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Capítulo III Contextos de vida das crianças

3. Caracterização dos actores

3.1. Os facilitadores da investigação

A designação de facilitadores da investigação proporciona uma visão relevante no que se refere à posição e responsabilidade dos adultos relativamente às crianças. Neste contexto, os facilitadores desta investigação, depois da autorização para entrada no terreno ter sido dada pelo presidente da direcção da instituição, Casa das Janelas Verdes, que desenvolve as Actividades de Animação Sócio Educativa com as crianças da Componente de Apoio à Família, são os adultos responsáveis pelas crianças. Foi com os adultos e, mais concretamente, os pais, que foi feito o contacto através de uma carta4 esclarecedora dos aspectos mais relevantes da

investigação, nomeadamente os objectivos da mesma.

Os facilitadores da investigação, apesar de não assumirem um papel relevante na mesma, uma vez que esse papel pretende ser atribuído às crianças, foram muito importantes para o desenvolvimento da investigação pois ao serem responsáveis pelas crianças mostraram-

3 Documento cedido pela direcção para consulta interna

4 A carta contém uma pequena apresentação da investigadora, bem como os objectivos principais da investigação e a metodologia a ser utilizada

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se disponíveis e valorizaram a temática podendo, no futuro, melhorar a nossa prática enquanto profissionais da área da educação.

3.2. Os protagonistas da investigação

A designação de protagonistas da investigação aparece como sinónimo de amostra mas com o intuito de transmitir a ideia de que as crianças são portadoras de um papel principal nesta investigação, ou seja, são os actores principais.

De acordo com Pardal e Correia a amostra deve ser definida de forma precisa para que seja representativa do universo de investigação e deve ainda apresentar no seu interior as características mais próximas desse mesmo universo de investigação (Pardal e Correia, 1995).

Assim, os protagonistas desta investigação são um grupo de 24 crianças de ambos os sexos e com idades compreendidas entre os 3 e os 6 anos de idade. Estas crianças frequentam o Jardim-de-Infância da rede púbica localizado no distrito de Viana do Castelo e a instituição Casa das Janelas Verdes, que desenvolve as Actividades de Animação Sócio Educativa da Educação Pré-escolar/Actividades de Prolongamento de Horário e que pretende dar resposta às crianças da Componente de Apoio à Família (CAF), no horário que varia entre as 15.30 horas e as 18 horas.

Este grupo de 24 crianças, ao longo da investigação será subdividido em quatro grupos, cada um constituído por 6 crianças da mesma idade para facilitar a proximidade do adulto relativamente à criança, a intimidade e proporcionar que as crianças se sintam mais livres e comuniquem de forma mais aberta e espontânea.

Um outro aspecto relevante diz respeito à escolha destes protagonistas que foi desde logo acautelada por princípios éticos, nomeadamente no que concerne à identidade das crianças e também relacionados com a selecção, inclusão ou exclusão dos sujeitos na investigação.

Com o objectivo de salvaguardar a confidencialidade e privacidade das crianças e, ao mesmo tempo, a identificação do entrevistado, foi atribuído a cada uma das falas/entrevistas as iniciais do seu nome, seguido do sexo (F ou M) e a idade. De acordo com Lüdke &André (2003), esta medida é muito importante porque tem como finalidade manter o anonimato dos intervenientes, neste caso as crianças, e afasta qualquer referência que os possa identificar.

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Os protagonistas foram seleccionados de forma aleatória mas tentando obter um grupo heterogéneo relativamente ao sexo, às idades e ao nível socioeconómico para proporcionar alguma heterogeneidade/diversidade de vivências e representações.

Foi feito um levantamento de algumas informações relevantes, nomeadamente no que diz respeito às habilitações literárias dos pais dos protagonistas desta investigação, às profissões que desempenham no momento da investigação e ainda ao número de irmãos que cada criança/actor possui.

No que concerne às habilitações literárias dos pais, como podemos observar no gráfico, elas variam desde Doutoramento,

Licenciatura, Bacharelato, 12º, 11º, 9º e 6º ano. Sendo que a maioria dos pais possui o 12º ano, seguidamente da Licenciatura com 18 pais. Com o Doutoramento existe uma mãe, com o 9º ano existem três pais e com o 11º ano

outros três, com o 6º ano existem dois pais e com o Bacharelato também dois. É de salientar que a grande maioria dos pais dos protagonistas possuem entre o 12º ano e a Licenciatura.

Relativamente às profissões dos pais dos protagonistas da investigação, elas são bastante diversificadas apresentando-se 26 profissões diferentes

Gráfico 1 “Habilitações Literárias dos Pais”

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Assim, através do gráfico, constatamos que 10 pais são Professores, seguidamente 4 pais são Comerciantes, 3 Empresários, Funcionários Públicos e Operadores de Loja. Para as restantes profissões o número de pais varia entre dois e um por cada uma delas.

No que concerne ao número de irmãos que cada criança/actor possui, constatou-se que a maioria dos protagonistas da investigação são filhos únicos, ou seja, não têm irmãos, depois seguem-se onze crianças que têm um irmão e uma criança que tem dois irmãos.

O primeiro passo, após as autorizações por parte dos pais terem sido dadas, foi o de obter o consentimento dos protagonistas para participarem na investigação. Para tal, foi apresentado um pack de informação a cada grupo de crianças. Primeiro visualizaram um cartaz (Anexo 2) com as informações mais relevantes sobre o que consiste a investigação e a participação dos sujeitos e oralmente, com uma linguagem simples, acessível e clara exprimi tal informação aos protagonistas para posteriormente poderem fazer as suas escolhas mais informadas acerca das suas decisões em participar ou não na investigação. Após a decisão das crianças foi distribuído um desdobrável elucidativo do cartaz (Anexo 3) para formalizar as suas escolhas no qual as crianças tiveram oportunidade de colocar a sua impressão digital, símbolo da sua decisão em ser um dos protagonistas da investigação e ao levarem o desdobrável para casa para dar a conhecer aos pais a sua decisão, permitem que seja estabelecida uma relação de confiança entre o investigador, as crianças e a família.

Depois desta fase, foram feitas as entrevistas5 às crianças, no seu contexto natural, e em

diversos momentos.

5 Ver guião das entrevistas no Anexo 4 e o quadro de análise das entrevistas no Anexo 5

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Capítulo VI - Análise da Voz das Crianças