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Caraterização dos casos e do seu contexto

A ESTRUTURA MODULAR: ESTUDO EMPÍRICO

3. Apresentação e discussão dos resultados

3.1. Caraterização dos casos e do seu contexto

A ES fica situada no Alentejo, num concelho que apresenta uma elevada taxa de envelhecimento e uma baixa taxa de atividade (42%). Segundo os Censos de 2001, 67% da população do concelho trabalhava no setor terciário, 18% no setor secundário e 15% no primário, apresentando uma taxa de desemprego de 9,5% (Doc1, 1). O nível de escolarização da população do concelho era relativamente baixo: 25% não dispunha de qualquer grau de ensino, 36% possuía o 1.º ciclo do ensino básico, 11% o 2.º ciclo do ensino básico, 9% o 3.º ciclo do ensino básico, 13% o ensino secundário e 6% o ensino superior (Doc1, 2).

A ES foi construída com a herança de um benemérito que, em testamento, manifestou o desejo de ser criada uma fundação, que administrasse os bens por ele legados, no sentido de construir uma escola agrícola e industrial no concelho. A fundação foi criada em 1956, tendo, a partir daí, desenvolvido esforços com vista à construção da escola, que foi, de facto, inaugurada em abril de 1964, como escola agro-industrial. Em 1970, esta escola passou a escola técnica, enquanto a fundação foi extinta em 1977. Em 1978, no âmbito da alteração

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global da tipologia dos estabelecimentos de ensino, a escola técnica passou a designar-se escola secundária (Doc1, 3).

Esta evolução institucional configurou uma oferta formativa caraterizada pela polivalência. A oferta formativa inclui o 3º ciclo do ensino básico, cursos científico- humanísticos do ensino secundário (Ciências e Tecnologias, Artes Visuais e Línguas e Humanidades) e, desde 2006/2007, cursos profissionais31 (Doc1, 5).

Na atualidade, a população escolar é composta por cerca de oitocentos alunos jovens e adultos. Os primeiros constituem 75% da população escolar total, distribuída pelo 3.º ciclo do ensino básico (25%) e pelo ensino secundário (50%). Os adultos constituem 25% da população escolar, enquadrada no Centro Novas Oportunidades, a funcionar desde finais de 2008 (Doc1,

4).

A ES desenvolve projetos nas áreas da saúde e educação sexual (Escola Promotora de Saúde), do sucesso escolar (metodologia TurmaMais e Plano de Ação da Matemática) e da atividade física e desportiva (Desporto Escolar) (Doc1, 6).

Quanto a recursos humanos, a ES dispõe de cerca de 80 professores, dos quais 60% pertence ao quadro de nomeação definitiva. Do pessoal não docente fazem parte uma psicóloga, oito assistentes técnicos, três profissionais de reconhecimento, validação e certificação de competências (RVCC), uma técnica de diagnóstico e encaminhamento e catorze assistentes operacionais (Doc1, 7).

No que se refere às instalações, a ES dispõe de salas de aula, salas de informática, oficinas e laboratórios, anfiteatro, bufete, espaço de convívio para alunos, biblioteca, um ginásio e respetivos balneários, polidesportivo descoberto e área administrativa. Dada a ausência de refeitório, os alunos utilizam o da escola básica (Doc1, 8).

Por sua vez, a EP também está localizada no Alentejo, no mesmo concelho da ES. Foi criada com o objetivo de preencher uma lacuna ao nível da formação técnica e profissional da

31 Nos últimos anos, a oferta de cursos profissionais é variável consoante a procura, tendo a escola oferecido os

cursos Técnico de Apoio Psicossocial, Técnico de Gestão, Técnico de Manutenção Industrial e Técnico de Informática de Gestão.

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região no domínio da agricultura32. Constituiu-se por contrato-programa celebrado em agosto de 1990, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 26/89, de 21 de janeiro, entre o GETAP, como primeiro outorgante, e a EP, uma cooperativa de comercialização, a associação de agricultores local e a dependência da Caixa de Crédito Agrícola, como segundos outorgantes. À recém-criada EP foi afeto um extenso património fundiário, formado por três explorações agrícolas, bem como todo o equipamento, instalações e recursos humanos (professores do ensino agrícola e funcionários).

Em 2000, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 4/98, de 8 de janeiro, dado o contributo do seu projeto pedagógico para a formação de jovens na área agrícola e para o desenvolvimento económico-social da região, a EP passou a ter natureza pública, integrando-se na rede oficial de estabelecimentos de ensino do ME e adotando o regime de autonomia, administração e gestão recentemente publicado (o Decreto-Lei n.º 115-A/98, de 4 de maio).

De acordo com a Portaria de criação, a EP tinha uma oferta formativa constituída por três cursos: técnico de gestão agrícola, técnico de produção animal e técnico de turismo ambiental e rural. Passada uma década, a EP, atenta às mudanças socioeconómicas, em especial no mercado de trabalho, mediante o parecer favorável de agentes locais e regionais, com quem a Escola tem parcerias e protocolos, passou a incluir na sua oferta formativa os cursos técnico de turismo, técnico de jardinagem e técnico de espaços verdes (Doc2, 19).

O edifício escolar da EP integra quatro blocos térreos, dispondo de área administrativa, 10 salas de aula, sala de convívio dos alunos, bufete, biblioteca, anfiteatro, dois laboratórios, residência do tratador de animais, parque de máquinas, museu agrícola, sala de mecanização, estação meteorológica, ovil, aviário e exploração agrícola de 23 ha. A EP dispõe também de duas carrinhas para transporte de alunos (Doc2, 17).

O corpo docente é constituído por cerca de 30 professores distribuídos por três departamentos, dos quais dez pertencem ao quadro de escola. 43% dos professores tem mais de 15 anos de experiência pedagógica e a média de idades é de 42 anos. O pessoal não docente é constituído por um coordenador técnico, quatro assistentes técnicos e dez assistentes operacionais, pertencendo todos ao quadro de escola (Doc2, 18).

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A população discente era constituída, no ano letivo de 2010/2011, por 127 alunos dos cursos profissionais, e 24 formandos dos cursos de educação e formação de adultos (EFA). Estavam em funcionamento dez turmas, sendo duas do curso Técnico de Produção Agrária (TPA), três do curso Técnico de Turismo (TT), três do curso Técnico de Turismo Ambiental e Rural (TTAR), uma do curso EFA de Operador de Máquinas Agrícolas (nível 2) e uma do curso EFA de Jardinagem e Espaços Verdes (nível 4) (Doc2, 19).

3.2. Resultados ao nível do processo de ensino e aprendizagem na estrutura

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