável.
Neste raciocínio esta pesquisa está estruturada por quatro capítulos: o capítulo I trata da relação entre Organização Produtiva e Meio Ambiente, abordando as questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável e suas variáveis: sustentabilidade
16 INTRODUÇÃO
econômica, social e ambiental. Estuda ainda os indicadores de desenvolvimento sustentável, abordando os impactos que mostram as particularidades do meio ambiente.
Estas percepções são levantadas a partir de considerações de diversos autores, destacando que o desenvolvimento sustentável deve ser entendido como um longo processo histórico voltado à sociedade civil, suas expectativas, realizações produtivas e consequências em relação com o meio ambiente ao longo do tempo.
O capítulo II apresenta como referencial teórico a dinâmica dos Clusters ou Arranjos Produtivos Locais, expressando aspectos da concentração geográfica de empresas e fatores de localização, aborda diferentes metodologias para a identificação de APLs, buscando critérios sugeridos na identificação destes arranjos e a relação destes com as indústrias do setor metalomecânico implantadas no loteamento industrial Cidade Satélite de Cumbica, objeto de estudo desta tese; para tanto serão analisados os trabalhos existentes na literatura nacional citados por Crocco et al., (2006, p. 218), Brito e Albuquerque (2002), Serviço Brasileiro de
Apoio ás Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE (2002), Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial – IEDI (2002), assim como o estudo de Dias Junior; Moreira (2012) como método para a identificação de aglomerações produtivas locais; sendo tais estudos posteriormente conciliados para a região objeto de estudo desta tese.
O Capítulo III destaca as políticas estaduais voltadas para os APLs a partir da iniciativa determinante da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e a partir de 2004 a atuação da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico (SCTDE), hoje Secretaria do Desenvolvimento (SD) como parâmetro para se refletir sobre índices de qualidade de vida nestas localidades, junto à dimensão social dos indicadores de sustentabilidade.
O Capitulo IV trata inicialmente do perfil industrial do município de Guarulhos; para tanto, se fundamentou em diversos autores, com foco maior no livro: Espaço de Muitos Povos (2008), procurando entender a dinâmica espacial da inserção industrial no município.
17 INTRODUÇÃO
Na sequência estuda as indústrias do segmento metalomecânico que correspondem a 34% das empresas presentes no loteamento industrial Cidade Satélite de Cumbica no Distrito de Cumbica, em Guarulhos (AGENDE, 2014). Estas indústrias apresentam uma grande diversificação de produtos ou bens acabados, destinados à fabricação de outros produtos, como por exemplo, máquinas e equipamentos voltados para setores relevantes, para a construção civil e para a indústria automobilística. Observa-se neste capítulo também que os resíduos decorrentes deste sistema produtivo que engloba atividades como: corte, guinagem de chapas, soldaduras, montagens e acabamentos, são considerados poluentes, não só pela quantidade de resíduos produzidos, mas também pela sua periculosidade.
Considerando estas empresas como exemplo, em relação à transformação do espaço em que estão implantadas, pretende-se compreender fenômenos sociais e ambientais decorrentes da presença desta cadeia produtiva no território, partindo da hipótese de que uma determinada aglomeração produtiva transforma o tipo de ocupação do solo, na medida em que é possível controlar ou não, os impactos negativos no ambiente.
Por fim, após o desenvolvimento do estudo da situação destas indústrias no loteamento industrial Cidade Satélite de Cumbica, com base no modelo conceitual de pesquisa, destaca-se que o desenvolvimento de bases produtivas locais constitui um caminho para o desenvolvimento sócio ambiental e econômico, e que atingirem um padrão típico de evolução nem sempre são necessárias políticas públicas, desde que haja uma atmosfera de cooperação e confiança mútua.
Entretanto, o que se observou neste sentido, foi a ausência de cooperação entre estas empresas assim como sua articulação com outras instituições de apoio; indo contra a dinâmica de um APL, ainda que o segmento metalomecânico se enquadre como tal, segundo estudos realizados nesta pesquisa, com base na metodologia para reconhecimento destes arranjos.
Este dissenso dificulta ações conjuntas voltadas para atitudes tanto em relação ao meio ambiente, quanto melhores condições de vida.
