14 Análise estrutural
14.5 Tipos de análise estrutural
14.6.2 Caracterização da geometria .1 Trechos rígidos
Os trechos de elementos lineares pertencentes a região comum ao cruzamento de dois ou mais elementos podem ser considerados como rígidos (nós de dimensões finitas), da maneira como se ilustra na figura 14.1.
Figura 14.1 - Trechos rígidos 14.6.2.2 Largura colaborante de vigas de seção T
Quando a estrutura for modelada sem a consideração automática da ação conjunta de lajes e vigas, esse efeito pode ser considerado mediante a adoção de uma largura colaborante da laje associada à viga, compondo uma seção transversal T.
A consideração da seção T pode ser feita para estabelecer as distribuições de esforços internos, tensões, deformações e deslocamentos na estrutura, de uma forma mais realista.
A largura colaborante bf deve ser dada pela largura da viga bw acrescida de no máximo 10% da distância a entre pontos de momento fletor nulo, para cada lado da viga em que houver laje colaborante.
A distância a pode ser estimada, em função do comprimento do tramo considerado, como se apresenta a seguir:
viga simplesmente apoiada: a = 1,00 ;
tramo com momento em uma só extremidade: a = 0,75 ; tramo com momentos nas duas extremidades: a = 0,60 ; tramo em balanço: a = 2,00 .
Alternativamente, o cômputo da distância a pode ser feito ou verificado mediante exame dos diagramas de momentos fletores na estrutura.
No caso de vigas contínuas, permite-se calculá-las com uma largura colaborante única para todas as seções, inclusive nos apoios sob momentos negativos, desde que essa largura seja calculada a partir do trecho de momentos positivos onde a largura resulte mínima.
Figura 14.2 - Largura de mesa colaborante
Quando a laje apresentar aberturas ou interrupções na região da mesa colaborante, a variação da largura efetiva (bef) da mesa deve respeitar o máximo bf e limitações impostas pelas aberturas conforme mostra a figura 14.3.
Figura 14.3 - Largura efetiva com abertura 14.6.2.3 Mísulas e variações bruscas de seções
Na ocorrência de mísula ou variação brusca de seção transversal, só deve ser considerada como parte efetiva da seção aquela indicada na figura 14.4.
Figura 14.4 - Altura e largura efetivas de uma seção transversal 14.6.2.4 Vãos efetivos de vigas
O vão efetivo pode ser calculado por:
2 1 0 ef a a
com a1 igual ao menor valor entre (t1/2 e 0,3h) e a2 igual ao menor valor entre (t2/2 e 0,3h), conforme figura 14.5.
a) Apoio de vão extremo b) Apoio de vão intermediário
Figura 14.5 - Vão efetivo 14.6.3 Arredondamento do diagrama de momentos fletores
O diagrama de momentos fletores pode ser arredondado sobre os apoios e pontos de aplicação de forças consideradas como concentradas e em nós de pórticos. Esse arredondamento pode ser feito de maneira aproximada conforme indicado na figura 14.6.
Figura 14.6 - Arredondamento de diagrama de momentos fletores 14.6.4 Análise linear com ou sem redistribuição
Aplicam-se às estruturas de elementos lineares as condições gerais expressas em 14.5.2 e 14.5.3 e as condições específicas apresentadas em14.6.4.1 a 14.6.4.3.
14.6.4.1 Valores de rigidez
Para o cálculo da rigidez dos elementos estruturais permite-se, como aproximação, tomar o módulo de elasticidade secante (Ecs) (ver 8.2.8) e o momento de inércia da seção bruta de concreto.
Para verificação das flechas devem obrigatoriamente ser consideradas a fissuração e a fluência, usando, por exemplo, o critério de 17.3.2.1.
14.6.4.2 Restrições para a redistribuição
As redistribuições de momentos fletores e de torção em pilares, elementos lineares com preponderância de compressão e consolos, só podem ser adotadas quando forem decorrentes de redistribuições de momentos de vigas que a eles se liguem.
Quando forem utilizados procedimentos aproximados, apenas uma pequena redistribuição é permitida em estruturas de nós móveis (ver 14.6.4.3).
As redistribuições implícitas em uma análise de segunda ordem devem ser realizadas de acordo com a seção 15.
14.6.4.3 Limites para redistribuição de momentos e condições de dutilidade
A capacidade de rotação dos elementos estruturais é função da posição da linha neutra no ELU. Quanto menor for x/d, tanto maior será essa capacidade.
Para melhorarPara assegurar o adequado comportamento dútil em vigas e lajes a dutilidade das estruturas nas regiões de apoio das vigas ou de ligações com outros elementos estruturais, mesmo quando não forem feitas redistribuições de esforços solicitantes, a posição da linha neutra no ELU deve obedecer aos seguintes limites:
a) x/d 0,50 - para concretos com fck 35 MPa;
b) x/d 0,50 – (fck - 35)/150 - para concretos com 35 MPa fck 50 MPa;
c) x/d 0,40 - para concretos com fck ≥50 MPa;.
d) x/d 0,50 para concretos com fck 35 MPa; ou e) x/d 0,40 para concretos com fck 35 MPa.
Esses limites podem ser alterados se forem utilizados detalhes especiais de armaduras, como por exemplo os que produzem confinamento nessas regiões.
Quando for efetuada uma redistribuição, reduzindo-se um momento fletor de M para M, em uma determinada seção transversal, a profundidade da linha neutra nessa seção x/d, para o momento reduzido M, deve ser limitada por:
0,44 + 1,25 x/d para concretos com fck 35 MPa; ou 0,56 + 1,25 x/d para concretos com fck 35 MPa. a) x/d (0,44)/1,25 para concretos com fck 35 MPa; ou b) x/d (0,56)/1,25 para concretos com fck 35 MPa.
O coeficiente de redistribuição deve, ainda, obedecer aos seguintes limites: a) 0,90 para estruturas de nós móveis;
b) 0,75 em qualquer outro caso.
Pode ser adotada redistribuição fora dos limites estabelecidos nesta Norma, desde que a estrutura seja calculada mediante o emprego de análise não-linear ou de análise plástica, com verificação explícita da capacidade de rotação de das rótulas plásticas.
14.6.5 Análise plástica
Para verificações de estados limites últimos pode ser efetuada a análise plástica da estrutura, com a simulação de rótulas plásticas localizadas nas seções críticas.
É obrigatória a verificação das rotações nas rótulas plásticas, correspondentes aos mecanismos adotados, que não podem superar a capacidade de rotação plástica das seções transversais correspondentes.
Esse limite, função da profundidade relativa x/dda linha neutra na seção para o momento fletorconsiderado na rótula, pode ser determinado através da figura 14.7, para razão a/d igual a 6 (onde: a é a distância entre pontos de momento nulo da região que contém a seção plastificada). Para outras relações a/d, multiplicar os valores extraídos da figura 14.7 por (a/d)/6.
Curvas tracejadas:
Curva 1: para x/d 0,17 1 000 p= 2 d/x Curva 2: para x/d 0,15 1 000 p= 3,5 d/x
Figura 14.7 - Capacidade de rotação de rótulas plásticas
A verificação da capacidade de rotação de rótulas plásticas deve ser feita para cada uma das combinações de carregamento consideradas. Atenção especial deve ser dada à verificação da fissuração nas rótulas para condições de serviço.(OBS: falta definir como determinar a rotação plástica).
14.6.6 Análise não-linear
Análises não-lineares são permitidas tanto para verificações de estados limites últimos como para verificações de estados limites de serviço.
14.6.7 Estruturas usuais de edifícios - Aproximações permitidas