Constata-se assim, a relevância da presença de uma organização produtiva que satisfaça as premissas de um APL, a começar por processos de interação e cooperação mútua, atraindo a presença
18 INTRODUÇÃO
de outras empresas, investimentos em infraestrutura e consequentemente melhores índices em relação aos indicadores de desenvolvimento sustentável.
19
CAPÍTULO I
Meio ambiente e organização produtiva Estuda a relação MEIO AMBIENTE/ORGANIZAÇÃO PRODUTIVA.
Abordando as questões relacionadas a desenvolvimento sustentável e suas variáveis. Sustentabilidade Econômica, Social, Ambiental Geográfica.
20 CAPÍTULO I
CAPÍTULO I
Meio Ambiente e organização produtiva
Focalizando a relação da organização produtiva no meio ambiente, são abordadas as questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável, destacando sustentabilidade econômica, social e ambiental.
Edgard Morin (apud SACHS, 2009, p. 49) aponta para a ecologização do pensamento como uma força de expansão do horizonte temporal:
Enquanto os economistas estão habituados a raciocinar em termos de anos, no máximo em décadas, a escala de tempo da ecologia se amplia para séculos e milênios. Simultaneamente, é necessário observar como nossas ações afetam locais distantes de onde acontecem em muitos casos implicando todo o planeta ou até mesmo a biosfera.
O processo de consolidação das cidades ao longo do século XX definiu aglomerações e regiões metropolitanas, com destaque também para as cidades pequenas, médias e núcleos urbanos que cada vez mais se organizam de forma dispersa no território.
Ocorrem assim profundas transformações nas estruturas espaciais das cidades brasileiras (PANTALEÃO, FERREIRA, 2011), consequentemente, há um espraiamento da área urbanizada onde os limites das cidades são ultrapassados e, se constata uma consolidação das áreas periféricas e dos centros das cidades bem como suas áreas históricas. Nesse contexto segundo esse mesmo autor:
[...] dentro da produção capitalista expressada pela compressão espaço tempo a reprodução das cidades se reestrutura constantemente, fragmentando, redesenhando espaços, ao mesmo tempo em que consolidam novas áreas que vão sendo apropriadas pelos agentes sociais urbanos (PANTALEÃO, FERREIRA, 2011, p. 1).
Além disso, é considerado natural que com o crescimento das sociedades humanas se intensifique a utilização de recursos naturais e ocupação do espaço urbano. Esta dinâmica de transformação procura entender como ocorre a sustentabilidade em suas dimensões econômicas, sociais e ambientais, como instrumento de transformação, buscando embasar uma nova forma de desenvolvimento, que pode ser avaliado por indicadores de desenvolvimento sustentável; estes servem de apoio para se tomar
21 CAPÍTULO I
decisões que contribuam para uma sustentabilidade autorregulada, onde meio ambiente e desenvolvimento constituem sistemas integrados.
De acordo com a Agenda 212, o desenvolvimento sustentável introduz o objetivo global de que as nações tenham um crescimento duradouro sem desequilibrar seu patrimônio natural (ecossistema); para tanto é necessário reconhecer o direito de cada um, e pensar com clareza científica (BRASIL, 2001).
O conceito de desenvolvimento sustentável pode ser entendido como resultado de um longo processo histórico de reavaliação crítica da relação existente entre sociedade civil e seu meio natural.
Observa-se uma variedade de abordagens neste assunto, por se tratar de um processo contínuo e complexo. No entanto, em qualquer uma destas ações, é inerente o conceito de equilíbrio da biosfera e do bem-estar da humanidade, observando ainda que o fato deste desenvolvimento não ser sustentável, significa que
2 O documento Agenda 21, foi concebido em 2002, foi coordenado pela Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável (CPDS) e teve o envolvimento de 40 mil pessoas. É um processo de planejamento participativo para um desenvolvimento sustentável, compatibilizando a conservação ambiental, justiça social e crescimento econômico (BRASIL, 2016).
alguns biomas naturais estão sendo degradados e já não oferecem serviços ambientais essenciais ao bem-estar humano (BELLEN, 2006).
O termo sustentabilidade é abordado pela primeira vez no estudo realizado pela Comissão do Meio Ambiente das Nações Unidas, que resultou em 1987 no Relatório Nosso Futuro Comum conhecido como relatório Brundtland, que o define da seguinte maneira:
É o desenvolvimento que satisfaz as necessidades atuais sem comprometer a habilidade de futuras gerações em satisfazer suas necessidades (VENDRAMINI, 2005; ALVIM, 2003 apud REQUENA, 2006, p. 14).
Essa definição é clássica e considerada por diversos autores na literatura ambiental, levando a concluir que tanto o crescimento populacional, como econômico não devem estar próximos ao limite de exploração que o meio ambiente possa suportar (VENDRAMINI, 2005; ALVIM, 2003 apud REQUENA, 2006).
A comissão Brudtland, formalmente Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), formada pelas Nações Unidas em 1983, foi criada com o intuito de abordar a deterioração
22 CAPÍTULO I
acelerada do meio ambiente e recursos naturais como consequência da economia e do desenvolvimento social. Ficou conhecida pelo nome de sua coordenadora Gro Harlem Brudtland (MALHEIROS; COUTINHO; PHILLIPI, 2012).
A partir daí a dimensão ambiental é definitivamente reconhecida como uma dimensão do processo de desenvolvimento, embora o desenvolvimento sustentável continue sendo um conceito em construção (BRASIL, 2010, p. 27).
A questão do desenvolvimento sustentável no Brasil está integrada aos princípios e ideias formuladas na Confederação das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMDA)
“Grande Encontro da Terra”. Este evento foi realizado no Rio de Janeiro em 1992, contou com a presença de 180 países, incluindo 105 chefes de Estado. Simultaneamente realizou-se também o Fórum Global das Organizações não Governamentais (ONGs), reunindo 4.000 entidades da sociedade civil. Esses eventos foram denominados popularmente de ECO’92. Diversos documentos foram assinados nesses encontros, sendo o mais importante a Agenda 21, transformada em programa pela Organização das Nações Unidas (ONU). Assim sendo este plano de ação visa
objetivos de desenvolvimento sustentável, através de programas e projetos cuja implantação está condicionada a decisões políticas de governantes e da sociedade, podendo estar vinculado às agendas nacionais, regionais e locais (ALVIM, 2003; IBGE, 2008).
Observa-se a partir daí uma preocupação com a interligação entre desenvolvimento socioeconômico e transformações do meio ambiente. Esta relação segundo GUIMARÃES apud BELLEN (2006) se legitima através do conceito de desenvolvimento sustentável.
Esclarecendo, Constanza (1991, apud BELLEN, 2006, p. 24), que:
O conceito de desenvolvimento sustentável deve ser inserido na relação dinâmica entre o sistema econômico humano e um sistema maior, com taxa de mudança mais lenta, o ecológico.
Tais ideias foram assimiladas e progressivamente incorporadas às Agendas 21 de diversos países, como um novo paradigma para se enfrentar, tanto o desafio do desenvolvimento como criar instrumentos indicadores de desenvolvimento sustentável, essenciais para guiar a ação e acompanhar a avaliação do progresso alcançado.
23 CAPÍTULO I
O capítulo 40 da Agenda 21 aborda a necessidade de informações para a tomada de decisões em todos os níveis de governo e gestão sugerindo implantar duas áreas de programas para assegurar que as decisões se baseiem em informações consistentes, ou seja, a redução das diferenças em matérias de dados e a melhoria da disponibilidade da informação. Deste modo:
[...] É preciso desenvolver indicadores de desenvolvimento sustentável que sirvam de base sólida para a tomada de decisões em todos os níveis e que contribuam para uma sustentabilidade autorregulada dos sistemas integrados de meio
ambiente e desenvolvimento
(BRASIL. AGENDA 21, p. 40).
No Brasil o trabalho de construção de indicadores de Desenvolvimento Sustentável foi inspirado no movimento internacional liderado pela Comissão do Desenvolvimento Sustentável (CDS), das Nações Unidas, Comission on Sustainable Desenvelopment (IBGE, 2008). A definição desses indicadores é interpretada por diferentes autores através de diversas abordagens. Primeiramente, os indicadores podem comunicar e informar sobre o progresso em direção a uma determinada meta, como o desenvolvimento sustentável. No entanto, os indicadores
também podem ser entendidos como um recurso que deixa mais perceptível uma tendência de formação de um fenômeno (HAMMOND et al., 1995, apud BELLEN, 2006, p. 41).
Segundo o IBGE (2010), indicadores permitem analisar quatro dimensões: Ambiental, Social, Econômica e Institucional. A partir dessas dimensões ao longo da década passada, governos nacionais, instituições acadêmicas, organizações não governamentais, organizações do sistema das Nações Unidas e especialistas de todo o mundo puderam definir quais seriam os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS), que mostrariam o nível de cada uma destas dimensões em relação à sustentabilidade.
Segundo o IBGE (2008; 2010 p. 11) “Em 1996, a CDS publicou o documento “Indicators of sustainable development: framework and methodologies”, conhecido como Livro Azul”.
Neste documento apresenta uma lista de 57 indicadores de 134 iniciativas consolidadas em 2001 com fichas metodológicas e diretrizes para sua utilização. O IBGE toma como referência estas recomendações adaptadas às particularidades e diversidades características do País. Entretanto, conforme
24 CAPÍTULO I
Sacks (1997 apud BELLEN, 2006) faz-se necessário entender o processo de sustentabilidade também como um conceito dinâmico, concebendo estes indicadores através de cinco dimensões principais: sustentabilidade social, sustentabilidade geográfica, sustentabilidade econômica, sustentabilidade ecológica e sustentabilidade cultural. No entanto, atualmente, pode-se observar um empenho discutível de resultados das políticas urbanas no que diz respeito a um controle da localização e impactos dos processos produtivos no espaço urbano.
Possivelmente a partir da fragilidade de seus instrumentos de proteção ambiental e social, pois há unicamente uma não aplicação de legislações federais, estaduais e locais, que deveriam auxiliar no controle do meio ambiente.
Em 2002, Siche (et al., 2007 apud Sacks, 2009, p. 85) também menciona quatro dimensões da sustentabilidade: “ambiental, territorial ou geográfica, política nacional e política internacional”.
Deste modo a sustentabilidade social permite refletir um patamar razoável de homogeneidade social, com empregos, qualidade de vida e igualdade de recursos e serviços sociais. Do ponto de vista
cultural procura-se um equilíbrio entre respeito à tradição e inovação.
Neste contexto a dimensão social dos indicadores de desenvolvimento sustentável (IBGE, 2008) está vinculada às taxas de crescimento populacional, ao trabalho e ao rendimento, saúde, educação, habitação e segurança.
As taxas de crescimento populacional são fundamentais para a promoção de políticas públicas, não só de natureza social, como também econômica e ambiental. É importante entender que justamente a dinâmica demográfica é que permite avaliar o dimensionamento dos serviços de infraestrutura seja social, em termos de atendimento à saúde, saneamento, educação e outros.
Na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP)3, a união entre os
3 Os municípios que compõem a RMSP são: Arujá, Barueri, Biritiba-Mirim, Caieiras, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Diadema, Embu das Artes, Embu-Guaçu, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Franco da Rocha, Guararema, Guarulhos, Itapevi, Itapecerica da Serra, Itaquaquecetuba, Jandira, Juquitiba, Mairiporã, Mauá, Mogi das Cruzes, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Salesópolis, Santa Isabel, Santana de Parnaíba, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Lourenço da Serra, São Paulo, Suzano, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista, representando o maior polo de riqueza nacional, atingindo em 2008 R$ 572 milhões, ou seja 57%
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territórios provoca a extensão da capital paulista dando origem a uma mancha urbana em constante expansão, e consequentemente através desta dinâmica tem-se um crescimento demográfico e espacial dos municípios, acarretando a necessidade de implantação de infraestrutura e equipamentos urbanos. Vale lembrar que os municípios não conseguem acompanhar esta dinâmica; em termos de oferta de infraestrutura. A lei que disciplina estes municípios está voltada para o desenvolvimento socioeconômico, buscando um planejamento regional, tal que promova qualidade de vida, proteção ao meio ambiente e integração do planejamento, ou execução de suas políticas públicas.
A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), composta por 39 municípios, foi instituída pela Lei Complementar Federal nº 14, de 1973, e disciplinada pela Lei Complementar Estadual nº 94, de 1974. No entanto, sua existência como região metropolitana do Estado de São Paulo foi reconhecida pela Lei complementar de 16 de junho de 2011 que reorganiza a região e cria seu conselho de desenvolvimento de acordo com as regras da Constituição Federal
do produto interno bruto do Estado de São Paulo (SECRETARIA DE ASSUNTOS METROPOLITANOS, 2016).
de 1988, que atribuiu aos Estados a responsabilidade pela criação das regiões metropolitanas (ASSEMBLEIA LEGISLATIVA, 2015).
Com relação à dimensão social, constatou-se que o desemprego ou taxa de desocupação é um dos principais problemas, pois essa variação reflete a ausência ou não de ocupação produtiva, necessitando, portanto, de uma estratégia de criação de mais postos de trabalho, levando consequentemente a maior rendimento da população.
Quanto à saúde o indicador está vinculado à longevidade média esperada de um recém-nascido, considerando que esta expectativa está ligada a conjuntura de vida e saúde da população, ou seja, depende da influência social, econômica e ambiental; assim sendo o aumento da longevidade4 em determinado grupo sinalizaria melhorias de condições desse grupo no âmbito da saúde pública e nas questões ambientais.
4 “A esperança média de vida ao nascer no Brasil alcançou 72,3 anos de idade, em 2006, havendo um incremento de 5,0 anos na vida média ao nascer do brasileiro, entre 1992 e 2006” (IBGE, 2008, p. 254).
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Cabe destacar que a redução da mortalidade infantil5 é vista como um dos mais importantes indicadores de um desenvolvimento sustentável. Por sua vez a educação é uma das prioridades para o país, à medida que possibilita a formação de uma mentalidade consciente e participativa nos indivíduos, capacitando os cidadãos para lidar com as questões que os envolvem e assim possam participar do processo de transformação de sua cidade e de sua comunidade (IBGE, 2008). A garantia de acesso universal à educação é fundamental para promover um desenvolvimento sustentável.
A dimensão social dos indicadores de desenvolvimento sustentável destaca a produção de unidades habitacionais como significativa, principalmente em relação às condições adequadas de habitabilidade (IBGE, 2008). Uma condição de moradia adequada é fundamental para a qualidade de vida da população.
Ainda dentro da dimensão social, a segurança, vinculada ao coeficiente de mortalidade por homicídios aponta para as causas
5 “O Brasil vem experimentando um declínio acelerado das taxas de mortalidade infantil, passando de 47,0% para 25,8% entre 1900 e 2005” (IBGE, 2008, p. 258).
violentas, seguidas de morte, como as que têm tomado vulto no Brasil, acarretando grandes custos sociais e econômicos e evidenciando que a prevenção se tornaria bem menos onerosa.
Segundo o IBGE (2008, p. 305):
Estratégias de combate à exclusão social e a pobreza, tais como geração de emprego e renda e inserção no sistema educacional, poderão contribuir para a redução das taxas de homicídios.
Para tanto é necessário ter uma política nacional de segurança pública, integrando diversos setores governamentais e da sociedade. Embora se saiba que há uma política de segurança pública, a amplitude deste tema alerta para a necessidade de novos modelos de gerenciamento e qualificação do debate sobre segurança e para a incorporação de novos atores, cenários e paradigmas às políticas públicas.
Os problemas relacionados com altas taxas de criminalidade, a degradação do espaço público, a sensação de insegurança e impunidade, são fatores que somados à ingerência preventiva das instituições de justiça, superlotação de presídios, e corrupção
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representam uma fragilidade significativa na dimensão social dos indicadores de desenvolvimento sustentável.
Nos municípios de maior porte na RMSP, o Índice Paulista de Vulnerabilidade (IPVS) permite identificar áreas em que predominam famílias expostas a diferentes níveis de vulnerabilidade. Para este estudo foram consideradas a pobreza, a segregação espacial, e a responsabilidade pelos fenômenos comuns nos grandes centros paulistas.
A dimensão Econômica referenciada através de um quadro econômico do País e dos padrões de produção e consumo destaca a produção líquida de bens e serviços como um indicador básico do desempenho de uma economia, ou seja, aborda o desempenho macroeconômico e financeiro do País. Através do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, normalmente utilizado como indicador do ritmo de crescimento da economia. Como por exemplo: indicador de desenvolvimento sustentável é cuidado como uma informação do padrão de pressão exercido entre meio ambiente, consumo de recursos não renováveis, e sua pressão sobre o meio ambiente, no entanto, é importante salientar que maior desenvolvimento do PIB
pode levar a uma conjuntura para o combate à pobreza, com diminuição de desempregos e diminuição de problemas sociais, conforme citado anteriormente (IBGE, 2008).
A relação entre produção versus consumo de energia mostra o grau de desenvolvimento de um país; entretanto produção e consumo energético podem exercer pressões sobre o meio ambiente e sobre os recursos naturais; outra coisa é limitar o consumo de energia que nos países em desenvolvimento representa um grande risco, trazendo prejuízo para a produção. Segundo o IBGE (2008) o consumo per capita nestes países em desenvolvimento representa um sexto daquele verificado nos países industrializados:
Para um desenvolvimento sustentável, deve-se entender às demandas através do aumento da eficiência energética e dos usos de fontes renováveis, compatibilizando a oferta da energia com a proteção ambiental (IBGE, 2008, p. 332).
Deste modo entende-se como importante nesta dimensão de indicadores observar os propósitos de produção, de modo a se contar com empresas voltadas a um desenvolvimento econômico sustentável em longo prazo.
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A dimensão Ambiental dos indicadores de desenvolvimento sustentável precisa estar voltada ao uso dos recursos naturais ao controle da degradação ambiental.
Neste sentido James Lovelock, Princípio do GAIA (apud ROGERS, 2001, p. 26) mostra que:
O planeta não é inanimado. É um organismo vivo. A terra, as rochas, oceanos, atmosfera e todos os seres vivos são um grande organismo. Um sistema de vida holístico e coerente, que regula e modifica a si mesmo.
Esta dimensão ambiental, talvez a mais abordada nas questões que envolvem o assunto desenvolvimento sustentável discute questões que compõem todos os temas: atmosfera, terra, água doce, oceanos, mares e áreas costeiras, biodiversidade e saneamento.
Ainda nesta dimensão considerando a atmosfera, é importante avaliar a estimativa das emissões resultantes da ação humana, os gases chamados de efeito estufa, alguns presentes naturalmente na atmosfera, entre eles o vapor d’água, o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4) que são capazes de reter na atmosfera por algum tempo o calor irradiado pela superfície terrestre elevando a
temperatura em níveis muito altos para a existência no planeta. As atividades humanas além de aumentarem muito rapidamente a concentração destes gases acrescentaram a atmosfera outros gases também de efeito estufa; é o que está aumentando rapidamente a temperatura da terra com indícios de intensificação das variações climáticas e ocorrência de enchentes, secas, furacões etc. (IBGE, 2008, p. 18).
De acordo com IBGE (2008) a poluição do ar nos grandes centros urbanos, resultado das emissões provenientes de Fontes Estacionárias e Móveis6 é um dos grandes problemas ambientais da atualidade com implicações inclusive na saúde pública.
Diversas atividades humanas estão relacionadas com emissão de gases de efeito estufa, principalmente os processos industriais expressos no consumo anual de substancias destruidoras da camada de ozônio, a agricultura através do uso de fertilizantes da
6 As fontes fixas ou estacionárias de emissão de poluentes são aquelas que ocupam uma área relativamente limitada, permitindo uma avaliação direta na fonte, como por exemplo, as indústrias, as fontes móveis são as que se dispersam as emissões de poluentes pela comunidade, por exemplo, os veículos automotores (FIESP, 2016).
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perda de material orgânico do solo, emissão de metano, principalmente no cultivo de arroz inundado, além da geração de energia e do desmatamento (IBGE, 2008, p. 19).
Atualmente a agricultura através de tecnologia moderna tem sido responsável por grandes impactos ambientais, desde o desmatamento, a utilização do fogo para a liberação de novas áreas para atividades agropecuárias, até a contaminação de aquíferos subterrâneos e degradação ambiental do solo. Esta modernização permite contrapor os ganhos econômicos de produtividade com as implicações ambientais negativas as quais ainda não puderam ser totalmente avaliadas.
Em dezembro de 2015, foi realizada em Paris a 21ª Conferência do Clima, Conferencia das Partes (COP21), visando alcançar um novo acordo internacional sobre o clima, com o objetivo de que o aquecimento global deverá ser mantido abaixo de 2 °C, buscando esforços ainda para limitar o aumento da temperatura em 1,5 °C.
A Convenção - Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês) tem o objetivo de estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera em um
nível que impeça uma interferência antrópica perigosa no sistema climático. Esse nível deverá ser alcançado em um prazo suficiente que permita aos ecossistemas adaptarem-se naturalmente à mudança do clima, assegurando que a produção de alimentos não seja ameaçada e permitindo ao desenvolvimento econômico prosseguir de maneira sustentável (MINISTÉRIO, 2016).
O secretário geral da ONU, Ban Ki-Moom, afirma que este acordo marca um momento importante para as transformações voltadas para a redução dos riscos de mudanças climáticas. Pela primeira vez os países concordaram em se unir em uma causa comum: “O que foi impensável se tornou um caminho sem volta” (ONUBR, 2016).
O acordo que foi fechado em 15 de dezembro de 2015, resultado das negociações entre 22 nações, foi assinado em Nova York no dia 22 de Abril de 2016 na sede das Nações Unidas, e foi assinado em um dia simbólico: o dia mundial da terra (GREENME, 2016).
Em relação à água, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) estabelece cinco classes de água doce7 onde institui
7 Resolução nº 357, de 17 de Março de 2005. Publicada no DOU nº 053, de 18 de Março de 2005, p. 58-63. Artigo 4º.
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valores de qualidade apropriados para cada uso: abastecimento humano, recreação, irrigação e outros usos. A análise destas classes através de índices pré-estabelecidos revela que um dos maiores problemas ambientais e sociais do país é a falta de saneamento básico, refletido principalmente no baixo percentual de tratamento dos esgotos coletados e lançados nos cursos de água (IBGE, 2008, p. 100).
Em relação aos oceanos, mares e áreas costeiras o contato com águas contaminadas por esgoto além de disseminar doenças entre a população, considerando que o banho de mar é uma das formas de lazer mais apreciadas; essa poluição atinge também os ambientes estuarinos afetando até mesmo a pesca, caracterizando preocupação sobre a saúde pública, atividades de turismo e lazer e até mesmo a própria pesca como atividade econômica.
Fica evidente a necessidade de se respeitar e realçar a capacidade de autodepuração dos ecossistemas naturais, ou seja, limitar o uso de recursos não renováveis visando à preservação da natureza na sua produção de recursos renováveis.
Nesta dimensão ambiental de indicadores de sustentabilidade a biodiversidade (IBGE, 2008, p. 135):
Deverá ser expressa pelo número estimado de espécies nativas em relação ao número de espécies ameaçadas de extinção e número de espécies endêmicas, nos principais biomas brasileiros.
O Brasil como um todo está incluído entre o grupo de nações dotados da chamada megadiversidade, ou seja, o grupo de nações que abrigam 70% da biodiversidade total do planeta IBGE (2008), sendo sua maior ameaça a destruição de seus habitats através de desmatamento e queimadas, a quebra dos ecossistemas, a chegada de espécies invasoras, o tráfego e comércio de animais e plantas silvestres e a introdução de doenças associadas às mudanças climáticas, decorrentes da ação do homem no meio ambiente.
Para o Brasil atingir os objetivos de um desenvolvimento sustentável a preservação do meio ambiente é fundamental diante da necessidade de conservação dos biomas brasileiros, significando entre outras adversidades, conservar recursos hídricos, solo e formas de vegetação nativas. Iniciativas neste sentido já vêm sendo empregadas num esforço do País para proteger seus recursos
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naturais resultando num crescimento do número de áreas das Unidades de Conservação Federais8, principalmente daquelas de uso sustentável. Para o olhar territorial, deve-se observar que as configurações urbanas e rurais deveriam ser balanceadas de modo a eliminar inclinações de investimento público apenas nas áreas urbanas; no entanto, Sacks (2009, p. 86-87) cita também a necessidade da melhoria do ambiente urbano da superação das disparidades inter-regionais e assim de se criar “estratégias de desenvolvimento ambientalmente seguras para áreas ecologicamente frágeis”.
Este autor observa também que enquanto política nacional se faz necessário que a política seja voltada à apropriação universal dos
8De acordo com o Ministério do Meio Ambiente: “As unidades de conservação (UC) são espaços territoriais, incluindo seus recursos ambientais, com características naturais relevantes, que têm a função de assegurar a representatividade de amostras significativas e ecologicamente viáveis das diferentes populações, habitats e ecossistemas do território nacional e das águas jurisdicionais, preservando o patrimônio biológico existente”.
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC - LEI 9.985/2000) - é o conjunto de unidades de conservação (UC) Federais, Estaduais e Municipais. É composto por 12 categorias de UC, cujos objetivos específicos se diferenciam quanto à forma de proteção e usos permitidos: aquelas que precisam de maiores cuidados, pela sua fragilidade e particularidades, e aquelas que podem ser utilizadas de forma sustentável e conservadas ao mesmo tempo (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2016).
direitos humanos. Por outro lado, há necessidade de desenvolvimento da capacidade do Estado para implementar um projeto nacional em parceria com empreendedores, estimulando a coesão social.
A dimensão Institucional dos indicadores diz respeito à orientação política. Por sua vez dimensionada por ações que refletem o esforço nacional voltado à pesquisa e ao desenvolvimento e proteção ao meio ambiente, reflete assim a capacidade de esforço aplicado pelo governo e sociedade, diante de ações relacionadas às mudanças exigidas para se obter um desenvolvimento sustentável.
As aprovações formais, de acordos multilaterais, representam um consenso mundial na solução de problemas ligados ao meio ambiente.
Segundo SICHE et al. (2007), os estudos e debates em relação a indicadores ou índices de sustentabilidade estão apenas começando. Não há até o momento uma referência, seja matemática, ou conceitual para avaliar o que é sustentável ou insustentável, onde funcionam como um sinal de alarme para manifestara situação de um sistema avaliado.
32 CAPÍTULO I
Observa-se ainda que na avaliação de uma dimensão seja no sistema ambiental, social ou econômico, seja em outro, não existe a possibilidade de determinar sua sustentabilidade apenas através de um ou mais indicadores que correspondam apenas a um aspecto deste sistema. Mas, consequentemente, conforme apontado nas dimensões propostas pelo IBGE (2010) a sustentabilidade é determinada por um conjunto de fatores: “econômicos, sociais e ambientais”, e todos devem concorrer para a avaliação da sustentabilidade (BOUNI, 1996, apud SICHE et al, 2007, p. 142), como no caso do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)9 (UNDP, 2005 apud SICHE et al, 2007, p. 142) formado por três indicadores: “educação, longevidade e renda” para mostrar o desenvolvimento humano.
A importância deste trabalho do IBGE (2008; 2010), referência para esta tese, embora muitas vezes voltado mais ao tema
9 O IDH ou Índice de Desenvolvimento Humano é uma medida concebida pela ONU- Organização das Nações Unidas- para avaliar a qualidade de vida e desenvolvimento econômico de uma região. Os critérios para calcular o IDH são:
grau de escolaridade, renda e nível de saúde. O IDH varia de 0 a 1, quanto mais se aproxima de 1 maior é o IDH de um local. De acordo com a ONU o Brasil no último relatório de 2014 apresenta um IDH igual a 0,755, o que o coloca em 75ª posição numa lista de 188 nações (OGLOBO, 2016).
desenvolvimento do que sustentabilidade recai no fato de trazer explicitamente a dimensão ambiental, ao lado da social, econômica e institucional.
Segundo Veiga (2008), a questão do desenvolvimento sustentável deverá vincular a temática do desenvolvimento econômico com a do meio ambiente, sendo necessário para tanto, a compreensão dos comportamentos humanos, econômicos e sociais como objetos da teoria econômica e das demais ciências sociais; a evolução da natureza e a configuração social do território, entendendo, que estes três âmbitos se relacionam, interagem e se sobrepõem afetando e condicionando reciprocamente uns aos outros.
A evolução e transformação da sociedade e da economia no processo de desenvolvimento alteraram de várias maneiras o mundo natural. E esse relacionamento recíproco se materializa, se articula e se expressa por meio de formas concretas de ordenamento territorial (SUNCKEL, 2001, p. 296 apud VEIGA, 2008, p. 188).
Conclui-se assim que a busca da sustentabilidade está diretamente relacionada com o aprimoramento da qualidade de vida das populações humanas, em coerência com os limites ambientais